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Ao contrário do que muitos pensam, o judô não é uma arte marcial milenar da cultura oriental. A luta foi inventada no final do século 19 pelo japonês Jigaro Kano. O professor adaptou o jiu-jitsu e integrou um processo de modernização e abertura do Japão, desvinculando-se um pouco da cultura dos samurais. Ainda assim, o judô (termo que significa “caminho, filosofia, estilo de vida suave”) mantém valores como a educação moral, espiritual e física de seus praticantes. Kano visualizava como objetivo final do judô o aperfeiçoamento dos indivíduos a ponto de trazer benefícios para toda a sociedade.
A escola de Kano ganhou popularidade após alguns de seus alunos vencerem lutadores de jiu-jitsu em uma competição em 1886. Até 1905, muitas escolas de jiu-jitsu já haviam aderido aos métodos de Kano. Em 1911, o Ministério da Educação do Japão colocou o judô no currículo das aulas de educação física do país, dando o passo decisivo para a disseminação da modalidade pelo arquipélago e, depois, pelo mundo.
O judô não é uma luta muito violenta, pois não prevê socos ou chutes. No entanto, estrangulamento e torção de braço (golpes nada delicados) são permitidos, apesar de raramente ocorrerem em competições. O mais comum é tentar derrubar o adversário e lutar no solo, com eventual imobilização do oponente.
Em um combate, vence o judoca que alcançar primeiro um ponto, ou ippon. Para conseguí-lo, o atleta deve derrubar o oponente de forma com que caia de costas no solo, imobilizá-lo por 30 segundos, estrangulá-lo ou torcer seu braço. Também é possível fazer um ippon na soma de pontos menores, como waza’ari (meio ponto e atribuído para golpes bons, mas não perfeitos, ou imobilizações de 25 segundos), yuko (um quarto de ponto e dado em golpes de execução regular ou imobilização de 20 segundos) e koka (um oitavo de ponto e distribuído em golpes falhos ou imobilização de 15 segundos). Um judoca também pode se beneficiar das infrações do oponente, como demonstrar falta de agressividade.
Um dos princípios de Kano ao criar o judô era fazer com que o lutador utilizasse a força do oponente em seu favor. Assim, judocas maiores e pesados não teriam vantagem em relação a adversários menores e leves. Por isso, soa contraditória a divisão do judô esportivo em categorias por peso.
Em Atenas, serão disputadas sete categorias: superleve (menos de 48 kg para mulheres e menos de 60 kg para homens), meio-leve (de 48 a 52 kg no feminino e de 60 a 66 kg no masculino), leve (pela ordem, de 52 a 57 kg e de 66 a 73 kg), meio-médio (57 a 63 kg e 73 a 81 kg), médio (63 a 70 kg e 81 a 90 kg), meio-pesado (70 a 78 kg e 90 a 100 kg), e pesado (mais de 78 kg e mais de 100 kg).
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