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    Operação contra desvios na saúde mira governador do Pará, Helder Barbalho

    SÃO PAULO, SP, E PORTO ALEGRE, RS (FOLHAPRESS) - A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira (29) uma operação que investiga supostos desvios de dinheiro público em contratos na área da saúde, que somam R$ 1,2 bilhão. Um dos alvos é o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB). Ao menos quatro integrantes de seu governo foram presos. Apesar de ser um dos investigados, não há mandado de prisão contra Barbalho. Procurado, o governo afirmou, em nota, que “apoia, como sempre, qualquer investigação que busque a proteção do erário público”. O governo não comentou as prisões. Os doze contratos sob suspeita abrangem o período de agosto de 2019 e maio de 2020, incluindo ações de combate à Covid-19. Do total de R$ 1,2 bilhão, segundo a Controladoria-Geral da União (CGU), já foram pagos R$ 310 milhões. Os acordos entre governo e organizações sociais previam ações como administração de hospitais públicos do Pará, incluindo os hospitais de campanha montados durante a pandemia do novo coronavírus. A CGU afirma que o Pará recebeu R$ 829 milhões repassados pelo SUS em 2020, cerca da metade destinada especificamente para o combate à Covid-19. “A má aplicação desses recursos, em um momento tão delicado como o atual, é extremamente prejudicial para a sociedade, que já está sendo bastante afetada pelos efeitos da pandemia”, afirma o órgão sobre a operação Segundo a PF, a ação “visa desarticular organização criminosa”. Ainda de acordo com a polícia, além de Helder Barbalho, são investigados “empresários, o operador financeiro do grupo e integrantes da cúpula do governo do Pará”. Entre os crimes investigados, estão fraudes em licitações, falsidade ideológica, corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Entre os investigados presos nesta manhã, estão Parsifal de Jesus Pontes, atual secretário do Sedeme (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia), Antonio de Pádua de Deus Andrade, secretário do Transporte do Estado do Pará, Peter Cassol Silveira, ex-secretário-adjunto do SESPA (Secretaria de Saúde do Estado do Pará), e Leonardo Maia Nascimento, assessor da Casa Civil. A reportagem não conseguiu contato com suas defesas. ESQUEMA COM EMPRESÁRIOS As operações foram autorizadas pelo ministro Francisco Falcão, do STJ (Superior Tribunal de Justiça) a pedido da subprocuradora-geral da República Lindôra Araújo, após representação da Polícia Federal. Na decisão, o ministro afirma que o contexto da pandemia intensificou a atuação da organização criminosa, que passou a formalizar novos contratos com organizações sociais para instalação e gestão de hospitais de campanha na capital e em diversos municípios do interior do Pará. Em um decreto estadual assinado pelo governador Helder Barbalho, foi autorizada a realização de contratações emergenciais de organizações sociais com dispensa de chamamento público, possibilitando o direcionamento para organizações integrantes do esquema criminoso. No pedido feito ao STJ, os investigadores indicam que "o governador do estado do Pará, Helder Barbalho, tratava previamente com empresários e com o então chefe da Casa Civil sobre assuntos relacionados aos procedimentos licitatórios que, supostamente, seriam loteados, direcionados, fraudados, superfaturados, praticando prévio ajuste de condutas com integrantes do esquema criminoso e, possivelmente, exercendo função de liderança na organização criminosa, com provável comando e controle da cadeia delitiva, dado que as decisões importantes acerca dos rumos da organização criminosa lhe pertenciam". OUTROS ESTADOS Simultaneamente à operação da PF, a Polícia Civil de São Paulo deflagrou a operação Raio-X, que cumpre ao menos 66 mandados de prisão e 275 de busca de apreensão em cinco estados (Paraná, São Paulo, Pará, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul) mirando grupos suspeitos de fraude na contratação de organizações sociais. A operação mira uma associação criminosa que teria desviado milhões de reais destinados à saúde, mediante celebração de contratos de gestão em diversos municípios de São Paulo, por meio de organizações sociais. O esquema de corrupção envolve agentes públicos, empresários e profissionais liberais. Mandados de busca são cumpridos em salas da Câmara Municipal de São Paulo e da secretaria estadual de Saúde. Segundo a TV Globo, na Câmara, o alvo é um funcionário de um vereador. Já no Paraná, a Polícia Civil cumpre, em apoio à Polícia Civil de São Paulo, 24 ordens judiciais, sendo nove mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão, em Curitiba e na região de Londrina. Na operação, chamada de S.O.S., a PF cumpre 12 mandados de prisão temporária e 41 mandados de busca e apreensão expedidos pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça). Além disso, há 64 mandados de prisão temporária e 237 mandados de busca e apreensão expedidos pelos Juízos das Varas de Birigui e Penápolis, no interior de São Paulo. INVESTIGAÇÃO NO RIO AFASTOU GOVERNADOR O governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel foi afastado no mês passado após ter sido suspeito de partiticipar de esquema de desvios de recursos públicos que seriam destinados ao combate à pandemia do novo coronavírus. No início de setembro, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) decidiu manter o afastamento dele por seis meses. Com a decisão, o vice-governador Cláudio Castro (PSC), que também é investigado e tem se aproximado da família Bolsonaro, seguirá no comando do Rio de Janeiro. Ele disse reafirmar "o seu compromisso de conduzir o estado" com "serenidade, diálogo e austeridade" e defendeu o direito de defesa de Witzel. Em rede social, o governador afastado disse respeitar a decisão do STJ. "Compreendo a conduta dos magistrados diante da gravidade dos fatos apresentados. Mas reafirmo que jamais cometi atos ilícitos", afirmou. "Não recebi qualquer valor desviado dos cofres públicos, o que foi comprovado na busca e apreensão. Continuarei trabalhando na minha defesa para demonstrar a verdade e tenho plena confiança em um julgamento justo", disse Witzel, que desejou a Castro "serenidade para conduzir os trabalhos que iniciamos juntos".

