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Ciclismo
Da Redação

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No Brasil, o ciclismo muitas vezes é visto como “corrida de bicicleta”, como se isso fosse algo simples. Porém, essa modalidade possui uma complexidade considerável, com variáveis e estratégias elaboradas, despertando o fascínio de torcedores de várias partes do mundo, sobretudo na Europa. Não é à toa que o ciclismo está entre os esportes mais populares de países como França, Itália e Espanha, atraindo mais atenção que o futebol durante os eventos importantes (notadamente o Tour de France, o Giro d’Italia e a Vuelta de España).

A bicicleta mais ou menos como é hoje (com pedais e velocípedes) foi criada em 1839 pelo escocês Kirkpatrick McMillan e logo foi empregada como veículo de competição. A primeira corrida de ciclistas em uma pista que se tem notícia teve 1,2 km de extensão e ocorreu em Saint-Cloud, nos arredores de Paris, em 1868. No ano seguinte foi organizada a primeira prova em estrada, em um percurso de 123 km entre a capital francesa e Rouen. E desde aquela época as provas já permitiam a presença de mulheres (o que causa estranhamento no fato de o ciclismo feminino só ser admitido nos Jogos Olímpicos a partir de 1984).

Desde então, o ciclismo se desenvolveu em duas frentes, as provas em velódromos -palavra derivada do francês “vélo” (bicicleta), é um estádio com pista oval de 250 m de extensão- e estrada. A aceitação foi tão grande, principalmente na Europa e nos Estados Unidos, que foi instituído o profissionalismo no esporte. Se isso serviu para desenvolver a modalidade e para dar uma remuneração aos ciclistas, acabou deixando de fora os melhores atletas do ciclismo olímpico, que só permitia a presença de amadores.

Com isso, a modalidade não recebeu -no programa olímpico- a merecida atenção por décadas, como ocorre até hoje com boxe e futebol. O cenário mudou a partir em 1996, com a admissão dos profissionais. Para os amantes do ciclismo (e não são poucos, pode acreditar), essa notícia foi mais importante do que a presença do Dream Team do basquete norte-americano nas Olimpíadas de Barcelona em 1992.

A evolução foi brutal. Com a aparição dos grandes ciclistas do mundo, o investimento que havia no circuito profissional também pôde ser visto nos Jogos. Bicicletas extremamente leves e resistentes, equipamentos aerodinâmicos (da bicicleta ao capacete) e, claro, estrelas internacionais.

O lado negativo é o doping. Com tanto investimento e competitividade, muitos ciclistas decidiram apelar para substâncias proibidas. Médicos já tiveram de responder a inquéritos após serem encontradas substâncias dopantes com as equipes técnicas -o caso mais dramático foi na Volta da França de 1998- e atletas foram suspensos. Hoje, o público vê o ciclismo como um dos esportes mais permissivos às substâncias dopantes.

Como as características das provas olímpicas são bastante específicas, elas vão separadas por grupos.

Corrida contra o relógio
Chamada informalmente de “a prova da verdade”. Nela, os ciclistas pedalam livre por uma distância pré-determinada e quem a concluir em menos tempo é considerado vencedor. No velódromo, as provas têm 1 km no masculino e 500 m no feminino. Na estrada, a prova tem 46,8 km de extensão para os homens (mais que a maratona) e 31,2 km para as mulheres. Para evitar que um ciclista atrapalhe o avanço de outro, cada um larga 90 segundos depois do anterior. A regra básica é pedalar o mais forte possível. Apenas na prova de estrada, mais longa, é necessário poupar a energia no início, para gastar nos quilômetros finais.

Corrida de estrada
Equivale a uma etapa das voltas ciclísticas que existem por todo o mundo, inclusive no Brasil. Com 239 km para os homens e 120 km para as mulheres, todos os atletas largam juntos e quem chegar à linha final primeiro vence. Duram horas e os resultados dependem da inteligência e estratégia dos ciclistas.

Quem acompanhar trechos da competição (dificilmente a TV brasileira reservará horas de sua programação para uma “corrida de bicicletas”) perceberá que dificilmente um ciclista se destaca do pelotão nos primeiros dois terços da prova. Quando o faz é seguido por alguns concorrentes, mas não é raro esse pequeno grupo ser alcançado pelo pelotão principal alguns quilômetros adiante.

