Assunto

MILIONÁRIOS e suas fortunas

  • BBC News Brasil

    Vacina contra covid: fortuna dos 10 mais ricos 'pagaria imunização para o mundo todo', diz Oxfam

    Objetivo do levantamento é evidenciar as desigualdades de renda globais. Na prática, parte da fortuna dos bilionários não necessariamente pode ser convertida em dinheiro vivo no curto prazo.

  • Folhapress

    Super-ricos vão recuperar perdas em tempo recorde, diz relatório

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - As 1.000 pessoas mais ricas do mundo levarão apenas nove meses para ver suas fortunas retornarem aos níveis pré-pandemia, enquanto os mais pobres vão levar 14 vezes mais, ou seja, mais de dez anos, para conseguir repor as perdas devido ao impacto econômico da doença. A conclusão é do relatório "O Vírus da Desigualdade", que será lançado pela Oxfam nesta segunda-feira (25), na abertura do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça. As informações são da Agência Brasil. Em fevereiro de 2020, foi identificado o valor da fortuna dos mais ricos, representando 100%. Em março, essa riqueza caiu para 70,3%, voltando aos 100% em novembro. Como base de comparação sobre a velocidade dessa recuperação, os mais ricos do mundo levaram cinco anos para recuperar o que perderam durante a crise financeira de 2008. "A pandemia escancarou as desigualdades -no Brasil e no mundo. É revoltante ver um pequeno grupo de privilegiados acumular tanto em meio a uma das piores crises globais já ocorridas na história", afirmou Katia Maia, diretora executiva da Oxfam Brasil. "Enquanto os super-ricos lucram, os mais pobres perdem empregos e renda, ficando à mercê da miséria e da fome." O relatório mostra que, em todo o mundo, os bilionários acumularam US$ 3,9 trilhões entre 18 de março e 31 de dezembro de 2020, sendo que sua riqueza total hoje é de US$ 11,95 trilhões, o equivalente ao que os governos do G20 gastaram para enfrentar a pandemia. Apenas os dez maiores bilionários acumularam US$ 540 bilhões no período -o suficiente para pagar pela vacina contra a Covid-19 para todo o mundo e garantir que ninguém chegue à situação de pobreza. Por outro lado, a pandemia deu início a uma crise em relação aos empregos, que, segundo a Oxfam, é a pior em mais de 90 anos. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que cerca de meio bilhão de pessoas estão agora subempregadas ou sem emprego, enfrentando miséria e fome. "Quando o coronavírus chegou, mais da metade dos trabalhadores e trabalhadoras dos países de baixa renda viviam na pobreza, e 75% dos trabalhadores e trabalhadoras do mundo não tinham acesso a proteções sociais como auxílio-doença ou seguro-desemprego", observa a entidade. Diante desses dados, o relatório revela que a pandemia de covid-19 tem o potencial de aumentar a desigualdade econômica em quase todos os países ao mesmo tempo, o que acontece pela primeira vez desde que as desigualdades começaram a ser medidas há mais de 100 anos. Para a Oxfam, a sociedade, empresas, governos e instituições devem agir com base na urgência de criar um mundo mais igualitário e sustentável. "A crise provocada pela pandemia expôs nossa fragilidade coletiva e a incapacidade da nossa economia profundamente desigual trabalhar para todos. No entanto, também nos mostrou a grande importância da ação governamental para proteger nossa saúde e meios de subsistência. Políticas