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XX Jogos Olímpicos
1972 - Munique (Alemanha)
Da Redação
As Olimpíadas de Munique sempre serão lembradas pela tragédia, da qual foi palco. Em 5 de setembro, a quatro dias do encerramento da competições, um grupo de terroristas palestinos que se identificaram como integrantes do grupo Setembro Negro, braço armado da OLP, invadiu a Vila Olímpica durante a madrugada e investiu sobre os alojamentos da delegação israelense. Três atletas tentaram reagir, dois foram mortos e um foi pego como refém. Outros oito israelenses também ficaram nas mãos dos palestinos.
Os terroristas queriam a libertação de 236 presos e garantias que poderiam fugir para algum país árabe. As negociações duraram o dia todo. As competições foram suspensas por 24 horas, fato inédito. Já era noite quando os alemães-ocidentais anunciaram uma solução. Levaram os terroristas a um aeroporto militar, onde estaria o avião que conduziria os palestinos ao Egito. No entanto, atiradores de elite os esperavam secretamente.
Foi uma ação atrapalhada. Assim que os tiros começaram, um dos terroristas jogou uma granada dentro do helicóptero em que ainda estavam os israelenses, que morreram com a explosão. Entre os terroristas, cinco foram mortos e dois foram detidos. Um policial também foi morto no tiroteio.
Muitos defenderam o encerramento dos jogos, cinco dias antes da previsão inicial. Mas o próprio chefe da delegação israelense apoiou a continuação dos Jogos, argumentando que interromper as competições seria uma vitória para os terroristas.
Foi o mais grave problema político dos Jogos de Munique, mas não o único. Novamente o presidente do COI, Avery Brundage, deu sinais de simpatia a regimes racistas. Com a África do Sul descartada em 1968, foi a vez de a Rodésia ser convidada. A posição da entidade só mudou após 27 países africanos ameaçarem novo boicote.
Tudo isso foi uma pena, pois ofuscou o grande trabalho dos alemães-ocidentais na organização dos Jogos. Foi construído um belíssimo parque olímpico nos arredores de Munique, com estádio, ginásio, parque, lago artificial e uma imensa torre de televisão.
No campo esportivo, o grande destaque foi Mark Spitz. Em 1968, o norte-americano se dizia o maior nadador do mundo, mas não conquistou medalhas de ouro em competições individuais. Quatro anos depois, resolveu compensar. Ganhou sete provas, batendo recordes mundiais em todas. Ninguém conseguiu tal feito em apenas uma edição das Olimpíadas. Ainda nas piscinas, a australiana Shane Gould conseguiu impedir o domínio das nadadoras norte-americanas.
Outro grande atleta na história olímpica surgiu no boxe. Mas, ao contrário de Cassius Clay, Joe Frazier e George Foreman, que tiveram com rápida passagem olímpica e grande carreira profissional, o cubano Teófilo Stevenson ficou sempre entre os amadores. Com técnica apurada e pegada forte, iniciou um domínio de três Olimpíadas entre os pesos pesados.
Como sempre, o atletismo também colaborou para a história desses Jogos. O soviético Valery Borzov foi o primeiro não-norte-americano a levar o ouro nos 100 e nos 200 m rasos nos mesmos Jogos. Nas corridas de fundo, o grande destaque foi o reaparecimento da Finlândia. Lasse Viren foi o vencedor dos 5 mil e dos 10 mil m.
Nos esportes coletivos, a surpresa foi o título da União Soviética no basquete masculino, acabando com um domínio de mais de 30 anos dos norte-americanos. Porém, a vitória não veio sem polêmica. Os europeus venciam por 49x48. Faltando três segundos, os Estados Unidos convertem dois lances livres e viram. Os soviéticos pedem tempo, mas o jogo recomeça. Dois segundos se passam e o tempo é concedido. No segundo restante, nada pôde ser feito.
Os soviéticos protestaram contra os árbitros (um era o brasileiro Renato Righetto). O presidente da Fiba (Federação Internacional de Basquete) ordenou que o jogo voltasse aos três segundos finais. Foi o suficiente para Sasha Belov fazer a cesta da vitória soviética. Os norte-americanos se negaram a receber as medalhas de prata.
