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História » 1984
XXIII Jogos Olímpicos
1984 - Los Angeles (EUA)
Da Redação
A justificativa nem precisou ser muito convincente. A partir do momento que os Estados Unidos boicotaram os Jogos de Moscou, era evidente que a União Soviética faria o mesmo quatro anos depois, em Los Angeles. Oficialmente, os soviéticos estavam descontentes com a segurança que a organização do evento oferecia aos atletas da maior nação comunista do mundo, mas soou como desculpa.
Como os norte-americanos em 1980, os soviéticos também tentaram buscar aliados. Não encontraram muitos. Ao todo, apenas 17 países não enviaram uma delegação a Los Angeles. No entanto, as ausências promovidas pela União Soviética tinham mais qualidade técnica que as reunidas pelos Estados Unidos quatro anos antes. Países como Alemanha Oriental, Cuba, Hungria, Polônia e Tchecoslováquia eram forças olímpicas consideráveis. Tanto que os 17 ausentes de Los Angeles haviam conquistado 58% das medalhas de ouro dos Jogos de Montreal, os últimos antes dos boicotes.
Mesmo assim, o mundo comunista não esteve completamente fora das Olimpíadas de Los Angeles. Romênia e Iugoslávia não tinham relacionamentos dos mais amistosos com o governo de Moscou e deram uma pequena “alfinetada” diplomática ao enviar seus principais atletas para a Califórnia.
Menos sutil foi a China. Fora dos Jogos desde 1936, o enorme país asiático resolveu reaparecer justamente nos Estados Unidos. Claro, era uma forma de desafiar a vizinha União Soviética, com quem tinha diferenças ideológicas há anos. Assim, os chineses acabaram como atração. Eram verdadeiras incógnitas e surpreenderam com o 4º lugar no quadro geral de medalhas.
A despeito de tudo isso, os Jogos de 1984 ficaram marcados pelo profissionalismo. Em vários sentidos. Em 1981, o COI tirou da Carta Olímpica a menção ao amadorismo dos atletas. A partir de Los Angeles, cabia à federação internacional de cada modalidade definir quem podia ou não participar. Isso permitiu que o futebol deixasse de ser um torneio quase cativo para países do Leste Europeu. Os países poderiam usar jogadores profissionais que não houvessem disputado alguma Copa do Mundo. O Brasil foi quase todo representado pelo Internacional. Com o técnico Jair Picerni, do Corinthians, a seleção foi prata, perdendo para a França na final.
Porém, o maior profissionalismo foi na administração dos Jogos. Após o fracasso financeiro de Montreal, havia uma sensação de que sediar uma edição das Olimpíadas não era viável. Moscou só conseguira porque o governo soviético bancara tudo. Peter Ueberroth, um empresário do setor de turismo, provou que não era bem assim.
A prefeitura de Los Angeles não gastou praticamente nada com o evento. O comitê organizador -presidido por Ueberroth- tratou de amarrar as parcerias necessárias para viabilizar os Jogos. Empresas pagaram pela construção de instalações esportivas inteiras, pessoas compraram por US$ 3 mil o direito de carregar a tocha olímpica por pouco mais de 1 km e patrocinadores adquiriram cotas de patrocínios por valores generosos. No final do evento, Los Angeles estava com um lucro de US$ 150 milhões.
O esperado êxito norte-americano nas competições ajudou a elevar os lucros. Atletas como Carl Lewis, Edwin Moses e Valerie Brisco-Hooks todos do atletismo, viraram ídolos nacionais, atraindo torcedores e mídia. Como a ginasta Mary-Lou Retton, beneficiada pelas notas dos juízes nos exercícios combinados femininos. A romena Ecaterina Szabó, bastante superior tecnicamente, acabou com a prata nessa prova. Com o ouro, Retton, de 16 anos e 1,45 m de altura, se transformou na queridinha dos Estados Unidos.