transformadoras que pareciam impensáveis antes da crise, de repente se mostraram possíveis. Não pode haver retorno para onde estávamos antes da pandemia", diz o texto. Economias mais justas são a chave para uma recuperação econômica rápida da pandemia, segundo avaliação da Oxfam. A existência de um imposto temporário sobre os excessivos lucros obtidos pelas 32 corporações globais que mais lucraram durante a pandemia poderia arrecadar US$ 104 bilhões em 2020. O valor, conforme estima a Oxfam, seria o suficiente para providenciar auxílio-desemprego para todos os trabalhadores afetados durante a pandemia e para dar apoio financeiro a todas as crianças e idosos em países de renda baixa ou média. "A desigualdade extrema não é inevitável, mas uma escolha política. Os governos pelo mundo precisam utilizar este momento de grande sofrimento para construir economias mais justas, igualitárias e inclusivas, que protejam o planeta e acabem com a pobreza. A nova fase pós-pandemia não pode ser uma repetição de tantos erros do passado, que nos legaram um mundo que beneficia poucos às custas de milhões", acrescentou Katia. Para ela, a recuperação econômica tem que incluir as pessoas em situação de vulnerabilidade e não pode haver recuperação econômica sem responsabilidade social. A necessidade de reparação da desigualdade se dá ainda diante de outro fator de alerta mostrado pelo documento: a insegurança alimentar. O relatório concluiu que o impacto da pandemia sobre empregos e meios de subsistência fez, expandir de forma rápida e significativa, a crise alimentar. O Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (PMA) estimou que o número de pessoas que passam fome aumentaria para 270 milhões no fim de 2020 por causa da pandemia, um aumento de 82% em comparação a 2019. A Oxfam considerou que isso poderia significar entre 6.000 e 12 mil pessoas morrendo a cada dia de fome, associada à crise até o fim de 2020. "Enquanto uma em cada dez pessoas vai para a cama com fome, as oito maiores empresas de alimentos e bebidas do mundo pagaram mais de US$ 18 bilhões a seus acionistas entre janeiro e julho de 2020. Isso é cinco vezes mais do que os valores arrecadados pela ONU, em novembro de 2020, com a chamada para doações para a covid-19", diz o documento. No que diz respeito ao gênero, as mulheres são as que mais sofrem neste contexto, conforme o documento. Elas são maioria nos empregos mais precários, que foram os mais impactados pela pandemia. Em todo o mundo, 740 milhões de mulheres trabalham na economia informal e, durante o primeiro mês da pandemia, sua renda caiu 60%, o equivalente a uma perda de mais de US$ 396 bilhões, segundo dados apresentado pela Oxfam. Nos Estados Unidos, 22 mil pessoas negras e hispânicas ainda estariam vivas, até dezembro do ano passado, se tivessem a mesma taxa de mortalidade por Covid-19 que as pessoas brancas. O relatório diz ainda que, no Brasil, pessoas negras têm 40% mais chance de morrer de Covid-19 do que pessoas brancas. Se as taxas de mortalidade da doença nos dois grupos fossem as mesmas até junho de 2020, a entidade estima que mais de 9.200 afrodescendentes estariam vivos. Ainda segundo a Oxfam, as taxas de contaminação e mortes por Covid-19 são maiores em áreas mais pobres de países como França, Espanha e Índia. Na Inglaterra, essas taxas são o dobro nas regiões mais pobres em comparação com as mais ricas.

