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Caça Gripen da Força Aérea faz seu primeiro voo no Brasil

  • SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O primeiro caça Gripen da FAB (Força Aérea Brasileira) decolou às 14h04 desta quinta (23) para seu voo inaugural no espaço aéreo do Brasil. Uma hora e três minutos depois, pousou em Gavião Peixoto (SP), onde seguirá em testes no centro conjunto da fabricante sueca Saab e da brasileira Embraer. O avião havia chegado no domingo (20) a Navegantes, após quase 21 dias em um navio vindo da Suécia. Ele havia sido rebocado nos 3 km que separam o porto do aeroporto, sob forte escolta. A cidade paulista onde pousou às 15h07 sedia a unidade de produtos militares da Embraer, que fabricará em conjunto com a Saab cerca de 15 dos 36 Gripen encomendados pelo Brasil. O voo cobriu os 560 km entre os dois aeroportos. Dois helicópteros ficaram de prontidão para eventualidades em Florianópolis e Pirassununga (SP), e dois caças F-5M acompanharam o início do trajeto. Não se esperava que o Gripen atingisse sua velocidade máxima, de 2.400 km/h, até porque essa é uma aeronave em teste. O avião foi pilotado pelo chefe de ensaios de voo da Saab, Marcus Wandt. Ele já havia feito o voo inaugural da aeronave, em 26 de agosto do ano passado. "Vai ser ótimo sentir o fluxo do ar brasileiro nas asas", disse o piloto em vídeo divulgado pela empresa sueca. Na quarta (23), o avião acabou de ter peças recolocadas e foi testado na pista de Navegantes. O motor foi ligado e ele taxiou. "Tudo aconteceu como previsto", disse Wandt. O embarque do piloto ocorreu às 13h26. Após 5 minutos, a turbina da aeronave foi acionada. Às 13h53, o caça rolou na pista e se preparou para a decolagem. O Gripen de matrícula FAB4100 é o primeiro dos 36 que o Brasil comprou em 2014, confirmando uma decisão de 2013 que pôs fim a mais de uma década de negociações. Os aparelhos custarão 39,3 bilhões de coroas suecas (R$ 24 bilhões hoje), financiadas por 25 anos. Os primeiros modelos deverão ser entregues para operação em 2021, e o último deste contrato, em 2026. "Nós estamos seguindo o cronograma de entrega dos caças e mantemos o nosso compromisso de longo prazo com o Brasil", afirmou em nota o presidente da Saab, Micael Johansson. No pedido, o Brasil encomendou 8 modelos com dois lugares, denominados Gripen F. O tipo E, igual ao pilotado nesta tarde, tem um assento. O modelo F não existia quando o contrato foi assinado, abrindo a possibilidade de que engenheiros brasileiros da Embraer e de outras empresas associadas ao projeto aprendam a desenhar e construir o avião em conjunto com os suecos. "Como parte da transferência de tecnologia, o programa Gripen será uma grande oportunidade para aumentar nosso conhecimento no desenvolvimento e manufatura de uma aeronave avançada de combate", disse o presidente da Embraer Defesa e Segurança, Jackson Schneider. Mais de 230 brasileiros já foram treinados em Linköping (pronuncia-se linchóping), a sede da Saab, número que chegará a 350. O FAB4100 foi entregue simbolicamente ao Brasil em 10 de setembro de 2019, na Suécia. Seguiu sua campanha de testes sem incidentes, e agora passará mais um ano sendo avaliado no Brasil. Hoje, a defesa aérea do país se resume a 46 antigos caças americanos F-5, da década de 1970, parte deles modernizada na Embraer com novos sistemas eletrônicos. O Gripen deverá substitui-los e a outros modelos, como o avião de ataque a solo AMX. "O Gripen aumenta a capacidade operacional da Força Aérea Brasileira e impulsiona uma parceria que fomenta a pesquisa e o desenvolvimento industrial dos dois países", afirmou o ministro Fernando Azevedo (Defesa). O avião será "a espinha dorsal da aviação de caça", disse o comandante da FAB, brigadeiro Antonio Bermudez.

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6 fusões de empresas que não deram certo

Mesmo sabendo disso, grandes companhias já erraram feio e tiveram que pagar (bem caro!) por isso. Conheça 6 fusões de empresas que não deram certo
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  • Folhapress

    Caça Gripen da Força Aérea faz seu primeiro voo no Brasil

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O primeiro caça Gripen da FAB (Força Aérea Brasileira) decolou às 14h04 desta quinta (23) para seu voo inaugural no espaço aéreo do Brasil. Uma hora e três minutos depois, pousou em Gavião Peixoto (SP), onde seguirá em testes no centro conjunto da fabricante sueca Saab e da brasileira Embraer. O avião havia chegado no domingo (20) a Navegantes, após quase 21 dias em um navio vindo da Suécia. Ele havia sido rebocado nos 3 km que separam o porto do aeroporto, sob forte escolta. A cidade paulista onde pousou às 15h07 sedia a unidade de produtos militares da Embraer, que fabricará em conjunto com a Saab cerca de 15 dos 36 Gripen encomendados pelo Brasil. O voo cobriu os 560 km entre os dois aeroportos. Dois helicópteros ficaram de prontidão para eventualidades em Florianópolis e Pirassununga (SP), e dois caças F-5M acompanharam o início do trajeto. Não se esperava que o Gripen atingisse sua velocidade máxima, de 2.400 km/h, até porque essa é uma aeronave em teste. O avião foi pilotado pelo chefe de ensaios de voo da Saab, Marcus Wandt. Ele já havia feito o voo inaugural da aeronave, em 26 de agosto do ano passado. "Vai ser ótimo sentir o fluxo do ar brasileiro nas asas", disse o piloto em vídeo divulgado pela empresa sueca. Na quarta (23), o avião acabou de ter peças recolocadas e foi testado na pista de Navegantes. O motor foi ligado e ele taxiou. "Tudo aconteceu como previsto", disse Wandt. O embarque do piloto ocorreu às 13h26. Após 5 minutos, a turbina da aeronave foi acionada. Às 13h53, o caça rolou na pista e se preparou para a decolagem. O Gripen de matrícula FAB4100 é o primeiro dos 36 que o Brasil comprou em 2014, confirmando uma decisão de 2013 que pôs fim a mais de uma década de negociações. Os aparelhos custarão 39,3 bilhões de coroas suecas (R$ 24 bilhões hoje), financiadas por 25 anos. Os primeiros modelos deverão ser entregues para operação em 2021, e o último deste contrato, em 2026. "Nós estamos seguindo o cronograma de entrega dos caças e mantemos o nosso compromisso de longo prazo com o Brasil", afirmou em nota o presidente da Saab, Micael Johansson. No pedido, o Brasil encomendou 8 modelos com dois lugares, denominados Gripen F. O tipo E, igual ao pilotado nesta tarde, tem um assento. O modelo F não existia quando o contrato foi assinado, abrindo a possibilidade de que engenheiros brasileiros da Embraer e de outras empresas associadas ao projeto aprendam a desenhar e construir o avião em conjunto com os suecos. "Como parte da transferência de tecnologia, o programa Gripen será uma grande oportunidade para aumentar nosso conhecimento no desenvolvimento e manufatura de uma aeronave avançada de combate", disse o presidente da Embraer Defesa e Segurança, Jackson Schneider. Mais de 230 brasileiros já foram treinados em Linköping (pronuncia-se linchóping), a sede da Saab, número que chegará a 350. O FAB4100 foi entregue simbolicamente ao Brasil em 10 de setembro de 2019, na Suécia. Seguiu sua campanha de testes sem incidentes, e agora passará mais um ano sendo avaliado no Brasil. Hoje, a defesa aérea do país se resume a 46 antigos caças americanos F-5, da década de 1970, parte deles modernizada na Embraer com novos sistemas eletrônicos. O Gripen deverá substitui-los e a outros modelos, como o avião de ataque a solo AMX. "O Gripen aumenta a capacidade operacional da Força Aérea Brasileira e impulsiona uma parceria que fomenta a pesquisa e o desenvolvimento industrial dos dois países", afirmou o ministro Fernando Azevedo (Defesa). O avião será "a espinha dorsal da aviação de caça", disse o comandante da FAB, brigadeiro Antonio Bermudez.