Os Jogos de 1984 também foram os primeiros a contar com a prova da maratona para as mulheres. A atleta da casa Joan Benoit venceu, mas o destaque foi para Gabrielle Andersen-Scheiss, 37ª colocada. A suíça entrou no Coliseu de Los Angeles sem forças. Mal conseguia ficar em pé, mas seguia. Não aceitou a ajuda dos médicos e, quase desmaiada, completou a prova. Virou símbolo de superação humana e de como o importante é simplesmente terminar a prova, independentemente da classificação.
Como em Moscou, o Brasil se aproveitou da queda de nível técnico para colher mais medalhas. Não vieram tantos ouro quanto em 1980, mas a quantidade de prêmios foi maior: 8, um recorde brasileiro só superado em 1996, em Atlanta, também nos Estados Unidos.
O maior destaque foi Joaquim Cruz, vencedor dos 800 m rasos batendo os favoritos Sebastian Coe e Steve Ovett e estabelecendo novo recorde olímpico. Além dessa conquista, o país teve as pratas de Ricardo Prado (natação), Douglas Vieira (judô), futebol masculino, vôlei masculino e do trio Torben Grael, Daniel Adler e Ronaldo Senfft (iatismo). Com o bronze voltaram os judocas Luís Onmura e Wálter Carmona. Quadro de medalhas:
|
País |
Ouro |
Prata |
Bronze |
| 1. Estados Unidos |
83 |
61 |
30 |
| 2. Romênia |
20 |
16 |
17 |
| 3. Alemanha Ocidental |
17 |
19 |
23 |
| 4. China |
15 |
8 |
9 |
| 5. Itália |
14 |
6 |
12 |
| 6. Canadá |
10 |
18 |
16 |
| 7. Japão |
10 |
8 |
14 |
| 8. Nova Zelândia |
8 |
1 |
2 |
| 9. Iugoslávia |
7 |
4 |
7 |
| 10. Coréia do Sul |
6 |
6 |
7 |
| 11. Grã-Bretanha |
5 |
11 |
21 |
| 12. França |
5 |
7 |
16 |
| 13. Holanda |
5 |
2 |
6 |
| 14. Austrália |
4 |
8 |
12 |
| 15. Finlândia |
4 |
2 |
6 |
| 16. Suécia |
2 |
11 |
6 |
| 17. México |
2 |
3 |
1 |
| 18. Marrocos |
2 |
0 |
0 |
| 19. Brasil |
1 |
5 |
2 |
| 20. Espanha |
1 |
2 |
2 |
| 21. Bélgica |
1 |
1 |
2 |
| 22. Áustria |
1 |
1 |
1 |
| 23. Quênia |
1 |
0 |
2 |
| 24. Portugal |
1 |
0 |
2 |
| 25. Paquistão |
1 |
0 |
0 |
| 26. Suíça |
0 |
4 |
4 |
| 27. Dinamarca |
0 |
3 |
3 |
| 28. Jamaica |
0 |
1 |
2 |
| 29. Noruega |
0 |
1 |
2 |
| 30. Porto Rico |
0 |
1 |
1 |
| 31. Nigéria |
0 |
1 |
1 |
| 32. Grécia |
0 |
1 |
1 |
| 33. Irlanda |
0 |
1 |
0 |
| 34. Colômbia |
0 |
1 |
0 |
| 35. Egito |
0 |
1 |
0 |
| 36. Costa do Mrfim |
0 |
1 |
0 |
| 37. Peru |
0 |
1 |
0 |
| 38. Síria |
0 |
1 |
0 |
| 39. Tailândia |
0 |
1 |
0 |
| 40.Turquia |
0 |
0 |
3 |
| 41. Venezuela |
0 |
0 |
3 |
| 42. Argélia |
0 |
0 |
2 |
| 43. Camarões |
0 |
0 |
1 |
| 44. República Dominicana |
0 |
0 |
1 |
| 45. Islândia |
0 |
0 |
1 |
| 46. Zâmbia |
0 |
0 |
1 |
| 47. Taiwan |
0 |
0 |
1 |
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