  • Agência Brasil

    Super-ricos recuperaram perdas em tempo recorde, diz relatório

    As mil pessoas mais ricas do mundo levaram apenas nove meses para ver suas fortunas retornarem aos níveis pré-pandemia, enquanto os mais pobres vão demorar 14 vezes mais, ou seja, mais de dez anos, para conseguir repor as perdas devido ao impacto econômico da doença. A conclusão é do relatório O Vírus da Desigualdade, que será lançado pela Oxfam nesta segunda-feira (25), na abertura do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça. Em fevereiro de 2020, foi identificado o valor da fortuna dos mais ricos, representando 100%. Em março, essa riqueza caiu para 70,3%, voltando aos 100% em novembro. Como base de comparação sobre a velocidade dessa recuperação, os mais ricos do mundo levaram cinco anos para recuperar o que perderam durante a crise financeira de 2008. “A pandemia escancarou as desigualdades – no Brasil e no mundo. É revoltante ver um pequeno grupo de privilegiados acumular tanto em meio a uma das piores crises globais já ocorridas na história”, afirmou Katia Maia, diretora executiva da Oxfam Brasil. “Enquanto os super-ricos lucram, os mais pobres perdem empregos e renda, ficando à mercê da miséria e da fome.” O relatório mostra que, em todo o mundo, os bilionários acumularam US$ 3,9 trilhões entre 18 de março e 31 de dezembro de 2020, sendo que sua riqueza total hoje é de US$ 11,95 trilhões, o equivalente ao que os governos do G20 gastaram para enfrentar a pandemia. Apenas os dez maiores bilionários acumularam US$ 540 bilhões no período – o suficiente para pagar pela vacina contra a covid-19 para todo o mundo e garantir que ninguém chegue à situação de pobreza. Por outro lado, a pandemia deu início a uma crise em relação aos empregos, que, segundo a Oxfam, é a pior em mais de 90 anos. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que cerca de meio bilhão de pessoas estão agora subempregadas ou sem emprego, enfrentando miséria e fome. “Quando o coronavírus chegou, mais da metade dos trabalhadores e trabalhadoras dos países de baixa renda viviam na pobreza, e 75% dos trabalhadores e trabalhadoras do mundo não tinham acesso a proteções sociais como auxílio-doença ou seguro-desemprego”, observa a entidade. Diante desses dados, o relatório revela que a pandemia de covid-19 tem o potencial de aumentar a desigualdade econômica em quase todos os países ao mesmo tempo, o que acontece pela primeira vez desde que as desigualdades começaram a ser medidas há mais de 100 anos. Para a Oxfam, a sociedade, empresas, governos e instituições devem agir com base na urgência de criar um mundo mais igualitário e sustentável. “A crise provocada pela pandemia expôs nossa fragilidade coletiva e a incapacidade da nossa economia profundamente desigual trabalhar para todos. No entanto, também nos mostrou a grande importância da ação governamental para proteger nossa saúde e meios de subsistência. Políticas transformadoras que pareciam impensáveis antes da crise, de repente se mostraram possíveis. Não pode haver retorno para onde estávamos antes da pandemia”, diz o texto. Economias mais justas são a chave para uma recuperação econômica rápida da pandemia, segundo avaliação da Oxfam. A existência de um imposto temporário sobre os excessivos lucros obtidos pelas 32 corporações globais que mais lucraram durante a pandemia poderia arrecadar US$ 104 bilhões em 2020. O valor, conforme estima a Oxfam, seria o suficiente para providenciar auxílio-desemprego para todos os trabalhadores afetados durante a pandemia e para dar apoio financeiro a todas as crianças e idosos em países de renda baixa ou média. “A desigualdade extrema não é inevitável, mas uma escolha política. Os governos pelo mundo precisam utilizar este momento de grande sofrimento para construir economias mais justas, igualitárias e inclusivas, que protejam o planeta e acabem com a pobreza. A nova fase pós-pandemia não pode ser uma repetição de tantos erros do passado, que nos legaram um mundo que beneficia poucos às custas de milhões”, acrescentou Katia. Para ela, a recuperação econômica tem que incluir as pessoas em situação de vulnerabilidade e não pode haver recuperação econômica sem responsabilidade social. A necessidade de reparação da desigualdade se dá ainda diante de outro fator de alerta mostrado pelo documento: a insegurança alimentar. O relatório concluiu que o impacto da pandemia sobre empregos e meios de subsistência fez, expandir de forma rápida e significativa, a crise alimentar. O Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (PMA) estimou que o número de pessoas que passam fome aumentaria para 270 milhões no fim de 2020 por causa da pandemia, um aumento de 82% em comparação a 2019. A Oxfam considerou que isso poderia significar entre 6 mil e 12 mil pessoas morrendo a cada dia de fome, associada à crise até o fim de 2020. “Enquanto uma em cada dez pessoas vai para a cama com fome, as oito maiores empresas de alimentos e bebidas do mundo pagaram mais de US$ 18 bilhões a seus acionistas entre janeiro e julho de 2020. Isso é cinco vezes mais do que os valores arrecadados pela ONU, em novembro de 2020, com a chamada para doações para a covid-19”, diz o documento. No que diz respeito ao gênero, as mulheres são as que mais sofrem neste contexto, conforme o documento. Elas são maioria nos empregos mais precários, que foram os mais impactados pela pandemia. Em todo o mundo, 740 milhões de mulheres trabalham na economia informal e, durante o primeiro mês da pandemia, sua renda caiu 60%, o equivalente a uma perda de mais de US$ 396 bilhões, segundo dados apresentado pela Oxfam. Nos Estados Unidos, 22 mil pessoas negras e hispânicas ainda estariam vivas, até dezembro do ano passado, se tivessem a mesma taxa de mortalidade por covid-19 que as pessoas brancas. O relatório diz ainda que, no Brasil, pessoas negras têm 40% mais chance de morrer de covid-19 do que pessoas brancas. Se as taxas de mortalidade da doença nos dois grupos fossem as mesmas até junho de 2020, a entidade estima que mais de 9.200 afrodescendentes estariam vivos. Ainda segundo a Oxfam, as taxas de contaminação e mortes por covid-19 são maiores em áreas mais pobres de países como França, Espanha e Índia. Na Inglaterra, essas taxas são o dobro nas regiões mais pobres em comparação com as mais ricas.

