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Guia da Grécia » História antiga
História antiga, medieval e moderna
Da Redação
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"Alexander The Great"
60" x 40" Oil on Paper on Panel -
© 2000 Donato Giancola. |
Os primeiros povoamentos em território grego são do período Paleolítico (Idade da Pedra), com tribos vindas do oriente e da Europa central se estabelecendo na região entre 11.000 e 3.000 a.C. Esses povos desenvolveram técnicas em cerâmica, pesca e alguma navegação, além de estabelecer comércio com povos do mediterrâneo.
Civilizações propriamente ditas surgiram apenas no início do milênio seguinte, já no período Neolítico (Idade do Bronze), ambas localizadas nas ilhas do mar Egeu. Os cicládicos se estabeleceram nas ilhas Cíclades, entre a Ásia Menor e a Ática. Tinham grande desenvolvimento político, cultural e, principalmente, comercial.
Mas a civilização mais importante do período foi a minóica, que viveu na ilha de Creta. Esse povo tinha grande organização cultural, política, social e comercial, tendo capacidade para a construção de palácios como o de Cnossos e para o desenvolvimento do primeiro código escrito que se tem registro na Grécia. Com uma frota portentosa, estabeleceram diversas colônias em diversas ilhas egéias. Ainda assim, a ausência de muralhas nas ruínas encontradas dão conta que, provavelmente, os minóicos tinham relações amistosas com seus vizinhos.
Aproximadamente no ano 2.000 a.C., povos de língua grega ocupam a Ática e o Peloponeso. Juntos com a população que já habitava a região, fundaram a civilização micênica. Esse povo desenvolveu muito o comércio na região, e, com forte influência cretense em arquitetura, escrita e tecnologia, delineou diversos aspectos da civilização helênica, como conceitos morais e religiosos, a agricultura, a metalurgia e o idioma.
Por volta de 1.450 a.C., os micênicos invadiram Creta e conquistaram Cnossos. Era o fim da civilização minóica. Dois séculos depois, revoltas internas minaram a solidez dos micênicos. Dando espaço para que um povo do norte da Grécia, os dóricos, conquistasse o sul da península.
A Guerra de Tróia foi tratada por muito tempo como mito. Mas descobertas arqueológicas dão conta que as histórias narradas por Homero na Odisséia e na Ilíada podem ter alguma base factual. Não se sabe ao certo quando esse conflito aconteceu, mas estima-se que tenha ocorrido no final do período minóico ou no início do período dórico.
Talvez isso justifique o fato de que os combates só terem sido registrados por um escrito quatro séculos depois. Os dóricos não tinham grande desenvolvimento tecnológico e cultural. Acabaram com a estrutura política dos micênicos, dividindo as atividades entre pequenas vilas, sem um poder central. Era o início da Idade das trevas, da qual se tem pouca notícia. A arte voltou para um estado primitivo, o comércio de longa distância foi extinto e a escrita dos micênicos caiu no esquecimento.
Com a organização das cidades em Estados independentes e a criação de dos portos de Corinto e Argos, a região voltou a se desenvolver em 800 a.C. Foi um crescimento rápido, com o surgimento de uma nova escrita, de base fenícia, expansão territorial e restabelecimento de comércio, agricultura e indústria. Apareceu a primeira grande cidade, Atenas. Era o período arcaico da civilização grega.
Em 499 a.C., os jônicos se revoltaram contra os dominantes persas. Atenas ajudou a revolta, iniciando um processo de desgaste das relações greco-persas. Em 490 a.C., atenienses civis derrotaram os persas na famosa batalha de Maratona. Xerxes, rei da Pérsia, resolveu enviar 500 navios para invadir a Grécia. A cidades-Estados se uniram, formando a Liga Helênica, sob a liderança de Esparta e Atenas.
Os persas venceram as primeiras batalhas, até invadir uma pouco resistente Atenas. Parecia que realmente ganhariam a guerra, mas os gregos reagiram com vitórias ateniense em Salamina e espartana em Platéias. Os persas recuaram e deixaram a península Balcânica.
