|
História » 1960
XVII Jogos Olímpicos
1960 - Roma (Itália)
Da Redação
Demorou muito para Roma voltar a receber os Jogos Olímpicos. Foram precisamente 1.569 anos desde que o imperador Teodósio proibiu a realização do evento (ainda na sua versão Antiga) por considerá-lo uma manifestação pagã. Os italianos haviam tentado em 1908, mas uma erupção do Vesúvio comprometeu as finanças públicas. Depois veio a Segunda Guerra Mundial, que fragilizou novamente a economia do país. Após tanta espera, a escolha de Roma como sede das Olimpíadas de 1960 foi muito saudada.
E os italianos resolveram caprichar. O Papa João XXIII celebrou uma missa especial e abençoou os atletas (exceto os soviéticos). Modernas instalações foram construídas, como o estádio Olímpico e o Palazzetto dello Sport. Foram também os primeiros Jogos com transmissão ao vivo pela TV. Pelo menos para a Europa, pois os demais continentes continuavam dependendo do vídeo teipe.
No entanto, o mais marcante não foram as novas tecnologias. Cientes da relação histórica entre a cidade e o evento, os organizadores realizaram diversas provas em ruínas deixadas pelo poderoso império que se desenvolveu a partir da atual capital italiana. Por exemplo, a ginástica artística foi abrigada nas termas de Caracalla e a luta olímpica foi realizada na basílica de Maxêncio. Mas o principal foi a maratona, iniciada no monte Capitolino e encerrada no Arco de Constantino, passando pela milenar Via Appia, estrada utilizada pelos romanos que rumavam ao Oriente na Antigüidade.
Para fugir do calor angustiante do verão italiano, a corrida foi realizada à noite, com monumentos iluminados e voluntários indicando o caminho com tochas. Foi diante desse cenário espetacular que apareceu um dos maiores maratonistas de todos os tempos. O etíope Abebe Bikila, completamente desconhecido, venceu a corrida estabelecendo a melhor marca da prova em todos os tempos. Mais impressionante que seu tempo eram os pés do africano. Ele vencera correndo descalço.
A conquista de Bikila foi tão marcante que dificulta a visão mais ampla de um fato. Os Jogos de Roma iniciaram um processo marcante na história do esporte na África. Muitos dizem isso por ter sido a primeira vitória de um 100% africano -os argelinos Boughera El-Ouafi (1928) e Alain Mimoun (1956) defendiam a França- na maratona, o que inauguraria uma era de domínio de corredores do continente negro em provas de fundo.
Porém, a contribuição do evento italiano foi maior. Em 1960, Congo, Senegal e Nigéria deixaram de ser colônias européias. Foi o início efetivo de um processo de descolonização do continente. Os novos países tiveram um papel relevante no movimento de redução do racismo e de promoção do orgulho negro. Tanto que, depois dos Jogos de Roma, a África do Sul foi banida dos Jogos Olímpicos, só voltando com o fim do regime de apartheid. Detalhe: em Roma, todos os atletas sul-africanos eram brancos.
Até então, apenas o Egito e a racista África do Sul eram presenças esportivamente relevantes nos Jogos. Curioso é que, em 1958, o Egito deixara de ser uma nação totalmente africana. Após uma união política com a asiática Síria foi formada a República Árabe Unida. De fato, um novo país. Assim, a prata de Mohammed Paziraii na luta greco-romana e o bronze de Abdelmoneim Elguindi no boxe dos Jogos de 1960 foram para a RAU. Em 1961, a Síria desfez o acordo, mas o Egito sozinho manteve-se como RAU até 1971.
Além dos africanos de nascimento, os outros destaques individuais dos Jogos também eram negros. Ambas norte-americanos. A corredora Wilma Rudolph foi a única glória real dos Estados Unidos no atletismo em Roma. Até porque o ouro de Al Oerter era esperado. Outro negro estadunidense que chamou a atenção foi um boxeador falador de apenas 18 anos e de nome Cassius Clay. Venceu sem oposição o ouro no peso pesado.
Com as poucas vitórias norte-americanas no atletismo, houve nova vitória soviética no quadro geral de medalhas. E com uma diferença ainda maior: 43 x 34. Outra rivalidade que teve um momento importante em Roma foi a do sul da Ásia. Após um domínio de 32 anos, os indianos finalmente perderam no hóquei sobre grama. E justamente para o rivalíssimo -e adversário político-militar- Paquistão. Enquanto isso, o Brasil continuava ganhando medalhas no conta-gotas. Em 1960, foram apenas duas de bronze, com o basquete masculino e o nadador Manuel dos Santos Jr.
De nota negativa fica a morte do ciclista Knud Jensen. O dinamarquês teve um traumatismo craniano ao cair da bicicleta. Após a autópsia ficou comprovado que Jensen estava dopado. Não havia controle antidoping nas Olimpíadas em 1960. Quadro de medalhas:
|
PAÍS |
OURO |
PRATA |
BRONZE |
1. União Soviética
|
43 |
29 |
31 |
|
2. Estados Unidos
|
34 |
21 |
16 |
|
3. Itália
|
13 |
10 |
13 |
|
4. Alemanha
|
12 |
19 |
11 |
|
5. Austrália
|
8 |
8 |
6 |
|
6. Turquia
|
7 |
2 |
0 |
|
7. Hungria
|
6 |
8 |
7 |
|
8. Japão
|
4 |
7 |
7 |
|
9. Polônia
|
4 |
6 |
11 |
|
10. Tchecoslováquia
|
3 |
2 |
3 |
|
11. Romênia
|
3 |
1 |
6 |
|
12. Grã-Bretanha
|
2 |
6 |
12 |
|
13. Dinamarca
|
2 |
3 |
1 |
|
14. Nova Zelândia
|
2 |
0 |
1 |
|
15. Bulgária
|
1 |
3 |
3 |
|
16. Suécia
|
1 |
2 |
3 |
|
17. Finlândia
|
1 |
1 |
3 |
|
18. Áustria
|
1 |
1 |
0 |
|
19. Iugoslávia
|
1 |
1 |
0 |
|
20. Paquistão
|
1 |
0 |
1 |
|
21. Noruega
|
1 |
0 |
0 |
|
22. Etiópia
|
1 |
0 |
0 |
|
23. Grécia
|
1 |
0 |
0 |
|
24. Suíça
|
0 |
3 |
3 |
|
25. França
|
0 |
2 |
3 |
|
26. Bélgica
|
0 |
2 |
2 |
|
27. Irã
|
0 |
1 |
3 |
|
28. Holanda
|
0 |
1 |
2 |
|
29. África do Sul
|
0 |
1 |
2 |
|
30. Argentina
|
0 |
1 |
1 |
|
31. República Árabe Unida
|
0 |
1 |
1 |
|
32. Gana
|
0 |
1 |
0 |
|
33. Canadá
|
0 |
1 |
0 |
|
34. Cingapura
|
0 |
1 |
0 |
|
35. Portugal
|
0 |
1 |
0 |
|
36. Índia
|
0 |
1 |
0 |
|
37. Marrocos
|
0 |
1 |
0 |
|
38. Taiwan
|
0 |
1 |
0 |
|
39. Índias Britânicas Ocidentais (Barbados + Jamaica) |
0 |
0 |
2 |
|
40. Brasil |
0 |
0 |
2 |
|
41. Espanha |
0 |
0 |
1 |
|
42. México
|
0 |
0 |
1 |
|
43. Iraque |
0 |
0 |
1 |
|
44. Venezuela
|
0 |
0 |
1 |
|