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    Operação contra desvios na saúde mira governador do Pará, Helder Barbalho; 5 estados são alvo de buscas

    SÃO PAULO, SP, E PORTO ALEGRE, RS (FOLHAPRESS) - A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta terça-feira (29) uma operação que investiga supostos desvios de dinheiro público em contratos na área da saúde, que somam R$ 1,2 bilhão. Um dos alvos é o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB). Ao menos quatro integrantes de seu governo foram presos. Apesar de ser um dos investigados, não há mandado de prisão contra Barbalho. Procurado, o governo afirmou, em nota, que “apoia, como sempre, qualquer investigação que busque a proteção do erário público”. O governo não comentou as prisões. Os doze contratos sob suspeita abrangem o período de agosto de 2019 e maio de 2020, incluindo ações de combate à Covid-19. Do total de R$ 1,2 bilhão, segundo a Controladoria-Geral da União (CGU), já foram pagos R$ 310 milhões. Os acordos entre governo e organizações sociais previam ações como administração de hospitais públicos do Pará, incluindo os hospitais de campanha montados durante a pandemia do novo coronavírus. A CGU afirma que o Pará recebeu R$ 829 milhões repassados pelo SUS em 2020, cerca da metade destinada especificamente para o combate à Covid-19. “A má aplicação desses recursos, em um momento tão delicado como o atual, é extremamente prejudicial para a sociedade, que já está sendo bastante afetada pelos efeitos da pandemia”, afirma o órgão sobre a operação. Segundo a PF, a ação “visa desarticular organização criminosa”. Ainda de acordo com a polícia, além de Helder Barbalho, são investigados “empresários, o operador financeiro do grupo e integrantes da cúpula do governo do Pará”. Entre os crimes investigados, estão fraudes em licitações, falsidade ideológica, corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Entre os investigados presos nesta manhã, estão Parsifal de Jesus Pontes, atual secretário do Sedeme (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia), Antonio de Pádua de Deus Andrade, secretário do Transporte do Estado do Pará, Peter Cassol Silveira, ex-secretário-adjunto do SESPA (Secretaria de Saúde do Estado do Pará), e Leonardo Maia Nascimento, assessor da Casa Civil. A reportagem não conseguiu contato com suas defesas. ESQUEMA COM EMPRESÁRIOS As operações foram autorizadas pelo ministro Francisco Falcão, do STJ (Superior Tribunal de Justiça) a pedido da subprocuradora-geral da República Lindôra Araújo, após representação da Polícia Federal. Na decisão, o ministro afirma que o contexto da pandemia intensificou a atuação da organização criminosa, que passou a formalizar novos contratos com organizações sociais para instalação e gestão de hospitais de campanha na capital e em diversos municípios do interior do Pará. Em um decreto estadual assinado pelo governador Helder Barbalho, foi autorizada a realização de contratações emergenciais de organizações sociais com dispensa de chamamento público, possibilitando o direcionamento para organizações integrantes do esquema criminoso. No pedido feito ao STJ, os investigadores indicam que "o governador do estado do Pará, Helder Barbalho, tratava previamente com empresários e com o então chefe da Casa Civil sobre assuntos relacionados aos procedimentos licitatórios que, supostamente, seriam loteados, direcionados, fraudados, superfaturados, praticando prévio ajuste de condutas com integrantes do esquema criminoso e, possivelmente, exercendo função de liderança na organização criminosa, com provável comando e controle da cadeia delitiva, dado que as decisões importantes acerca dos rumos da organização criminosa lhe pertenciam". OUTROS ESTADOS Simultaneamente à operação da PF, a Polícia Civil de São Paulo deflagrou a operação Raio-X, que cumpre ao menos 66 mandados de prisão e 275 de busca de apreensão em cinco estados (Paraná, São Paulo, Pará, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul) mirando grupos suspeitos de fraude na contratação de organizações