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A língua grega
Da Redação

O grego é um dos idiomas indo-europeus mais antigos que se têm notícia, com origem na civilização micênica do século 14 a.C. registros de 1.400 a.C. Os primeiros registros conhecidos foram encontrados no Palácio de Cnossos, em Creta e mostravam uma escrita silábica, em que cada símbolo representava um conjunto consoante-vogal.

Após um período sobre o qual se tem pouca informação, o idioma grego reapareceu no século 8 a.C. com força e um novo alfabeto, de inspiração fenícia, em que cada fonema é representado por um símbolo. Era uma escrita já semelhante à do grego moderno.

Durante o período clássico, entre os séculos 6 e 4 a.C., a literatura grega atingiu seu apogeu. A civilização era formada por cidades-Estados independentes e cada uma tinha seu dialeto. Os mais importantes nesse período era o ático, da região de Atenas, e o jônico, na costa do mar Jônico.

Aos poucos, Atenas foi se firmando como principal centro político, econômico e cultural da região e o dialeto ático se espalhou por toda a Grécia, se misturou com outras versões do idioma e originou o koiné, um grego coloquial e falado em todas as cidades. Durante o domínio macedônico, o koiné foi adotado como língua oficial do Estado. Depois, Alexandre, o Grande, expandiu as fronteiras do império até a Pérsia, difundindo o koiné por todo o Oriente Médio e Egito.

Posteriormente, os romanos invadiram a região, mas o grego permaneceu como idioma predominante na parte oriental do império, enquanto o latim era mais falado na metade ocidental. O grego esteve arriscado de desaparecer durante o domínio otomano na região. Mas a igreja ortodoxa preservou a língua em suas liturgias e escolas.

Os líderes do movimento de independência da Grécia, no século 19, decidiram reerguer a língua clássica por representar um símbolo de identidade e unidade nacional. O país conseguiu sua liberdade em 1822, mas não havia sido resolvido um problema básico: definir exatamente o que era a língua grega, pois se tornara uma tradição oral e com diferenças regionais.

Em princípio, os governantes da nova Grécia decidiram adotar o ático, dialeto eternizado por Platão e que despertou interesse de intelectuais e estudiosos de toda a Europa, que passava por uma onda de recuperação dos valores clássicos. No entanto, essa solução se mostrou impraticável e se criou o katharévousa, uma versão que unia o grego oral com princípios do grego clássico e que se pretendia purista.

Mas a criação do katharévousa expôs as diferenças sociais entre os gregos. A elite falava a língua oficial, enquanto que a maior parte da população se comunicava pelo dimotikí (demótico), um idioma coloquial. As relações foram se acirrando até que professores foram demitidos por ensinarem em demótico e diversas manifestações populares exigiam o fim do katharévousa, alegando que era uma forma de o governo restringir o acesso à educação.

Assim, grego coloquial ganhou espaço, mas ainda havia defensores da língua da elite. Durante o governo militar do coronel Papadopoulos (1967-1976), o katharévousa foi recolocado como idioma oficial do país. Com o fim da ditadura, o demótico voltou a ser utilizado no ensino e na administração pública. O katharévousa ainda é encontrado como em textos legais, em dicionários e em termos que representem o uso erudito do grego. Apesar de ainda existirem dialetos regionais, praticamente todos apenas com registro oral, pode-se considerar que o grego demótico é o idioma falado por todos os gregos.

Além de ter papel na manutenção da unidade nacional e de diminuir diferenças sociais, a língua grega teve grande influência em outros idiomas, como os latinos e germânicos. Pela importância e desenvolvimento cultural que tiveram na Antigüidade, muitos conceitos foram criados pelos gregos e seus nomes se universalizaram ainda na época dos impérios macedônico e romano, mesmo que sofrendo adaptações de cada idioma.

A lista de palavras de origem helênica é enorme e conta com termos como Cristo, música, democracia, república, ginástica, crônica, demônio, fantasma e órfão. Além disso, radicais gregos são utilizados largamente na formação do vocabulário latino (e português como conseqüência). A união de palavras como “bio” (vida), “geo” (terra), “tele” (distante), “logia” (estudo) “fone” (som), “grafia” (escrita) e “micro” (pequeno), entre outras, originou composições como “biologia”, “geografia”, “telefone”, “micróbio”, “geologia” e “telégrafo”.



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