O futebol olímpico nunca pôde ser inteiramente levado a sério. Com a proibição de profissionais que vigorou até 1984, os países do Leste Europeu se escondiam em um pseudo-amadorismo para atuar com suas equipes principais, contra seleções de juniores. Ainda assim, ninguém ousa discutir o mérito da seleção húngara, medalha de ouro em 1952.
Os magiares tinham a melhor seleção do mundo. No torneio de Helsinque, venceram a Romênia na fase preliminar (2x1), golearam a Itália (3x0) nas oitavas-de-final e chegaram à final com dois massacres, 7x1 na Turquia e 6x0 na Suécia. Na decisão do ouro, a competente Iugoslávia não segurou os magiares mágicos e perdeu por 2x0, gols de Puskas e Czibor.
A escalação daquele time ainda está na cabeça de muito torcedor: Grosics; Buzánky e Lantos; Bozsik, Lórant e Zakarias; Hidekguti, Kocsis, Palotas, Puskas e Czibor. Com essa base a Hungria continuaria assombrando o mundo. Em 1953, foi a primeira seleção fora das ilhas Britânicas a vencer a Inglaterra no lendário estádio de Wembley, por acachapantes 6x3. Os ingleses quiseram revanche no mesmo ano, em Budapeste. Nova goleada húngara, essa ainda maior: 7x1.
Em 1954, eles chegaram à Copa do Mundo da Suíça como favoritos. Venceram a Coréia do Sul por 9x0 na estréia. Depois, golearam um time semireserva da Alemanha Ocidental por 8x3. Nas quartas-de-final, bateram o Brasil, então o vice-campeão mundial, por 4x2. Nas semifinais, outra vitória por 4x2, diante dos campeões mundiais uruguaios. Na final, a surpresa. Após fazer 2x0, os húngaros permitiram a virada da Alemanha Ocidental e ficaram com o segundo lugar.
Mesmo assim, aquele time ainda se mantinha junto. Puskas já era reconhecido como o maior jogador do mundo até o surgimento de Pelé. Kocsis era um artilheiro temível. E assim seguiu a Hungria até 1956, quando a invasão soviética a Budapeste incentivou uma debandada dos jogadores. Muitos estavam na Espanha em compromisso do Honvéd, clube que tinha a base da seleção, e pediram asilo aos espanhóis. Foi o fim desta seleção histórica.
Com uma nova geração, a Hungria voltaria ao topo do pódio olímpico. Em 1964 e 1968, comandados por Farkas, Bene e Fazekas, os magiares conquistaram mais dois ouros, feito nunca igualado. A última aparição olímpica do futebol húngaro ocorreu em 1996, quando ficaram em último na primeira fase após perder de Nigéria, Brasil e Japão. (U.L)
| ANO |
OURO |
PRATA |
BRONZE |
| 1912 |
- |
- |
- |
| 1924 |
- |
- |
- |
| 1936 |
- |
- |
- |
| 1952 |
1 |
- |
- |
| 1960 |
- |
- |
1 |
| 1964 |
1 |
- |
- |
| 1968 |
1 |
- |
- |
| 1972 |
- |
1 |
- |
| 1996 |
- |
- |
- |
| Total |
3 |
1 |
1 |
Foto: IOC Olympic Museum Collections