  • Folhapress

    Brasil não deve escolher lado entre Washington e Pequim, diz ex-embaixador dos EUA

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O governo brasileiro precisa atuar de forma a manter as boas relações com os Estados Unidos e com a China, sem escolher um lado na disputa, avalia o americano Thomas Shannon, que foi embaixador no Brasil entre 2010 e 2013. "Obviamente, as duas relações comerciais são importantes. A proeza para a diplomacia brasileira será manter essas duas relações e conseguir obter o máximo de coisas boas para o Brasil, sem gerar revolta ou danos ao relacionamento com nenhum dos lados", disse Shannon, em um debate virtual organizado pelo CEBC (Conselho Empresarial Brasil-China) na manhã desta quinta (24). "O governo do presidente Bolsonaro tem sido muito claro no apoio aos EUA e em sua relação com o presidente Trump. Em seu discurso na ONU, Bolsonaro deixou claro que o Brasil vai se engajar com países que não apenas trazem vantagens comerciais, mas que refletem os valores do Brasil. Foi uma mensagem significativa aos chineses", prosseguiu. Shannon, que se aposentou da carreira de diplomata em 2018 e hoje atua como consultor, disse ainda que o Brasil pode ajudar Estados Unidos e China a se entenderem melhor. "A relação entre EUA e China depende muito de como os outros parceiros se relacionam com os EUA e com a China, e nisso o Brasil tem um papel muito importante, em ajudar os EUA a entender a importância da China em uma América do Sul globalizada, e ajudar a China a entender a importância da democracia, do respeito aos direitos humanos e às regras e acordos internacionais", afirmou. O ex-embaixador destacou que a percepção negativa sobre o país asiático cresceu rapidamente nos últimos anos nos Estados Unidos, e atualmente atinge cerca de 60% da população do país. "Essa visão ruim da China limita o que Joe Biden poderá fazer, caso vença". "A China se tornou uma questão importante na campanha do presidente Trump. Ele deixou muito claro em seu discurso na ONU que os EUA a veem como uma potência que precisa ser ao menos constrangida", analisou. "E outros nomes do Partido Republicano, que podem ser candidatos à Presidência em 2024, como Mike Pompeo, Nikki Haley, Ted Cruz, Tom Cotton, Marco Rubio, também têm fortes plataformas anti-China". Shannon lembrou que Trump iniciou o mandato, em 2017, tentando uma aproximação pessoal com o dirigente chinês Xi Jinping, em um movimento que envolveu as conversas de paz com a Coreia do Norte. Mas não houve avanço, as relações diplomáticas se esgarçaram e as disputas comerciais se tornaram o ponto central. "Há uma divisão no governo Trump: um grupo vê o comportamento da China como predador e perigoso, mas como algo que pode ser mudado com o tempo. Eles reconhecem a importância econômica das relações entre os dois países e não querem gerar danos à economia chinesa", analisa. "Já outros acreditam que se trata de um país implacável e que a única salvação para os EUA é se afastar e arruinar a China, econômica e tecnologicamente, de modo que ela não possa se recuperar rapidamente", prossegue. Apesar da tensão atual, o ex-diplomata avalia que a relação entre as potências não está fadada ao conflito. "Minha visão pessoal é que a ideia de separar [as relações econômicas] é loucura. Somos tão conectados que não pode haver um afastamento. O sucesso econômico dos dois países está interligado". Shannon começou a carreira como diplomata dos EUA nos anos 1980. De 1989 a 1992, serviu pela primeira vez no Brasil. Depois, de 2010 a 2013, foi embaixador dos EUA em Brasília, nomeado por Barack Obama. A relação entre os dois países teve um crise diplomática naquele período: a revelação de que o governo dos Estados Unidos espionou conversas da então presidente Dilma Rousseff. Em resposta, Dilma adiou uma visita que faria a Washington. Shannon deixou o cargo de embaixador pouco depois da revelação do escândalo. Durante seu mandato, a cooperação com autoridades dos Estados Unidos ajudou a operação Lava Jato a avançar em investigações sobre corrupção envolvendo empresas brasileiras. Após deixar o cargo no Brasil, Shannon se tornou conselheiro do Departamento de Estado. Ao se aposentar, no começo de 2018, era o número três na hierarquia da instituição, responsável pela diplomacia dos EUA. Atualmente, trabalha como consultor de relações internacionais em um escritório de advocacia.

