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Ribeirão Preto | Últimas notícias do interior de SP

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    Jaboticabal encara campanha com falta de água e transporte

    JABOTICABAL, SP (FOLHAPRESS) - De longe, a imagem chama a atenção, mas não por ser algo positivo. Ao lado da nova estação de tratamento de Jaboticabal, uma caixa-d'água torta ganhou a alcunha de Torre de Pisa e passou a simbolizar um problema do município paulista, a falta de água. Mas a caixa-d'água, que entortou em julho após a inauguração da estação de tratamento, é só a parte mais visível de um problema histórico na cidade da região de Ribeirão Preto, que é a falta da água em boa parte dos bairros, situação que se torna mais grave em meio à pandemia do novo coronavírus. O assunto virou tema de discussão dos candidatos à prefeitura na eleição deste ano, assim como a ausência do transporte coletivo, que deixou de ser oferecido à população há mais de quatro meses. Conhecida como Athenas Paulista, mas também já chamada de Cidade das Rosas e de Cidade da Música, Jaboticabal terá cobertura completa da Folha durante as eleições municipais deste ano. Uma campanha que promete ser parelha, problemas estruturais e a atuação restrita da imprensa profissional são alguns dos ingredientes que tornam interessante a cobertura jornalística nessa cidade de 77 mil habitantes. Jaboticabal, ao contrário do que já ocorre em outras localidades menores, não tem uma TV (comunitária ou educativa) para a transmissão do horário eleitoral gratuito, o que faz com que a campanha seja diferente das disputas dos grandes centros. Os candidatos, e a própria dinâmica local, serão acompanhados diariamente pelo jornal, assim como ocorre nas eleições em grandes centros, como São Paulo e Rio de Janeiro. Além dos ingredientes políticos colocados na disputa deste ano, Jaboticabal foi escolhida pela Folha por ser uma cidade com forte peso educacional, com quatro universidades ou centros universitários, e também se destacar economicamente na agricultura e nas indústrias de alimentação e cerâmica. Mas o que levou a cidade à situação de não ter água em tempo integral? Desperdício na rede é um dos motivos. A estimativa é que 40% da produção de água seja desperdiçada antes de chegar às casas dos moradores, composta muitas vezes por encanamentos antigos, de amianto. "O problema não é a falta de água, mas a distribuição. A produção é para uma população de 100 mil pessoas, mas temos 80 mil e falta água", disse o candidato à prefeitura João Roberto da Silva (DEM). Emerson Camargo (Patriota), que tenta pela terceira vez chegar ao posto, propõe que se use o conhecimento local da Unesp (Universidade Estadual Paulista) para estudos que tratem de manejo de recursos hídricos e proteção de bacias, entre outros pontos, para solucionar a questão. "Desde a criação do Saaej [autarquia de água e esgoto] ele teve reformas conjunturais, não estruturais, e a irresponsabilidade governamental gerou o problema de hoje parte da cidade ter água e outra parte não ter", disse. Atual vice-prefeito, Vitorio de Simoni (MDB) defende que até no máximo 2023 o problema tenha sido resolvido com a construção de poços profundos na cidade. "Não há outra possibilidade. A construção de poços é o que deve ser feito." Hoje, cerca de 70% da captação é feita no córrego Rico, enquanto o restante é proveniente de poços artesianos, com captação no aquífero Guarani --um dos maiores mananciais de água doce subterrânea do mundo. Marcos Bolsonaro (PSL), por sua vez, disse que a falta d'água é um dos problemas históricos da cidade, assim como o transporte coletivo. "De longas datas, heranças de gestões passadas que não priorizaram em seus planos e ajustes nos orçamentos para que investimentos pudessem ser implementados nos pontos críticos." Os ônibus não estão circulando na cidade porque a prefeitura rompeu o contrato com a empresa permissionária e não conseguiu fazer um novo ou colocar ônibus próprios nas ruas. Ela alega que a pandemia atrapalhou. Com isso, as paradas de ônibus espalhadas por toda a cidade estão servindo apenas como abrigos para os moradores descansarem, especialmente na região central. "Foram cometidos muitos erros no transporte coletivo e no abastecimento de água, como a caixa-d'água quase caindo. Ela não se inclinou à toa, mas por terem feito obra correndo [da estação de tratamento, ao lado]", disse o candidato José Giácomo Baccarin (PT). Segundo ele, faltou planejamento também quando a prefeitura não conseguiu colocar os ônibus de volta às ruas. A prefeitura diz que fará licitação para retomar o transporte o quanto antes. O prefeito José Carlos Hori (Cidadania) afirmou que a intenção é não cobrar mais tarifa na cidade e que, quando ia implantar o sistema, a pandemia da Covid-19 impediu que fosse feita a licitação. "Vou alugar ônibus com motorista e combustível, contratar 9 ou 10 veículos. No início, acho que por questão de ser ano eleitoral, não poderei dar [tarifa] zero. Então teria tarifa no início e seria de graça após a eleição", disse. O prefeito, em seu terceiro mandato e que não irá disputar a reeleição, não anunciou apoio a nenhum dos candidatos. Candidatos à prefeitura, porém, estimam que, ainda que a licitação saia do papel, o transporte coletivo dificilmente será retomado neste ano. Sobre a água, Hori afirmou que construiu a maior estação de tratamento do interior, compacta, para substituir a antiga, que tinha 58 anos, mas que avanços recentes na administração não aparecem devido à pandemia da Covid-19. A caixa-d'água torta foi esvaziada por segurança pela empresa local de água e esgoto. Ela, segundo funcionários, era usada para atender serviços internos da própria autarquia, que está orçando o custo para os reparos necessários.

