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XXVI Jogos Olímpicos
1996 - Atlanta (EUA)
Da Redação
Nas Olimpíadas de Los Angeles em 1984, os norte-americanos ensinaram ao mundo como tornar os Jogos lucrativos. Em Atlanta-96, foi a vez de os Estados Unidos mostrarem como pensar apenas no dinheiro pode estragar o evento. O evento foi tão comercializado que o esporte parecia em segundo plano em muitos casos, o que se tornou desagradável para público, imprensa e atletas.
A própria escolha de Atlanta já mostrava que esse seria o tom dos Jogos de 1996. Por marcar o centenário das Olimpíadas, havia um ambiente muito favorável para a escolha de Atenas. Tanto que as outras cidades que se candidataram - Belgrado, Manchester, Melbourne e Toronto - nem tiveram muitas chances. Só Atlanta corria por fora.
A surpresa foi grande quando, na votação final, Atlanta apareceu como vencedora. Foi um castigo para a relativa soberba dos responsáveis pela candidatura grega. E uma vitória do dinheiro das empresas sediadas na principal cidade do Estado norte-americano da Geórgia, principalmente a Coca-Cola. Denúncias de corrupção no processo de escolha dos Jogos de Inverno em Salt Lake City, realizados em 2002, levantaram as suspeitas de que Atlanta também teria se favorecido de artifícios ilegítimos, porém, nada foi provado.
A revolta dos gregos foi tão grande que, pela primeira vez desde 1928, não abriram o desfile de delegações na cerimônia de abertura. Preferiram protestar se colocando entre Grã-Bretanha e Granada (em inglês é Grenada), como um país comum. Mas os gregos puderam se sentir vingados. O arrependimento causado pelas confusões provocadas pela má organização em Atlanta foi tão grande que o COI compensou elegendo Atenas como sede dos Jogos de 2004.
O problema da organização de Atlanta teve origem conceitual. O evento foi feito de forma que as marcas dos patrocinadores fossem prioridades, com exposição constante. O motivo é que tais empresas pagaram a construção de todas as instalações esportivas. O sistema de transporte, no entanto, se mostrou muito ineficiente, causando um caos no trânsito que afetou até alguns atletas.
Pior, o esquema de segurança que evitaria atentados terroristas se mostrou falho. Tanto que, em 27 de julho, uma bomba explodiu no Parque Centenário, um local para os turistas assistirem a shows e comprarem bugigangas diversas das Olimpíadas e de seus patrocinadores. Morreram duas pessoas, uma norte-americana ferida pela explosão e um cinegrafista turco que teve um ataque cardíaco ao correr para captar as imagens do ataque terrorista. Até hoje, ninguém foi responsabilizado pelo ato.
Nas competições, o dinheiro também ditou parte da programação. Algumas provas tiveram seu horário marcado de forma que atendesse melhor às necessidades dos patrocinadores. Isso não foi o bastante para ofuscar o brilho de alguns atletas. O canadense Donovan Bailey bateu o recorde mundial dos 100 m rasos. O norte-americano Michael Johnson fez o mesmo nos 200 m. Carl Lewis foi tetra-campeão do salto em distância, igualando o recorde de Al Oerter.
Já a nadadora irlandesa Michelle Smith foi celebrada com desconfiança pelos seus três ouros. Com 26 anos, nunca tivera um desempenho relevante nas piscinas do mundo, até aparecer fulminante em Atlanta. A suspeita de doping era enorme e, realmente, ela viria a ser pega em 1999, mas não perdeu suas medalhas.
Outra surpresa, mas sem levantar suspeitas de doping, foi a medalha de ouro da Nigéria no futebol masculino (em 1996 foi instituído o futebol feminino), batendo Brasil e Argentina pelo caminho.
Aliás, a decepção no futebol (um ouro considerado certo que virou bronze) foi uma das poucas da campanha brasileira. Com 15 medalhas (três ouros, três pratas e nove bronzes), foi a melhor participação do país na história das Olimpíadas. E teve requintes, com as primeiras mulheres brasileiras premiadas (vôlei de praia, basquete e vôlei) e o primeiro pódio da história com duas bandeiras nacionais (no vôlei de praia feminino, com duas duplas brasileiras fazendo a final).