  • Folhapress

    Ernesto Araújo diz que visita de Pompeo foi iniciativa dos EUA e que Brasil achou excelente

    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou nesta quinta-feira (24) que a visita do secretário de Estado americano, Mike Pompeo, ao Brasil, foi uma iniciativa do governo americano, da qual o governo brasileiro foi comunicado, e achou "excelente". O chanceler disse ainda que a gestão de Jair Bolsonaro tem tentado se aproximar dos Estados Unidos como um todo e não apenas do governo de Donald Trump, que concorre à reeleição. "Não é fato que a proximidade do Brasil seja com o Trump, e não com os Estados Unidos". Na última sexta-feira (18), Pompeo esteve nas instalações da Operação Acolhida em Boa Vista (Roraima) na companhia do chanceler brasileiro. O projeto recebe refugiados venezuelanos da ditadura de Nicolás Maduro. "Mike Pompeo me telefonou informando que estava organizando uma vista a países da América do Sul e que queria vir ao Brasil, visitar as acomodações da Operação Acolhida. Eu disse que achei excelente. Disse que iria receber com o maior prazer e assim aconteceu. Foi uma visita marcada comigo e de grande satisfação da nossa parte [governo]", afirmou o chanceler brasileiro. Ernesto Araújo esteve nesta manhã na sessão da CRE (Comissão de Relações Exteriores do Senado), após ter tido o convite de participação aprovado pelos senadores. Com isso, o chanceler evitou uma convocação (quando a presença é obrigatória), ideia inicial dos parlamentares da oposição. A autoria do pedido foi do senador Telmário Mota (Pros-RR), que inicialmente queria uma convocação do ministro. O requerimento foi transformado em convite após o presidente do colegiado, o senador Nelson Trad (PSD-MS), garantir a presença de Ernesto na Casa. Em uma apresentação inicial de cerca de 40 minutos, Ernesto Araújo afirmou que a visita do secretário de Estado dos EUA deixou o Brasil orgulhoso. A sessão se estendeu por mais de duas horas. "Os EUA são os maiores financiadores de ações de refugiados no mundo. Parece que faz todo o sentido que o secretário tenha interesse e visite as acomodações da Operação Acolhida, o que nos dá muito orgulho", afirmou. Segundo o chanceler, durante a visita, ele e Mike Pompeo realizaram uma reunião bilateral, onde falaram da situação da política da Venezuela. "Em reuniões bilaterais entre chanceleres é comum que se converse sobre a situação de países terceiros. Situação regional no país A e no país B, onde se comentam os problemas e como os países se cooperam. Falar em países terceiros é a coisa mais comum nestes diálogos", afirmou. Durante a explanação, o chanceler também comparou as ações do ditador venezuelano a de narcotraficantes. "Vamos supor que temos um vizinho que é muito amigo nosso. De repente, esse vizinho tem a casa invadida por um narcotraficante que praticamente o escraviza e prende toda a sua família no porão. Vamos supor que um dos filhos do vizinho consegue escapar e vem para o nosso terreno. Nós o acolhemos". "Então, recebemos um amigo de outra rua, que também é amigo do nosso vizinho, e vamos falar dessa situação. O fato de falarmos dessa situação não é uma agressão ao nosso vizinho. É uma preocupação com o fato de que a casa do nosso vizinho foi tomada por um narcotraficante". Questionado pelo senador Humberto Costa (PT-PE) sobre se houve um posicionamento de área técnica do Itamaraty sobre a visita, o chancelar afirmou que a decisão desse tipo de questão cabe a ele. "O Itamaraty é chefiado por mim, então é assim que funciona. Evidentemente que a visita foi preparada depois de ter sido combinada comigo e o Pompeo". "Porque não foi em Brasília [a visita] está claro, que é porque não existem acomodações da Operações Acolhida em Brasília", disse A visita do secretário americano causou uma série de manifestações entre parlamentares. A primeira reação foi do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que classificou o encontro como uma "afronta". Ernesto e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) defenderam a relação com os EUA. Para o chanceler, a vista do secretário dos EUA não significa que o Brasil esteja agindo contra a Venezuela. "Absolutamente nada do que estamos fazendo é contra o venezuelano e a Venezuela. Ofensa seria ignorarmos o povo venezuelano". Durante a visita a Roraima, ao lado de Ernesto, Pompeo criticou o regime de Maduro. "Nossa missão é garantir que a Venezuela tenha uma democracia", disse. O ditador venezuelano é um dos principais focos de ataque da campanha do republicano, que defende e aplica sanções contra o regime. Questionado pelos senadores, o chanceler falou que as críticas são normais por ambos os países. "As críticas que o secretário Pompeo e eu falamos não são novas, são muito conhecidas, tanto as nossas quanto as dos EUA, que são bastante conhecidas e convergentes", afirmou.

  • Agência Brasil

    Estudantes com Fies podem suspender pagamentos até o fim da pandemia

    Estudantes que têm contratos do Financiamento Estudantil (Fies) por meio do Banco do Brasil (BB) ou da Caixa Econômica Federal poderão requerer a suspensão do pagamento enquanto durar a vigência do estado de calamidade pública decretado por causa da pandemia da covid-19. A medida vale para clientes em situação de inadimplência com seus contratos, antes do dia 20 de março, data em que foi aprovado o estado de calamidade pública no país, pelo Congresso Nacional. Os estudantes que estão em situação de inadimplência também poderão suspender as parcelas, desde que as amortizações devidas até 20 de março sejam de no máximo 180 dias. As parcelas em atraso antes da pandemia não serão suspensas.As novas condições foram atualizadas pela Resolução nº 39, de 27 de julho, expedida pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), órgão do Ministério da Educação (MEC) que concede financiamento a estudantes para a educação em cursos superiores de instituições de ensino particulares. A resolução anterior já permitia a suspensão do financiamento, mas limitado a quatro parcelas e autorizado para os alunos que estivessem em dia com os pagamentos. Segundo o FNDE, pouco mais de 151 mil estudantes do Fies aderiram ao programa de suspensão do pagamento das parcelas. Com as novas regras, cerca de 1,5 milhão de alunos do Fies, do total de 2,8 milhões que estão no programa, são elegíveis para a suspensão temporária do pagamento. As prestações que forem pausadas serão incorporadas ao saldo devedor do financiamento, nos termos e condições contratados, incidindo juros contratuais sobre as parcelas suspensas e não juros de mora, ou multa por atraso. Os pagamentos das parcelas de amortização e das demais obrigações financeiras com o Fies devem ser retomados a partir do mês seguinte ao término da suspensão. De acordo com o FNDE, a suspensão vale para os pagamentos de contratos em fase de utilização, carência ou amortização. Banco do BrasilA adesão ao programa de suspensão do pagamento do Fies já está disponível no Banco do Brasil, e pode ser feito diretamente nas agências bancárias e via aplicativo do banco na internet, mas neste segundo caso, apenas a partir da primeira quinzena de outubro. Segundo o BB, a manifestação é feita de forma simples, sendo necessária apenas a concordância do estudante acerca das alterações contratuais, no momento da solicitação da suspensão. Após a formalização da proposta, a suspensão não poderá ser cancelada.Para quem optar por procurar o atendimento presencial, o BB informa também que, durante a pandemia, as agências atendem em contingenciamento e triagem para o acesso às salas de autoatendimento, com a autorização de acesso limitada à capacidade do espaço disponível em cada unidade. Caixa Econômica FederalPara o estudante que possui contrato do Fies com a Caixa Econômica Federal, a nova regra de suspensão dos pagamentos ainda não está disponível, mas o banco esclarece que ela será feita de forma retroativa, sem prejuízo ao beneficiário. O banco divulgará quando o serviço estiver disponível, o que deve ocorrer em algumas semanas.

