A despeito da beleza estética que caracteriza a ginástica de hoje, a origem do esporte é militar. Gregos, romanos, chineses e egípcios já organizavam competições com os exercícios de treinamento de soldados, alguns parecidos com os utilizados atualmente. Mas não há muita ligação entre as duas modalidades, pois o período entre a queda do Império Romano e o século 18 foi de quase inatividade nessa área. Só ficou o nome: ginástica vem de gymnós, nu em grego, referência à (falta de) vestimenta dos atletas nas competições helenas.
O renascimento da ginástica esportiva ocorreu na Europa durante a segunda metade do século 18. Educadores alemães, dinamarqueses, suíços, suecos e italianos empregaram aparelhos para auxiliar nas aulas de educação física. A Suécia se desenvolveu mais e, no século 19, já tinha a ginástica incorporada no sistema educacional. Na mesma época, a prática crescia nos Estados Unidos com a Associação Cristã de Moços (ACM). Parte do conceito da ginástica também estava em espetáculos. Os sokols, demonstrações em massa de coreografias e habilidades para grandes públicos, se tornaram popular na Tchecoslováquia e na Alemanha.
O início da ginástica como esporte organizado era pleno de ligações com a herança militar e educacional da atividade. Muitos aparelhos utilizados nas primeiras Olimpíadas modernas foram eliminados posteriormente, como a subida de corda e a baliza.
Apenas em 1949 foi criado o “Código de Pontos” da Federação Internacional de Ginástica, definindo parâmetros mundiais para a conceituação de acrobacias e exercícios, passo fundamental para a uniformização dos critérios dos juízes em todas as competições. A ginástica atual se divide em artística, rítmica e cama elástica.
Artística
É o que se convencionou chamar de “ginástica olímpica”. Nessa disciplina, os homens se apresentam em seis aparelhos: argolas, barra fixa, exercício de solo, barras paralelas, cavalo com alça e salto sobre o cavalo. As mulheres competem em salto sobre o cavalo, barras assimétricas, trave e exercício de solo. É importante ressaltar que o solo e o salto sobre o cavalo têm pequenas diferenças para homens e mulheres, não podendo ser considerados exercícios completamente iguais.
Além das provas individuais por aparelhos, também são dadas medalhas por equipe e no individual geral. Aliás, é importante salientar que a classificação das provas gerais não está ligada às competições por aparelhos. Nos primeiros dias de competições, os atletas realizam exercícios obrigatórios em cada um dos aparelhos, sem priorizar a criatividade. O ginasta que tiver mais pontos na soma das notas ganha o individual geral. Na reunião de pontos de seus ginastas sai a classificação por equipes. Nos dias seguintes são disputadas as provas individuais por aparelhos, nas quais os atletas têm mais liberdade de coreografias e acrobacias.
A ginástica é um dos poucos esportes olímpicos em que as provas femininas chamam mais a atenção do que as masculinas. O motivo principal é que as mulheres mudaram o conceito original do esporte, substituindo a força física por agilidade e graça. Também por isso que adolescentes conquistaram espaço nos eventos mais importantes, pois não têm o corpo completamente formado e podem aproveitar a elasticidade, flexibilidade e leveza. Nos últimos cinco anos essa tendência diminuiu um pouco, com atletas com mais de 20 anos mostrando competitividade no circuito mundial. Por exemplo, a brasileira Daiane dos Santos tem 21 anos e seria uma veterana nos Jogos de Barcelona de 1992. Em Atenas 2004, ela é uma competidora com chances reais de medalha no solo.
As mulheres começam suas apresentações com nota nove. Cada erro ou ausência de movimentos obrigatórios representa a perda de alguns décimos, mas demonstrações de criatividade ou habilidade podem render bonificações de até 1 ponto (completando o possível, mas improvável, 10).
O exercício de solo feminino é a única prova da ginástica artística acompanhada por música (só é permitido instrumental). Em um espaço de 12 x 12 m, as ginastas devem combinar dança e acompanhamento da música com um mínimo de três seqüências de saltos e piruetas terminando em um mortal e movimentos de ginástica. Tudo isso em um período entre 50 e 70 segundos. Essa prova, que normalmente já é uma das mais acompanhadas pelos telespectadores olímpicos, terá valor especial em Atenas, pois a brasileira Daiane dos Santos é uma das favoritas ao ouro.