  • Bloomberg

    Ricos reduzem exposição ao Alibaba após investigações, diz Citi

    (Bloomberg) -- Investidores abastados correram para vender ações do Alibaba depois que a China iniciou uma investigação sobre supostas práticas monopolistas da gigante da Internet do bilionário Jack Ma, segundo a unidade de private bank do Citigroup.“Um grande número” de clientes ultrarricos do banco na região da Europa, Oriente Médio e África reduziu ou saiu de suas posições na maior empresa de comércio eletrônico da China em dezembro, depois da divulgação de informações sobre a investigação, disse o Lab for Family Offices do Citi Private Bank, em relatório divulgado na terça-feira. O mercado acionário da China vinha atraindo investimentos significativos de clientes mais ricos do banco na segunda metade do ano, de acordo com o relatório.Antes vistas como empresas que impulsionavam a prosperidade econômica e símbolos da capacidade tecnológica do país, o Alibaba e rivais, como a Tencent, enfrentam pressão crescente de reguladores depois de acumular centenas de milhões de usuários e ganhar influência sobre quase todos os aspectos da vida diária na China.A oferta pública inicial de US$ 35 bilhões da empresa de pagamentos afiliada do Alibaba - a Ant Group - foi abruptamente suspensa no ano passado, o que contribuiu para a queda de mais de 20% dos recibos de depósito americano do grupo desde o final de outubro.Na semana passada, o banco central da China disse que a Ant trabalha em um cronograma para reestruturar seus negócios e, ao mesmo tempo, garantir que as operações continuem, enfatizando a determinação de controlar as empresas de Ma e oferecendo poucas pistas sobre até onde o grupo precisa ir para acalmar o governo de Pequim. A Ant responde por mais de 25% do patrimônio de US$ 52,9 bilhões de Ma, de acordo com o Índice de Bilionários da Bloomberg.As ações do Alibaba chegaram a subir 11% na sessão em Hong Kong na quarta-feira. Ma apareceu pela primeira vez desde o início de novembro, quando ficou calado em meio às investigações do governo sobre a Ant e o Alibaba. Ele falou com professores em uma live durante um evento anual que o empresário organiza para educadores rurais, disseram pessoas a par do assunto.For more articles like this, please visit us at bloomberg.comSubscribe now to stay ahead with the most trusted business news source.©2021 Bloomberg L.P.

  • Bloomberg

    Ricos dos EUA elevam fortunas em ritmo recorde na pandemia

    (Bloomberg) -- Segundo alguns indicadores, os americanos ficaram mais ricos durante a pandemia do que em qualquer outra época.É algo difícil de entender, com o colapso econômico e o aumento do número de desempregados, desabrigados e famintos. Mas há uma classe de pessoas - pelo menos os 20% mais ricos ou mais - que tiveram que se preocupar pouco com esses assuntos.Para elas, não foi apenas relativamente fácil executar suas funções de casa. Além disso, as medidas de emergência sem precedentes do Federal Reserve - como a redução dos juros para zero - também engordaram suas carteiras. Os mais ricos refinanciaram hipotecas com juros em mínimas históricas, compraram uma segunda casa para fugir das cidades e viram o valor das ações e títulos em suas contas de investimento disparar.O enorme acúmulo de riqueza, em grande parte, obscurece o impacto sentido por todos aqueles que não têm o mesmo acesso fácil ao crédito ou aos mercados financeiros. Enquanto o patrimônio líquido das famílias subiu para um novo recorde, estimativas indicam que centenas de milhares de empresas fecharam definitivamente, mais de 10 milhões de americanos continuam desempregados e quase três vezes mais passam fome.“Provavelmente, não houve melhor época para ser rico nos EUA do que a atual”, disse Peter Atwater, professor adjunto da William & Mary que popularizou o conceito de recuperação “em forma de K” para descrever a destacada desigualdade na retomada. “Muito do que os formuladores de políticas fizeram foi permitir que aqueles que eram mais ricos se recuperassem mais rapidamente da pandemia.”Nos últimos 10 meses, as pessoas de renda mais alta tiveram, relativamente falando, resultados muito positivos.O nível de emprego no quartil superior de trabalhadores - os que ganham mais de US$ 60 mil por ano - já se recuperou acima dos níveis de um ano atrás, de acordo com dados do Opportunity Insights, um instituto de pesquisa apartidário da Universidade Harvard.E à medida que os lockdowns dominavam o país, milhões de pessoas, especialmente aquelas no extremo superior da escala socioeconômica dos EUA, foram capazes de redirecionar o dinheiro que de outra forma teria sido gasto em coisas como entretenimento, jantares e viagens para economias ou, melhor ainda, investimentos.Para muitos, valeu a pena. Graças aos esforços do Fed para sustentar a economia, os índices acionários dos EUA subiram para níveis recordes após o surto, enquanto os títulos registraram o maior ganho em mais de uma década.For more articles like this, please visit us at bloomberg.comSubscribe now to stay ahead with the most trusted business news source.©2021 Bloomberg L.P.