  • Folhapress

    Brasil é o terceiro pior país da América Latina em direitos políticos para as mulheres

    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O Brasil é terceiro pior país da América Latina quando o assunto são direitos políticos femininos e paridade política entre homens e mulheres, aponta estudo elaborado pela ONU Mulheres e pelo Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento). Batizado de Atenea, o levantamento divulgado nesta quinta-feira (24) foi feito em parceria com a organização IDEA Internacional. Foram mapeados 40 indicadores em oito itens relacionados ao tema no Brasil, na Argentina, na Bolívia, na Colômbia, no Chile, na Guatemala, em Honduras, no México, no Panamá, no Peru e no Uruguai. O Brasil só ficou na frente do Chile e Panamá. O México lidera a pesquisa com o melhor indicativo, seguido da Bolívia. Entre os itens analisados estão a presença das mulheres em cargos do Poder Executivo e na administração pública, participação em partidos políticos e o cumprimento de cotas e paridade na política. Neste último item, o Brasil obteve a pior avaliação entre os oito tópicos analisados. A soma dos itens resultou no IPP (Índice de Paridade Política). Ele varia de 0 a 100 e atribui valores mais altos aos países mais bem avaliados. De acordo com o estudo, embora a legislação de cotas para mulheres na política tenha sido adotada desde 1995, ela é considerada frágil no Brasil. O baixo impacto é atribuído à falta de mecanismos institucionais que garantam sua efetividade e incidência nas condições de competitividade das candidaturas femininas. Na análise de Ana Carolina Querino, gerente de Programas da ONU Mulheres Brasil, a inexistência de cotas para mulheres em cargos do Executivo ajuda a puxar esse índice para baixo. "As medidas são insuficientes e garantem pouco retorno", afirma. A expectativa é que o avanço de candidaturas femininas deva ganhar impulso após o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) ter definido que pelo menos 30% dos recursos do fundo eleitoral devem ser aplicados no financiamento de candidatas mulheres. A partir da eleição de 2018, o TSE determinou que a aplicação de ao menos 30% do fundo público de financiamento de campanhas em candidaturas femininas é condição obrigatória para a liberação dos recursos eleitorais. Apesar da cota de 30% de candidaturas para cada sexo, a falta de sanção por descumprimento (zero pontos), bem como a sua aplicação apenas para as Câmaras Municipais, e não para prefeituras, no caso das eleições deste ano, tornam a medida ineficiente, segundo o estudo. A Folha de S.Paulo revelou em diversas reportagens que, na campanha de 2018, diversos partidos lançaram candidaturas de mulheres com o único intuito de cumprir a cota de 30%, havendo desvio, para outros fins, dos recursos que deveriam ser direcionados a elas. Os casos passaram a ser investigados pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, o que resultou no indiciamento do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, então presidente do PSL em Minas Gerais, e no indiciamento do deputado federal Luciano Bivar (PE), então presidente nacional licenciado do PSL. A meta das entidades internacionais responsáveis pela pesquisa é que, no caso de indicadores de presença (em cargos ou candidaturas), as mulheres ocupem 50% dos espaços de decisão pública. O período estimado para a conquista é de 30 anos. O diagnóstico elaborado pelo Atenea aprofunda a discussão dos desafios à participação política feminina no país, que precisa crescer em todos os aspectos. De acordo com os dados, a participação de mulheres na política é considerada fundamental para a construção de democracias consistentes. "O Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer em direção à paridade de gênero e, para isso, é fundamental que ocorram mudanças institucionais", afirma a representante da ONU Mulheres no Brasil, Anastasia Divinskaya. Além de trazer informações sistemáticas, periódicas, comparáveis e sensíveis a gênero sobre a presença de mulheres nas diferentes áreas de participação política, o estudo apresenta recomendações para mudanças que possam contribuir para uma superação das desigualdades. Um exemplo de mobilização ocorreu na terça-feira (22) no Senado. Dos 32 nomes de diplomatas enviados ao Congresso, apenas 2 eram de mulheres: Ellen Osthoff Ferreira de Barros, aprovada para a embaixada do Brasil em Burkina Faso, e Regina Célia Bitencourt, que assume em Benim. Diante da baixa representatividade, a bancada feminina no Senado, formada por 9 de 81 parlamentares, uniu-se e pediu que as mulheres indicadas fossem aprovadas por unanimidade dos votos dos presentes em plenário. "Isso mostra como a representação feminina é muito pequena. A gente ainda está muito distante do ideal", disse a senadora Zenaide Maia (Pros-RN). Além da falta de espaço na política, a equipe responsável pelo estudo afirma que a violência contra mulheres na política é outro fator que precisa ser considerado como "cada vez mais comum". O tema, contudo, embora relevante, ainda não foi tipificado no Brasil. Países como a Bolívia, o México e o Peru já tipificam essa violência. Não houve também no Brasil, segundo o estudo, a implementação de legislação específica para combater o assédio a mulheres na política. O estudo também não traz as dimensões de raça, cor e etnia. "Isso aponta para a necessidade urgente de sua inclusão como critério estruturante para a participação das mulheres negras e indígenas na políticas institucional do país", afirma o estudo. Índice de Paridade Política (IPP) México (66,2 pontos) Bolívia (64 pontos) Peru (60,1 pontos) Colômbia (54 pontos) Argentina (44,7 pontos) Honduras (42,7 pontos) Guatemala (42,6 pontos) Uruguai (41,7 pontos) Brasil (39,5 pontos) Chile (38,2 pontos) Panamá (37) Quanto mais perto de 100, mais bem avaliado o país Oito itens foram avaliados: \- Compromissos nacionais com a igualdade na Constituição e no marco legal \- Exercício do direito ao voto Cota e paridade: ações afirmativas ou medidas paritárias, para assegurar a presença das mulheres \- Presença de mulheres no Executivo e influência nas políticas públicas \- Presença de mulheres no Legislativo e influencia no desenho e na aprovação de leis nacionais \- Presença de mulheres na administração da Justiça \- Presença de mulheres nas estruturas partidárias e influência no debate político \- Presença de mulheres nos governos municipais Fonte: ATENEA - Mecanismo para acelerar a participação política das

