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IX Jogos Olímpicos - Amsterdã 1928

Da Redação

Como Teodósio na Roma Antiga, a Igreja holandesa também considerou os Jogos Olímpicos um ato pagão e orientou seus fiéis a boicotarem as competições. Era apenas o início das pequenas confusões que precederam as Olimpíadas de Amsterdã.

Em seguida, a rainha Guilhermina retirou o apoio governamental, pois considerava o evento esportivo uma rememoração da Primeira Guerra Mundial. Financeiramente, só foi possível viabilizar os Jogos pelo dinheiro de comerciantes da Companhia das Índias e de uma loteria. Foi tanto dinheiro que a organização construiu o belo estádio Olímpico, com capacidade para mais de 60 mil pessoas.

Pela primeira vez, uma pira ficou acesa no estádio olímpico durante os Jogos. Em Amsterdã também foi implementado, na cerimônia de abertura, o desfile aberto pela Grécia e encerrado pelo país anfitrião, ordem empregada até hoje (com exceção dos Jogos de Atlanta em 1996, em que os gregos, como forma de protesto pela não-escolha de Atenas, desfilaram junto com as demais delegações). E havia uma "novidade". A Alemanha estava de volta. O que causou mais problemas.

Grécia, Holanda, Alemanha e outros 42 países desfilaram. Menos a França. Há várias versões para a causa do protesto, mas o fato é que os franceses se negaram a participar da cerimônia. Supostamente, um holandês teria demonstrado antipatia pelos gauleses. Há quem defenda que o mesmo homem teria dito que apreciava os alemães.

Ainda havia espaço para mais confusão. Os organizadores resolveram vender os direitos de fotografar os eventos para uma empresa. Até mesmo os torcedores estavam proibidos de fazer imagens dentro dos recintos olímpicos. Assim, todos eram revistados antes de entrar nas instalações, o que provocava filas enormes e protestos insistentes. Inviável operacionalmente, o procedimento foi abandonado.

O problema restante não teve ligação com a organização do evento. A Grã-Bretanha acusou as seleções de futebol de Uruguai, Argentina e Chile de profissionalismo mascarado. Pediram a exclusão dos sul-americanos ou uma permissão para também adotar práticas compensatórias financeiramente. O pedido foi negado e os britânicos se retiraram do torneio. Curiosamente, a final do torneio de futebol foi entre uruguaios e argentinos, em um prelúdio da final da primeira Copa do Mundo, disputada dois anos depois em Montevidéu.

Mesmo assim, não dá para dizer que foi um evento desorganizado. Os contratempos citados foram pontuais e, no todo, os Jogos foram um sucesso. O número de nações e atletas participantes crescia. Melhor ainda, Amsterdã viu as primeiras provas femininas no atletismo. Isso só foi possível com o afastamento do Barão de Coubertin da presidência do COI. Independentemente de suas nobres intenções, o francês era machista e considerava uma perda de tempo colocar mulheres no atletismo e em esportes em geral.

Porém, nem tudo foi motivo de comemoração para as mulheres. Nos 800 rasos, a alemã Lina Radke-Batschauer conquistou o ouro batendo o recorde mundial. Atrás dela, as competidoras que cruzavam a linha de chegada desabavam, completamente esgotadas. Isso sem contar as que nem agüentaram as duas voltas na pista do estádio Olímpico. Foi o (preconceituoso) argumento que os conservadores precisavam para limitar a participação feminina no atletismo nos Jogos. Apenas em 1960 as mulheres puderam competir em provas de meio-fundo. E, na maratona, isso só aconteceria em 1984.

Ainda no atletismo, os holandeses viram a primeira vitória africana em corridas de longa distância. O argelino Boughera El-Ouafi venceu a maratona com uma pequena vantagem sobre o chileno Miguel Plaza-Reyes. Mas, como a Argélia ainda era uma colônia francesa, a medalha foi para a contabilidade da metrópole. O próprio El-Ouafi era soldado da França na colônia do norte da África.

Em crise financeira, o Brasil não participou das Olimpíadas de Amsterdã.

          Quadro de medalhas:

PAÍS OURO PRATA BRONZE
1. Estados Unidos 22 18 16
2. Alemanha 10 7 14
3. Finlândia 8 8 9
4. Suécia 7 6 12
5. Itália 7 5 7
6. Suiça 7 4 4
7. França 6 10 5
8. Holanda 6 9 4
9. Hungria 4 5 0
10. Canadá 4 4 7
11. Grã-Bretanha 3 10 7
12. Argentina 3 3 1
13. Dinamarca 3 1 2
14. Tchecoslováquia 2 5 2
15. Japão 2 2 1
16. Estônia 2 1 2
17. Egito 2 1 1
18. Áustria 2 0 1
19. Austrália 1 2 1
20. Noruega 1 2 1
21. Polônia 1 1 3
22. Iugoslávia 1 1 3
23. África do Sul 1 0 2
24. Nova Zelândia 1 0 0
25. Uruguai 1 0 0
26. Espanha 1 0 0
27. Índia 1 0 0
28. Irlanda 1 0 0
29. Bélgica 0 1 2
30. Chile 0 1 0
31. Haiti 0 1 0
32. Filipinas 0 0 1
33. Portugal 0 0 2



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