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História » 1964
XVII Jogos Olímpicos
1964 - Tóquio (Japão)
Da Redação
É verdade que o Japão vive uma recessão quase crônica há vários anos. Ainda assim, é com folga a segunda maior economia do mundo. Quem tiver essa imagem da terra do Sol nascente não imaginará muito bem o que o fato de as Olimpíadas de 1964 terem sido realizadas em Tóquio representaram para o país.
No final da década de 40, o Japão estava arrasado pela guerra, sobretudo pelas duas bombas atômicas detonadas pelos norte-americanos. Além disso, os nipônicos eram vistos como hostis e traiçoeiros. Com a ajuda financeira e institucional dos Estados Unidos, o país se reergueu -com taxa de crescimento de 10%, a maior do mundo na época. Mais ou menos como a China de hoje.
Ainda assim, nos anos 60, os nipônicos podiam se orgulhar apenas de possuírem a maior economia da Ásia. O que não significava muita coisa, já que a Coréia do Sul se recuperava de uma guerra com os vizinhos do Norte que consumiu o país nos anos 50, a Índia ainda comemorava sua independência do Império Britânico e a China era uma nação ultrafechada.
Veio também da Ásia o único entrevero diplomático significativo dos Jogos. Em 1962, a Indonésia recebeu os Jogos Asiáticos, as olimpíadas do continente. Como o governo local só aceitou a inscrição das nações que considerasse amigas, o COI suspendeu a Indonésia dos Jogos de 1964. Em uma tentativa tola de chantagem, os indonésios organizaram em 1963 os “Jogos das Potências Emergentes”, uma espécie de olimpíadas para os países menos afortunados. O COI puniria quem fizesse parte desse evento. Apenas China e Coréia do Norte apoiaram a Indonésia. A China não iria ao Japão, pois estava fora do Movimento Olímpico. Já Coréia do Norte e Indonésia até tentaram participar, mas foram barrados.
Os outros acontecimentos políticos do início da década -como o assassinato de John Kennedy, a criação da Organização para Libertação da Palestina, o início da Guerra do Vietnã e o envio de Yuri Gagarin ao espaço- não botaram em risco a andamento natural dos Jogos. A única exceção foi a construção do Muro de Berlim em 1961, passo definitivo para que Alemanhas Ocidental e Oriental apresentassem delegações próprias nas Olimpíadas.
Contornados esses problemas, foi possível se concentrar apenas na parte esportiva. Os japoneses não economizaram em infra-estrutura. Alojamentos, instalações esportivas e aparatos eletrônicos de última geração marcaram o evento. Por exemplo, foi a primeira vez que houve transmissão via satélite das competições para todo o mundo. Também foi a estréia oficial do cronômetro eletrônico, já adotado informalmente antes, mas, dessa vez, com poder de definição em caso de igualdade na medição manual.
Depois de duas derrotas, os Estados Unidos voltaram a bater a União Soviética. A natação, com Don Schollander e Dick Roth, foi importante para a definição pró-norte-americanos. Como se tornava comum, os estadunidenses novamente apresentavam um boxeador de grande futuro no profissionalismo. Dessa vez foi Joe Frazier.
Outros destaques vieram de fora das duas superpotências. A australiana Dawn Fraser foi tricampeã dos 100 m nado livre, feito inédito. A tchecoslovaca Vera Cáslavská rivalizou com a veterana Larissa Latynina e iniciava seu domínio na ginástica feminina. Não foi só no feminino que a União Soviética sofreu derrotas. O Japão apresentou uma grande equipe, capaz de acabar com anos de domínio dos soviéticos na modalidade.
Mas nem tudo foi alegria para os anfitriões. No quadro geral de medalhas, os japoneses ficaram em terceiro lugar, a melhor desde então. Para tal feito, contribuíram os dois novos esportes incorporados ao evento, vôlei e judô. Especialistas nas duas modalidades, o Japão queria inflar ainda mais suas conquistas. Conseguiu. Das seis medalhas de ouro dessas duas modalidades, quatro não saíram do arquipélago. Mesmo assim faltou algo. A culpa foi do gigante holandês Anton Geesink. Ele derrotou o ídolo local Akio Kaminaga na final da categoria absoluto do judô. Foi a única medalha dourada que o Japão não conquistou no esporte. Justamente a mais importante e desejada.
Com pequeno destaque ficou a prata de Enrique Figueroa nos 100 m rasos, a única medalha cubana em 1964. Ninguém deu muita atenção para o fato, até porque não era novidade ver velocistas caribenhos com medalhas no pescoço. Porém, esse foi o primeiro sinal de que uma nova força esportiva surgia na América.
Quanto ao Brasil, apenas um bronze, novamente para o time de basquete masculino. Aída dos Santos chegou perto, com o 4º lugar no salto em altura. Nélson Pessoa Filho foi 5º na prova de saltos, mesma colocação do boxeador João Henrique da Silva nos meio-médios ligeiros.
Quadro de medalhas:
|
País |
Ouro |
Prata |
Bronze |
|
1. Estados Unidos
|
36 |
26 |
28 |
| 2. União Soviética |
30 |
31 |
35 |
| 3. Japão |
16 |
5 |
8 |
| 4. Alemanha |
10 |
22 |
18 |
| 5. Itália |
10 |
10 |
7 |
| 6. Hungria |
10 |
7 |
5 |
| 7. Polônia |
7 |
6 |
10 |
| 8. Austrália |
6 |
2 |
10 |
| 9. Tchecoslováquia |
5 |
6 |
3 |
| 10. Grã-Bretanha |
4 |
12 |
2 |
| 11. Bulgária. |
3 |
5 |
2 |
| 12. Finlândia |
3 |
0 |
2 |
| 13. Nova Zelândia |
3 |
0 |
2 |
| 14. Romênia |
2 |
4 |
6 |
| 15. Holanda |
2 |
4 |
4 |
| 16. Turquia |
2 |
3 |
1 |
| 17. Suécia |
2 |
2 |
4 |
| 18. Dinamarca |
2 |
1 |
3 |
| 19. Iugoslávia |
2 |
1 |
2 |
| 20. Bélgica |
2 |
0 |
1 |
| 21. França |
1 |
8 |
6 |
| 22. Canadá |
1 |
2 |
1 |
| 23. Suíça |
1 |
2 |
1 |
| 24. Etiópia |
1 |
0 |
0 |
| 25. Bahamas |
1 |
0 |
0 |
| 26. Índia |
1 |
0 |
0 |
| 27.Coréia do Sul |
0 |
2 |
1 |
| 28. Trinidad e Tobago |
0 |
1 |
2 |
| 29. Tunísia |
0 |
1 |
1 |
| 30. Paquistão |
0 |
1 |
0 |
| 31. Filipinas |
0 |
1 |
0 |
| 32. Argentina |
0 |
1 |
0 |
| 33. Cuba |
0 |
1 |
0 |
| 34. Irã |
0 |
0 |
2 |
| 35. Irlanda |
0 |
0 |
1 |
| 36. Gana |
0 |
0 |
1 |
| 37. Brasil |
0 |
0 |
1 |
| 38. Quênia |
0 |
0 |
1 |
| 39. México |
0 |
0 |
1 |
| 40. Nigéria |
0 |
0 |
1 |
| 41. Uruguai |
0 |
0 |
1 |
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