  • Folhapress

    Reeleição de Crivella será teste de popularidade de Bolsonaro

    RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A força do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) será testada na disputa pela Prefeitura do Rio de Janeiro, seu domicílio eleitoral. Antes disposta a afrouxar os laços com Marcelo Crivella (Republicanos) sob o argumento da neutralidade, a família Bolsonaro passou a defender abertamente sua candidatura à reeleição após recente operação policial na casa e no gabinete do prefeito. Crivella, porém, pode se tornar inelegível depois de o TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do Rio formar maioria para condená-lo por suposto abuso de poder político na eleição de 2018. Ele é acusado de levar funcionários da prefeitura a um ato de campanha do filho Marcelo Hodge Crivella, então candidato a deputado. Dos 7 integrantes do TRE-RJ, 6 votaram pela condenação do prefeito. Vitor Marcelo, que integra a corte como advogado, pediu vista, o que deixou a conclusão do julgamento para esta quinta-feira (24). Se condenado, Crivella ficaria inelegível por oito anos a partir do fato, ou seja, até 2026. Ele poderia manter a candidatura, no entanto, até esgotar todos os recursos. No último dia 10, Crivella, em sua casa e em seu gabinete, já havia sido alvo de busca e apreensão como parte da investigação sobre um suposto esquema de corrupção. A operação foi recebida pela família Bolsonaro como uma tentativa de desgaste da imagem do presidente e seus filhos --o vereador Carlos e o senador Flávio são filiados ao partido do prefeito. Flávio chegou a divulgar vídeo em que lê um artigo segundo o qual "o alinhamento das atuais gestões municipal e estadual no Rio provocou uma artilharia da Rede Globo e seu canal de notícias". "Há um excesso de ataques de ordem pessoal e familiar. A presunção de inocência não existe", afirmou o senador. Até então, a estratégia da família era evitar se contaminar com a rejeição sofrida por Crivella, que estava em 72% segundo pesquisa do Datafolha de dezembro passado. O inquérito sobre suposto envolvimento do prefeito em um esquema apelidado de "QG da propina" antecipou, porém, a explicitação de apoio, dando sobrevida a ele. Além de Crivella, o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM) também foi alvo de busca e apreensão, dois dias antes. A Justiça Eleitoral aceitou denúncia do Ministério Público do Rio de que Paes teria recebido R$ 10,8 milhões não declarados da Odebrecht na campanha de 2012, no MDB. Os abalos dos favoritos e a falta de unidade na esquerda criaram, para os outros 12 concorrentes, a esperança de chegada ao segundo turno. Caberá à campanha de Crivella e Paes usar o exemplo do governador afastado Wilson Witzel (PSC) --que enfrenta um processo de impeachment-- para alertar o eleitor sobre o risco de apostar em uma novidade em plena pandemia do coronavirus. Sobre o peso de Bolsonaro na eleição carioca, o coordenador da campanha de Crivella, Rodrigo Bethlem, afirma que "não há como fugir da nacionalização no Rio". Ele diz ainda que Bolsonaro e Crivella têm uma amizade de muitos anos. E ressalta que o PSDB --partido do governador de São Paulo, João Doria-- é aliado de Paes. "Isso sinaliza que Paes estará com Doria na campanha presidencial de 2022", afirma. Na tentativa de atrair o voto bolsonarista sem afugentar eleitores de esquerda, Paes acena a Bolsonaro com a possibilidade de uma parceria, caso seja eleito. Dizendo-se um pragmático em defesa do Rio, o ex-prefeito conta ter optado por um vice cujo partido, o PL, não tem candidato ao Planalto. Ele lembra ainda que Crivella foi ministro da Pesca no governo de Dilma Rousseff (PT). No Rio, fracassou a tentativa de lançamento de uma candidatura única de partidos de esquerda. Lançada pelo PT, a ex-governadora Benedita da Silva afirma haver "espaço para uma candidatura do povo no segundo turno". "O Rio é o domicílio do Bolsonaro, mas também é o meu domicílio eleitoral e foi domicílio de grandes brasileiros que lutaram contra o fascismo que Bolsonaro representa. Os verdadeiros patriotas sabem disso", diz. Pelo PSOL, a deputada Renata Souza se apresenta como candidata da maior força de esquerda no Rio. Sem citar alianças passadas do PT, ela afirma que o distanciamento da base Garotinho, Cabral, Crivella e Eduardo Paes permitiu ao PSOL "abrir o debate galgado na participação de movimentos urbanos e da sociedade organizada". "Temos a responsabilidade de construir aqui a principal força de oposição ao que este grupo representa: intolerância, ódio, esquemas de vantagem pessoal e negacionismo. Uma velha política que se traveste de nova mas representa mais violência e desigualdade". Filha dos ex-governadores Anthony e Rosinha Matheus, a deputada federal Clarissa Garotinho (Pros) afirma que o Rio precisa de um prefeito com capacidade de diálogo com o presidente. "Me coloco como opção de centro. Crivella é um falso bolsonarista. Foi ministro do PT." Candidato do PSL, o deputado federal Luiz Lima também busca atrair o eleitor de Bolsonaro. O ex-nadador olímpico afirma defender o presidente "com unhas e dentes" e espera contar com a confiança de Bolsonaro na eleição. Ele trabalha para reconquistar o apoio do presidente após ter abandonado o projeto da família de criação de um novo partido, o Aliança pelo Brasil. Flávio Bolsonaro já avisou, no entanto, que não será permitido a ele o uso da imagem do pai durante a campanha. A necessidade de montagem de palanques municipais com vistas a 2022 pesou para a frustração de uma aliança entre a centro-esquerda. O PDT, de Ciro Gomes, aposta na candidatura da deputada estadual e delegada aposentada Martha Rocha. A Rede, de Marina Silva, lançou o ex-presidente do Flamengo Eduardo Bandeira de Mello. Dizendo-se progressista, ele afirma que a dicotomia esquerda-direita está ultrapassada. Segundo ele, o futuro prefeito terá que ter uma relação institucional com os governos estadual e federal. Candidato do Novo, o empresário Fred Luz minimiza a influência das disputas nacionais. Ele defende diálogo do eleito com o presidente da República. "Não é conversa de amiguinho. Mas voltada para o Rio." Candidatos à Prefeitura do Rio* Benedita da Silva (PT) Clarissa Garotinho (PROS) Cristiane Brasil (PTB) Cyro Garcia (PSTU) Eduardo Bandeira de Mello (Rede) Eduardo Paes (DEM) Fred Luz (Novo) Glória Heloíza (PSC) Henrique Simonard (PCO) Luiz Lima (PSL) Marcelo Crivella (Republicanos) Martha Rocha (PDT) Paulo Messina (MDB) Renata Souza (PSOL) Suêd Haidar (PMB) *confirmados em convenções

