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1932 - Los Angeles (EUA)
Da Redação
Em 1929, a bolsa de valores de Nova York quebrou, marcando o início da Grande Depressão nos Estados Unidos. Na época, Los Angeles já havia sido escolhida sede dos Jogos de 1932 e os norte-americanos queriam se redimir do espetáculo de horrores que foram as Olimpíadas de 1904. Mas poucos botavam fé na determinação dos estadunidenses.
O primeiro motivo foi o deslocamento sacrificante até a capital do cinema, o que reduziria as delegações de fora do continente americano. Além disso, os europeus ainda desconfiavam daquela imensa ex-colônia que ganhava importância de forma assustadora (mas que só seria considerada uma potência mundial após a Segunda Guerra Mundial). Por fim, claro, a Grande Depressão, que fragilizara a economia norte-americana.
É verdade que Los Angeles não fora atingida tão fortemente pela quebra da bolsa nova-iorquina. Mesmo assim, o fracasso financeiro dos Jogos Olímpicos de Inverno de Lake Placid, estado de Nova York, realizados em fevereiro de 1932, não era um bom presságio para o evento californiano.
Os temores não se confirmaram. O número de atletas realmente foi baixo (menos da metade de Amsterdã), mas não houve grande alteração na quantidade de países presentes (de 46 caiu para 37), o que indica que foram apenas os melhores de cada nação. De resto, dinheiro não faltou à organização dos Jogos. Pelo contrário.
Pela primeira vez foi construída uma vila olímpica digna do nome. Era um bairro isolado da cidade, com todos os serviços essenciais para o conforto dos atletas, como correios, comércio, delegacia de polícia, centro médico e instalações para treinos. As instalações esportivas também eram invejáveis, com linhas de telex que permitiam a transmissão imediata dos resultados para a imprensa. O Memorial Coliseum foi ampliado para receber 105 mil espectadores, se tornando o maior estádio olímpico utilizado até então. Outra novidade foi na premiação. Também estreava o pódio para a entrega das medalhas ao som do hino do país do vencedor.
As competições ocorreram sem grandes contratempos. Houve poucos problemas de origem política. Até porque, na cerimônia de abertura, os norte-americanos trataram de colocar a Grã-Bretanha entre a França e a Alemanha (que, em inglês, é Germany). No mais, apenas uma saudação fascista de um atleta italiano que não teve nenhuma repercussão relevante.
Confusão mesmo foi causada pelo Brasil. Derrotado pela Alemanha no pólo aquático, os brasileiros agrediram o árbitro húngaro. Foram humilhantemente desclassificados da competição. Houve também uma confusão entre os argentinos, pois os atletas não aceitavam o chefe da delegação. Nada que atrapalhasse os Jogos, até porque o problema foi resolvido internamente (alguns atletas foram presos ao desembarcar em Buenos Aires).
Recordes - No atletismo, caíram 11 marcas mundiais e 24 olímpicas. Claro, a pista com o rápido piso de húmus batido ajudou. Porém, a qualidade de atletas como a multi-atleta norte-americana Babe Didrikson, o velocista Ralph Metcalfe e o saltador japonês Chuhei Nambu não pode ser desprezada. Mas houve espaço para a surpresa. A polonesa Stanislawa Walasiewicz ganhou ouro batendo o recorde mundial dos 100 m rasos. Morreu em um assalto a um supermercado quando tinha 60 anos. Na autópsia, descobriram que era um homem.
Novamente, a campanha brasileira foi fraca. O pólo aquático foi desclassificado, a nadadora Maria Lenk ficou nas semifinais e o saltador com vara Lúcio de Castro alcançou apenas a 6º posição. Na verdade, o país pecou pela desorganização. Dos 82 atletas, apenas 13 tinham condições de financiar sua própria viagem. Os demais embarcaram em um navio cheio de sacos de café. Cada atleta tinha uma cota, que deveria ser toda vendida nas paradas pelo caminho. Quem não conseguisse ficaria no navio até o dia da volta. Enquanto isso, 297 convidados puderam passear por Los Angeles.
Quadro de medalhas:
| PAÍS |
OURO |
PRATA |
BRONZE |
| 1. Estados Unidos |
41 |
32 |
30 |
| 2. Itália |
12 |
12 |
12 |
| 3. França |
10 |
5 |
4 |
| 4. Suécia |
9 |
5 |
9 |
| 5. Japão |
7 |
7 |
4 |
| 6. Hungria |
6 |
4 |
5 |
| 7. Finlândia |
5 |
8 |
12 |
| 8. Grã-Bretanha |
4 |
7 |
5 |
| 9. Alemanha |
3 |
12 |
5 |
| 10. Austrália |
3 |
1 |
1 |
| 11. Argentina |
3 |
1 |
0 |
| 12. Canadá |
2 |
5 |
8 |
| 13. Holanda |
2 |
5 |
0 |
| 14. Polônia |
2 |
1 |
4 |
| 15. África do Sul |
2 |
0 |
3 |
| 16. Irlanda |
2 |
0 |
0 |
| 17. Tchecoslováquia |
1 |
2 |
1 |
| 18. Áustria |
1 |
1 |
3 |
| 19. Índia |
1 |
0 |
0 |
| 20. Dinamarca |
0 |
3 |
3 |
| 21. México |
0 |
2 |
0 |
| 22. Nova Zelândia |
0 |
1 |
0 |
| 23. Letônia |
0 |
1 |
0 |
| 24. Suíça |
0 |
1 |
0 |
| 25. Filipinas |
0 |
0 |
3 |
| 26. Espanha |
0 |
0 |
1 |
| 27. Uruguai |
0 |
0 |
1 |
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