Nenhuma modalidade rendeu tantos ouros olímpicos ao Brasil como o iatismo. Com quatro medalhas douradas, o esporte está à frente de congêneres mais tradicionais no cotidiano brasileiro como atletismo (três), judô (duas), vôlei (duas) e futebol (zero). E o torcedor ainda entende pouco da modalidade, perdido no mar de termos ingleses que designam as classes e de nomes germânicos da maioria dos atletas brasileiros.
Uma competição de iatismo é dividida em 11 regatas (16 na classe 49er), que ocorrem, no máximo, duas vezes no mesmo dia. Para cada etapa são distribuídos pontos: o prmeiro colocado não leva nenhum, o segundo fica com três, o terceiro com 5,7, o quarto com 8, o quinto com 10, o sexto com 11,7 e, a partir daí, aumenta de 6 em 6. O pior resultado de cada embarcação após cinco etapas é desconsiderado. No caso da 49er, pode-se desconsiderar os dois piores resultados depois de 12 etapas. Ganha quem, ao final das regatas, tiver menos pontos acumulados. A fórmula de disputa só muda na classe Yngling, em que dois barcos competem em uma corrida direta um contra o outro, sendo que o vencedor passa para as fases seguintes.
A linha de largada é demarcada por duas bóias. Antes da partida, os velejadores podem navegar livremente, buscando um posicionamento. Mas, se, após a ordem de se preparar para a largada, o iatista passar por essa linha imaginária, estará desclassificado. O trajeto da regata é definido por bóias espalhadas pela baía. Em cada etapa muda a ordem em que cada marco é contornado.
Muitas classes do iatismo são abertas, permitindo que homens e mulheres disputem juntos. É o caso de 49er, Tornado e Laser. Mistral e 470 têm homens e mulheres separados, enquanto que Star e Finn são apenas para homens e Europa e Yngling são exclusivas para mulheres.
Além de ter força física para movimentar as velas e usar o corpo para equilibrar a embarcação (o que torna importante o iatista ter peso um pouco acima da média em alguns casos), o velejador deve ser, acima de tudo, um estrategista. Interpretar dados como condições da água, força e direção do vento e reações dos adversários não é tarefa simples.
Veja a diferença entre as classes do iatismo olímpico:
Mistral
Também chamado de prancha a vela ou windsurfe, é -como o nome indica- uma prancha com uma vela. O conjunto é extremamente leve, com apenas 18 kg, e obriga o velejador a ficar em pé. O Brasil não tem tradição nessa classe.
470
O nome se deve ao comprimento da embarcação, 4,7 m. Projetado para dois tripulantes, é um barco bastante leve (pesa 115 kg) e veloz.
Finn
Criado pelo finlandês Richard Sarbig (daí vem o nome do barco), o Finn dimensões reduzidas (1,51 m de largura e 4,5 de comprimento) e apenas uma vela.
Europa
O Europa é um Finn de dimensões reduzidas, tanto que é apelidado de “pequeno Finn”. Com 60 kg e 3,35 m de comprimento, é o menor barco em competições olímpicas (a classe Mistral não usa barco e sim, uma prancha).
49er
Embarcação para duas pessoas e tem área de vela grande, desproporcional ao seu tamanho (4,99 m de comprimento e 125 kg). É um barco de difícil controle.
Tornado
Catamarã (barco com dois cascos) para dois velejadores com 6,1 m de comprimento, 3 m de largura e 170 kg. É a embarcação mais rápida da vela olímpica.
Laser
Barco popular para uso individual. Tem 4,23 m de comprimento e 55 kg. Apesar de ser uma classe aberta, a Laser é dominada por homens pelas exigências físicas para a navegação. Desde que entrou no programa olímpico, em 1996, já viu um ouro e uma prata brasileiros, ambos com Robert Scheidt.
Star
Classe mais antiga na programação olímpica, está nos Jogos desde 1932, a Star costuma reunir os velejadores de nível técnico mais alto. Os barcos levam dois tripulantes e têm 6,92 m de comprimento e 662 kg.
Yngling
Uma versão reduzida do Soling, barco que esteve no programa do iatismo olímpico em 2000. Exige três tripulantes, tem 6,35 m de comprimento e pesa 645 kg. É a maior embarcação da vela nos Jogos. |