|
Guia da Grécia » El Greco
El Greco
Da Redação
| |
| Imagem do autroretrato The Knight with His Hand on His Breast exposto no Museo do Prado, em Madri. |
As diversas influências e fases da carreira do pintor renascentista Doménikos Theotokópoulos estão registradas em seu nome artístico. Afinal, junta o artigo na língua espanhola “el” com o adjetivo-pátrio italiano “greco”. Marcas deixadas pelo início da carreira entre Veneza e Roma e os anos na espanhola Toledo.
Doménikos Theotokópoulos nasceu em Irákleio, em Creta, em 1541. Na época, a ilha estava sob controle de Veneza e, portanto, Theotokópoulos tinha passaporte veneziano. Aproveitou-se dessa facilidade para estudar pintura na república dos doges em torno de 1560 (não se sabe ao certo quando isso aconteceu).
Entrou no estúdio de Ticiano, onde desenvolveu sua técnica, mas não obteve grande destaque. Suas poucas obras - realizadas também em Roma - mesclavam as escolas cretense e veneziana com uma maneira particular de uso da cor, formas humanas alongadas, ênfase na arquitetura e posicionamento de figuras no espaço. Apesar do grande contato com seu mestre, são visíveis influências dos trabalhos de Michelangelo, Tintoretto e Paolo Veronese. As principais pinturas de “Domenico Greco” -como ficou conhecido na época- em seu período italiano foram retratos, como “Giulio Clovio” e “Vincentio Anastagi”
Em 1577, o pintor foi para a Espanha. Primeiro, passou por Madri, mas se estabeleceu definitivamente em Toledo. Não se sabe ao certo o motivo da mudança, mas pode ter sido a esperança de trabalhar em uma grande igreja para São Lourenço que Felipe II pretendia construir a 40 km de Madri. El Greco havia conhecido pessoas ligadas à igreja espanhola durante sua passagem por Roma. Um ano depois de chegar à Espanha, nasceu seu único filho, Jorge Manuel. A mãe, Jerónima de las Cuevas, viveu com El Greco durante toda a vida do pintor, mas nunca se casaram. Especula-se que ele poderia ter deixado uma esposa em Creta.
Na Espanha, El Greco consolidou sua obra, com diversas pinturas religiosas. Seu estilo ficou evidenciado, mostrando claras influências venezianas, mas com cores intensas e larga manutenção de contrastes. Grandes obras desse período foram “Trindade”, “Assunção da Virgem” e “Espólio”. Sua relação com a igreja cresceu e o artista passou também a esculpir, projetando composições completas para altares.
Sua maior obra, feita já sob o maneirismo, estilo comum na Europa com a crise do Renascimento, é “O Enterro do Conde de Orgaz”, realizada entre 1886 e 1888. Nela, paraíso e terra estão bem definidos. O primeiro é povoado por nuvens quase abstratas e santos altos e algo fantasmagóricos em seu aspecto. Na segunda, todos os elementos estão em proporções normais.
A presença da religião em seu trabalho foi tão intensa que é conhecido apenas um quadro com temática mitológica, muito comuns no Renascimento. Em “Laocoonte”, El Greco inovou ao usar Toledo em vez de Tróia como cenário.
Apesar de viver fora da Grécia durante quase toda sua vida, El Greco nunca esqueceu suas origens. Assinou diversos trabalhos com seu nome verdadeiro, Doménikos Theotokópoulos, em alfabeto grego. Morreu em 1614 e foi enterrado na igreja de Santo Domingo, em Toledo. Hoje, apenas um quadro do artista está na sua Creta. “Paisagem do Monte Sinai Trilhado pelos Deuses”, pintada em 1570, está exposta no Museu Histórico de Irákleio.
|