Outra hegemonia que caiu foi a do sul asiático no hóquei sobre grama. O ouro foi para a Alemanha Ocidental com uma vitória magra (1x0) sobre o Paquistão. Na cerimônia de premiação, os paquistaneses protestaram jogando as medalhas no chão e virando de costas quando o hino alemão-ocidental foi tocado.
Porém, a única estrela capaz de concorrer com Spitz em destaque apareceu na ginástica. A soviética Olga Korbut foi apenas a 7ª na competição de exercícios combinados, mas levou três ouros nos aparelhos e, com 17 anos, 1,46 m de altura e 38 kg, foi a precursora das ginastas diminutas e extremamente ágeis. Korbut ajudou a União Soviética a retomar a liderança no quadro de medalhas, com esmagadoras 50 medalhas de ouro, 17 a mais que os Estados Unidos.
Para o Brasil, novamente houve poucas alegrias. Apenas dois bronzes, com Nélson Prudêncio no salto triplo e o japonês naturalizado Chiaki Ishii no judô. Chiaki é pai de Vânia Ishii (cotada para representar o Brasil em Atenas) e foi o primeiro brasileiro a conquistar uma medalha no judô.
Quadro de medalhas:
|
País |
Ouro |
Prata |
Bronze |
|
1. União Soviética |
50 |
27 |
22 |
| 2. Estados Unidos |
33 |
31 |
30 |
| 3. Alemanha Oriental |
20 |
23 |
23 |
| 4. Alemanha Ocidental |
13 |
11 |
16 |
| 5. Japão |
13 |
8 |
8 |
| 6. Austrália |
8 |
7 |
2 |
| 7. Polônia |
7 |
5 |
9 |
| 8. Hungria |
6 |
13 |
16 |
| 9. Bulgária |
6 |
10 |
5 |
| 10. Itália |
5 |
3 |
10 |
| 11. Suécia |
4 |
6 |
6 |
| 12. Grã-Bretanha |
4 |
5 |
9 |
| 13. Romênia |
3 |
6 |
7 |
| 14. Finlândia |
3 |
1 |
4 |
| 15. Cuba |
3 |
1 |
4 |
| 16. Holanda |
3 |
1 |
1 |
| 17. França |
2 |
4 |
7 |
| 18. Tchecoslováquia |
2 |
4 |
2 |
| 19. Quênia |
2 |
3 |
4 |
| 20. Iugoslávia |
2 |
1 |
2 |
| 21. Noruega |
2 |
1 |
1 |
| 22. Coréia do Norte |
1 |
1 |
3 |
| 23. Nova Zelândia |
1 |
1 |
1 |
| 24. Uganda |
1 |
1 |
0 |
| 25. Dinamarca |
1 |
0 |
0 |
| 26. Suíça |
0 |
3 |
0 |
| 27. Canadá |
0 |
2 |
3 |
| 28. Irã |
0 |
2 |
1 |
| 29. Grécia |
0 |
2 |
0 |
| 30. Bélgica |
0 |
2 |
0 |
| 31. Áustria |
0 |
1 |
2 |
| 32. Colômbia |
0 |
1 |
2 |
| 33. Argentina |
0 |
1 |
0 |
| 34. Coréia do Sul |
0 |
1 |
0 |
| 35. Líbano |
0 |
1 |
0 |
| 36. México |
0 |
1 |
0 |
| 37. Mongólia |
0 |
1 |
0 |
| 38. Paquistão |
0 |
1 |
0 |
| 39. Tunísia |
0 |
1 |
0 |
| 40. Turquia |
0 |
1 |
0 |
| 41. Etiópia |
0 |
0 |
2 |
| 42. Brasil |
0 |
0 |
2 |
| 43. Espanha |
0 |
0 |
1 |
| 44. Gana |
0 |
0 |
1 |
| 45. Nigéria |
0 |
0 |
1 |
| 46. Níger |
0 |
0 |
1 |
| 47. Jamaica |
0 |
0 |
1 |
| 48. Índia |
0 |
0 |
1 |
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