Guia da Grécia » Filosofia

Filosofia
Da Redação
 
Pintura renascentista de Raphael Sanzio mostra Platão e Aristóteles.

Apesar de toda a complexidade e riqueza da mitologia criada pelos gregos, um dos maiores legados da civilização helênica foi justamente contestá-la. Era o surgimento do pensamento racional, da visão científica do mundo. E, com o aprofundamento dessas discussões, a aplicação desses conceitos na vida cotidiana, questionando a moral estabelecida e o papel do Estado, entre outros pontos. Os valores postos em pauta pelos gregos são discutidos até hoje.

Um dos precursores da filosofia grega foi Tales, da cidade de Mileto, na região da Jônia. No início do século 6 a.C., ele começou a estudar a evolução dos componentes da natureza, defendendo que a água era o elemento fundamental, de onde teriam se originado os demais, rompendo com as idéias de que os deuses haviam criado os elementos da natureza. Conterrâneos de Tales, como Anaximandro e Anaxímenes seguiram pela mesma linha, com teorias diferentes. Eram os primeiros cosmólogos.

Mas o passo definitivo em direção à razão científica foi dado por três outros pensadores. Pitágoras não buscava a explicação da natureza na matéria, mas na matemática. Ele e seus discípulos acreditavam que havia uma lógica maior ordenando o mundo. Parmênides foi um pouco além, afirmando que um argumento deveria ser coerente e que a realidade só seria percebida pela mente e pela razão e não pelos sentidos. Demócrito introduziu o conceito de átomo e o princípio da estrutura mecânica do universo.

A partir daí, o objeto de estudo deixou de ser a natureza, mas o indivíduo e a sociedade. Nesse âmbito, um papel importante foi desempenhado pelos sofistas, professores que passavam pelas cidades ensinando retórica, gramática, matemática e até ginástica. Eles não investigavam o princípio do universo, mas defendiam o aprofundamento das pessoas ao exercer a cidadania e o poder político. Por isso, foram muito procurados por aspirantes à vida política, principalmente em Atenas.

Segundo o grupo, a razão deveria pautar as decisões, e não a religião e a moral. Chegavam a dizer que a religião era uma invenção humana para evitar a desobediência às leis. Era evidente que a doutrina dos sofistas incentivavam a contestação ao poder e tiveram bastante divulgação durante a Guerra do Peloponeso.

Mas esse grupo não era unanimidade no pensamento ateniense da época. Sócrates, um dos filósofos mais importantes da Grécia, argumentava que os sofistas não olhavam para o interior do ser humano, quais seriam os valores de cada indivíduo. Para ele, a moral seria resultado de reflexões racionais objetivas até se tornarem uma ferramenta de orientação e formação. O indivíduo e sua razão tinham um papel central no mundo socrático. Após a Guerra do Peloponeso, o filósofo foi acusado de subverter a juventude ateniense e de não acreditar nos deuses mitológicos. Foi julgado e condenado à morte.

Sócrates não escreveu suas idéias. Sua obra só é conhecida pelos registros de seu mais importante discípulo, Platão. Ele ampliou a abrangência das idéias de Sócrates, afirmando que a moral racional do indivíduo só teria efeitos positivos se a comunidade também estivesse dentro dos mesmos princípios. Por isso, propôs diversas reformas políticas e sociais.

Platão montou uma academia, de onde saiu outro filósofo de importância até hoje. Aristóteles se destacou por unir as teorias dos pensadores pré-socráticos, Sócrates e Platão, criando uma nova doutrina. Além disso, foi extremamente versátil, atuando em retórica, política, poética, ética, física e metafísica. Foi professor de Alexandre, o Grande, quando esse era apenas o jovem príncipe da Macedônia. Como imperador, Alexandre extendeu o império macedônio até a Pérsia, difundindo o pensamento e a cultura grega por todo o Oriente Próximo.

É importante considerar que a filosofia (palavra que significa “amor à sabedoria” em grego) não impediu que boa parte da população grega ainda seguisse os preceitos mitológicos, que acabaram se difundindo pelos impérios macedônio e, posteriormente, romano. Hoje, a filosofia é entendida como o uso da razão para alcançar a expressão da realidade, para o raciocínio em geral ou ainda como forma de orientação para compreender e esclarecer conceitos, métodos ou teorias.



Copyright © 2004 Yahoo! do Brasil Internet Ltda. Todos os direitos reservados.
Política de Privacidade - Termos do Serviço - Sobre o Yahoo!