sociais. A operação mira uma associação criminosa que teria desviado milhões de reais destinados à saúde, mediante celebração de contratos de gestão em diversos municípios de São Paulo, por meio de organizações sociais. O esquema de corrupção envolve agentes públicos, empresários e profissionais liberais. Mandados de busca são cumpridos em salas da Câmara Municipal de São Paulo e da secretaria estadual de Saúde. Segundo a TV Globo, na Câmara, o alvo é um funcionário de um vereador. Já no Paraná, a Polícia Civil cumpre, em apoio à Polícia Civil de São Paulo, 24 ordens judiciais, sendo nove mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão, em Curitiba e na região de Londrina. Na operação, chamada de S.O.S., a PF cumpre 12 mandados de prisão temporária e 41 mandados de busca e apreensão expedidos pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça). Além disso, há 64 mandados de prisão temporária e 237 mandados de busca e apreensão expedidos pelos Juízos das Varas de Birigui e Penápolis, no interior de São Paulo. INVESTIGAÇÃO NO RIO AFASTOU GOVERNADOR O governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel foi afastado no mês passado após ter sido suspeito de participar de esquema de desvios de recursos públicos que seriam destinados ao combate à pandemia do novo coronavírus. No início de setembro, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) decidiu manter o afastamento dele por seis meses. Com a decisão, o vice-governador Cláudio Castro (PSC), que também é investigado e tem se aproximado da família Bolsonaro, seguirá no comando do Rio de Janeiro. Ele disse reafirmar "o seu compromisso de conduzir o estado" com "serenidade, diálogo e austeridade" e defendeu o direito de defesa de Witzel. Em rede social, o governador afastado disse respeitar a decisão do STJ. "Compreendo a conduta dos magistrados diante da gravidade dos fatos apresentados. Mas reafirmo que jamais cometi atos ilícitos", afirmou. "Não recebi qualquer valor desviado dos cofres públicos, o que foi comprovado na busca e apreensão. Continuarei trabalhando na minha defesa para demonstrar a verdade e tenho plena confiança em um julgamento justo", disse Witzel, que desejou a Castro "serenidade para conduzir os trabalhos que iniciamos juntos".

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    PF faz buscas no gabinete de Helder Barbalho, prende secretários do Pará e mira contratos na Saúde de R$ 1,2 bilhão 

    RIO, BRASÍLIA e SÃO PAULO- A Polícia Federal realiza, na manhã desta terça-feira, a operação S.O.S,...

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    Avião com corregedor da Câmara faz pouso forçado no Pará

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um avião monomotor que transportava o corregedor da Câmara, deputado Paulo Bengtson (PTB-BA), precisou fazer um pouso forçado na tarde desta segunda-feira (14) em Anapu (PA). A aeronave saiu de Belém por volta das 15h em direção a Altamira, onde o deputado participaria de uma convenção partidária. Segundo ele, a parada em Anapu estava prevista para contatos políticos, mas o avião apresentou problemas e foi preciso fazer um pouso forçado. A aeronave saiu da pista do aeroporto local e foi parar em uma mata ao lado. Bengtson viajava acompanhado de uma funcionária da Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado do Pará, além do piloto e do copiloto. Todos sofreram apenas ferimentos leves. "O avião quebrou bastante, mas tivemos, graças a Deus, vitória", ele disse em vídeo gravado após o acidente. "O susto foi grande, mas nada de grave aconteceu. Tivemos ferimentos leves e estamos todos bem". Apesar do acidente, Bengtson seguiu para Altamira em outro avião para participar do compromisso político. Ele disse para a imprensa do Pará que o avião acidentado é dele e está com a documentação em ordem. O corregedor foi o responsável por entregar, na semana passada, uma notificação de denúncia para a deputada Flordelis (PSD-RJ), apontada pela Polícia Civl do Rio como a mandante do assassinato do marido, o pastor Anderson do Carmo, 42.