No salto sobre o cavalo feminino, o aparelho tem 1,2 m de altura e é colocado na posição transversa em relação ao sentido da pista. Para o salto, as ginastas correm e pegam impulso em um trampolim de 26 cm de altura. Depois, se apóiam no cavalo e aterrissam. Enquanto estiver no ar, a ginasta deve realizar acrobacias.
As barras assimétricas (também chamadas de barras paralelas assimétricas) são uma adaptação das barras paralelas masculinas. A principal diferença é que foram alteradas as alturas dos aparelhos. A mais alta está a 2,36 m do solo, enquanto a mais baixa fica a 1,57 m. É uma das provas mais bonitas da ginástica, porque permite uma grande variedade de acrobacias, giros, retomadas, trocas de barras e uso do corpo para tomar impulso, entre outros movimentos. As atletas são julgadas pela precisão na execução, criatividade e nível de dificuldade do exercício.
No feminino, ainda há a trave de equilíbrio, com 1,2 m de altura e apenas 10 cm de largura. Sobre o aparelho, a ginasta deve apresentar uma rotina de 70 a 90 segundos de duração, com exercícios obrigatórios e livres. Execução e expressão artística são levadas em consideração pelos juízes. É uma prova difícil, tanto que, mesmo em competições de alto nível como os Jogos Olímpicos, não é raro ver uma competidora caindo da trave durante a exibição.
Nas provas masculinas, a demonstração de força ainda é muito marcante. Tanto que os ginastas não são tão jovens quanto as garotas e têm braços extremamente musculosos. Os movimentos são mais lentos, com grande ênfase ao equilíbrio. O atleta começa com nota 8,6. Pode ser bonificado por movimentos espetaculares, mas perde pontos por erros ou não realização de parte da rotina obrigatória.
O exercício de solo é o que mais guarda semelhança entre homens e mulheres. No entanto, a competição masculina não conta com música de acompanhamento. Os parâmetros são os mesmos da prova feminina.
O salto sobre o cavalo tem diferenças um pouco mais significativas em relação ao congênere para mulheres. O aparelho é colocado na posição longitudinal em relação à pista e tem 1,35 m de altura. O desenho do cavalo também é diferente, com um formato cilíndrico de 1,62 m de comprimento e 35,5 cm de diâmetro. O princípio do exercício é semelhante ao feminino. O atleta corre em direção ao aparelho, pega impulso em um trampolim, se apóia no cavalo e aterrissa.
As barras paralelas dos homens estão a 1,75 m do solo e têm 3,5 m de comprimento. A distância entre elas é ajustada pelo atleta. A apresentação deve conter elementos de piruetas, giros, equilíbrios (com o ginasta mantendo-se estático por dois segundos) e demonstração de força.
No cavalo com alças é usado o mesmo aparelho do salto sobre o cavalo, mas com a colocação de alças. Os ginastas devem executar movimento pendulários e giratórios. São proibidas as paradas, o uso de força para movimentos lentos e tocar o cavalo com uma parte do corpo que não sejam as mãos.
Se não é permitido usar muita força no cavalo com alça, as argolas compensam. Colocado a 2,55 m de altura, o aparelho tem rotina com ênfase nesse quesito. O atleta deve variar movimentos de impulso, estática e giros. O posicionamento de pernas e firmeza do atleta são importantes nos elementos de estática.
Os movimentos da barra fixa se assemelham um pouco às barras assimétricas femininas. O ginasta gira, toma impulso, salta o aparelho e retoma e chega a segurar a barra com apenas um braço. Após o início da apresentação o atleta não pode parar.
Rítmica
Também chamada de GRD (ginástica rítmica desportiva), é uma disciplina exclusivamente feminina, na qual as ginastas usam objetos -aro, maça, bola, fita e corda- em uma apresentação de solo acompanhada por música. As competidoras devem mostrar força, agilidade e expressão artística, além de habilidade de malabarismo.
Na prova individual, as ginastas fazem quatro apresentações, cada uma com um objeto (um pode ser descartado). A prova por equipe é separada, com grupos de cinco ginastas se apresentando duas vezes. Na primeira, todas usam maças, na final, duas devem portar aros e as demais, fitas.
Cama elástica
Prova simples de entender. Há apenas competições individuais masculina e feminina. Nelas, o ginasta usa o impulso da cama elástica de nylon para realizar sua apresentação no ar. Há uma lista de movimentos obrigatórios, mas o atleta deve realizar acrobacias próprias. |