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XXV Jogos Olímpicos
1992 - Barcelona (Espanha)
Da Redação
O governo espanhol escolheu 1992 como um marco na história do país. A partir desse ano, a Espanha se relançaria ao mundo social, política e economicamente, deixando de ser uma nação periférica na Europa. Deu certo. Naquele ano, o PIB per capita era quase três vezes maior que em 1983, e empresas espanholas já se consolidavam no mercado internacional. E não há como tirar a importância simbólica dos Jogos Olímpicos de Barcelona nesse processo.
A segunda metade dos anos 80 foi de grande evolução econômica para a Espanha, já livre do regime franquista (liderado pelo ditador Francisco Franco) que a havia atrasado por décadas. Mas foi em 1992 que a comunidade internacional pôde ver isso de perto. Os espanhóis atraíram os olhos do planeta ao caprichar nas comemorações dos 500 anos de descobrimento das Américas e na Exposição Universal de Sevilha. As Olimpíadas finalizariam esse ano tão especial para os espanhóis.
Mesmo assim, quase foi possível esquecer que os Jogos de 1992 se realizaram na Espanha, ofuscada que foi pela Catalunha, região cuja capital é Barcelona. Do estilo de desenho usado no cachorro Cobi (mascote do evento) à cerimônia de abertura do evento, as manifestações culturais e nacionalistas catalãs eram muito mais notadas que as espanholas. Compreensível, pois a cidade estava orgulhosa com sua reformulação urbana, que a deixou pronta para se tornar uma das mais visitadas por turistas de todo mundo.
Porém, é importante lembrar que os Jogos de Barcelona também foram marcantes para o esporte internacional. Não havia mais União Soviética, Alemanha Oriental e Ocidental, boicotes e rivalidade entre capitalistas e comunistas. O Leste Europeu se abrira politicamente, a Alemanha era só uma e as ex-repúblicas soviéticas já eram independentes. Assim, as competições perderam parte do ranço político que carregavam havia décadas.
Sobraram poucos traços da Guerra Fria. Até por falta de tempo para se organizarem, quase todas as antigas repúblicas soviéticas, que compunham a Comunidade de Estados Independentes (CEI) na época, competiram juntas, com o nome oficial de Equipe Unificada. Apenas Lituânia, Estônia e Letônia participaram com atletas e times próprios, mas, nas cerimônias de premiação, os atletas da CEI -formada por Armênia, Azerbaijão, Bielorrússia (hoje Belarus), Cazaquistão, Geórgia, Moldávia (atual Moldova), Quirquízia (hoje Quirquistão), Rússia, Tadjiquistão, Turcomenistão, Ucrânia e Uzbequistão- ouviam o hino e viam a bandeira de seu país.
Com 45 títulos, a CEI ficou em primeiro no quadro geral de medalhas, mostrando que havia um legado esportivo importante nos escombros da União Soviética. Individualmente, os maiores destaques foram o ginasta Vitali Scherbo, com seis ouros, e os nadadores Yevgueni Sadovy e Alexander Popov.
Também fracionada, a antiga Iugoslávia teve destino diferente. Croácia, Eslovênia, Macedônia e Bósnia-Herzegovina conseguiram participar com equipes independentes. Mas o que sobrara da Iugoslávia (Sérvia e Montenegro) estava sob punição do Conselho de Segurança da ONU por promover conflitos armados nos Bálcãs. Não havia sequer a permissão para alguém representar a bandeira iugoslava nos Jogos.
Os atletas de esportes coletivos foram prejudicados, mas, nas provas individuais, os iugoslavos participaram como “Equipe Independente”, usando a bandeira olímpica. A instabilidade política prejudicou a preparação desses atletas e o desempenho foi muito fraco, apenas três medalhas (uma prata e dois bronzes, todas no tiro ao alvo), um quarto do conquistado em Seul.
Das poucas nações comunistas que sobraram no globo, duas se destacaram. A China ficou com 16 medalhas de ouro, bateu diversos recordes mundiais (sobretudo na natação) e deu sinais de que podia ser a nova superpotência esportiva mundial. Mas muitas das marcas levantaram suspeitas -algumas confirmadas anos depois- de que tal desempenho dos chineses se devia ao uso de doping.
O outro destaque socialista foi Cuba, com suas 14 medalhas de ouro (metade no boxe). Era o reaparecimento da maior nação esportiva da América Latina e até hoje citado como exemplo de investimento em educação esportiva, apesar de também levantar suspeita pelo uso de substâncias proibidas.
Mas não foi só Cuba que voltou. Afastada desde 1960, a África do Sul reapareceu nos Jogos Olímpicos com muita comemoração, pois era um reconhecimento da comunidade internacional ao fim do abominável regime racista do apartheid. Os africanos também viram com alegria que as conquistas em corridas de longa distância não eram exclusividade dos homens nascidos no continente. A vitórias da etíope Derartu Tulu nos 10 mil m rasos e da argelina Hassiba Boumerka nos 1.500 m foram as primeiras de mulheres africanas no atletismo olímpico.
