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XIV Jogos Olímpicos
1948 - Londres (Grã-Bretanha)

Da Redação

Candidata aos Jogos de 1944, Londres acabou sendo uma escolha natural para as Olimpíadas de 1948. O motivo não foi apenas compensar a perda do evento de quatro anos antes, mas aproveitar uma das poucas capitais européias que continuavam de pé depois da Segunda Guerra Mundial. Ainda assim, era impossível esconder as marcas do combate. Muitos eram os prédios danificados, além do racionamento de matéria-prima, combustíveis e alimentos. Dezenas de atletas haviam combatido e alguns morreram nas batalhas.

O próprio COI sofria. Em 1937, o Barão de Coubertin morreu de parada cardíaca. Em 1941, o belga Henri de Baillet-Latour, então presidente do COI, viabilizador dos Jogos de Antuérpia e antinazista fervoroso, também faleceu. Mas as Olimpíadas seguiriam.

Não havia condições de se construir uma vila olímpica, já que os ingleses estavam com outras prioridades no cronograma de obras públicas. Assim, os homens se hospedaram em alojamentos da Royal Air Force (a aeronáutica britânica) e do exército, enquanto as mulheres foram para os dormitórios de um colégio. As principais competições ocorreram no estádio de Wembley, sobrevivente da guerra.

Como esperado, a Alemanha e o Japão não participaram. Talvez nem tivessem condições, destruídos e humilhados que estavam. A Itália também ficaria de fora, mas foi aceita por intervenção do primeiro-ministro britânico Winston Churchill.

A Guerra Fria já nascera, mas ainda não andava, tampouco se falava sobre o assunto. Havia um clima de que o inimigo não era o bloco capitalista ou comunista, mas os governos nazi-fascistas. Por isso, foi natural que os organizadores recebessem bem as delegações comunistas de Hungria, Iugoslávia, Polônia e Tchecoslováquia. Uma exceção foi a União Soviética que, mais uma vez, ficou de fora. Os atletas soviéticos já apareciam com marcas significativas no cenário mundial, mas o governo comunista esperaria mais quatro anos para entrar efetivamente nas Olimpíadas.

Com o espírito sensível em todo o mundo, não foi difícil os torcedores elegerem algumas estrelas, quase heróis. A maior delas foi a holandesa Fanny Blankers-Koen. Com 30 anos e dois filhos, a “dona-de-casa voadora” ganhou quatro medalhas de ouro. Ainda solteira, ela participara dos Jogos de Berlim sem grande destaque.

Os 12 anos de interrupção olímpica praticamente impossibilitaram que houvesse bicampeões em Londres. Apenas o tchecoslovaco Jan Brzak-Felix, na canoa canadense em dupla, a esgrimista húngara Ilona Elek -que, em 1936, era solteira e competira com o sobrenome Schacherer- no florete individual e Aladár Gerevich, também esgrimista e também vindo da Hungria. Ele foi campeão nas equipes de sabre em 1932, 36, 48, 52, 56 e 60, além do título individual com a mesma arma em 48. Além dos dois, houve apenas mais um campeão pré e pós-Segunda Guerra. Também esgrimista, o italiano Edoardo Mangiarotti foi ouro por equipes na espada em 1936, feito bisado em 1952, 56 e 60.

Mereceram destaque o atirador húngaro Karoly Takacs, que perdera sua mão direita na explosão de uma granada e aprendeu a atirar com a outra, o lendário fundista tchecoslovaco Emil Zatopek e o adolescente norte-americano Bob Mathias, campeão do decatlo com apenas 17 anos. Pelo Brasil, veio a primeira medalha em esportes coletivos, um bronze do basquete masculino.

Infelizmente, também houve tragédias nos Jogos de Londres. Assim que desembarcara na capital inglesa, a ginasta tchecoslovaca Eliska Misakova foi internada. Morreu de paralisia infantil um dia depois da estréia da equipe de seu país. No final, o time feminino da Tchecoslováquia conquistou medalha de ouro. A bandeira do país foi hasteada com uma faixa preta, sinal de luto.

No dia da volta, outra notícia chocante para as tchecoslovacas. Marie Provazikova, chefe da delegação, pediu asilo político ao Reino Unido, alegando não suportar a repressão em seu país. Foi o primeiro caso de um representante esportivo de uma nação comunista a pedir asilo durante uma competição no exterior.

          Quadro de medalhas:

PAÍS OURO PRATA BRONZE
1. Estados Unidos 38 27 19
2. Suécia 16 11 17
3. França 10 6 13
4. Hungria 10 5 12
5. Itália 8 11 8
6. Finlândia 8 7 5
7. Turquia 6 4 2
8. Tchecoslováquia 6 2 3
9. Suíça 5 10 5
10. Dinamarca 5 7 8
11. Holanda 5 2 9
12. Grã-Bretanha 3 14 6
13. Argentina 3 3 1
14. Austrália 2 6 5
15. Bélgica 2 2 3
16. Egito 22 2 1
17. México 2 1 2
18. África do Sul 1 1 1
19. Noruega 1 3 3
20. Jamaica 1 2 0
21. Áustria 1 0 3
22. Índia 1 0 0
23. Peru 0 0 0
24. Iugoslávia 0 2 0
25. Canadá 0 1 2
26. Uruguai 0 1 1
27. Portugal 0 1 1
28. Sri Lanka 0 1 0
29. Trindad e Tobago 0 1 0
30. Cuba 0 1 0
31. Espanha 0 1 0
32. Coréia do Sul 0 0 2
33. Panamá 0 0 2
34. Polônia 0 0 1
35. Porto Rico 0 0 1
36. Irã 0 0 1
37. Brasil 0 0 1



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