  • Canaltech

    Crítica | Império da Ostentação diverte com a vida de asiáticos ricos nos EUA

    No melhor estilo "Crazy Rich Asians", Império da Ostentação nos apresenta a um universo inusitado da vida de luxo de asiáticos em Los Angeles, nos EUA. O programa acompanha os dramas da vida de grandes empresários, herdeiros e membros da dinastia, e seus estilos de vida

  • Folhapress

    'Ricos podem fazer quarentena', diz redator da lei que tributa fortunas na Bolívia

    BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - O governo de esquerda do presidente Luis Arce decidiu criar um imposto anual a grandes fortunas na Bolívia. A medida lembra a decisão do governo argentino de Alberto Fernández, que também criou um chamado "imposto às grandes fortunas". A diferença entre os dois casos, porém, revela algo sobre as discrepâncias sociais e econômicas da região. Na Argentina, trata-se de uma taxa que atinge aqueles que têm fortunas acima de 200 milhões de pesos argentinos (R$ 12,6 milhões, pelo câmbio oficial, quase a metade do valor do paralelo). Com isso, alcança a cerca de 12 mil pessoas. Já no caso boliviano, o imposto anual a grandes fortunas alcançará aqueles que têm bens acima de US$ 4 milhões (ou R$ 22 milhões). Neste grupo, há apenas 152 pessoas. "Na verdade isso é quase uma brincadeira, porque mostra que no nosso país, até os ricos são pobres. Mesmo na média da região, US$ 4 milhões não seria uma grande fortuna", diz à reportagem o analista político Raúl Peñaranda. Desde que Luis Arce promulgou o decreto, que já começa a valer agora em janeiro, a lista dos 152 virou um segredo bem guardado na Bolívia. Há meios de comunicação interessados em descobrir quem são, mas o governo disse que manterá a relação de nomes sob sigilo. Sabe-se, porém, que nela estão os grandes investidores do agronegócio, principalmente da região de Santa Cruz de la Sierra (mais forte opositora ao governo), os empresários ligados a mineradoras e os donos de bancos. "É claro que essa lista diz muito sobre uma outro aspecto de nossa sociedade. Sabemos que há gente com maior fortuna que US$ 4 milhões e que não está na lista nem pagará impostos, são narcotraficantes e contrabandistas. Afinal, estão numa economia informal". Essa é uma questão que também levantam os críticos da lei argentina, a de que não figuram na lista de contribuintes os que têm fortunas e propriedades não registradas em seu nome no exterior, que tenham contas em paraísos fiscais e que estejam vinculados a atividades delitivas internacionais. "Desde antes de promulgarmos o decreto, durante a pandemia, tínhamos empresários que queriam ajudar no combate ao vírus", diz à Folha o deputado Omar Yujra, redator da lei. Eleito pelo do MAS (Movimento ao Socialismo), partido governista, houve críticas à lei "de pessoas desinformadas, que acreditavam que íamos taxar a classe média, aqueles que têm um carro, uma casa, e isso não é assim", explica. "A ideia é seguir nosso projeto de campanha, que era o de instalar um sistema de impostos mais progressivo, eliminando carga tributária aos mais humildes e aumentando aos mais ricos. Isso tornou-se mais urgente quando sabemos que os mais pobres não podem trabalhar de casa ou fazer quarentena, e com isso perdem as rendas. Enquanto os ricos podem fazer 'home office'." A pandemia chegou à Bolívia num momento de crise institucional, com uma presidente interina que administrou muito mal o combate ao vírus -com um escândalo de corrupção no meio, envolvendo a compra superfaturada de respiradores- e com um mercado de trabalho informal de 66% de pessoas. Neste contexto, o país foi duramente golpeado no primeiro pico da pandemia, entre julho e agosto. Ao todo, o país acumula 173.896 contágios e 9.379 mortes. Médicos e analistas independentes, porém, contestam esse número e creem que o impacto foi muito maior, pois a Bolívia está entre os países que menos testa na região e registrou muitos falecimentos em casa, sem que as pessoas tivessem sido diagnosticadas. Depois de uma queda na curva em outubro/novembro, o país está novamente tendo um aumento no número de casos. "O dinheiro arrecadado com esse imposto irá inteiramente ao combate à pandemia. A ideia é investir em nossos hospitais, em testes e na campanha para prever os novos casos", diz Yujra. Porém, ele vê a necessidade de que este imposto se mantenha porque, no ano em que o MAS esteve fora do poder -entre a renúncia de Evo Morales, em 10 de novembro de 2019, e o retorno do partido ao poder com a eleição de Luis Arce, em 18 de outubro do ano seguinte- "houve uma desconstrução de tudo aquilo que havíamos construído na gestão de Morales. Contraíram-se dívidas altas, houve uma retração no mercado interno, temos uma situação financeira muito complicada. Por isso a ideia de impostos progressivos é nossa proposta para sair dessa situação", afirma Yujra.

