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Beisebol
Da Redação

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O beisebol demorou para emplacar como esporte olímpico. Foi disputado como modalidade de exibição em diversas edições dos Jogos, mas apenas em 1988 se tornou oficial. Um fato estranho para um esporte bastante difundido pelo mundo. Suas raízes estão na Inglaterra, onde jogos informais envolviam tacos, bolas e bases. No século 19, nos Estados Unidos, essas atividades começaram a criar formas mais modernas e, em algumas décadas, o beisebol já era a modalidade coletiva mais praticada no país.

Desde então, a relação entre norte-americanos e beisebol é intensa, por ter seu auge junto com a consolidação da sociedade dos Estados Unidos, entre as décadas de 10 e 60 do século passado. Até hoje, o jogo de bases é considerado o esporte número 1 do país, tanto que a MLB (Major League Baseball, principal liga profissional da América do Norte) movimenta mais dinheiro que a NFL (futebol americano) ou a NBA (basquete). É quase uma instituição estadunidense.

Justamente pela influência dos norte-americanos, o beisebol se espalhou pelo mundo. Missionários e educadores introduziram o esporte no Japão e em Cuba ainda no século 19. Os nipônicos trataram de disseminar a modalidade pelo oriente, enquanto cubanos a levavam para países latino-americanos. Hoje, o beisebol é o mais popular em países como Japão, Coréia do Sul, Taiwan, Cuba, Venezuela, Panamá, República Dominicana, Porto Rico e México, com destaque secundário na Austrália, Colômbia, Canadá e Nicarágua. Na Europa, os países com mais praticantes são Itália, Holanda e França.

No Brasil, as primeiras partidas foram disputadas por norte-americanos funcionários de multinacionais. Mas a consolidação efetiva veio com os imigrantes japoneses. Até hoje, a modalidade é dominada pelos nipônicos, mas o contingente de atletas ocidentais vem crescendo.

Nos Jogos Olímpicos, o beisebol padeceu no início pela separação entre profissionais e amadores. Como as ligas da América do Norte (Estados Unidos e Canadá), Venezuela, México, Porto Rico, República Dominicana, Japão, Coréia do Sul e Taiwan são profissionais e ficavam de fora das principais competições internacionais, Cuba -a única potência ainda no amadorismo- se tornou hegemônica. As demais forças eram representadas por seleções universitárias. Em 1996, os profissionais já puderam atuar. Mas, como a temporada da MLB coincide com o período de disputa das Olimpíadas, os principais jogadores do mundo não foram liberados. O mesmo ocorreu em 2000 e no torneio classificatório para 2004, quando houve apenas equipes mistas ou de profissionais de ligas menos importantes.

A situação foi tão dramática que os Estados Unidos, sem seus profissionais, não passou pelo pré-olímpico. Agora, a Grécia, classificada por ser país sede mas sem equipes de beisebol, recruta norte-americanos com origens helenas para formar uma seleção. Com isso, Cuba deve retomar o ouro que perdeu em 2000 para os norte-americanos.

Regras
O beisebol não é um esporte tão difícil de compreender quando se acompanha a uma partida pela televisão, apesar de pequenos detalhes da regra causarem confusão. Os jogos são divididos em nove innings (também chamados no Brasil de entradas). Em cada inning, uma equipe tem uma fase de defesa e outra de ataque. O objetivo é, ao final das nove etapas, marcar mais pontos, com corredores percorrendo as quatro bases.

No ataque, os jogadores tentam rebater os arremessos do pitcher. É o momento mais tenso do jogo, pois o duelo entre arremessador e rebatedor (batter) é complexo. Se o pitcher arremessar quatro “balls”, bolas fora da zona do strike (quadrado imaginário formado nos limites da base, da altura do ombro e dos joelhos do rebatedor), o atacante avança automaticamente para a primeira base. O mesmo ocorre se a bola atingir o corpo do rebatedor.