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    Fafá de Belém no 'Encontro': “Nunca tive um corpo formal, mas sempre gostei dele”

    Cantora disse ainda que resolveu assumir os cabelos brancos durante a pandemia: "Tinha preguiça de pintar".

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    Criança morre no Pará vítima de descarga elétrica pelo celular

    BELÉM, PA (FOLHAPRESS) - Um menino de 11 anos morreu após sofrer uma descarga elétrica enquanto carregava o celular. No momento do acidente chovia bastante na região. O caso ocorreu, em Santarém (PA), no último domingo (23). Matheus Macedo Campos chegou a ser socorrido e levado a um hospital municipal, mas não resistiu a uma parada cardiorrespiratória. Segundo a avó, o menino tinha voltado na chuva da casa da tia para almoçar. Chegando na casa dos pais, ele ligou o celular pra carregar em uma extensão e deitou no chão em cima de uma toalha molhada que usou para se enxugar. "Foi tudo muito rápido. Ele e o irmão de cinco anos estavam jogando no celular. O próprio Matheus pediu pro irmão se afastar em um momento. Foi quando teve uma queda de energia e a tomada entrou em curto circuito. Ele levou o choque na hora. Se o irmão não tivesse saído de perto dele também teria morrido", contou a avó Maria Raimunda Campos Brito. Os familiares correram pra levar o menino até o hospital. A vítima ainda chegou a ser reanimada por uma equipe do SAMU, mas não resistiu e morreu. "É uma tragédia. Meu neto estava só brincando no celular. Nunca imaginamos que isso pudesse acontecer. Não deixem seus filhos usarem o celular enquanto estiver ligado na tomada. É muito perigoso", diz a avó. O caso chama atenção para o uso de celulares ligados a rede de energia. Dados da Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel) revelam que, em 2019, foram registrados 909 acidentes com a rede elétrica - sendo 697 óbitos por choques. De 2018 para 2019, o aumento no número de acidentes de origem elétrica foi de 16,71%. No ano passado, o Nordeste liderou o número de mortes por choques elétricos (287) no país. O Sudeste ficou em segundo (142), e o Norte em terceiro (86), sendo que o Pará foi o estado da região com o maior número de vítimas fatais (27). Segundo dados da Abracopel, os acidentes domésticos vem registrando um aumento crescente no número de mortes por choques elétricos no país. Em 2019, o uso do carregador do celular registrou o maior número de acidentes por choques elétricos em moradias, com 15 vítimas fatais. O Brasil é o líder em incidência de raios no mundo, com cerca de 77,8 milhões de descargas para o solo a cada ano. Levantamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Elat-Inpe) mostra que de 2000 a 2019, no Pará, o número de mortes relacionados a incidência de raios chegou a 162 óbitos. Especialistas alertam que o uso de equipamentos, como o celular, ligados à rede elétrica durante tempestades pode ser uma combinação fatal. "Se você está dentro de casa em contato com algum objeto ligado à rede elétrico ou até mesmo telefônica e cai um raio na região, ele induz corrente nos fios que chegam até a tomada. As chances de você receber uma descarga elétrica são grandes. Por isso é extremamente arriscado e perigoso falar ao celular ou utilizar o aparelho ligado na rede elétrica quando estiver chovendo", afirma o engenheiro e coordenador do Grupo de Eletricidade Atmosférica do Elat-Inpe, Dr. Osmar Pinto Jr. O coordenador do Elat-Inpe avalia ainda que a negligência ou falta de informação pode levar a um número cada vez maior de mortes por choques elétricos. "Durante uma tempestade tem raios que são 100 vezes mais intensos do que outros, com correntes que podem variar de 2.000A até 300.000A. Logo, quando um raio cai próximo a uma rede elétrica, a intensidade da corrente que circula na fiação pode ser muito alta. O melhor é nunca utilizar nenhum equipamento ligado à rede elétrica durante uma tempestade, porque essa pode ser uma combinação extremamente fatal", diz o especialista.