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    Agência dos EUA amplia exigências para vacina contra Covid-19 e deve frustrar planos de Trump

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A FDA (Food and Drug Administration), agência americana reguladora de medicamentos, deve pedir exigências mais rigorosas para a liberação de vacinas contra a Covid-19 nos Estados Unidos. De acordo com os jornais The New York Times e The Washington Post, será necessário que os participantes da última fase dos testes sejam acompanhados durante ao menos dois meses após receberem a dose final --somente depois dessa etapa a vacina poderia ser enviada para avaliação. Entre outros processos, a imunização também deverá passar por um comitê de especialistas independentes antes de chegar às mãos do órgão. O conjunto de diretrizes, que pode ser aprovado ainda nesta semana, estragaria os planos do presidente Donald Trump. Para incentivar eleitores a comparecerem às eleições presidenciais no país, ele prometeu diversas vezes que uma vacina já estaria disponível até 3 de novembro, dia da votação. Mesmo os especialistas a serviço do governo declararam que a data mais provável para que uma imunização esteja disponível aos americanos será no meio do ano que vem, ou até alguns meses depois. Essas medidas, no entanto, dependem da aprovação da Casa Branca para valerem oficialmente. Trump criticou as guias, dizendo que a exigência de que a vacina seja avaliada previamente por um grupo independente "parece uma jogada política". "Podemos ou não podemos aprová-la", afirmou. Nesta quarta (23), autoridades da área da Saúde --incluindo Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas-- foram ao Senado defender a integridade científica da FDA e apresentar provas de que Trump interferiu no processo desse e de outros órgãos para a aprovação de uma vacina. O pacote de medidas da FDA ainda inclui outras exigências dos fabricantes, como um plano concreto de acompanhamento para os pacientes que receberem a vacina em caráter emergencial. As diretrizes também recomendam padrões específicos de fabricação e teste, que garantam que a vacina disponibilizada ao público seja exatamente a mesma que foi usada no processo clínico. Assim como no Brasil, a epidemia de coronavírus foi politizada ao extremo nos EUA. Segundo o centro de pesquisa Pew, a porcentagem de americanos que tomariam a vacina imediatamente caso ela estivesse disponível caiu de 72%, em maio, para 50%. Ao Washington Post um diretor da Baylor College of Medicine afirmou que "as coisas estão tão agitadas que há uma possibilidade razoável de que a população americana não aceite uma vacina". "A história dos EUA é cheia de boas vacinas que foram rejeitadas por causarem má impressão pública."

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    Partido Novo suspende temporariamente Filipe Sabará e paralisa campanha à Prefeitura de SP

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O conselho de ética do Partido Novo decidiu, nesta quarta-feira (23), suspender temporariamente os direitos de filiação de Filipe Sabará, candidato da legenda à Prefeitura de São Paulo. A decisão coloca em risco a continuidade da candidatura, que já foi registrada junto à Justiça Eleitoral. Como consequência, o diretório nacional do Novo orientou o diretório municipal de São Paulo a suspender as ações de campanha até que o caso seja julgado em definitivo pelo conselho de ética. O partido afirma ter recebido denúncias que deram origem a processos disciplinares contra Sabará, mas não detalha quais são essas acusações. Em e-mail do diretório nacional a seus filiados, enviado na noite desta quarta, o partido comunica que a decisão da comissão corre em sigilo e que o filiado terá um prazo determinado para manifestar sua defesa. Procurado, o candidato não respondeu a respeito da suspensão de sua campanha até a publicação da reportagem. Nesta quarta, o Painel mostrou que Sabará retificou sua declaração de bens à Justiça Eleitoral --passando de R$ 15 mil para R$ 5 milhões. No documento que enviou em 19 de setembro, Sabará declarou R$ 15.686 em bens. Filiados do Novo passaram a criticar o que viram como falta de transparência do candidato, que é herdeiro do Grupo Sabará, gigante da indústria química voltada à fabricação de cosméticos, com faturamento acima de R$ 200 milhões em cada um dos últimos anos. Em retificação enviada em 21 de setembro, declarou ter, na verdade, R$ 5,1 milhões, divididos entre ações de uma empresa de cosméticos (R$ 5 milhões), aplicações e valores em conta. Na declaração original, as ações da empresa estavam avaliadas em R$ 8.000. Em documento enviado ao Tribunal Regional Eleitoral, o advogado de Sabará, Ricardo Stella, atribuiu a diferença de valores a "um lapso". Sabará já vinha enfrentando oposição dentro de seu próprio partido. Sua defesa contínua de medidas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tem sido recebida negativamente na legenda. Na semana passada, Sabará entrou em conflito com João Amoêdo, candidato do Novo à Presidência em 2018 e principal líder do partido. Amoêdo deu um pito público a Sabará pela escolha de Paulo Maluf como um bom prefeito. O dirigente chegou a dizer que espera do diretório paulista as providências cabíveis sobre a declaração. "Teve suas questões de corrupção, foi condenado, mas fez muita coisa. Imagina São Paulo sem as obras do Maluf", disse Sabará no programa Pânico da Jovem Pan. "A citação de um político corrupto como exemplo de gestão é inadmissível. O 'rouba, mas faz' fere frontalmente os valores e princípios do Novo. Essa prática não pode ser endossada por ninguém do partido", tuitou Amoêdo. Sabará respondeu que não defendeu o "rouba, mas faz". "Dizer quem foi um bom prefeito não é tarefa fácil. A maioria não realizou nada. E os que realizaram, roubaram", afirmou. Sabará foi escolhido candidato à Prefeitura de São Paulo em processo seletivo do Novo que teve cerca de 70 concorrentes. No último dia 5, a convenção do Novo, que confirmou Sabará e Marina Helena como sua vice, foi feita em formato drive-thru no estacionamento da Câmara Municipal. Sabará defendeu um estado enxuto e a geração de emprego e renda. "Isso é a nova e boa política que a sociedade tanto pede. O Novo também é o único partido que não usa dinheiro público. Uma vergonha para o Brasil todos os outros partidos que usam dinheiro que poderia ser investido na Saúde, por exemplo, para fazer campanha política, mas nossa resposta vai vir nas urnas", disse. Sabará foi secretário de Assistência e Desenvolvimento Social da prefeitura na gestão João Doria (PSDB) e foi presidente do Fundo Social do Estado de São Paulo, também na gestão de Doria. Ele pediu demissão no ano passado para concorrer. Empresário, Sabará é fundador de associação que insere moradores de rua no mercado de trabalho, ação que também desenvolveu na prefeitura, e de empresa de cosméticos naturais. Também idealizou um programa de produção de alimentos em terrenos baldios e se especializou em sustentabilidade.

