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Vôlei
Por Ubiratan Leal

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Nenhuma modalidade coletiva rendeu tantas medalhas ao Brasil quanto o vôlei. Foram dois ouros, quatro pratas e três bronzes na soma de quadra e praia. Somando a essas medalhas as conquistas em outros torneios -como Campeonato Mundial, Copa do Mundo, Liga Mundial e Grand Prix-, todas nos últimos 25 anos, o vôlei ganhou espaço na mídia e arrebanhou praticantes pelo país, a ponto de muitos considerarem o segundo esporte mais popular do Brasil.

O vôlei mudou bastante nesse último quarto de século. A seleção que conquistou a prata masculina em Los Angeles e a que levou o ouro em Barcelona praticavam um jogo bastante diferente do atual. Na época, os times só marcavam pontos ao ganharem ao menos dois rallies seguidos. A partida era em melhor de cinco sets de 15 pontos cada. Os times variavam mais as jogadas e a diferença de nível técnico era refletida no placar.

Mas havia um problema sério com essa regra. Partidas muito equilibradas podiam se estender por cinco horas, o que desagradava às emissoras de televisão. Nos anos 80 já se havia adotado o sistema de tie breaker -em que se elimina a vantagem, com cada saque valendo um ponto- para o quinto set. Mas não era suficiente.

Por isso, a FIVB (Federação Internacional de Voleibol) mudou as regras de pontuação, usando o sistema de tie breaker em todos os sets, que passaram a ir a 25 pontos (o quinto continua terminando em 15). Porém, o jogo ficou mais monótono. Com medo de perder o ponto logo na saída, os jogadores deixaram de forçar o saque, facilitando o trabalho da defesa adversária. Além disso, as equipes mais fracas resolveram abusar das jogadas de segurança, aproveitando o saque deficiente e levantando sem dificuldade para seu melhor atacante matar o ponto na ponta de rede. A estratégia é burocrática, mas equilibrava o set até que alguém cometesse um erro e ficasse para trás.

Houve novo pacote de regras. Saques que tocam na rede, mas passam para o outro lado da quadra passaram a serem válidos, incentivando os sacadores a ousarem. Outras medidas foram a permissão de usar os pés para salvar uma bola e a criação do líbero, um jogador que fica no fundo de quadra apenas para defender. Para evitar confusão, esse atleta usa uniforme diferente dos companheiros. Com isso, as defesas tiveram mais condições de salvar as bolas, alongando as disputas de ponto e tornando a partida mais emocionante. Hoje, as equipes já se adaptaram às novas regras e os jogos voltaram a ganhar em diversidade tática.

Quem não está acostumado a acompanhar o vôlei deve entender como “variação tática” as estratégias adotadas pelo levantador para enganar o bloqueio e a defesa do adversário. Diversificando os atacantes, lançando mão de movimentos dissimulados para enganar os oponentes e variando a velocidade do jogo. Nisso, há uma participação fundamental da defesa, que deve receber e passar com precisão para o levantador ter à disposição tantos recursos. Claro, de nada adianta tudo isso se o atacante não tiver visão e rapidez de raciocínio para explorar ou fugir do bloqueio.

Para a defesa, o importante é justamente descobrir por onde virá o ataque adversário. A primeira medida é encurralar o atacante com um bloqueio sólido e bem colocado. Como sempre haverá uma possibilidade de o atacante evitar a parede, a defesa deve se posicionar exatamente nesses pontos, para impedir que a bola chegue ao solo.

História
A origem do vôlei está ligada ao basquete, pois ambos os esportes foram inventados na mesma unidade da Associação Cristã de Moços (ACM), em Springfield (Massachusetts), Estados Unidos. Em 1891, o professor James Naismith criou o basquete ao propor um jogo em que os times tivessem de arremessar bolas dentro de uma cesta colocada a uma determinada altura. Um amigo, William Morgan, estudou a nova modalidade e a considerou muito cansativa para homens de meia-idade. Decidiu criar seu próprio esporte. Em 1895, Morgan inventava o vôlei.

Em um ano, a ACM já havia levado o esporte para o Japão e outros países do oriente, onde teve grande evolução. Na Ásia, a bola foi desenhada, a regra de sets foi estabelecida e a limitação de três toques por time em cada ataque. Nos anos 50, a modalidade se espalhou pela Europa.

Nos Estados Unidos, o vôlei foi ofuscado por esportes como futebol americano, beisebol e o próprio basquete. No entanto, uma versão em duplas praticada nas praias se tornou popular. Nos anos 80, se espalhou por outros países principalmente o Brasil.

O vôlei de praia tinha regras muito parecidas com o de quadra mas, aos poucos, foi ganhando algumas particularidades. Os jogos são disputados em melhor de três sets, sendo os dois primeiros em 21 pontos e o último (se necessário) em 15. Como no vôlei de quadra atual, não há regra de vantagem.

É uma modalidade muito extenuante, pois os atletas estão ativos a todo momento. Apesar de ser natural que um integrante da dupla tenha mais facilidade para defender ou bloquear, é inevitável que ambos jogadores exerçam todos os fundamentos do vôlei (saque, defesa, bloqueio, levantamento e ataque). Por isso, os jogadores devem ser bastante versáteis e a dupla, entrosada e homogênea tecnicamente.

Há dúvidas a respeito do quanto o vôlei de praia (que oficialmente é uma disciplina do vôlei) é “amplamente praticado” em 75 (homens) e 40 (mulheres) países. Mas, com a vontade política e comercial dos organizadores norte-americanos, a modalidade foi incorporada ao programa olímpico em Atlanta-96.



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