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    Justiça determina retirada de bloqueio de indígenas no Pará e fixa multa diária de R$ 10 mil

    MANAUS, AM (FOLHAPRESS) - A Justiça Federal determinou a retirada pela Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal (PRF) do bloqueio montado por indígenas Kayapó na rodovia BR-163, no município de Novo Progresso (PA), e estipulou multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento. A estrada foi mantida bloqueada por mais de 24 horas entre a manhã de segunda-feira (17) e desta terça (18), em protesto contra a falta recursos para o combate ao desmatamento ilegal, a invasão de madeireiros, garimpeiros, pescadores e caçadores e a falta de apoio no enfrentamento à pandemia de Covid-19 nas Terras Indígenas (TIs) Baú e Mekragnotire, onde vive o povo Kayapó Mekragnotire. Apesar de ainda não terem sido notificados da decisão da juíza federal Sandra Maria Correia da Silva, da comarca de Itaituba (PA), os indígenas decidiram liberar o tráfego temporariamente no final da manhã desta terça, mas permanecem no local e podem voltar a fechar a rodovia a qualquer momento. O bloqueio provocou mais de 15 quilômetros de filas de veículos —a maioria carretas— na principal rodovia de escoamento da produção de grãos do Centro-Oeste para os portos de Miritituba e Santarém. Apenas ambulâncias estavam sendo autorizadas a passar pelo grupo de cerca de 100 indígenas, que fechou a estrada com barricadas montadas com pneus e madeira. Os indígenas também denunciam o atraso na renovação do Plano Básico Ambiental (BPA), uma das condicionantes para a concessão do licenciamento ambiental da BR-163, cujo asfaltamento foi concluído no início deste ano. O BPA prevê o repasse anual de recursos do governo federal para os Kayapó por meio do Instituto Kabu, criado e administrado pelos próprios indígenas. Com os recursos, eles mantêm programas de monitoramento geoespacial dos territórios indígenas e custeiam o funcionamento de incursões de fiscalização e de quatro bases de vigilância nas fronteiras do território. "Para a gente manter a floresta em pé a gente precisa da renovação do BPA. É um direito dos povos indígenas. Já estamos há três meses sem pagar os funcionários, e os recursos que temos só mantêm as bases de fiscalização funcionando até o fim de agosto. Em setembro vamos ter que fechar as bases, e os madeireiros e garimpeiros já estão no entorno das TIs, só esperando para entrar e destruir", disse Doto Takak-Ire, liderança da TI Mengkranoti e relações públicas do Instituto Kabu. Segundo ele, o BPA é uma compensação pelos impactos causados pela construção da BR-163 nos territórios indígenas. Com o recurso, repassado anualmente, o instituto mantém, além dos programas de fiscalização ambiental, projetos de extrativismo de castanha, de alimentação autossustentável e ainda o material de consumo do instituto, como combustível para as lanchas usadas na fiscalização. "Desde o ano passado já fizemos várias reuniões com a Funai para a renovação do BPA e recentemente recebemos a informação de que ele só vai ser renovado em 2021. Mas a proteção dos territórios não pode esperar. Quando nossos fiscais tiverem que deixar a base, a destruição vai avançar para as terras indígenas e ameaçar 6 milhões de hectares de floresta", alertou Doto, referindo-se ao território das duas TIs juntas. Atualmente, segundo o Instituto Kabu, existem 20 dragas de garimpos ilegais dentro da TI Baú, e estudos apontam a contaminação dos rios que cortam os territórios indígenas. Além disso, os indígenas temem os impactos da suspensão na fiscalização justamente no início do período de seca e diante do aumento das queimadas na região. O município de Novo Progresso registrou recordes de queimadas em 2019, após protagonizar o que ficou conhecido como "dia do fogo". De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o número de focos de calor no entorno das TIs Baú e Megkranoti aumentou 197% entre os meses de junho e julho, passando de 211 para 627. O período de maior preocupação começa em agosto e vai até o fim de outubro, lembra Doto. Outra cobrança dos Kayapó diz respeito, segundo Doto, à "promessa não cumprida" de consulta prévia aos povos indígenas no processo de concessão da Ferrogrão, ferrovia cujo traçado projetado passa a 50 km da TI Baú. "Tudo isso agravou esse problema para os Kayapó que decidiram, mesmo com a pandemia, fazer esse bloqueio. Fizemos isso pra chamar a atenção do governo", disse Doto. Horas depois, ele foi surpreendido ao ser citado como réu pela decisão de reintegração de posse emitida pela Justiça Federal. Mesmo após a notificação, ele afirmou que o grupo pretende resistir até ser ouvido pela Fundação Nacional do Índio (Funai), pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama). A reportagem acionou a Funai, Ibama e Dnit, mas não obteve resposta até a conclusão deste texto. EM MEIO À PANDEMIA Esse cenário de conflito se agrava nas TIs Baú e Mengkranoti no pior momento possível, afirma a liderança Mudjere Kayapó Mengkranoti: no início do período de seca, com tendência de aumento no número de queimadas e do desmatamento, e em meio a uma pandemia de Covid-19 que está avançando sobre as comunidades indígenas. Até segunda, 403 casos confirmados e quatro óbitos (todos anciãos) foram registrados nas duas TIs. Os óbitos, segundo Mudjere, são de indígenas da TI Baú e três deles ocorreram nas próprias aldeias. Apenas um indígena morreu no Hospital Municipal de Novo Progresso, que não possui leito de UTI. "O inimigo do índio está em todo lado e um deles é invisível, por isso estamos buscando nos proteger. A maioria dos casos e das mortes estão acontecendo nas aldeias onde vivem indígenas que são atraídos pelos garimpeiros e, quando voltam pra aldeia, acabam contaminando todo mundo. Por isso que precisamos proteger nossos territórios dos invasores", disse. Ele afirmou que os Kayapó receberam da Funai apenas 700 cestas básicas para as mais de 400 famílias que vivem nos territórios em seis meses de pandemia. Os próprios indígenas, por meio de campanhas, arrecadaram mais 200 cestas básicas, além de material de higiene e redes de pesca para garantir que não precisassem ir aos centros urbanos. Mudjere também cobrou uma estrutura de assistência médica aos indígenas, que atualmente não contam com transporte aéreo nem fluvial para a transferência para leitos de UTI em hospitais nos centros urbanos e precisam esperar até quatro dias pelo transporte terrestre. "Muitos não vão poder esperar", alerta. De acordo com o último boletim epidemiológico da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), de 15 de agosto, o número de casos confirmados de Covid-19 entre indígenas dos nove estados amazônicos chegou a 18.761, com 575 mortes em 125 povos indígenas diferentes. O Pará lidera o número de casos entre os indígenas, com 4.568, acima de Amazonas (4.287), Roraima (2.490), Maranhão (1.670) e Acre (1.522). Enquanto isso, o Amazonas lidera no número de óbitos, com 188 confirmados, mais que Mato Grosso (102), Pará (86) e Roraima (70).

