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Boxe
Da Redação

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O boxe é o único esporte que alija os principais profissionais da disputa dos Jogos Olímpicos. Mas isso não se deve apenas a uma decisão do COI ou das entidades que dividem o poder no esporte. A principal razão é que, com cachês milionários, direitos de televisionamento caríssimos e combates marcados com meses de antecedência por motivos comerciais, seria difícil encaixar os principais boxeadores do mundo -e seus empresários- em um evento sem compensação financeira. Por isso, os ringues de Atenas (como foi em todas as outras edições dos jogos) só terão atletas amadores.

O que não significa que o boxe olímpico seja desprezível. Lutadores históricos como Floyd Patterson, Muhammad Ali, Cassius Clay, “Sugar” Ray Leonard, Joe Frazier, George Foreman e Lennox Lewis têm medalhas olímpicas no currículo. Além disso, há grandes boxeadores de carreira predominantemente amadoras, como os cubanos Félix Savón, Teófilo Stevenson e o húngaro Laszlo Papp. Por isso, amantes do boxe olham com certo carinho para os rápidos combates olímpicos. Neste período é possível identificar alguns talentos em surgimento, mesmo que nem sempre as expectativas se confirmem.

As regras amadoras são um pouco diferentes do boxe profissional. Os atletas olímpicos usam capacetes acolchoados para proteger a cabeça. Com isso, a quantidade de ferimentos e de nocautes é menor. A divisão de tempo também muda. São cinco assaltos de dois minutos. Mas a questão mais visível e discutível é o sistema de pontuação.

Decisões polêmicas dos juízes sempre foram comuns no boxe, profissional ou amador.As decisões dos juízes dos Jogos de Seul foram escandalosas, com acusações de favorecimento injustificável aos anfitriões, motivando a mudança do sistema. Desde então, a contagem de pontos é feita por golpes acertados. As luvas têm uma área branca. Caso o lutador acerte com consistência essa parte da luva no oponente, o juiz deve apertar um botão reconhecendo que houve um soco certeiro. Se três dos cinco juízes apertarem o botão em um intervalo de até um segundo, o ponto é atribuído ao boxeador.

Ao final da luta, é considerado vencedor o lutador com mais pontos. Claro, isso se ninguém for nocauteado ou desclassificado. A regra diminuiu o nível de interpretação dos árbitros, mas não impede descalabros como as decisões do Mundial Amador de 1999, que claramente prejudicavam os cubanos. Além disso, os mais românticos acusam (com razão) as novas regras de diminuírem o valor da técnica do boxeador, contando apenas os socos. O jogo de pernas e o estudo do adversário ficaram mais raros, pois os lutadores procuram apenas acertar socos, mesmo que sem minar as forças do oponente.

Em Atenas, serão 10 categorias em disputa, todas no masculino. A divisão de pesos é diferente da existente entre os profissionais: minimosca (até 48 kg), mosca (entre 48,1 e 51 kg), galo (51,1 a 54 kg), pena (54,1 a 57 kg), ligeiro (57,1 a 60 kg), superligeiro (60,1 a 64 kg), leve (64,1 a 69 kg), médio (69,1 a 75 kg), meio-pesado (75,1 a 81 kg), pesado (81,1 a 91 kg) e superpesado (a partir de 91,1 kg).

 



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