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XVI Jogos Olímpicos
1956 - Melbourne (Austrália)
Da Redação
Foi a única vez na história em que os Jogos Olímpicos se dividiram em dois países. Mas isso é uma tecnicalidade oficial, pois, na prática, as Olimpíadas de 1956 sempre serão consideradas as de Melbourne. Aliás, foi a primeira vez que os Jogos foram disputados no hemisfério sul.
A escolha da cidade australiana acabou trazendo problemas pouco comuns. O primeiro foi o fato de junho e agosto -período em que os Jogos normalmente são disputados- marca o auge do inverno na Oceania. Para escapar do frio, as competições foram deslocadas para o fim de novembro e o início de dezembro. A medida prejudicou um pouco o nível técnico da competição, pois muitos atletas não estão no auge de seu preparo físico e técnico no final do ano. Outro problema foi a distância. Sem dinheiro, muitos países, principalmente os de Terceiro Mundo, não puderam enviar muitos atletas.
Porém, essas questões tiveram poucas conseqüências em comparação com a decisão do governo local de instituir uma quarentena de 180 dias para os animais que entrassem na ilha, inviabilizando a organização das competições de hipismo em solo australiano. Justamente por isso que parte dos Jogos foi em Estocolmo. A capital sueca recebeu apenas as provas de equitação em junho daquele ano.
No entanto, o maior problema não teve relação alguma com o local do evento. Em 4 de novembro de 1956, tropas da União Soviética invadiram Budapeste para reprimir uma manifestação popular por mais liberdade. Muitos húngaros foram presos ou morreram, causando um enorme desconforto na comunidade internacional e, claro, entre soviéticos e magiares.
Em solidariedade à Hungria, Holanda, Espanha, Liechtenstein e Suíça anunciaram que boicotariam os Jogos caso a União Soviética não fosse excluída. Como era de se esperar, o COI simplesmente disse que o movimento Olímpico está acima das questões políticas e manteve os soviéticos na disputa. A Suíça repensou e mandou atletas, mas teve uma participação medíocre, com apenas uma medalha de bronze.
Houve ainda outros boicotes. A China Popular pressionou o Comitê Organizador dos Jogos para que Formosa (Taiwan) fosse excluída. Não deu certo e os chineses ficaram em casa. Pior, se retiraram do Movimento Olímpico para voltarem apenas em 1984. Também se ausentaram Líbano, Iraque e Egito em protesto à intervenção franco-britânica no Canal de Suez.
Mas a questão entre União Soviética e Hungria foi realmente a mais importante. Não apenas pelas nações que se ausentaram, mas por terem se refletido no andamento das competições. Muitos atletas da delegação húngara estavam no exterior competindo ou se dirigindo à Austrália. Tentaram voltar para ficar com suas famílias, mas as fronteiras estavam fechadas e a ordem era para seguirem adiante.
Melhor sorte teve a seleção de futebol, uma das melhores do mundo em todos os tempos. O Honved (clube que era a base da seleção da Hungria) estava na Espanha para uma partida da Copa dos Campeões da Europa contra o Athletic de Bilbao. Foram desclassificados, mas seus jogadores aproveitaram para fugir. Puskas e Kocsis, os dois maiores craques daquele time, ficaram na Espanha. O primeiro, inclusive, se naturalizou espanhol e, pela nova pátria, disputou a Copa do Mundo de 1962. Era o fim dos “Magiares Mágicos”.
Dos húngaros das demais modalidades, quase todos estavam em Melbourne. Foram saudados pelos australianos como heróis. Ainda assim, não seguraram a mágoa da nação invasora. Todas as provas que colocavam húngaros diante de soviéticos eram carregadas de tensão. O clima ficou insustentável na semifinal do pólo aquático.
Em um jogo extremamente violento, os húngaros venciam por 4x0 quando um golpe do soviético Valentim Prokopov fez um corte no magiar Ervin Zandor. Teve início uma briga generalizada, envolvendo até a torcida, declaradamente pró-Hungria. A polícia teve de intervir enquanto a seleção da União Soviética decidia abandonar a partida. Dias depois, os húngaros venceram a Iugoslávia e conquistaram seu terceiro ouro consecutivo na modalidade. A União Soviética bateu a Itália na disputa do bronze.
