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Natação
Da Redação

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De acordo com o programa dos Jogos Olímpicos, não existe o esporte natação. Oficialmente, o COI considera natação, pólo aquático, nado sincronizado e saltos ornamentais uma modalidade apenas, sob a denominação “esportes aquáticos”. Mas o público vê essas práticas como esportes independentes, não como categorias de uma modalidade.

Nos Jogos, a natação só perde em destaque para o atletismo. E, mesmo assim, tem seu momento de hegemonia na primeira semana do evento, quando se concentram suas provas e o atletismo ainda não está em disputa. E, em Sydney’2000, até houve uma certa inversão dos valores, com investimento e divulgação maciça dos australianos nas piscinas, deixando o atletismo em segundo plano.

As Olimpíadas australianas usaram e abusaram da tecnologia. As piscinas eram mais profundas para a diminuição de marolas, havia ajuste automático de temperatura da água para reduzir o desgaste dos atletas e maiôs de tecidos que diminuem o atrito com a água, entre outras soluções. Nem era possível imaginar que demorou um tempo razoável para a natação olímpica usar piscinas. Entre 1896 e 1904, as provas eram realizadas em mares e rios, tornando as marcas completamente fora dos padrões pela existência de correnteza.

Há registros de natação como atividade física em várias civilizações antigas, como Egito, Grécia e Roma. Mas as primeiras competições esportivas que se têm notícia foram realizadas no Japão a partir do século 17, consequência de um decreto imperial que obrigou todas as escolas nipônicas a darem aulas de nado para seus alunos, popularizando o esporte e incentivando a criação de competições interescolares. O impulso definitivo veio no século 19, quando ingleses e australianos criaram clubes de natação.

Naqueles tempos, o estilo mais valorizado era o peito, considerado nobre. Havia também competições de nado de costas, mas, em geral, os estilos ainda estavam em desenvolvimento. Nas competições de nado livre, cada atleta tinha uma técnica própria de nadar, sem padronização e eficiência de movimentos. Isso mudou nos anos 10 do século passado, quando a equipe norte-americana, liderada pelo havaiano Duke Kahanamoku, apresentou uma técnica de pernada extremamente rápida. Era o surgimento do crawl, estilo hegemônico nas provas de nado livre de hoje.

Durante quatro décadas, a natação se dividiu em crawl, peito e costas. Até que alguns nadadores começaram a desvirtuar os movimentos tradicionais do peito em busca de mais velocidade. Sem burlar as regras, tiravam os braços da água e mexiam as pernas de forma diferente. Para evitar mais confusão, a Fina (Federação Internacional de Natação) redefiniu as regras dos estilos, limitando o nado submerso no peito (mais veloz que se manter na superfície) e criando um novo estilo com base nos novos movimentos de pernas e braços que surgiam: o borboleta. Na década de 60, resolveu-se criar o medley, prova que reúne os quatro estilos.

Nas piscinas de Atenas, serão disputadas 32 medalhas de ouro: 50, 100, 200, 400 800, 1500 e revezamentos 4x100 e 4x200 m livre, 100 e 200 m costas, 100 e 200 m peito, 100 e 200 m borboleta e 200, 400 e revezamento 4x100 m medley. Com exceção dos 800 e 1500 m livre -o primeiro apenas para mulheres e o último só para homens-, todas as distâncias terão provas masculinas e femininas.

Regras
A natação é um esporte bastante simples. As únicas provas em que há liberdade para escolher o estilo são as de nado livre. Porém, até que alguém descubra um meio mais rápido de se locomover na água sem usar auxílio externo, todos adotam o crawl. Uma rara exceção ocorreu os Jogos de Sydney, em que o guineense Eric Mousambani, que claramente não sabia nadar direito, apelou para o “cachorrinho” para terminar (em último, lógico) sua eliminatória nos 100 m livre.

As provas são divididas em várias fases. Na primeira etapa, todos os nadadores vão à piscina em eliminatórias com número variável de atletas, pois depende de quantos estarão inscritos em cada competição (nem sempre é um número divisível por 8). Classificam-se para as semifinais os que conseguirem os 32 melhores tempos. Nessa fase, há quatro rodadas de 8 competidores cada. Os que marcarem os 8 melhores tempos vão disputar as medalhas na final A, enquanto que o 9º ao 16º fazem a final B, uma espécie de prêmio de consolação, pois não vale título algum.

Independentemente da fase em que estiver a disputa, o nadador é desclassificado se pular na piscina antes do tiro de largada (o seja, queimar). Não há segunda chance, como no atletismo. Também está eliminada a equipe de revezamento em que um nadador não esperar seu companheiro tocar a mão na borda antes de saltar.

Provavelmente, quem acompanhar a natação olímpica -programa obrigatório, mesmo com o Brasil tendo chances reduzidas de medalhas em 2004- verá uma quantidade grande de nadadores homens carecas ou vestindo maiôs (não apenas calções). Nos dois casos, o objetivo é diminuir o atrito com a água e ganhar um pouco mais de velocidade. Para alguns é algo insignificante, mas a pele lisa é mais aquadinâmica que a que contém pelos. Caso o atleta não queira se depilar, pode vestir o maiô de tecido especial para ter um resultado semelhante.



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