A impossibilidade de usar jogadores profissionais é um dos principais motivos de o Brasil nunca ter vencido um torneio olímpico de futebol. Nessa fase, a melhor colocação da seleção foi um 4º lugar em 1976, após perder a chance da medalha para a Polônia na semifinal e para a União Soviética na disputa do 3º lugar.
Mas, desde que o regulamento se abriu em 1984, a seleção já teve diversas boas chances de voltar com o ouro. E não faltou time. Em 1984, o Brasil foi representado quase que inteiramente pelo Internacional, com jogadores como o zagueiro Mauro Galvão, o meia Gilmar Popoca e os campeões mundiais em 1994 Dunga e Gilmar Rinaldi. O treinador era Jair Picerni, técnico do Corinthians na época.
Após vencer Marrocos, Arábia Saudita e Alemanha Ocidental, o Brasil garantiu uma vaga nas quartas-de-final. Deveria ser uma partida fácil, mas o Canadá dificultou e a seleção só passou após a disputa de pênaltis. Nas semifinais, uma vitória apertada sobre a Itália (2x1 na prorrogação) garantiu a primeira medalha olímpica do futebol brasileiro. Na final, o ouro ficou com a França, 2x0.
Em 1988, o Brasil foi com uma seleção ainda mais forte. No gol, o futuro campeão mundial Taffarel. Na defesa, Luís Carlos Winck, Aloísio, André Cruz e Jorginho. O meio-campo tinha Andrade, Geovani, Neto e Careca. A dupla de ataque era a mesma do título mundial de 1994: Bebeto e Romário.
A campanha dava motivo para otimismo. Na primeira fase, vitórias sobre Austrália, Nigéria e a então campeã mundial júnior, a Iugoslávia. Nas quartas-de-final, uma vitória difícil, mas merecida sobre a Argentina, gol de Geovani quase do meio de campo. O adversário mais forte apareceu nas semifinais. A Alemanha Ocidental tinha uma das revelações do torneio, o atacante Klinsmann, e acabara de vencer a zebra do torneio Zâmbia por convncentes 4x0 (na primeira fase, Zâmbia batera a Itália, também por 4x0). O tempo normal terminou em 1x1. Na prorrogação, os alemães-ocidentais tiveram um pênalti a favor, mas Taffarel defendeu. Na disputa de pênaltis, novamente o goleiro do Internacional garantiu a vitória brasileira.
A final foi diante da União Soviética. Os soviéticos tinham um bom time, com Mikhailichenko, Dobrovolski, Kharin e Kuznetsov, e haviam vencido Argentina e Itália durante a caminhada à decisão. Ainda assim, era difícil acreditar que a seleção comandada por Carlos Alberto Silva não traria o ouro.
No primeiro tempo, Neto cobrou escanteio e Romário completou, deixando o Brasil na frente. No segundo tempo, a União Soviética chegou ao empate de pênalti e segurou o 1x1 até o final. Na prorrogação, o Brasil estava um pouco melhor e atacava, mas, em um contra-ataque, Savichev pegou a defesa brasileira aberta, tirou André Cruz da jogada e encobriu Taffarel, assegurando o segundo ouro do futebol soviético. O Brasil se contentou com a prata e com o fato de ter o artilheiro do torneio, Romário.
Após o fracasso no pré-Olímpico de 1992, o Brasil voltou a pensar no ouro em 1996. A seleção montada por Zagallo era muito forte, com Dida, Aldair, Rivaldo, Bebeto, Ronaldo, Sávio, Roberto Carlos e Flávio Conceição. A campanha foi desastrada e a seleção teve sorte de voltar com o bronze.
Na estréia, uma atuação sofrível terminou com derrota para o Japão. Na segunda partida, muita dificuldade para superar a Hungria por 3x1. A classificação seria atingida apenas na última partida, um apertado, mas merecido, 1x0 sobre a Nigéria. Nas quartas-de-final, o Brasil finalmente jogou bem ao golear Gana por 4x2. Até que a Nigéria reapareceu.
O Brasil começou bem e fez logo 2x0. Roberto Carlos, em um gol contra, diminuiu, mas a seleção fez o terceiro gol. A vitória aparecia assegurada, mas, no último minuto, os nigerianos empataram. A prorrogação em morte súbita durou apenas dois minutos, tempo suficiente para Kanu eliminar o Brasil e levar o primeiro país africano a uma final olímpica. Na disputa do bronze, o Brasil massacrou uma desmotivada seleção de Portugal por 5x0. A Nigéria ficou com o ouro ao vencer a forte seleção Argentina por 3x2 na final.
Em 1996, não foram apenas os garotos brasileiros que lutaram por medalha. Pela primeira vez houve torneio de futebol feminino. As brasileiras surpreenderam e garantiram um lugar entre as quatro primeiras empatando com Noruega e Alemanha e batendo o Japão. Nas semifinais, venciam as favoritas chinesas por 2x1 a três minutos do fim, quando sofreram uma súbita virada. Foram disputar o bronze contra as norueguesas e perderam por 2x0.
Em 2000, as mulheres repetiram o 4º lugar, ficando em posição mais honrosa que os homens. A seleção feminina passou da primeira fase com vitórias tranqüilas sobre Austrália e Suécia e uma derrota esperada para a Alemanha. Nas semifinais, o Brasil pegou a melhor seleção do mundo, os Estados Unidos. Vitória norte-americana por 1x0, mas a seleção brasileira teve diversas chances de sair com resultado melhor. O bronze foi perdido após nova derrota para a Alemanha.
Enquanto isso, os homens davam vexame em Sydney. A estréia foi pouco convincente, mas a vitória por 3x1 sobre a Eslováquia foi comemorada. Em seguida, uma apresentação péssima da equipe de Vanderlei Luxemburgo culminou com a derrota por 3x1 para a África do Sul. A classificação foi assegurada diante do Japão, um magro 1x0, gol do meia Alex.
Nas quartas-de-final, o Brasil pegou Camarões. Os africanos saíram na frente ainda no primeiro tempo e, mesmo com um jogador a mais, o Brasil só empatou nos descontos, com gol de Ronaldinho Gaúcho. Na prorrogação, Camarões teve outro jogador expulso e, ainda assim, conseguiu a vitória a sete minutos do final do jogo. Na volta da Austrália, Luxemburgo foi demitido. (U.L)
| ANO |
OURO |
PRATA |
BRONZE |
| 1952 |
- |
- |
- |
| 1960 |
- |
- |
- |
| 1964 |
- |
- |
- |
| 1968 |
- |
- |
- |
| 1972 |
- |
- |
- |
| 1976 |
- |
- |
- |
| 1984 |
- |
1 |
- |
| 1988 |
- |
1 |
- |
| 1996 |
- |
- |
1 |
| 2000 |
- |
- |
- |
| Total |
- |
2 |
1 |