  • Reuters

    BR-163 segue interditada por protesto de indígenas no Pará, diz polícia

    SÃO PAULO (Reuters) - A BR-163, importante rota de escoamento de grãos do Brasil, continuava interditada nesta terça-feira por protesto de indígenas kayapós na região de Novo Progresso (PA), disseram policiais da 5ª Delegacia da Polícia Rodoviária Federal de Santarém.Equipes da PRF estavam em tratativas com os indígenas nesta manhã para liberar de forma pacífica a BR-163, após decisão judicial sobre reintegração de posse ter sido concedida em favor da União na segunda-feira.

  • Reuters

    Indígenas bloqueiam BR-163 no Pará; Justiça determina reintegração de posse

    NOVO PROGRESSO/SÃO PAULO (Reuters) - Indígenas kayapós que vivem em terras no sudoeste do Pará mantêm desde o início da manhã desta segunda-feira um bloqueio no km 302 da BR-163, importante rota para o escoamento de grãos do Centro-Oeste, enquanto a polícia se mobiliza para cumprir uma reintegração de posse no local determinada pela Justiça Federal.Procurada, a 5ª delegacia da Polícia Rodoviária Federal (PRF) de Santarém, responsável pelo gabinete de crise que acompanha o caso, informou à Reuters que a expectativa é iniciar a desinterdição na terça-feira, entre 8h e 12h, por falta de logística para cumprir a ordem ainda nesta segunda-feira.

  • Reuters

    Vale aprova expansão de unidade de minério no Pará e investirá US$1,5 bi

    SÃO PAULO (Reuters) - A mineradora Vale informou nesta quinta-feira que seu conselho de administração aprovou a implantação do Projeto Serra Sul 120, que consiste no aumento da capacidade de produção de minério de ferro do S11D em 20 milhões de toneladas ao ano, com investimentos plurianuais de 1,5 bilhão de dólares na unidade no Pará.Segundo fato relevante, o empreendimento situado no município de Canaã dos Carajás passará a ter capacidade de produção de 120 milhões de toneladas de minério ao ano, e o "start-up" é esperado para o primeiro semestre de 2024.

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