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XI Jogos Olímpicos
1936 - Berlim (Alemanha)

Da Redação

Pela glória esportiva ou pelos sentimentos mais medíocres da natureza humana, os Jogos Olímpicos de Berlim sempre estarão entre os mais lembrados da história olímpica moderna. No primeiro grupo estão as medalhas do negro norte-americano Jesse Owens e da holandesa Hendrika Mastenbroeck, conquistadas no evento promovido e usado como propaganda pelo governo nazista (já dá para entender o porquê dos “sentimentos medíocres”).

Quando a capital alemã foi escolhida como sede do evento, era 1931 e o Partido Nacional Socialista ainda não estava no poder. Inclusive, Hitler se pronunciava contra a realização dos Jogos em Berlim até assumir o governo em 1933. No entanto, Joseph Göbbels, o ministro da propaganda alemão, viu nas Olimpíadas uma oportunidade de mostrar ao mundo o quão poderosa era a Alemanha e a raça ariana. Construíram um mega-estádio em Berlim, com capacidade para 110 mil pessoas. Também recriaram a tradição da tocha olímpica, instituída no Monte Olimpo, na Grécia, e usada para acender uma enorme pira no principal estádio do evento. Foi também a primeira edição dos Jogos com transmissão pela televisão, mesmo que apenas dentro da capital alemã.

Foi muito difícil dissociar política de esporte. Antes dos jogos, movimentos internos em países como EUA, França e Grã-Bretanha ensaiaram um boicote ao evento. Tentou-se até criar umas Olimpíadas alternativas, em Barcelona (cidade que perdeu de Berlim na eleição do COI). Mas a Guerra Civil Espanhola impossibilitou a realização do evento-protesto. Assim, não deu para impedir a realização do evento em Berlim. Até porque o governo norte-americano, na época, não havia se posicionado diplomaticamente com clareza e aceitou algumas concessões oferecidas pelos alemães, como o pagamento das despesas de todas as delegações e a permissão do envio de atletas negros e judeus.

O mesmo não ocorreu entre os competidores da casa. Alguns não puderam disputar os Jogos pelo simples fato de serem judeus. Entre os alemães “arianos”, houve os que faziam a saudação nazista quando subiam ao pódio para receber as medalhas e os que se mostravam contra os ideais de Hitler. Ainda tratando das nações que formaram o Eixo durante a Guerra, os japoneses inflaram seu quadro de medalhas com as conquistas dos atletas coreanos, na época subjugados pelas forças invasoras nipônicas. Parecia que o esporte era apenas uma desculpa para o exibicionismo de forças.

Outros países também mostravam seus talentos. No hóquei sobre grama, a Índia conquistou seu tri-campeonato olímpico. Como o país asiático ainda era uma colônia britânica, seus atletas tiveram que ver o hasteamento da bandeira do Reino Unido e ouvir o “God Save the Queen” ao receber as medalhas. Isso não ocorrera em Amsterdã-28 e Los Angeles-32. Mas, diante da torcida alemã, a bandeira e o hino britânico tinham que ser vistos e ouvidos sempre que possível. No entanto, nenhuma manifestação antinazista foi tão eficiente quanto as façanhas de Jesse Owens. Ele conquistou quatro ouros no atletismo, modalidade-símbolo dos Jogos e, claro, a mais desejada pelos governantes da Alemanha.

Na frieza do quadro de medalhas, Hitler pode até ter ficado satisfeito, pois ninguém conquistou mais ouros, pratas e bronzes que a nação anfitriã. Ainda assim, as vitórias mais marcantes foram de um norte-americano. Mais, um norte-americano negro.

O mundo estava em uma situação delicada. Em 1939, a Alemanha de Hitler invadiu a Polônia e começou a Segunda Guerra Mundial. Com os combates, os Jogos de Tóquio (depois transferidos para Helsinque), programados para 1940, e de Londres, em 1944, foram cancelados. Inevitavelmente, os campos de batalha contaram com diversos atletas olímpicos. Muitos morreram. Como o esgrimista Endre Kabos e nadador Ferenc Csik, ambos húngaros e medalhas de ouro, pela ordem, do sabre (individual e equipe) e dos 100 m nado livre. O Brasil levou 94 atletas (sua maior delegação desde o início dos Jogos, mas não ganhou nenhuma medalha.

          Quadro de medalhas:

PAÍS OURO PRATA BRONZE
1. Alemanha 33 26 30
2. Estados Unidos 24 20 12
3. Hungria 10 1 5
4. Itália 8 9 5
5. Finlândia 7 6 6
6. França 7 6 6
7. Suécia 6 5 9
8. Japão 6 4 8
9. Holanda 6 4 7
10. Grã-Bretanha 4 7 3
11. Áustria 4 6 3
12. Tchecoslováquia 3 5 0
13. Argentina 2 2 3
14. Estônia 2 2 3
15. Egito 2 1 2
16. Suíça 1 9 5
17. Canadá 1 3 5
18. Noruega 1 3 2
19. Turquia 1 0 1
20. Nova Zelândia 1 0 0
21. Índia 1 0 0
22. Polônia 0 3 3
23. Dinamarca 0 2 3
24. Letônia 0 1 1
25. Romênia 0 1 0
26. África do Sul 0 1 0
27. Iugoslávia 0 1 0
28. México 0 0 3
29. Bélgica 0 0 2
30. Austrália 0 0 1
31. Portugal 0 0 1
32. Filipinas 0 0 1



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