Fato raro, o maior destaque das olimpíadas espanholas apareceu em um esporte coletivo. Com a abertura para os profissionais, os jogadores da NBA (liga profissional de basquete dos Estados Unidos) puderam participar. A seleção norte-americana reuniu alguns dos maiores jogadores de todos os tempos, como Michael Jordan, Earvin “Magic” Johnson e Larry Bird, e foi chamada de Dream Team (time dos sonhos). Era uma jogada de marketing da liga para atrair atenções de todo o mundo, mas não deu para ignorar a superioridade técnica dos Estados Unidos. A vitória mais “apertada” foi na final com a Croácia, por “apenas” 32 pontos (117x85).
Para o Brasil, a maior alegria também veio em um esporte coletivo. Renovada e desacreditada até o início dos Jogos, a seleção masculina de vôlei venceu todos seus adversários com absoluta superioridade. A brilhante campanha terminou com uma vitória arrasadora sobre a Holanda na final, 3x0. Era o último dia de competições e as Olimpíadas de Barcelona acabava bem para o Brasil.
A alegria do vôlei acabou escondendo o fraco desempenho do Brasil nos Jogos. Apenas o judoca Rogério Sampaio (ouro nos meio-leves) e o nadador Gustavo Borges (100 m livre) trouxeram alguma medalha. No quadro geral, os dois ouros nos garantiram uma boa posição, mas ficava claro que o país estava enfraquecido ou em fase de renovação em muitas modalidades.
Quadro de medalhas:
|
País |
Ouro |
Prata |
Bronze |
| 1. Comunidade de Estados Independentes |
45 |
38 |
29 |
| 2. Estados Unidos |
37 |
34 |
37 |
| 3. Alemanha |
33 |
21 |
28 |
| 4. China |
16 |
22 |
16 |
| 5. Cuba |
14 |
6 |
11 |
| 6. Espanha |
13 |
7 |
2 |
| 7. Coréia do Sul |
12 |
5 |
12 |
| 8. Hungria |
11 |
12 |
7 |
| 9. França |
8 |
5 |
16 |
| 10. Austrália |
7 |
9 |
11 |
| 11. Canadá |
7 |
4 |
7 |
| 12. Itália |
6 |
5 |
8 |
| 13. Grã-Bretanha |
5 |
3 |
12 |
| 14. Romênia |
4 |
6 |
8 |
| 15. Tchecoslováquia |
4 |
2 |
1 |
| 16. Coréia do Norte |
4 |
0 |
5 |
| 17. Japão |
3 |
8 |
11 |
| 18. Bulgária |
3 |
7 |
6 |
| 19. Polônia |
3 |
6 |
10 |
| 20. Holanda |
2 |
6 |
7 |
| 21. Quênia |
2 |
4 |
2 |
| 22. Noruega |
2 |
4 |
1 |
| 23. Turquia |
2 |
2 |
2 |
| 24. Indonésia |
2 |
2 |
1 |
| 25. Brasil |
2 |
1 |
0 |
| 26. Grécia |
2 |
0 |
0 |
| 27. Suécia |
1 |
7 |
4 |
| 28. Nova Zelândia |
1 |
4 |
5 |
| 29. Finlândia |
1 |
2 |
2 |
| 30. Dinamarca |
1 |
1 |
4 |
| 31. Marrocos |
1 |
1 |
1 |
| 32. Irlanda |
1 |
1 |
0 |
| 33. Etiópia |
1 |
0 |
2 |
| 34. Estônia |
1 |
0 |
1 |
| 35. Argélia |
1 |
0 |
1 |
| 36. Lituânia |
1 |
0 |
1 |
| 37. Suíça |
1 |
0 |
0 |
| 38. Nigéria |
0 |
3 |
1 |
| 39. Jamaica |
0 |
3 |
1 |
| 40. Letônia |
0 |
2 |
1 |
| 41. Namíbia |
0 |
2 |
0 |
| 42. África do Sul |
0 |
2 |
0 |
| 43. Áustria |
0 |
2 |
0 |
| 44. Bélgica |
0 |
1 |
2 |
| 45. Croácia |
0 |
1 |
2 |
| 46. Participantes Independentes |
0 |
1 |
2 |
| 47. Irã |
0 |
1 |
2 |
| 48. Israel |
0 |
1 |
1 |
| 49. Taiwan |
0 |
1 |
0 |
| 50. Peru |
0 |
1 |
0 |
| 51. México |
0 |
1 |
0 |
| 52. Mongólia |
0 |
0 |
2 |
| 53. Eslovênia |
0 |
0 |
2 |
| 54. Porto Rico |
0 |
0 |
1 |
| 55. Catar |
0 |
0 |
1 |
| 56. Suriname |
0 |
0 |
1 |
| 57. Tailândia |
0 |
0 |
1 |
| 58. Malásia |
0 |
0 |
1 |
| 59. Filipinas |
0 |
0 |
1 |
| 60. Paquistão |
0 |
0 |
1 |
| 61. Gana |
0 |
0 |
1 |
| 62. Colômbia |
0 |
0 |
1 |
| 63. Bahamas |
0 |
0 |
1 |
| 64. Argentina |
0 |
0 |
1 |
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