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XXVII Jogos Olímpicos
2000 - Sidney (Austrália)
Da Redação
Apesar de serem realizadas ainda no século 20, as Olimpíadas de Sydney foram chamadas de “Jogos do Novo Milênio”. Fazia parte da euforia que tomou conta do mundo com o ano 2000. Cientes disso, os australianos tentaram entrar no espírito do século 21 e não economizaram em soluções ecologicamente corretas e na busca pela integração de povos de todo mundo, sem os exageros comerciais vistos em Atlanta.
Foi um sucesso de organização. Os australianos se mostraram bons anfitriões e, mesmo com os enormes esforços para ficar entre os três primeiros no quadro geral de medalhas, não favoreceram de forma acintosa seus atletas. Os visitantes aproveitaram bem, tanto que 80 países voltaram com pelo menos uma medalha, um recorde. Isso também é uma conseqüência do crescimento do evento. Nunca os Jogos Olímpicos foram tão grandes. Com 199 países e 10.651 mil atletas, os Jogos australianos foram os maiores da história.
Esse fenômeno despertou os dirigentes para o futuro. Se as Olimpíadas continuarem crescendo nesse ritmo, podem se tornar inviáveis econômica e estruturalmente. A partir de Sydney, a intenção é reduzir o número de atletas e dificultar mais a entrada de novas modalidades no programa.
Um exemplo de como a expansão dos Jogos estava exagerada foi dado pelo nadador Eric Moussambani. Inscrito nos 100 m livre, o atleta da Guiné Equatorial não sabia nadar direito. Só estava na Austrália porque seu país não teve nenhum nadador com índice e, nesses casos, o COI permite a presença do atleta que vencer uma seletiva nacional. Após metade da prova, desistiu do estilo crawl e nadou “cachorrinho” até completar o percurso, cerca de um minuto depois dos demais competidores daquela eliminatória.
Foi aplaudido pela torcida e virou ícone do espírito olímpico e do bizarro. As conseqüências não foram graves, mas fez o COI pensar em formas de permitir a participação de todos os países sem expor ninguém a situações constrangedoras como a que quase ocorreu com Moussambani.
Mas não foi só pelo desempenho do guineense que o parque aquático de Sydney foram observadas com atenção. Os australianos consideravam a natação um esporte fundamental para atingir o terceiro lugar no quadro de medalhas e até construíram uma piscina que facilitasse o estabelecimento de novos recordes. Assim, montaram uma equipe acima da média, liderada pelo adolescente Ian Thorpe. Os nadadores da casa levaram 14 medalhas, mas a vitória do holandês Pieter van den Hoogenband nos 200 m livre ofuscou um pouco o brilho de Thorpe.
Se, na natação sobraram novos recordes mundiais (13), o mesmo não se pode dizer do atletismo. O estádio olímpico de Sydney não viu nenhuma marca mundial cair, mostra do baixo nível técnico. Com isso, a única estrela da modalidade nos Jogos de 200 foi a corredora da casa Cathy Freeman. Descendente de aborígenes (povo nativo do continente australiano), ela foi ouro os 400 m rasos e virou ícone no país.
Quem quase caiu em desgraça foi o ‘dream team’ norte-americano no basquete masculino. A seleção de profissionais da NBA chegou como favoritíssima, mas, nas semifinais, venceu a Lituânia por apenas dois pontos. E só não ficou para a disputa do bronze porque os bálticos erraram um arremesso no último minuto. Seria um vexame histórico e, conscientes disso, os norte-americanos trataram de jogar com seriedade e arrasaram a surpreendente França na final. De qualquer forma, ficava a sensação de que não falta muito tempo para o dia em que uma seleção da NBA perderá para a de outro país. Fato confirmado no Mundial de basquete de 2002, em que os Estados Unidos só usaram jogadores profissionais (a bem da verdade, a maioria era formada por jogadores medianos da liga) e perderam de Argentina, Iugoslávia e Espanha.
Para os brasileiros, os jogos de 2000 foram marcados pela luta inglória por uma medalha de ouro. Vários atletas chegaram perto, mas a vitória escapava de alguma maneira, muitas inusitadas. O iatista Robert Scheidt deixou o título escapar na última regata após cair em uma armadilha armada por seu rival, o britânico Ben Ainsle. No mesmo esporte, Torben Grael e Marcelo Ferreira também estiveram perto do ouro, mas queimaram a largada na última regata e ficaram com o bronze. Rodrigo Pessoa precisava zerar o percurso na competição individual de saltos no hipismo, mas seu cavalo, Baloubet du Rouet, refugou. Claudinei Quirino era um dos favoritos nos 200 m rasos, mas foi mal na final e viu o pouco cotado grego Konstantino Kenteris comemorar a vitória. No vôlei de praia, as duplas Zé Marco e Ricardo e Adriana Behar e Shelda eram favoritos, mas perderam a final.
Pior foi o futebol masculino, que chegou como favorito a seu primeiro título olímpico, mas perdeu nas quartas-de-final para Camarões. Detalhe: os africanos estavam com dois jogadores a menos em campo. Na volta da Austrália, desmoralizado pela derrota e pressionado pelas investigações do Congresso em suas movimentações financeiras, o técnico Vanderlei Luxemburgo foi demitido.