  • Folhapress

    3R Petroleum volta à licitação de Urucu após ganhar e não levar maior reserva bilionária de gás

    RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A Petrobras recebe nesta sexta-feira (15) uma segunda rodada de lances para a seleção da empresa que vai explorar o bilionário polo Urucu, no estado do Amazonas, a maior reserva de gás natural do Brasil. A primeira etapa foi cancelada pela estatal após o vencedor, 3R Petroleum, apresentar demandas consideradas inviáveis pela estatal. Ela fez um lance de US$ 1,1 bilhão, equivalente a R$ 5,7 bilhões. Esse valor superou em US$ 500 milhões a oferta da concorrente que ficou em segundo lugar, a Eneva. Não é de hoje que a 3R Petroleum apresenta problemas após leilões no setor de óleo e gás e, ainda, retorna às disputas. O histórico é peculiar. Recentemente, foi um de seus acionistas que ganhou projeção, o fundo Starboard. Esse fundo é acionista majoritário da Gemini, empresa responsável pela subestação que entrou em pane e deixou o Amapá sem luz por 21 dias no final do ano passado. A Starboard é gestora de dois fundos que detêm 45,9% de participação da 3R Petroleum. Ao oferecer os R$ 5,7 bilhões pelo polo de Urucu, a 3R Petroleum não teria feito o depósito de garantias exigidas porque a proposta estava condicionada a alterações no contrato pré-existente para transmissão de gás na região, o que foi considerado inviável. Por isso, a Petrobras decidiu abrir uma segunda rodada de ofertas. Segundo apurou a reportagem, a percepção de quem acompanhou as discussões foi que a empresa não teria condições de apresentar garantias capazes de assegurar seu lance e teria apresentado a outra demanda como desculpa. Diante do impasse, a pimeira etapa foi cancelada, sendo remarcada para essa sexta-feira. Segundo colocado nessa disputa, a Eneva já comprou Azulão e Juruá, também no Amazonas. Tanto a 3R Petroleum quanto a Eneva foram convidadas pela própria Petrobras para participarem da segunda licitação de Urucu. A exploração dessa reserva é considerada estratégica para minimizar problema de abastecimento de energia na região Norte do país. O Amazonas é hoje um dos maiores produtores de gás no país, mas vem enfrentando queda intensa em suas reservas. Faz um tempo que 3R Petroleum apresenta problemas em leilões. Em 2017, ela foi desclassificada de uma licitação pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis). Segundo a agência, ela não conseguiu apresentar todos os documentos previstos no edital. Em novembro de 2018, foi anunciada vencedora em uma outra disputa da Petrobras. Levou os campos do Polo Riacho da Forquilha, na Bacia Potiguar, no entorno da cidade de Mossoró, no Rio Grande do Norte. Porém, foi desclassificada por insuficiência financeira. Com o fracasso da operação, em abril 2019, a Petrobras teve que fechar com a segunda proponente, a PetroRecôncavo, a venda dos 34 campos terrestres por US$ 384,2 milhões, valor US$ 68 milhões menor do que o ofertado pela 3R Petroleum. Ainda assim, em agosto de 2019, a 3R voltou com força para as concorrências. Levou, por US$ 191,1 milhões, o Polo Macau. Em julho de 2020, fechou participação no Polo Pescada-Arabaiana. Também levou, em 2020, os campos de Fazenda Belém e Icapuí. Depois, na Bahia, adquiriu 14 campos terrestres na Bacia do Recôncavo por US$ 250 milhões - onde, segundo a Petrobras, a empresa pagou US$ 10 milhões até o momento. Apesar do histórico, conseguiu aproveitar o boom da Bolsa brasileira no ano passado. Abriu o capital em novembro de 2020. Com a operação, levantou R$ 690 milhões. Pela proposta apresentada aos investidores, os recursos bancariam uma estratégia de crescimento baseada numa melhor exploração dos chamados campos de petróleo maduros, fontes em fase de declínio após atingirem o pico de produção. Quando se preparava para abrir o capital, as demonstrações de resultado da empresa chamaram a atenção da área técnica CVM (Comissão de Valores Mobiliários), o órgão que funciona como regulador do mercado de capitais. Para os técnicos, a empresa poderia não ter musculatura para sustentar operações bilionárias. O conselho da CVM, que tem a palavra final, não endossou a avaliação. No terceiro trimestre de 2020, pouco antes da