|
História » 1952
XV Jogos Olímpicos
1952 - Helsinque (Finlândia)
Da Redação
Foi apenas em 1951 que a União Soviética confirmou sua presença nos Jogos de Helsinque. A partir daquele momento, criou-se uma enorme expectativa a respeito do desempenho da maior nação comunista do mundo. Afinal, muitos viam os fechados soviéticos como super-homens ou algo parecido. Tinham o apoio total do governo, eram treinados especificamente para isso (ou alguém leva a sério nas patentes militares que carregavam?) e, principalmente, eram desconhecidos. E é raro não temer o desconhecido.
Curioso isso acontecer justamente na Finlândia, país que só teve independência da Rússia com a queda do absolutismo czarista na década de 10. Inclusive, essa proximidade geográfica foi usada pelos soviéticos. Para aumentar ainda mais o mistério, os dirigentes da potência comunista ameaçaram concentrar seus atletas e treinar em casa, só indo à Finlândia para as competições. O COI não aceitou.
Diante do impasse, os soviéticos conseguiram, ao menos, que se construísse uma vila olímpica à parte, evitando se misturar com atletas de países rivais. Nessa segunda vila, ficaram também os húngaros e tchecoslovacos. Com isso, o único boicote aos Jogos de Helsinque foi o da China Popular, recém-conquistada por Mao Tse-Tung, que não aceitou a participação de Formosa, também chamada na época de China Nacionalista e hoje mais conhecida como Taiwan.
Também houve problemas de divisão política com a Alemanha. Depois da exclusão dos Jogos de 1948, os germânicos foram aceitos em Helsinque. A idéia era que apenas uma Alemanha competisse, mas essa já não era mais a realidade política da região. Como dirigentes ocidentais e orientais não entraram em acordo, a representação da Alemanha unificada foi, na realidade, a primeira delegação da Alemanha Ocidental na história olímpica.
Era o início da Guerra Fria e Estados Unidos e União Soviética transformaram o evento idealizado pelo Barão de Coubertin em um campo para propaganda política. E, a despeito do princípio pouco nobre dessa atitude, acabaram revelando gerações de atletas soberbos.
Em Helsinque apareceram os primeiros desses atletas. Do lado comunista da briga, o maior destaque foi Viktor Chukarin, o primeiro superginasta da prolífica escola soviética. Com três ouros e duas pratas individuais, o ucraniano ajudou a União Soviética a vencer a competição por equipes. Era o início de hegemonia que só teve a concorrência dos japoneses nos anos 60 e 70.
Os Estados Unidos contaram com estrelas como o ainda garoto Bob Mathias, bicampeão do decatlo, e o boxeador Floyd Patterson, ouro no peso médio e, como profissional, futuro campeão mundial dos pesados. O boxe, inclusive, contava com uma novidade. Para preservar a saúde dos atletas, os perdedores das semifinais ficavam com o bronze, sem necessidade de uma luta de desempate. No final, os norte-americanos venceram. Com 40 medalhas douradas (75 no total), deram poucas chances aos soviéticos, que levaram “apenas” 22 ouros (71 medalhas no total).
Porém, mesmo com a rivalidade político-ideológica das duas superpotências dominando o esporte, os maiores destaques dos Jogos de Helsinque vieram de nações menores. Emil Zatopek, da Tchecoslováquia, se consolidou como um dos maiores fundistas de todos os tempos. A dinamarquesa Lis Hartel, sem poder mexer as pernas devido a uma poliomielite, foi prata no hipismo. O esgrimista italiano Edoardo Mangiarotti levou o ouro na espada individual e por equipes. A Hungria comemorou as conquistas do atirador Karoly Takacs e, principalmente, de sua seleção de futebol, provavelmente a melhor a disputar alguma edição das Olimpíadas. Até o Brasil teve sua estrela nos Jogos. Adhemar Ferreira da Silva foi ouro no salto triplo, batendo quatro vezes seu próprio recorde mundial. Foi festejado pela torcida finlandesa.
Aliás, os donos da casa tiveram realmente de torcer por atletas estrangeiros. Na cerimônia de abertura, Paavo Nurmi e Hannes Kolehmainen acenderam a pira olímpica, lembrando para todos a enorme tradição dos anfitriões no atletismo. Pois a Finlândia só teve um bronze na modalidade. E não foi muito melhor nos outros esportes. No quadro geral de medalhas, ficou com seis ouros, três pratas e 13 bronzes, um desempenho mais fraco que em Londres (8, 7 e 5, pela ordem). Muito pouco para o time da casa.
Pior, em fevereiro daquele ano, a Finlândia levara três ouros (em 22 disputados) nas Olimpíadas de Inverno de Oslo. Sinal de que uma das principais forças dos Jogos na primeira metade do século 20 entrava em decadência, ganhando mais destaque nos esportes na neve e no gelo.
Quadro de medalhas:
| PAÍS |
OURO |
PRATA |
BRONZE |
| 1. Estados Unidos |
40 |
19 |
17 |
| 2. União Soviética |
22 |
30 |
19 |
| 3. Hungria |
16 |
10 |
16 |
| 4. Suécia |
12 |
13 |
10 |
| 5. Itália |
8 |
9 |
4 |
| 6. Tchecoslováquia |
7 |
3 |
3 |
| 7. França |
6 |
6 |
6 |
| 8. Finlândia |
6 |
3 |
13 |
| 9. Austrália |
3 |
2 |
3 |
| 10. Noruega |
2 |
2 |
0 |
| 11. Suíça |
2 |
6 |
6 |
| 12. África do Sul |
2 |
4 |
4 |
| 13. Jamaica |
2 |
3 |
0 |
| 14. Bélgica |
2 |
2 |
0 |
| 15. Dinamarca |
2 |
1 |
3 |
| 16. Turquia |
1 |
0 |
1 |
| 17. Japão |
1 |
6 |
2 |
| 18. Grã-Bretanha |
1 |
2 |
8 |
| 19. Argentina |
1 |
2 |
2 |
| 20. Polônia |
1 |
2 |
1 |
| 21. Canadá |
1 |
2 |
0 |
| 22. Iugoslávia |
1 |
2 |
0 |
| 23. Romênia |
1 |
1 |
2 |
| 24. Nova Zelândia |
1 |
0 |
2 |
| 25. Brasil |
1 |
0 |
2 |
| 26. Índia |
1 |
0 |
1 |
| 27. Luxemburgo |
0 |
0 |
0 |
| 28. Alemanha |
0 |
7 |
17 |
| 29. Holanda |
0 |
5 |
0 |
| 30. Irã |
0 |
3 |
4 |
| 31. Chile |
0 |
2 |
0 |
| 32. Áustria |
0 |
1 |
1 |
| 33. Líbano |
0 |
1 |
1 |
| 34. México |
0 |
1 |
0 |
| 35. Irlanda |
0 |
1 |
0 |
| 36. Espanha |
0 |
1 |
0 |
| 37. Coréia do Sul |
0 |
0 |
2 |
| 38. Trindad e Tobago |
0 |
0 |
2 |
| 39. Uruguai |
0 |
0 |
2 |
| 40. Venezuela |
0 |
0 |
1 |
| 41. Portugal |
0 |
0 |
1 |
| 42. Bulgária |
0 |
0 |
1 |
| 43. Egito |
0 |
0 |
1 |
|