Do outro lado, se o batter tentar a rebatida e errar, é considerado strike. Se a bola vai à zona de strike, mas o rebatedor não tenta acertá-la, também é strike. Se a rebatida vai para fora dos limites do diamante (apelido do campo de beisebol), outro strike. Essa última regra só não é válida quando o rebatedor já tiver dois strikes em sua conta. Nesse caso, o arremesso é apenas considerado “foul”. Com três strikes, o rebatedor é eliminado.

Assim, o pitcher tenta, a todo momento, iludir o rebatedor, arremessando com efeito para induzir o oponente ao erro. Em centésimos de segundo, o atacante tem de julgar se a bola vai dentro ou fora da zona de strike para saber se deve ou não tentar a rebatida.

Há ainda um terceiro elemento nesse duelo. O catcher é o jogador que deve pegar as bolas que o pitcher atirar e não forem rebatidas. Para facilitar a identificação visual, é o sujeito que fica com proteção na barriga, capacete e está ajoelhado ao lado do rebatedor. Ele também acompanha as reações do batter, o provoca se necessário e troca sinais com instruções para o pitcher. Se o catcher não segurar o arremesso e a bola ficar “viva”, o rebatedor pode tentar uma corrida à primeira base, mas é raro um erro desse tipo acontecer.

Após metade da partida, o pitcher pode apresentar sinais de cansaço. Seus arremessos perdem precisão e, muitas vezes, troca-se de arremessador. Há pitchers que começam sempre no banco por serem especializados em entrar no final dos jogos.

Quando a bola é rebatida, o jogo se transforma. Rebatidas simples permitem, no máximo, que o batter chegue à primeira base (cada base dista 27,3 m da outra). Para evitar que o local seja dominado pelo adversário, os defensores (catcher, pitcher e os espalhados pelo campo) tentam pegar a bola rebatida e levá-la à base antes de o atacante pisar nela. Por isso, as defesas sempre têm homens postados nas quatro bases, justamente para marcar a corrida do oponente.

Se a defesa tiver dificuldade em trazer a bola para o diamante, o atacante pode arriscar a corrida para a segunda ou até a terceira base. O importante, no ataque, é garantir uma base, nem que tenha de contar com outros rebatedores para avançar mais.

Com a base conquistada e a defesa sem ação, o pitcher volta aos arremessos, contra outro rebatedor. Se a bola é novamente atingida pelo taco, o corredor que conquistou uma base pode prosseguir com seu avanço, enquanto o outro rebatedor tenta alcançar a primeira base. Percebe-se que, nesse momento, a defesa deve estar atenta, pois tem de conter o avanço de dois adversários ao mesmo tempo. Em jogadas rápidas até dá para eliminar ambos. Mas, muitas vezes, é necessário escolher o que estiver mais fácil de eliminar.

Um lance de extrema emoção é o home run, que ocorre quando o rebatedor acerta a bola em cheio, de forma que ela caia fora do campo (na arquibancada ou até fora do estádio). Nesses casos, a defesa não tem como recuperá-la e impedir o avanço dos atacantes. Automaticamente, os que estão nas bases e o batter dão a volta e marcam o ponto.

Mas é um lance perigoso. Se a rebatida for alta, mas não o suficiente para sair do campo, há risco de eliminação, pois, se a defesa pega a bola antes de ela tocar o solo, o rebatedor está fora. Por isso que há tantos lances de defensores que se atiram para pegar a bola no ar.

Ainda há o roubo de bases. É um lance de esperteza, em que o corredor se aproveita da distração do pitcher durante os arremessos para avançar ao posto seguinte. Se o pitcher perceber o movimento, pode, ao invés de arremessar para o catcher, atirar a bola na base abandonada ou na seguinte, eliminando o corredor.

Para eliminar um corredor, a defesa deve levar a bola à base antes que o atacante chegue nela. Também é possível excluí-lo no meio da corrida, com um defensor tocando a bola no corpo do atacante. Após três eliminações, um time deixa de atacar e troca de papel com o outro. Após um ciclo, em que um time ataca e defende, termina o inning.

Caso a partida termine empatada, joga-se um 10º inning para desempate. Se a igualdade permanecer, jogam-se innings extras até alguém ficar em vantagem.

 



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