O balanço final, apesar dos problemas, foi esportivamente positivo para a Hungria. Com uma delegação desfalcada e emocionalmente abalada, conseguiram o 4º lugar no quadro de medalhas. Após os Jogos, mais da metade dos atletas húngaros pediu asilo.
Politicamente, uma das poucas boas notícias foi o fato de a Alemanha ter enviado uma equipe efetivamente unificada, dessa vez com atletas do lado oriental. Para diminuir as discussões, a delegação competia sob a bandeira olímpica e, nas cerimônias de premiação, era tocada a Nona Sinfonia de Beethoven.
Alheios às brigas entre capitalistas e comunistas, o norte-americano Harold Connolly e a tchecoslovaca Olga Fikotova iniciaram um romance durante os Jogos. No ano seguinte, a arremessadora de disco teve permissão do governo de seu país e se casou com o arremessador de martelo. Ela disputaria mais quatro Olimpíadas defendendo os Estados Unidos.
Mesmo com tanta tensão política, a União Soviética conseguiu, pela primeira vez, bater os Estados Unidos no quadro geral de medalhas. Foram 37 ouros contra 32. Méritos para atletas como o fundista Vladimir Kuts, a ginasta Larissa Latynina e do ainda campeão Viktor Chukarin.
Fora do bloco comunista, o arremessador de disco Al Oerter iniciou uma hegemonia olímpica que duraria 12 anos. O franco-argelino Alain Mimoun, eterno vice de Emil Zatopek, encerrava sua participação olímpica com uma vitória na maratona e a australiana Dawn Frasier mostrava porque seria uma das maiores nadadoras de todos os tempos. Na parte sueca daqueles Jogos, destaque para as duas medalhas de ouro do alemão Hans Günther Winkler, as primeiras de uma série de cinco.
Pelo Brasil, novo ouro do grande Adhemar Ferreira da Silva. E só. Sem medalha, um brasileiro que viria a conquistar o mundo competiu em Melbourne. Foi Éder Jofre, futuro campeão mundial dos pesos galo e pena, mas apenas quadrifinalista nas Olimpíadas australianas. Quadro de medalhas:
|
PAÍS |
OURO |
PRATA |
BRONZE |
|
1. União Soviética
|
37 |
29 |
32 |
|
2. Estados Unidos
|
32 |
25 |
17 |
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3. Austrália
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13 |
8 |
14 |
|
4. Hungria
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9 |
10 |
7 |
|
5. Itália
|
8 |
8 |
9 |
|
6. Suécia
|
8 |
5 |
6 |
|
7. Alemanha
|
6 |
13 |
7 |
|
8. Grã-Bretanha
|
6 |
7 |
11 |
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9. Romênia
|
5 |
3 |
5 |
|
10. Japão
|
4 |
10 |
5 |
|
11. França
|
4 |
4 |
6 |
|
12. Turquia
|
3 |
2 |
2 |
|
13. Finlândia
|
3 |
1 |
11 |
|
14. Irã
|
2 |
2 |
1 |
|
15. Canadá
|
2 |
1 |
3 |
|
16. Nova Zelândia
|
2 |
0 |
0 |
|
17. Polônia
|
1 |
4 |
4 |
|
18. Tchecoslováquia
|
1 |
4 |
1 |
|
19. Bulgária
|
1 |
3 |
1 |
|
20. Dinamarca
|
1 |
2 |
1 |
|
21. Irlanda
|
1 |
1 |
3 |
|
22. Noruega
|
1 |
0 |
2 |
|
23. México
|
1 |
0 |
1 |
|
24. Índia
|
1 |
0 |
0 |
|
25. Brasil
|
1 |
0 |
0 |
|
26. Iugoslávia
|
0 |
3 |
0 |
|
27. Chile
|
0 |
2 |
2 |
|
28. Bélgica
|
0 |
2 |
0 |
|
29. Argentina
|
0 |
1 |
1 |
|
30. Coréia do Sul
|
0 |
1 |
1 |
|
31. Islândia
|
0 |
1 |
0 |
|
32. Paquistão
|
0 |
1 |
0 |
|
33. África do Sul
|
0 |
0 |
4 |
|
34. Áustria
|
0 |
0 |
2 |
|
35. Bahamas
|
0 |
0 |
1 |
|
36. Grécia
|
0 |
0 |
1 |
|
37. Suíça
|
0 |
0 |
1 |
|
38. Uruguai
|
0 |
0 |
1 |
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