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Remo
Da Redação

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Se o remo é quase esquecido no Brasil, por que Vasco, Flamengo e Botafogo despejam rivalidade sempre que se encontram nas regatas que compõem o Campeonato Carioca da modalidade? Simples, é um resquício da importância que o esporte já teve por aqui, atraindo multidões para as competições na baía da Guanabara no início do século 20. O remo perdeu popularidade e importância, mas ainda tem um valor muito simbólico para três grandes clubes do Rio de Janeiro (o Fluminense não tem departamento de remo).

É importante ressaltar que o fenômeno não era limitado à antiga capital federal. Em São Paulo, o remo também tinha destaque, com regatas organizadas no então limpo rio Tietê. Em janeiro de 2004, durante as comemorações dos 450 anos da cidade, uma regata simbólica foi organizada novamente no poluído rio. Os remadores tiveram de usar máscaras para suportar o cheiro.

O remo foi trazido ao Brasil no final do século 19 por imigrantes europeus. Do outro lado do oceano Atlântico, o esporte já estava estabelecido havia mais de 100 anos. Competições entre remadores existem desde o Antigo Egito, passando por Grécia, Roma e os vikings escandinavos. Com a invenção das caravelas, o remo perdeu importância como meio de propulsão de embarcações, se restringindo à navegação de rios e outros usos menores. E aí ressurgiu como atividade esportiva.

Em 1716, remadores criaram uma competição anual no rio Tâmisa, entre as pontes de Londres e Chelsea, na capital britânica. Aos poucos, o esporte foi se espalhando entre trabalhadores de diversos portos do mundo. No século 19 começaram as primeiras corridas entre universidades. Na Inglaterra, Cambridge e Oxford iniciaram sua rivalidade no remo em 1829, enquanto que, nos Estados Unidos, Yale e Harvard o fizeram em 1852.

Para acompanhar
O esporte é simples de entender. Os barcos são colocados lado a lado em uma raia de 2 km de extensão. Vence a equipe que chegar primeiro à linha de chegada. Não há curvas e as águas são calmas. Mas, claro, há detalhes que se tornam decisivos em uma prova olímpica.

O mais importante é o sincronismo das remadas, para que o impulso seja mas forte. Os barcos são finos e deslizam sobre a água com facilidade, a uma velocidade aproximada de 10 m/s. Também é fundamental ter um ritmo uniforme para dar nova remada assim que o barco começa a perder velocidade. Em algumas categorias existe o timoneiro, tripulante responsável por ditar o ritmo dos remadores. Mas não basta apenas remar na hora certa. Se a pá entra na água com uma angulação errada, o impacto pode ser tão grande a ponto de puxar o remo para o fundo da raia.

Ao contrário do que ocorre na maioria das corridas, o sprint mais importante do remo se dá nos metros iniciais. Nos primeiros 500 m o ritmo das remadas é mais intenso para que o barco acelere o mais rápido possível. Depois de atingir uma velocidade padrão, a equipe trata de manter essa velocidade e só aumentar o ritmo se necessário para ultrapassar ou se defender do adversário.

Os barcos são classificados por peso. Acima de 72,6 kg é considerado normal, abaixo disso entra nas categorias peso leve. Há também divisão pelo número de remos com cada atleta. Nas provas sem especificação, cada tripulante (excetuando o eventual timoneiro) tem um remo nas mãos, enquanto que nos esquifes cada remador está com dois. Para melhorar o impulso e a movimentação dos atletas, os assentos são deslizantes e acompanham a quase coreografia dos remadores.

Em Atenas serão disputadas 14 medalhas de ouro no remo. As referências numéricas, como “dois”, “quatro”, “simples” e “duplo”, indicam o número de remadores por barco. Os homens competem em esquife simples, esquife duplo, esquife duplo peso leve, esquife quádruplo, esquife quádruplo peso leve, dois sem (timoneiro), quatro sem e oito com. As mulheres estão em esquife simples, esquife duplo, esquife duplo peso leve, esquife quádruplo, dois sem e oito com.

 



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