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Atenas se prepara para receber milhões de turistas
Por Ubiratan Leal

A designação de Atenas como dos Jogos Olímpicos de 2004 não é fácil de entender. A grande herança histórica está lá, mas os problemas típicos do desenvolvimento do século 20 -poluição, trânsito, sujeira e até excesso de cães nas ruas- estão presentes como em poucas capitais européias. A ponto de muitas pessoas duvidarem da capacidade dos atenienses receberem um evento do porte das Olimpíadas.

Atenas viveu um apogeu como principal centro urbano da Grécia Antiga, caiu em decadência na idade Média e só voltou a ter um papel mais significativo política, cultural e economicamente no século 19. Tudo isso porque a cidade sempre se mostrou sensível aos acontecimentos históricos da Grécia.

Não se sabe ao certo quando surgiram os primeiros assentamentos humanos na região. Há uma versão mitológica, explicada no texto sobre a história do azeite, mas que nunca esteve perto de ser confirmada arqueologicamente. Até agora, sabe-se que o primeiro povoado data do período neolítico, cerca de 5.000 a.C. Séculos mais tarde, Atenas cresceu devido a sua posição estratégica (perto do mar e protegida por montanhas) e se tornou uma das principais cidades da civilização micênica.

Por volta de 1.200 a.C., todo o mundo grego entrou em declínio. Voltou a crescer no século 8 a.C., com grande evolução econômica, cultural e tecnológica, dando início ao chamado período clássico. Apesar de o mundo grego ser formado por cidades-Estados independentes, Atenas assumia um papel de destaque. O cenário ficou ainda mais evidente após a guerra com os persas em que a Grécia se uniu sob a liderança de Atenas e expulsou seus invasores.

A cidade aproveitou seu poder crescente e estabeleceu uma confederação na ilha de Delos. Com o dinheiro dos impostos, investiu na reestruturação da cidade, na construção de monumentos e no incentivo às artes. Foi a partir dessa época que surgiram em Atenas personagens históricos como Sócrates, Platão, Aristóteles, Ésquilo, Sófocles, Eurípides e Heródoto.

Em 431 a.C., porém, Esparta resolveu entrar em conflito com Atenas, iniciando a Guerra do Peloponeso. Os atenienses foram derrotados após 27 anos de combates. Mesmo assim, continuava exercendo um importante papel na região, inclusive após a invasão de macedônios e romanos. Nesse período, Atenas se mantinha como um centro de ensino e pensamento.

Mas, com a perda de interesse dos romanos a partir do século 6 d.C., Atenas perdeu importância gradualmente. É desse período a maior parte da destruição dos monumentos que hoje são ruínas. A cidade foi invadida e saqueada por diversos povos, como francos, florentinos e venezianos. Após uma longa briga pelo domínio da região, os turcos otomanos se estabeleceram em 1453. Mas os venezianos voltaram a brigar pelo domínio da região no século 17.

Ainda assim, os turcos só saíram da região da Ática durante a Guerra da Independência da Grécia, no século 19. Em 1824, Atenas substituiu Náfplio como capital da nação que surgia. O recém-coroado rei Otto restaurou boa parte da cidade e implementou um projeto de reurbanização de algumas regiões com a construção de edifícios em estilo neoclássico.

Porém, todo esse cuidado em recuperar Atenas teve pouca importância perto dos impactos da chegada de milhões de gregos que chegaram à terra de origem após a troca de civis com a Turquia, em 1922. Em pouquíssimo tempo, a população ateniense dobrou, exigindo a construção rápida de conjuntos habitacionais, muitos deles presentes na paisagem da capital grega até hoje.

Nas décadas de 1950 e 1960, Atenas teve nova explosão populacional, com o aumento da industrialização no país e a conseqüente migração da população rural para as principais cidades gregas. Sem um crescimento planejado, que pudesse ser absorvido por um gradual investimento na infra-estrutura, Atenas teve dificuldades para contornar problemas como trânsito e poluição.

Com a escolha de Atenas como sede dos Jogos Olímpicos de 2004, o governo local pôs em prática um grande plano de adequação urbanística da cidade. Algumas casas foram restauradas (menos do que o desejado pelos organizadores do evento) e foi construído um sistema de metrô. Até os cachorros de rua foram levados a canis, o que motivou protestos de ambientalistas, que acusam a prefeitura local de, na verdade, matar os animais.

Veja abaixo quais os principais pontos turísticos da sede das Olimpíadas de 2004. Todos são muito próximos uns dos outros e é possível visitá-los a pé. É uma boa opção para escapar do trânsito da cidade.

Acrópolis
Uma das partes mais antigas da cidade foi transformada por Péricles em um centro de templos em 510 a.C. Situada em uma das oito montanhas de Atenas, é facilmente vista de vários pontos da cidade, sobretudo o Partenon, edifício mais famoso da Grécia, ainda que esteja em ruínas. Além do antigo templo da deusa Atena, na Acrópole está o teatro do Herodes Ático, o teatro de Dioniso, o monumento a Tracilo, o museu da Acrópole, e o pórtico das Cariátides. Com tantas atrações, a Acrópole é o local mais visitado pelos turistas que passam por Atenas.

Ágora antiga
Era o centro comercial, administrativo e político da Atenas antiga. No local também ficava a prisão onde Sócrates morreu. O principal edifício da área é o templo de Hefesto, construído em 449 a.C. As escavações na Ágora começaram em 1930 e, para expor as relíquias descobertas, foi montado um museu.

Museu Arqueológico Nacional
Lá está a maior coleção de antiguidades gregas do mundo. Foi aberto em 1891, centralizando as peças espalhadas por diversos pequenos museus atenienses. A coleção tem relíquias do período micênico, clássico, helenístico e romano, como vasos, estátuas e jóias. Destaque para a Máscara de Agamenon, peças encontradas em Tróia e as estátuas de Afrodite com Pan e Eros e Poseidon.

Museu Benáki
Outro museu com significativa coleção de arte e artesanato grego antigo. São mais de 20 mil itens em exposição. O acervo era particular, do empresário egípcio Antónis Benáki. Filho de grego, Benáki sempre se interessou pela história de seu povo e montou uma coleção particular com peças de diversos períodos da Grécia, da Antigüidade ao período bizantino, incluindo até quadros do início da carreira de El Greco. Ao se mudar para Atenas, doou o acervo e sua mansão para o governo montar um museu.

Monastiráki
Um grande e caótico mercado de pulgas, onde se pode comprar mobílias, antiguidades, livros e, claro, souvenires para turistas. Como já é tradição nesse tipo de comércio, pechinchar pelo melhor preço é recomendável.

Pláka
Apesar de ser o bairro mais antigo da cidade, a maior parte das construções é do período otomano. Concentra restaurantes, lojas de antiguidades e turistas. Lá também está a Ágora romana, centro cívico erigido pelos romanos em substituição à Ágora Antiga. A Torre dos Ventos é a principal edificação dessa região. Construída pelo astrônomo Andronikos Kyrrestes no século I a.C., tinha diversas funções, como relógio de água, compasso e cata-vento.



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