Quadro de medalhas:
|
País |
Ouro |
Prata |
Bronze |
| 1. Estados Unidos |
44 |
32 |
25 |
| 2. Rússia |
26 |
21 |
16 |
| 3. Alemanha |
20 |
18 |
27 |
| 4. China |
16 |
22 |
12 |
| 5. França |
15 |
7 |
15 |
| 6. Itália |
13 |
10 |
12 |
| 7. Austrália |
9 |
9 |
23 |
| 8. Cuba |
9 |
8 |
8 |
| 9. Ucrânia |
9 |
2 |
12 |
| 10. Coréia do Sul |
7 |
15 |
5 |
| 11. Polônia |
7 |
5 |
5 |
| 12. Hungria |
7 |
4 |
10 |
| 13. Espanha |
5 |
6 |
6 |
| 14. Romênia |
4 |
7 |
9 |
| 15. Holanda |
4 |
5 |
10 |
| 16. Grécia |
4 |
4 |
0 |
| 17. República Tcheca |
4 |
3 |
4 |
| 18. Suíça |
4 |
3 |
0 |
| 19. Dinamarca |
4 |
1 |
1 |
| 20. Turquia |
4 |
1 |
1 |
| 21. Canadá |
3 |
11 |
8 |
| 22. Bulgária |
3 |
7 |
5 |
| 23. Japão |
3 |
6 |
5 |
| 24. Cazaquistão |
3 |
4 |
4 |
| 25. Brasil |
3 |
3 |
9 |
| 26. Nova Zelândia |
3 |
2 |
1 |
| 27. África do Sul |
3 |
1 |
1 |
| 28. Irlanda |
3 |
0 |
1 |
| 29. Suécia |
2 |
4 |
2 |
| 30. Noruega |
2 |
2 |
3 |
| 31. Bélgica |
2 |
2 |
2 |
| 32. Nigéria |
2 |
1 |
3 |
| 33. Coréia do Norte |
2 |
1 |
2 |
| 34. Argélia |
2 |
0 |
1 |
| 35. Etiópia |
2 |
0 |
1 |
| 36. Grã-Bretanha |
1 |
8 |
6 |
| 37. Belarus |
1 |
6 |
8 |
| 38. Quênia |
1 |
4 |
3 |
| 39. Jamaica |
1 |
3 |
2 |
| 40. Finlândia |
1 |
2 |
1 |
| 41. Indonésia |
1 |
1 |
2 |
| 42. Iugoslávia |
1 |
1 |
2 |
| 43. Irã |
1 |
1 |
1 |
| 44. Eslováquia |
1 |
1 |
1 |
| 45. Croácia |
1 |
1 |
0 |
| 46. Armênia |
1 |
1 |
0 |
| 47. Tailândia |
1 |
0 |
1 |
| 48. Portugal |
1 |
0 |
1 |
| 49. Síria |
1 |
0 |
0 |
| 50. Burundi |
1 |
0 |
0 |
| 51. Costa Rica |
1 |
0 |
0 |
| 52. Hong Kong |
1 |
0 |
0 |
| 53. Equador |
1 |
0 |
0 |
| 54. Argentina |
0 |
2 |
1 |
| 55. Eslovênia |
0 |
2 |
0 |
| 56. Namíbia |
0 |
2 |
0 |
| 57. Áustria |
0 |
1 |
2 |
| 58. Malásia |
0 |
1 |
1 |
| 59. Moldova |
0 |
1 |
1 |
| 60. Uzbequistão |
0 |
1 |
1 |
| 61. Zâmbia |
0 |
1 |
0 |
| 62. Letônia |
0 |
1 |
0 |
| 63. Filipinas |
0 |
1 |
0 |
| 64. Tonga |
0 |
1 |
0 |
| 65. Taiwan |
0 |
1 |
0 |
| 66. Azerbaijão |
0 |
1 |
0 |
| 67. Bahamas |
0 |
1 |
0 |
| 68. Geórgia |
0 |
0 |
2 |
| 69. Trinidad e Tobago |
0 |
0 |
2 |
| 70. Marrocos |
0 |
0 |
2 |
| 71. Lituânia |
0 |
0 |
1 |
| 72. México |
0 |
0 |
1 |
| 73. Mongólia |
0 |
0 |
1 |
| 74. Moçambique |
0 |
0 |
1 |
| 75. Tunísia |
0 |
0 |
1 |
| 76. Porto Rico |
0 |
0 |
1 |
| 77. Índia |
0 |
0 |
1 |
| 78. Israel |
0 |
0 |
1 |
| 79. Uganda |
0 |
0 |
1 |
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