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Iugoslávia - Seleção masculina de basquete

Quem não acompanhar atentamente o basquete mundial e limitar seus conhecimentos ao senso comum, pode ter uma surpresa ao olhar o ranking que a Fiba (Federação Internacional de Basquete) elabora. Hoje, o país que lidera o ranking masculino não é os Estados Unidos, mas a Iugoslávia. Isso não significa que os iugoslavos joguem melhor que os norte-americanos. Mas, no mínimo, dá mostras de como a escola iugoslava é forte, tradicional e merece respeito.

Em Olimpíadas, a história do “eslavos de baixo” (significado de Iugoslávia) começou em 1960, com um modesto 6º lugar. Mas era o início de uma longa tradição de grandes jogadores e seleções. Em 1968, comandados por Ivo Daneu, os iugoslavos chegaram à decisão após uma vitória apertada (63x62) sobre a União Soviética nas semifinais. Na final, conseguiram segurar os norte-americanos no primeiro tempo, mas perderam por 65x50 e viram sua primeira medalha olímpica ser prateada. Dois anos depois, a Iugoslávia foi campeã mundial pela primeira vez ao bater o Brasil na final.

Em 1976, os iugoslavos apareceram com uma seleção ainda mais forte, contando com jogadores como Drazen Delipagic, Mirza Delibasic e Dragan Kikanovic. Novamente enfrentaram os Estados Unidos na final. Dessa vez, o jogo foi muito mais equilibrado. A vitória novamente ficou com os estadunidenses, mas por apenas um ponto: 95x94. Dois anos depois, a Iugoslávia conquistava seu bicampeonato mundial.

Com o boicote norte-americano às Olimpíadas de Moscou, Iugoslávia e União Soviética tinham caminho livre para disputar o ouro em 1980. Porém, os iugoslavos se mostraram superiores e venceram todos os nove jogos. Os soviéticos nem na final chegaram, se contentando com o bronze.

Como as relações entre Belgrado e Moscou não eram das mais amistosas durante a Guerra Fria, a Iugoslávia não aderiu ao boicote liderado pelos soviéticos aos Jogos de 1984, em Los Angeles. Eram, talvez, os únicos rivais aos Estados Unidos dos garotos Michael Jordan e Pat Ewing. No entanto, os balcânicos mancharam sua campanha perfeita de cinco vitórias ao perder nas semifinais para a inesperada Espanha. Ficaram apenas com o bronze.

Em 1988, não havia mais boicote político que influísse nos resultados do basquete e já se sabia que era perfeitamente possível bater os universitários norte-americanos. A Iugoslávia dividia o favoritismo com a União Soviética, seguida por Estados Unidos e, um pouco atrás, Brasil. Os europeus confirmaram as expectativas e fizeram a final. A Iugoslávia tinha um grande time, com atletas que teriam destaque na NBA -Drazen Petrovic, Toni Kukoc, Vlade Divac e Dino Radja-, e haviam vencido o confronto contra os soviéticos na primeira fase. Porém, a União Soviética estava embalada com a vitória sobre os norte-americanos na semifinal e venceu por 92x79. Como ocorrera depois das medalhas de prata de 1968 e 1976, o vice-campeonato olímpico precedeu mais um título mundial da Iugoslávia, em 1990.

Em 1991, o país entrou em guerra civil, mas o basquete não foi afetado. Pelo contrário, da antiga Iugoslávia surgiram duas forças no esporte. Em 1992, os iugoslavos (sérvios e montenegrinos) não puderam participar devido a sanções impostas pela ONU. No entanto, alguns dos principais jogadores da antiga Iugoslávia eram croatas e participaram do evento sob sua nova bandeira. Assim, Kukoc, Radja e Petrovic foram novamente medalhas de prata, perdendo para o “Dream Team” norte-americano na final.

Já liberada pela ONU e pelo COI, a Iugoslávia reapareceu em 1996. Era uma nova base, composta por Bodiroga, Danilovic, Paspalj, Djordjevic, Rebraka e o veterano Vlade Divac. Um grande time que só foi batido na final, pelo Dream Team 3. Um resultado significativo, até porque sua irmã Croácia entrava em decadência, sentindo o envelhecimento da geração do final dos anos 80 e a morte prematura de Drazen Petrovic, um astro do New Jersey Nets, vítima de um acidente automobilístico. Como já era tradição, após a prata olímpica veio o ouro na Copa do Mundo. Em 1998, a Iugoslávia conquistou um inédito quarto título mundial.

Na última edição dos Jogos, os iugoslavos decepcionaram. Ficaram em segundo na primeira fase e cruzaram com a forte Lituânia nas quartas-de-final. Perderam e tiveram de se contentar com o 5º lugar, a pior classificação desde o 7º de 1964. Mas não significa que os iugoslavos estejam perdendo força. Em 2002, conquistaram o quinto título mundial, dois a mais que Estados Unidos e União Soviética. Se os profissionais norte-americanos forem perder para alguém em 2004, o mais provável algoz é a Iugoslávia.

ANO OURO PRATA BRONZE
1960 - - -
1964 - - -
1968 - 1 -
1972 - - -
1976 - 1 -
1980 1 - -
1984 - - 1
1988 - 1 -
1996 - 1 -
2000 - - -
Total 1 4 1

 



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