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    Volkswagen irá desembolsar R$ 36 milhões por ter entregado funcionários à ditadura

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Volkswagen do Brasil se comprometeu nesta quarta-feira (23) a destinar R$ 36,3 milhões a ex-funcionários da empresa que foram presos, perseguidos ou torturados durante a ditadura militar (1964-1985). O pagamento acontece com a conclusão de três inquéritos civis no Ministério Público Federal, no Ministério Público de São Paulo e no Ministério Público do Trabalho. As investigações iniciadas em 2015 chegaram à conclusão de que a montadora colaborou com o aparato repressivo do regime instalado após o golpe de 1964. A disponibilização das indenizações foi anunciada pela Promotoria e também pela empresa, após a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), um acordo extrajudicial. Os inquéritos incluíram documentos e depoimentos prestados por testemunhas. Do valor total que a empresa vai pagar, R$ 16,8 milhões serão doados à Associação Henrich Plagge, que congrega os trabalhadores da Volkswagen. O dinheiro será repartido entre ex-funcionários que foram alvo de perseguições por suas orientações políticas ou também entre sucessores legais daqueles que já morreram. Outros R$ 10,5 milhões serão dedicados a projetos que resgatam a memória sobre as violações aos direitos humanos, como o Memorial da Luta por Justiça, desenvolvido pela seção paulista da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e pelo Núcleo de Preservação da Memória Política (NPMP). Os R$ 4,5 milhões restantes serão destinados à Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) para o financiamento de novas pesquisas sobre a colaboração de empresas com a ditadura e para a identificação das ossadas de presos políticos encontradas em uma vala clandestina no cemitério de Perus, na capital paulista, em 1990. Por fim, a Volkswagen obrigou-se a pagar também R$ 9 milhões aos Fundos Federal e Estadual de Defesa e Reparação de Direitos Difusos. Segundo nota da Promotoria, os valores devem ser pagos em janeiro. A Volkswagen também emitiu nota para divulgar o teor do acordo. O texto diz que a "montadora se compromete a doar R$ 36 milhões para iniciativas ligadas à defesa de direitos humanos, investigação de crimes da época e à memória histórica". "Com este acordo, a Volkswagen quer promover o esclarecimento da verdade sobre as violações dos direitos humanos naquela época", afirma a nota. "Lamentamos as violações que ocorreram no passado. Para a Volkswagen AG, é importante lidar com responsabilidade com esse capítulo negativo da história do Brasil e promover a transparência", escreveu Hiltrud Werner, membro do Conselho de Administração da Volkswagen.

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    Investigado, Flávio tenta aproximar Bolsonaro de juiz evangélico por vaga no STF