A falta do ouro e a conseqüente 52ª colocação no quadro de medalhas deram a impressão de que o Brasil foi mal nas Olimpíadas de 2000, o que não é verdade. Apenas em Atlanta o Brasil conquistara mais medalhas que em Sydney (15 a 12). Mas, que seria muito melhor se uma das doze medalhas brasileiras (seis de prata e outro tanto de bronze) fosse dourada, não há dúvidas.
Quadro de medalhas:
|
País |
Ouro |
Prata |
Bronze |
| 1. Estados Unidos |
40 |
24 |
33 |
| 2. Rússia |
32 |
28 |
28 |
| 3. China |
28 |
16 |
15 |
| 4. Austrália |
16 |
25 |
17 |
| 5. Alemanha |
13 |
17 |
26 |
| 6. França |
13 |
14 |
11 |
| 7. Itália |
13 |
8 |
13 |
| 8. Holanda |
12 |
9 |
4 |
| 9. Cuba |
11 |
11 |
7 |
| 10. Grã-Bretanha |
11 |
10 |
7 |
| 11. Romênia |
11 |
6 |
8 |
| 12. Coréia do Sul |
8 |
10 |
10 |
| 13. Hungria |
8 |
6 |
3 |
| 14. Polônia |
6 |
5 |
3 |
| 15. Japão |
5 |
8 |
5 |
| 16. Bulgária |
5 |
6 |
2 |
| 17. Grécia |
4 |
6 |
3 |
| 18. Suécia |
4 |
5 |
3 |
| 19. Noruega |
4 |
3 |
3 |
| 20. Etiópia |
4 |
1 |
3 |
| 21. Ucrânia |
3 |
10 |
10 |
| 22. Cazaquistão |
3 |
4 |
0 |
| 23. Belarus |
3 |
3 |
11 |
| 24. Canadá |
3 |
3 |
8 |
| 25. Espanha |
3 |
3 |
5 |
| 26. Turquia |
3 |
0 |
2 |
| 27. Irã |
3 |
0 |
1 |
| 28. República Tcheca |
2 |
3 |
3 |
| 29. Quênia |
2 |
3 |
2 |
| 30. Dinamarca |
2 |
3 |
1 |
| 31. Finlândia |
2 |
1 |
1 |
| 32. Áustria |
2 |
1 |
0 |
| 33. Lituânia |
2 |
0 |
3 |
| 34. Azerbaijão |
2 |
0 |
1 |
| 35. Eslovênia |
2 |
0 |
0 |
| 36. Suíça |
1 |
6 |
2 |
| 37. Indonésia |
1 |
3 |
2 |
| 38. Eslováquia |
1 |
3 |
1 |
| 39. México |
1 |
2 |
3 |
| 40. Argélia |
1 |
1 |
3 |
| 41. Uzbequistão |
1 |
1 |
2 |
| 42. Iugoslávia |
1 |
1 |
1 |
| 43. Letônia |
1 |
1 |
1 |
| 44. Bahamas |
1 |
1 |
0 |
| 45. Nova Zelândia |
1 |
0 |
3 |
| 46. Tailândia |
1 |
0 |
2 |
| 47. Estônia |
1 |
0 |
2 |
| 48. Croácia |
1 |
0 |
1 |
| 49. Camarões |
1 |
0 |
0 |
| 50. Colômbia |
1 |
0 |
0 |
| 51. Moçambique |
1 |
0 |
0 |
| 52. Brasil |
0 |
6 |
6 |
| 53. Jamaica |
0 |
4 |
3 |
| 54. Nigéria |
0 |
3 |
0 |
| 55. África do Sul |
0 |
2 |
3 |
| 56. Bélgica |
0 |
2 |
3 |
| 57. Argentina |
0 |
2 |
2 |
| 58. Taiwan |
0 |
1 |
4 |
| 59. Marrocos MAR |
0 |
1 |
4 |
| 60. Coréia do Norte |
0 |
1 |
3 |
| 61. Trinidad e Tobago |
0 |
1 |
1 |
| 62. Moldova |
0 |
1 |
1 |
| 63. Arábia Saudita |
0 |
1 |
1 |
| 64. Irlanda |
0 |
1 |
0 |
| 65. Vietnã |
0 |
1 |
0 |
| 66. Uruguai |
0 |
1 |
0 |
| 67. Geórgia |
0 |
0 |
6 |
| 68. Costa Rica |
0 |
0 |
2 |
| 69. Portugal |
0 |
0 |
2 |
| 70. Catar |
0 |
0 |
1 |
| 71. Sri Lanka |
0 |
0 |
1 |
| 72. Kuait |
0 |
0 |
1 |
| 73. Quirquistão |
0 |
0 |
1 |
| 74. Macedônia |
0 |
0 |
1 |
| 75. Chile |
0 |
0 |
1 |
| 76. Armênia |
0 |
0 |
1 |
| 77. Barbados |
0 |
0 |
1 |
| 78. Islândia |
0 |
0 |
1 |
| 79. Israel |
0 |
0 |
1 |
| 80. Índia |
0 |
0 |
1 |
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