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Teatro
Da Redação
 
Atores encenam 'Hamlet' em comemoração ao aniversário de Shakespeare, em Londres. Foto: Kieran Doherty.

A arte de interpretar provavelmente surgiu assim que o primeiro ser humano resolveu imitar os gestos de outro ou contar de forma gestual alguma história. Mas a interpretação organizada como apresentação pública para contar uma história, o equivalente ao teatro de hoje, surgiu na Grécia Antiga.

A dramaturgia nasceu nos festivais em hora ao deus do vinho e da fertilidade agrícola Dioniso. Eram apresentações simples, com público sentado em bancadas de pedra ao ar livre. Em princípio, as celebrações continham dança e música de coral, até que, em 534 a.C., Téspis destacou-se do grupo e começou a dialogar com o coro. O indivíduo já começava a fazer parte nas apresentações, fugindo um pouco da consciência exclusivamente coletiva.

Aos poucos, as poesias e cantos passaram a mostrar as situações humanas, saindo ainda mais da temática puramente mitológica. Para isso, foram muito importantes as intervenções de Ésquilo, que introduziu o segundo ator, e Sófocles, que o fez com o terceiro. Com o auxílio de várias máscaras (até hoje o símbolo do teatro), podiam interpretar vários personagens em uma mesma peça.

O fato de retratar o cotidiano das pessoas teve forte influência na popularização do teatro na Grécia Antiga. As peças se tornaram tradição nos festivais de Dioniso organizados em Atenas, sempre com três tragédias sobre temas diferentes e uma comédia. Os assuntos variavam de situações pessoais, da política, da literatura e da filosofia. Ao final de cada festival, era entregue um prêmio ao melhor poeta. Os principais poetas da época eram Ésquilo, Sófocles, Eurípides e Aristófanes.

O teatro grego se desenvolveu a ponto de se tornar um meio educacional e de informação do povo. As apresentações continham forte teor ideológico, mesmo as comédias satíricas. Quando os romanos dominaram a Grécia, entraram em contato com essa arte e levaram por todo o império. Mas deixaram de lado o conteúdo, priorizando o entretenimento do público com temas lascivos e ironizando a violência e a morte. O teatro se popularizou ainda mais, porém, perdia sua essência original. Por exemplo, em Roma, muitas peças serviam de prelúdio para as lutas de gladiadores no Coliseu.

Isso só mudou no século V, quando a igreja cristã, a oficial do império, proibiu essas “apresentações lascivas”. Claro, o teatro seria usado como veículo de difusão do cristianismo pela Europa, pois a arte cênica tinha a grande vantagem de ser divertida e acessível para todas as classes sociais.

No início, as apresentações religiosas eram feitas nas próprias igrejas. Mas a tecnologia empregada no teatro foi aumentando. Superproduções, com diversos atores e efeitos especiais exigiam locais apropriados e amplos, como palcos montados em praça pública. As montagens mais ousadas duravam semanas, com capítulos diários. O figurino era elaborado, os atores tinham camarim e maquiagem, o uso da iluminação para compor o cenário era freqüente e surgiram os primeiros camarotes para o público.

Com a chegada do Renascimento, o foco deixou de ser a religião e voltou aos indivíduos. Autores foram recuperar na Grécia a essência do teatro, uma das diversões preferidas da burguesia emergente. A Comédia Nova surgiu, com apresentações mais curtas, com cerca de duas horas, permitindo que mais pessoas pudessem ver a mesma peça antes de a companhia de teatro ir para outra cidade.

Nos países latinos, a Comédia Nova era muito erudita, se tornando pouco compreensível à maior parte do público. Para resolver esse problema, os italianos desenvolveram a Comedia dell’Arte, ou “Teatro do Povo”. Com fantasias espalhafatosas, personagens caricatos e enredos de fácil entendimento, buscavam essencialmente divertir as pessoas. Até integrantes da nobreza se viram atraídos pela novidade.

Absorvendo conceitos e temas da Comedia dell’Arte, o inglês William Shakespeare levou o drama teatral a um novo patamar. O amor entre membros de famílias inimigas não era mais motivo de risos, mas de tragédia. Tanto a abordagem shakespeariana quanto o “Teatro do Povo” italiano foram muito importantes por popularizar o teatro, vencendo séculos de uso da arte cênica apenas como instrumento de dogmatização religiosa.

A partir daí, o teatro se desenvolveu de acordo com as mudanças das sociedades. Superou a resistência de puritanos temerosos com a revolução ideológica que as peças traziam, conquistou espaço na Corte de Luís XIV, chocou com a ousadia do Marquês de Sade, desenvolveu a técnica de interpretação dos atores e se liberou de conceitos pré-estabelecidos, entre outras etapas, até chegar ao mundo de hoje. Com televisão, internet e tantas opções de lazer. Mas sempre com o teatro inventado pelos gregos.

Veja um pequeno perfil dos principais dramaturgos da Grécia clássica:

Ésquilo
Veterano da batalha de Maratona, acreditava que a dor levava ao conhecimento e que havia uma justiça divina que não poderia ser violada sem que houvesse uma punição proporcional. Seus dramas tratavam da luta do indivíduo contra a moral.

Sófocles
Conhecido pela capacidade de retratar as figuras humanas em suas poesias, com emoções delicadas e desejos intensos. Gostava de apresentar homens de boas intenções em conflito com o destino, tomando atitudes imprudentes e rumando para a própria desgraça. Com isso, defendia a liberdade humana, mas que as ações deveriam ser moderadas e proporcionais para não terem consequência infelizes.

Eurípides
Racionalista, levou ao teatro grego os conflitos humanos, as reflexões a respeito da moral vigente, a guerra, a educação e até o poder dos deuses, sempre com abordagem crítica. Entre os mais importantes autores gregos, nenhum se importou tanto com o sofrimento humano quanto Eurípides.

Aristófanes
O mais importantes dos autores satíricos, Aristófanes ironizava governantes e intelectuais, criticava a Guerra do Peloponeso e defendia os valores morais tradicionais. Um de seus principais alvos era Sócrates, um subversivo que incitava a população a romper com a moral segundo o comediógrafo.



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