    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Em campanha para ser indicado a uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal), o juiz federal William Douglas dos Santos tem contado com a ajuda de pesos pesados para se aproximar de Jair Bolsonaro (sem partido). Além de ter o apoio de líderes evangélicos, o filho mais velho do presidente, senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), tem buscado impulsionar o nome do pastor do Rio de Janeiro junto ao pai e a auxiliares de confiança do presidente. A informação de que o juiz recebeu a chancela de Flávio, que está na mira de investigações por suspeita de abrigar em seu gabinete como deputado estadual um esquema da chamada "rachadinha", foi confirmada por três pessoas próximas ao presidente e por três aliados do magistrado. Uma vaga do Supremo ficará desocupada em novembro com a aposentadoria do ministro Celso de Mello, que completará 75 anos. Bolsonaro indicará o substituto, que terá de ser aprovado pelo Senado. A situação jurídica de Flávio passará pelo STF, que decidirá sobre a concessão de foro especial ao senador. Caso o benefício seja confirmado, poderá ganhar força a tese de anulação das provas colhidas quando a investigação estava sob responsabilidade do juiz de primeira instância Flávio Itabaiana.​ Segundo relatos feitos à reportagem, o juiz Douglas teria auxiliado Flávio a se aproximar de líderes de igrejas evangélicas no Rio de Janeiro durante a campanha eleitoral de 2018. Desde o início do ano, o magistrado tem se deslocado a Brasília com frequência. Durante um período, viajou à capital federal quinzenalmente, segundo aliados. Em ao menos uma dessas ocasiões, no meio do ano, o juiz teve um encontro com Flávio no gabinete do senador. Agora em setembro, segundo fontes ligadas tanto ao juiz quanto ao presidente, Douglas esteve com o próprio Bolsonaro em Brasília. De acordo com um aliado do presidente, o encontro ocorreu após Flávio ter indicado o nome do juiz e após uma ofensiva de evangélicos em defesa do magistrado. Procurado, o magistrado negou ter havido a reunião com Bolsonaro e diz que as fontes ouvidas pela reportagem estão equivocadas. "Nunca promovi encontros políticos e não ocorreu o mencionado encontro com o presidente", afirmou. O Palácio do Planalto não quis comentar. Flávio também não respondeu aos questionamentos da reportagem sobre sua relação com o juiz. Em nota enviada após a publicação deste texto, William Douglas dos Santos afirmou lamentar "que a própria apuração dos repórteres seja ignorada em favor de meros boatos que visam a ridicularizar o fato de um juiz federal ser, ao mesmo tempo, um cristão atuante". "Não existe campanha para vaga no STF. Se sou lembrado por colegas é graças ao trabalho que conduzo há quase 30 anos como magistrado, diversas vezes premiado por produtividade, além do reconhecimento como autor de mais de 50 livros que ajudaram milhares de pessoas a se inserir e a prosperar em carreiras públicas e privadas. Espero que em assuntos do Judiciário eu seja tratado como juiz e não como pastor. O Estado é laico."​ Também no início deste mês, Bolsonaro recebeu no Planalto o líder da Igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo, Silas Malafaia. O pastor estava acompanhado do apóstolo César Augusto, fundador e líder da igreja Fonte da Vida e do ex-deputado federal Fábio Sousa (PSDB-GO). No encontro, segundo relatos, foi defendido o nome de Douglas. Na ocasião, foi entregue a Bolsonaro uma lista com o apoio de diversas igrejas evangélicas ao nome do juiz. Apesar dos encontros recentes, o presidente já sabia quem Douglas era. Em novembro de 2019, ambos estiveram juntos durante um culto da Assembleia de Deus, em Manaus. Em dezembro do ano passado, o juiz também foi visto no evento cantata de Natal, no Palácio do Planalto, ao lado de outros líderes evangélicos. Hoje, o juiz, que tem trabalhado por sua indicação, é apontado como um dos nomes avaliados pelo presidente para uma das cadeiras que ficarão vagas no STF nos próximos dois anos. A indicação de Douglas, porém, ainda é dada como improvável. O magistrado não conta com grande apoio entre ministros palacianos e enfrenta resistência de integrantes de tribunais superiores. A confirmação dele seria tratada como um gesto caricato, avaliam ministros. Além disso, o presidente tem dado sinais trocados a assessores e aliados sobre o que esperar do candidato à primeira vaga a que terá direito de indicar no Supremo. Há três semanas, o presidente disse a uma pessoa próxima que indicaria um evangélico para a vaga. Dias depois, porém, disse a outro aliado que escolherá alguém com quem "toma café" e "bebe cerveja" e que seria aprovado facilmente em sabatina no Senado.​ Em um desses encontros, Bolsonaro ressaltou que o nome "terrivelmente evangélico", que o próprio presidente já disse querer no Supremo, só será escolhido no próximo ano. Em julho de 2021, o ministro Marco Aurélio Mello também completará 75 anos e se aposentará. Para o posto de Celso, o presidente disse querer um nome politicamente forte, capaz de influenciar grupos do Supremo. Eles hoje se dividem em ministros refratários a Bolsonaro e outros mais afeitos ao diálogo. Os relatos sugerem que a escolha de Bolsonaro deverá ficar entre Jorge de Oliveira, ministro da Secretaria-Geral, João Otávio Noronha, ex-presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), e Ives Gandra Filho, ministro do TST (Tribunal Superior do Trabalho). Em mais de um encontro, o presidente já disse que sua opção para a primeira vaga seria Oliveira. Bolsonaro quer ter um aliado de primeira hora por um longo período. O ministro tem 44 anos e os magistrados só são obrigados a se aposentar aos 75. O titular da Secretaria-Geral, por sua vez, já disse a ministros do STF e a pessoas próximas que não gostaria de ser indicado agora. O motivo seria a falta de preparo para assumir a cadeira que hoje pertence ao decano da corte, respeitado entre os colegas. Por isso, Oliveira disse que gostaria de passar mais um ano à frente da SAJ (Subchefia para Assuntos Jurídicos). O cenário ideal para ele, dizem pessoas próximas, seria Bolsonaro ser reeleito e ele, então, indicado a uma terceira vaga. Caso Oliveira mantenha a postura refratária, o presidente já disse que pode indicar o ministro da Justiça, André Mendonça. Ele, contudo, sinalizou que tem preferência em avaliar a sua indicação para a segunda vaga, quando pretende escolher alguém "terrivelmente evangélico". Douglas é juiz titular na 4ª Vara Federal de Niterói (RJ) e deve se tornar juiz federal do TRF-2 (Tribunal Regional Federal) até o fim do ano. Aprovado em primeiro lugar em diversas seleções, ele é autor de livros que dão dicas de como passar em concursos públicos e é membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil. Segundo informa seu site, o juiz é mestre em direito pela Universidade Gama Filho, professor da Escola de Pós-Graduação em Economia da Fundação Getulio Vargas e já foi delegado de polícia. Em suas redes sociais, o pastor já fez em mais de uma oportunidade elogios ao atual presidente do STF, Luiz Fux. No meio evangélico, Douglas é considerado um pastor de posições moderadas e de visão progressista em relação à luta contra o preconceito racial. Douglas afirmou que "não cabe a ninguém pleitear vaga no STF, sobretudo porque ela não existe ainda". Ele ressaltou que a escolha do próximo ministro é prerrogativa do presidente. "Como juiz federal de carreira, professor e escritor, me sinto honrado com as manifestações de respeito e apoio que tenho recebido", disse. O presidente da Ajufe, Eduardo André Brandão, afirmou em nota que "não é admissível o uso de termos depreciativos, sobretudo no anonimato, para se referir a magistrados federais que possam ter seus nomes aventados para uma futura indicação ao STF". "O juiz federal William Douglas, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, tem 27 anos de atuação e ao longo da carreira, conquistou respeito e credibilidade entre seus pares. Qualquer juiz ou juíza federal do país tem preparo intelectual e habilidade técnica para integrar tribunais superiores, inclusive a suprema corte brasileira", acrescentou.

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