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Religião
Da Redação

A relação entre a Grécia e a Igreja Ortodoxa Grega é íntima, com reflexos evidentes na vida da população do país. Para se ter uma idéia, de acordo com dados oficiais, a impressionante proporção de 97% da população grega é fiel à Igreja Ortodoxa Grega. Índice parecido de ortodoxos só é encontrado na Rússia. De fato, os patriarcados grego e russo são os mais importantes desde a cisma entre católicos orientais e romanos.

As primeiras pregações cristãs na Grécia que se têm notícia foram de autoria de São Paulo, em 49 d.C. O sucesso não foi imediato e apenas alguns séculos depois a população grega foi assimilando a doutrina de Cristo. Ainda assim, foi necessário o decreto do imperador Constantino, o Grande, que se converteu e estabeleceu o cristianismo como religião oficial do império, incluindo não apenas Roma, mas suas províncias, entre as quais estava a Grécia.

A Igreja Cristã estava unificada, com cinco patriarcados -Roma, Antioquia, Alexandria, Constantinopla e Jerusalém- de igual poder e independência administrativa. Por estar na sede do governo do império, os romanos tinham mais força que os demais centros, mas o poder maior ainda era do Concílio Ecumênico, que reunia todos os patriarcados.

A partir do século 8, surgiram divergências entre o papa e o patriarca de Constantinopla. Entre as questões em desacordo estavam o celibato clerical (padres ortodoxos podem se casar desde que ainda não tenham sido ordenados) e a posição do Espírito Santo (o romano defendia a procedência pelo Pai e pelo Filho, enquanto o oriental considerava que o Espírito Santo vinha apenas depois do Pai).

As animosidades foram crescendo e, em 1054, a Igreja de Roma negou a autoridade do Concílio Ecumênico. O papa e o patriarca de Constantinopla se excomungaram mutuamente. Foi a “Grande Cisma”. Roma ficou com a Igreja Católica Apostólica Romana, enquanto cada patriarcado oriental formou sua Igreja Católica Ortodoxa (Grega, Russa e Armênia, por exemplo), mas que ainda mantém alguma unidade pelo ainda existente Concílio Ecumênico.

Apesar das semelhanças nas crenças e rituais, é inevitável que tenham surgido diferenças entre as duas igrejas. Além de permitir padres casados (mas os bispos devem permanecer celibatários) e de ter outra versão da procedência do Espírito Santo, os ortodoxos consideram que todos os bispos -incluindo o patriarca- têm o mesmo poder e os cargos superiores são dados penas como demonstração de respeito. Além disso, não acreditam no purgatório, permitem a unção em caso de doença (e não apenas em situação terminal), aceitam o divórcio em casos excepcionais, comemoram a Ressurreição (Páscoa) na quinta-feira e prevêem a participação da comunidade no processo de canonização.

A fé ortodoxa foi muito importante na história e na identificação cultural da Grécia. Durante o domínio otomano (1453-1821), a Igreja incentivou o ensino e a preservação do idioma, do cristianismo (os otomanos eram muçulmanos) e de outras manifestações culturais gregas. Para isso ajudou o fato de o maior centro monástico ortodoxo, o Monte Atos, estar localizado no nordeste do país. No século 19, a Grécia conseguiu sua independência, mas essa influência religiosa não diminuiu. Pelo contrário.

Por mais que a Constituição previsse liberdade de credo, até 2001 as carteiras de identidades do país continham a opção religiosa das pessoas e, pior, o funcionalismo público só é aberto aos cidadãos de fé ortodoxa. Ensino religioso ortodoxo é obrigatório nas escolas e, por mais que haja separação oficial entre Estado e Igreja, as leis mais polêmicas não são levadas adiante pelo parlamento se o clero não aprovar.

Os reflexos na sociedade grega são tão grandes que muitas pessoas não comemoram seu aniversário após os 12 anos. A partir dessa idade, os gregos comemoram o dia de seu santo. Em geral, essa definição está no nome de batismo: por exemplo, as pessoas chamadas Georgios celebram o dia de São Jorge.



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