Como o desgaste é grande, dosar as energias é fundamental na prova de estrada. Por isso, os ciclistas se agrupam, pois um tira proveito do vácuo proporcionado pelo outro (pode parecer detalhismo, mas representa uma diminuição de até 30% na resistência do ar) e mantém o mesmo ritmo com menos esforço. Mas também há momentos em que o melhor é “atacar”. Nesse caso, o ciclista pode quebrar o ritmo de um oponente, forçando-o a correr de acordo com seu planejamento.

As próprias características do atleta também podem ditar a estratégia. Alguns têm bom desempenho em subidas de montanhas e podem tentar tirar proveito disso durante os aclives, cientes de que os adversários poderão recuperar essa diferença no resto da prova. Existe até jogo de equipe. Eventualmente, um ciclista menos cotado pode forçar o ritmo do pelotão para que, no final da prova, um compatriota que se poupou possa atacar os adversários nos quilômetros finais.

Velocidade
Apesar do nome, as características da prova são completamente diferentes das encontradas no congênere de estrada. Apesar da distância oficial (1 km), apenas os últimos 200 m são cronometrados. Disputada em sistema de um contra um, é uma das provas mais nervosas e calculadas do ciclismo olímpico. Durante centenas de metros, os dois competidores apenas dissimulam. Pedalam com vagarosidade extrema, esperando que o oponente tome a iniciativa da corrida. Chegam a parar a bicicleta. O objetivo é ficar atrás, se aproveitar do vácuo criado pelo adversário para se poupar e ultrapassar nos metros finais. Claro, para que a prova não demore horas, os ciclistas têm limitação de tempo para as fintas.

Perseguição e sprint olímpico
Uma das provas mais emocionantes do ciclismo de pista. Os oponentes (há provas individuais e por equipes, essa última apenas no masculino) largam em extremos opostos da pista. O objetivo é alcançar e ultrapassar o adversário (equivalente a abrir meia pista de vantagem) ou terminar a distância (4 km para homens e 3 km para mulheres) em menor tempo. Nas provas individuais a vantagem de se aproveitar do vácuo só existe quando um ciclista alcança o outro. Na competição por equipes, os quatro ciclistas de cada time se revezam no comando para que o vácuo do líder poupe os demais. O sprint olímpico tem algumas semelhanças com a perseguição. Os times de três ciclistas partem de um lado da pista. São apenas três voltas, sendo que cada uma é comandada por um dos atletas. Vence a equipe cujo 3º ciclista completar o percurso em menos tempo.

Keirin
Criada no Japão, é uma prova extremamente rápida e perigosa. Nove ciclistas largam juntos e seguem uma moto a velocidade crescente. Após 1,4 km, a moto sai da pista e os ciclistas devem completar os 2 km de percurso.

Corrida por pontos e madison
A corrida por pontos é individual, com 30 km de extensão para homens e 25 km para mulheres. Grupos de 20 a 30 ciclistas correm pelo velódromo. A cada 10 voltas, os quatro primeiros colocados recebem pontos (pela ordem, 5, 3, 2 e 1). Vence o ciclista que acumular mais ponto no final da distância. Nessa prova é importante saber dosar as energias, mas nem sempre é uma estratégia boa ficar para trás na esperança de atacar no final. A madison (exclusivamente masculina) tem conceitos semelhantes, apesar de ser disputada por duplas que se revezam a longo da prova. Enquanto um dos integrantes de cada dupla pedala em velocidade, com tempo marcado, o outro descansa, pedalando lentamente pela parte alta da pista. Para a troca (que pode ser feita a qualquer momento), o ciclista em velocidade deve tocar a mão no selim do companheiro, que assume a corrida. A cada 20 voltas, as equipes recebem pontos. Após 50 km, a dupla com mais pontos é considerada vencedora.

Mountain Bike
Prova completamente diferente das demais. Nela, os ciclistas devem percorrer distâncias entre 40 e 50 km (homens) e 30 e 40 km (mulheres). O itinerário e o número de voltas são decididos dias antes da prova de acordo com a previsão do tempo, pois o trajeto é extremamente acidentado, com trilhas, ladeiras, pedras e muita lama. Como parâmetro, as provas masculinas devem durar cerca de 2h15 e as femininas, 2h. As bicicletas de montain bike são bastante diferentes das encontradas em competições de estrada e pista, pois são menores (baixando o centro de gravidade do conjunto e dando mais equilíbrio), mais resistentes a impactos e com pneus mais largos.

 



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