operação na Bolsa, a empresa apresentou um prejuízo líquido de R$ 50,4 milhões. Segundo registro da Junta Comercial do Rio de Janeiro, antes de ingressar no mercado de petróleo e gás, a inscrição da 3R Petroleum representava a JV Tropical Fashion Artigos do Vestuário e era especialista em confecção e comércio varejista de roupas e artigos. Inicialmente, foi registrada como SJV Joias e Bijuterias. Apenas em 2014, o nome foi alterado para a 3R Petroleum, em documento assinado pelo empresário Ricardo Savini. Antes de ir para a iniciativa privada. Savini fez carreira na Petrobras. Foi funcionário da estatal por 20 anos. Nesse mesmo ano, Savini ocupava a diretoria da Georadar, grupo que posteriormente foi impedido de fechar contrato com a petroleira por ser considerado inidôneo. A empresa colecionou centenas de processos na Justiça, com pedidos de falência e condenações, inclusive em ações abertas pela própria estatal. OUTRO LADO Embora ainda figure como presidente da Georadar na Receita Federal, o empresário disse à reportagem que não é mais executivo da companhia. Apesar das relações documentais, afirmou que nenhum acionista da empresa faz parte da 3R e que nunca existiu algum vínculo entre ambas. Além disso, apontou que não pode falar sobre a Georadar, mas que o grupo sofreu com a crise econômica entre 2014 - mesmo ano da mudança de nome da 3R Petroleum - e 2017, com dívidas trabalhistas. O empresário diz que a 3R Petroleum cumpriu tudo o que foi solicitado pela Petrobras no que tange aos critérios financeiros para participação da concorrência. Porém, afirmou não poder comentar o processo ativo e competitivo de venda do Polo de Urucu. Sobre o fato de ter registrado prejuízo no terceiro trimestre de 2020, Savini afirmou ser normal, pois a empresa só passou a ser operacional em maio. Segundo ele, o valor de mercado da 3R Petroleum atualmente é de R$ 4 bilhões. Savini disse ainda que a empresa pretende realizar estruturações financeiras adequadas para fazer frente a novas aquisições. Além disso, o empresário destacou que a Starboard é um acionista relevante, mas não é controlador da 3R Petroleum após a abertura de capital. Savini atribuiu o imbróglio na disputa por Riacho da Forquilha à decisão da Justiça do Trabalho do Rio Grande do Norte, que impediu a Petrobras de assinar o contrato de compra e venda. Durante o processo, houve desistência do sócio financeiro da empresa à época, sem que tenha ocorrido insuficiência financeira, segundo ele. Assim como Savini, a Starboard afirmou que não é controladora da 3R Petroleum, mas sim gestora de fundos que detêm 45,9% de participação na companhia. Em nota, o fundo ressaltou "que eventuais investimentos realizados na aquisição de ativos serão feitos pela própria 3R Petroleum e não pela Starboard". Sobre a Gemini Energy, controladora da Linhas de Macapá Transmissora de Energia, a Starboard afirmou ser gestora de fundos que investem na Gemini. "As companhias 3R e Gemini, e os FIPs geridos pela Starboard, são negócios diferentes e legalmente segregados, inclusive na composição acionária", diz a nota. Na nota, a Starboard diz ainda que "desde que começou a gerir a LMTE, em dezembro de 2019, a Gemini Energy após sua troca de controle, realizou investimentos relevantes nos ativos, na revisão de processos, instalações e métodos de trabalho, com governança e o objetivo de aprimorar a eficiência e a qualidade do serviço prestado, cumprindo os requisitos regulatórios do setor de transmissão de energia". Em relação ao acidente na subestação Macapá, ocorrido no dia 3 de novembro, acrescentou "a companhia trabalhou ininterruptamente para restabelecer o que lhe cabe como concessionária transmissora de energia e, sem poupar recursos financeiros ou humanos, conseguiu retomar a transmissão no Amapá em um menor prazo possível". Já a Petrobras afirmou que a sistemática de desinvestimento adotada pela companhia prevê minuciosa avaliação de integridade e capacidade financeira das empresas que apresentam ofertas por seus ativos. A empresa acrescentou que os US$ 240 milhões restantes do Polo Recôncavo serão pagos no fechamento da transação, que está sujeita ao cumprimento de condições precedentes, tais como a aprovação pela ANP.

