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III Jogos Olímpicos
1904 - St. Louis (EUA)

Da Redação

De tão desorganizado, disperso e relegado ao segundo plano, os Jogos de Saint- Louis quase implodiram o movimento olímpico logo no seu início. Ainda mais porque era o segundo fracasso seguido, após uma edição pouco memorável em Paris.

Como em 1900, os organizadores resolveram realizar as Olimpíadas como mais um evento da Feira Mundial. O COI sabia que não era uma grande idéia e tentou levar o evento para Chicago. Mas o presidente norte-americano Theodore Roosevelt interveio em favor da maior cidade do Missouri.

Se havia o medo de, novamente, máquinas e novas tecnologias ofuscarem o esporte (o que acabou acontecendo), os organizadores por pouco não transformaram as Olimpíadas em um show de aberrações: organizadores da feira deram o rótulo “olímpico” a tudo quanto foi evento que envolvia minimamente o esporte. Assim, jogos colegiais da região e provas da Associação Cristã de Moços (ACM) foram considerados parte da competição.

Junto com as Olimpíadas e a Feira Mundial, os organizadores fizeram os “Dias Antropológicos”, em que índios americanos (de sioux a nativos da Patagônia) e pigmeus africanos vestiram roupas típicas e praticaram esportes que pouco conheciam. O evento se tornou um circo para olhos curiosos e preconceituosos, tanto que o relatório oficial do evento concluía que tais “atletas não-civilizados” se mostraram inferiores aos demais. No final das contas, das 390 competições esportivas realizadas em Saint Louis, apenas 88 foram oficializadas pelo COI.

Saint Louis 1904 foi uma festa para os atletas dos Estados Unidos. Nunca um país foi tão dominante nas Olimpíadas. Foram 77 títulos, 81 segundos lugares e 78 terceiros. Quem mais se aproximou foi Cuba, Canadá e Alemanha (todos com quatro títulos). Para esse cenário contribuiu o quase boicote dos europeus. Relutantes em pagar o transporte para o outro lado do Atlântico, as delegações do Velho Mundo foram pequenas e pouco representativas. Tanto que muitos dos competidores franceses e britânicos eram imigrantes. Vale lembrar que, há 100 anos, os Estados Unidos não eram uma potência econômica e militar, e sim, um país que se erguia após uma sangrenta Guerra Civil e ainda desenvolvia sua indústria.

Ainda assim, houve espaço para que fatos ficassem marcados para a história olímpica. Como as façanhas de Ray Ewry e do velocista Archie Hahn. Apesar de conquistar apenas dois terceiros lugares, nos 200 m rasos e nos 400 m com barreiras, George Poage merece um lugar na antologia por ter sido o primeiro negro a ser premiado nas Olimpíadas modernas.

Outro momento memorável daqueles Jogos foi a maratona. Tratou-se quase de uma versão a pé e com 40 km de extensão da “Corrida Maluca”. Após 15 km de corrida, o norte-americano Fred Lorz desistiu da prova. Pediu uma carona para voltar ao estádio olímpico. No entanto, o carro quebrou pouco antes do destino e Lorz completou o trajeto a pé. Quando entrou no estádio, todos vibraram e saudaram o líder da maratona.

O corredor se empolgou e cruzou a linha de chegada como vencedor. Foi à tribuna e até tirou fotos ao lado de Alice Roosevelt, filha do presidente norte-americano Theodore Roosevelt. Minutos depois chegou seu compatriota Thomas Hicks. Verdadeiro campeão da corrida, Hicks protestou e, diante da situação constrangedora, Lorz admitiu ser um impostor.

O cubano Félix Carbajal também fez história. Carteiro em Havana, resolveu participar por conta própria da maratona olímpica. Antes de chegar a Saint Louis, perdeu tudo que economizara se divertindo em Nova Orleans. Com dinheiro doado por estranhos, chegou ao Missouri. Apareceu vestido com calças e camisas de mangas compridas, sapatos e boina. Um adversário o ajudou a cortar as mangas e a transformar a calça em bermuda.

Durante a corrida, parou diversas vezes para conversar com os torcedores. Comeu um pêssego e ainda colheu uma maçã em um pomar existente no trajeto. Teve dores de barriga e vomitou. Após tantas intempéries, ainda conquistou o 4º lugar. Foi homenageado com o título de “O mais glorioso perdedor da história das Olimpíadas”.

          Quadro de medalhas:

PAÍS OURO PRATA BRONZE
1. Estados Unidos 77 81 78
2. Alemanha 4 4 5
3. Cuba 4 2 3
4. Canadá 4 1 1
5. Hungria 2 1 1
6. Grã-Bretanha 1 1 0
7. Equipes multinacionais 1 1 0
8. Suíça 1 0 1
9. Grécia 1 0 1
10. Áustria 0 0 1



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