Com a vitória, Atenas ganhou enorme poder no mundo grego e fundou a Liga de Delos, uma confederação que unia algumas cidades-Estados. Era o período clássico, em que florescia o pensamento filosófico, o teatro e a literatura grega. Os aristocratas controlavam a política, mas Sólon decretou que todos os cidadãos-livres (não contam mulheres, estrangeiros e escravos) era iguais perante a lei. Péricles foi além, criando a democracia, regime político em que os cidadãos escolhiam os governantes por voto direto (mulheres, estrangeiros e escravos não tinham direito ao voto). Com a economia em crescimento, Péricles ainda pôde implantar um extenso programa de obras, incluindo o Partenon.
Esparta, que deixara a Liga Helênica e não se juntou à Liga de Delos, cria a Liga do Peloponeso com suas aliadas regionais. Diante do expansionismo e progresso ateniense, os espartanos atacaram em 431 a.C., dando início à Guerra do Peloponeso. Melhores por terra, impuseram diversas derrotas às forças de Atenas, mas não conseguiam uma vitória definitiva. Em 421 a.C. foi selada uma paz provisória.
Seis anos depois, Atenas organiza uma expedição para conquistar territórios na Sicília. Sentindo que o espírito imperialista ateniense aflorara novamente, os espartanos reiniciam a guerra. Essa nova fase do conflito é relativamente curta, com Esparta conseguindo a vitória em apenas um ano.
Os espartanos dissolveram a Liga de Delos, mas não tomaram controle de Atenas. No entanto, todas as cidades-Estados estavam abaladas, pois participaram da guerra de alguma forma. O conceito de cidadania se perdera. Era uma civilização desiludida e sem liderança. Oligarquias tomaram o poder em diversas regiões, deteriorando ainda mais as relações internas.
Contra uma Grécia em processo de implosão, não foi difícil para o rei Filipe, da Macedônia, invadir a civilização vizinha. Em 336 a.C., o governante macedônio é assassinado e sucedido pelo filho Alexandre, o Grande.
O novo rei seguiu com o plano do pai de conquistar todo o Oriente próximo. Entrou no Egito e fundou Alexandria, o novo centro da cultura grega. Alexandre dominou a península da Ásia Menor e entrou nos limites da Pérsia. Tomou controle da Babilônia e, em 331 a.C., capturou Susa, capital do Império Persa. Seguiu rumo ao Oriente, tomando o que hoje é o Afeganistão e só parando diante dos indianos em 326 a.C. A cultura e a língua grega se espalhou por todo o gigantesco império conquistado por Alexandre. Com adaptações e descaracterizações regionais, foi chamada de cultura helenística.
No século 2 a.C., a península Balcânica foi ameaçada pelo expansionismo romano. Em 197 a.C., Roma derrotou Filipe V e declarou os gregos livres. No entanto, décadas depois resolveram tomar controle da região e tornar a Grécia uma província romana.
Ainda assim, os valores gregos não foram esquecidos. Os romanos mantiveram Atenas como importante centro cultural e absorveram a religião helênica. Com a divisão do território em oriental e ocidental, a Grécia passou a responder a Constantinopla, mas o idioma dessa parte do Império Romano permaneceria sendo o grego.
Com a queda de Roma, o Império Romano do Oriente se transformou no Império Bizantino. Após a cisma entre católicos e ortodoxos em 1054 e o início das Cruzadas em direção à Terra Santa, a Grécia foi dominada por diversos povos ocidentais, como os francos, os venezianos e os normandos. Em 1261, os bizantinos recuperam o controle da região.
Em 1453, os turcos otomanos invadiram a Grécia. O Estado grego deixou de existir nesse período. Os gregos empobreceram e sua cultura só sobreviveu graças à insistência da igreja ortodoxa. A única força que rivalizava com os otomanos vinha de Veneza. Os venezianos conquistaram diversas ilhas e chegaram a tomar o Peloponeso. No século 18, os gregos iniciam um movimento de independência.
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