  • Bloomberg

    Inclusão da Xiaomi em lista de Trump encolhe fortuna de CEO

    (Bloomberg) -- A surpreendente inclusão da Xiaomi pelo governo Trump na lista de empresas com proibições custou muito caro aos principais executivos.Lei Jun, CEO que cofundou a fabricante de smartphones há cerca de uma década, perdeu quase US$ 3 bilhões com a queda recorde de 10% das ações, segundo o Índice de Bilionários da Bloomberg. Lin Bin, vice-presidente da empresa, perdeu US$ 1,5 bilhão, e a fortuna de pelo menos cinco outros acionistas bilionários também encolheu.Enquanto o setor de tecnologia da China era atingido pelo crescente escrutínio do país asiático e outros vetos de Trump, a Xiaomi prosperava. A empresa de Pequim superou as vendas de smartphones da Apple no terceiro trimestre e ganhou participação de mercado da Huawei Technologies, que foi prejudicada pelas sanções dos EUA. As ações da Xiaomi fecharam em alta recorde na semana passada e, em dezembro, o valor de mercado da empresa ultrapassou US$ 100 bilhões e finalmente atingiu a meta da abertura de capital em 2018.Mas a mais recente investida do governo Trump em seus dias finais rapidamente levou a empresa abaixo daquele nível. A mudança surpreendeu investidores, porque as proibições anteriores se concentraram em empresas chinesas com laços militares e valor estratégico para o crescimento do setor de tecnologia. A Xiaomi disse que não pertence e nem é controlada por militares da China.Lei, dono de mais de 25% da Xiaomi, agora tem fortuna de US$ 28,2 bilhões em comparação a US$ 33,2 bilhões quando as ações atingiram uma máxima na semana passada, enquanto o patrimônio de Lin soma US$ 10,1 bilhões. Lei começou o ano como o quarto magnata de tecnologia mais rico da China, logo atrás de Jack Ma, cuja fortuna diminuiu cerca de US$ 10 bilhões desde o final de outubro em meio ao maior escrutínio do governo sobre seu império.For more articles like this, please visit us at bloomberg.comSubscribe now to stay ahead with the most trusted business news source.©2021 Bloomberg L.P.

  • Canaltech

    Crítica | Lixo Extraordinário e a realidade por trás da obra milionária

    Chegou à Netflix o documentário Lixo Extraordinário, focado no trabalho do fotógrafo e artista plástico Vik Muniz e que foi pensado como uma jogada comercial focada no exterior do início ao fim, mas dá voz a uma população por trás de todo o processo artístico