Após um período sobre o qual se tem pouca informação, o idioma grego reapareceu no século 8 a.C. com força e um novo alfabeto, de inspiração fenícia, em que cada fonema é representado por um símbolo. Era uma escrita já semelhante à do grego moderno.
Durante o período clássico, entre os séculos 6 e 4 a.C., a literatura grega atingiu seu apogeu. A civilização era formada por cidades-Estados independentes e cada uma tinha seu dialeto. Os mais importantes nesse período era o ático, da região de Atenas, e o jônico, na costa do mar Jônico.
Aos poucos, Atenas foi se firmando como principal centro político, econômico e cultural da região e o dialeto ático se espalhou por toda a Grécia, se misturou com outras versões do idioma e originou o koiné, um grego coloquial e falado em todas as cidades. Durante o domínio macedônico, o koiné foi adotado como língua oficial do Estado. Depois, Alexandre, o Grande, expandiu as fronteiras do império até a Pérsia, difundindo o koiné por todo o Oriente Médio e Egito.
Posteriormente, os romanos invadiram a região, mas o grego permaneceu como idioma predominante na parte oriental do império, enquanto o latim era mais falado na metade ocidental. O grego esteve arriscado de desaparecer durante o domínio otomano na região. Mas a igreja ortodoxa preservou a língua em suas liturgias e escolas.
Os líderes do movimento de independência da Grécia, no século 19, decidiram reerguer a língua clássica por representar um símbolo de identidade e unidade nacional. O país conseguiu sua liberdade em 1822, mas não havia sido resolvido um problema básico: definir exatamente o que era a língua grega, pois se tornara uma tradição oral e com diferenças regionais.
Em princípio, os governantes da nova Grécia decidiram adotar o ático, dialeto eternizado por Platão e que despertou interesse de intelectuais e estudiosos de toda a Europa, que passava por uma onda de recuperação dos valores clássicos. No entanto, essa solução se mostrou impraticável e se criou o katharévousa, uma versão que unia o grego oral com princípios do grego clássico e que se pretendia purista.
Mas a criação do katharévousa expôs as diferenças sociais entre os gregos. A elite falava a língua oficial, enquanto que a maior parte da população se comunicava pelo dimotikí (demótico), um idioma coloquial. As relações foram se acirrando até que professores foram demitidos por ensinarem em demótico e diversas manifestações populares exigiam o fim do katharévousa, alegando que era uma forma de o governo restringir o acesso à educação.
Assim, grego coloquial ganhou espaço, mas ainda havia defensores da língua da elite. Durante o governo militar do coronel Papadopoulos (1967-1976), o katharévousa foi recolocado como idioma oficial do país. Com o fim da ditadura, o demótico voltou a ser utilizado no ensino e na administração pública. O katharévousa ainda é encontrado como em textos legais, em dicionários e em termos que representem o uso erudito do grego. Apesar de ainda existirem dialetos regionais, praticamente todos apenas com registro oral, pode-se considerar que o grego demótico é o idioma falado por todos os gregos.
Além de ter papel na manutenção da unidade nacional e de diminuir diferenças sociais, a língua grega teve grande influência em outros idiomas, como os latinos e germânicos. Pela importância e desenvolvimento cultural que tiveram na Antigüidade, muitos conceitos foram criados pelos gregos e seus nomes se universalizaram ainda na época dos impérios macedônico e romano, mesmo que sofrendo adaptações de cada idioma.
A lista de palavras de origem helênica é enorme e conta com termos como Cristo, música, democracia, república, ginástica, crônica, demônio, fantasma e órfão. Além disso, radicais gregos são utilizados largamente na formação do vocabulário latino (e português como conseqüência). A união de palavras como “bio” (vida), “geo” (terra), “tele” (distante), “logia” (estudo) “fone” (som), “grafia” (escrita) e “micro” (pequeno), entre outras, originou composições como “biologia”, “geografia”, “telefone”, “micróbio”, “geologia” e “telégrafo”.