  • Folhapress

    Eleição em Jaboticabal tem primo de Bolsonaro e base de prefeito rachada

    JABOTICABAL, SP (FOLHAPRESS) - O prefeito desistiu de disputar a reeleição, a base do governo rachou em dois, um primo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) entrou na disputa, e o PT, após quatro derrotas seguidas, tenta retomar a prefeitura. Esse é o cenário da eleição em Jaboticabal, município a 342 km de São Paulo que reflete, em menor escala, a dinâmica da política nacional. Críticas ao PT e à inexperiência política de Bolsonaro, mudanças para partidos de perfis antagônicos e megacoligações fazem parte do cardápio eleitoral deste ano na cidade da região de Ribeirão Preto, que terá, pela primeira vez em 16 anos, a ausência direta do atual prefeito, José Carlos Hori (Cidadania), 58. Condenado administrativamente por uma obra ainda no primeiro de seus três mandatos, Hori desistiu de concorrer à reeleição neste ano. Ele diz ter entendido o recado das urnas na última eleição, quando conquistou a cadeira com apenas 276 votos de vantagem em relação a Emerson Camargo (Patriota), que está novamente na disputa. O principal motivo da desistência, porém, é a quase certeza de que seria barrado pela Lei da Ficha Limpa. Quem, então, o prefeito que governou Jaboticabal de 2005 a 2012, fez o sucessor no mandato seguinte e está no cargo desde 2017 vai apoiar agora? Ninguém, segundo ele. O vice, Vitorio de Simoni (MDB), 46, passou pela convenção do partido, é filho de um ex-prefeito (Adail de Simoni, que governou a cidade de 1993 a 1996) e é pré-candidato com o apoio de outras quatro legendas. "De um ano para cá houve muitas reuniões, mas por falta de convergência de ideias e ideologias não houve união [com outros nomes do grupo político do prefeito]", diz Vitorio. Ele considera sua chapa a única de centro-direita, enquanto os outros rivais, exceto o primo de Bolsonaro, representariam a esquerda. Também oriundo do governo, o ex-secretário da Saúde João Roberto da Silva, 56, vai disputar a prefeitura pelo DEM, após ter sido, até 2019, presidente do PT local. Ele terá Claudio Almeida (PSDB), ex-titular de Finanças, como vice, numa coligação que tem seis siglas no total. "Por ética, me desliguei do PT quando o prefeito me convidou para ser secretário. Minha filiação [ao DEM] foi uma construção política que fizemos depois", diz João Roberto. A chapa de Emerson, professor e que tentará pela terceira vez chegar à prefeitura, é composta por outras seis legendas e tem 7 dos atuais 13 vereadores. Em 2016, ficou apenas 276 votos atrás de Hori. Entre as metas que destaca estão reduzir a máquina pública e explorar a economia criativa, para aproveitar o potencial da cidade. Alheios às grandes coligações e ao apoio governamental, mas em posições completamente opostas, PT e PSL entram na disputa com um ex-prefeito e com um primo do presidente da República. O petista José Giácomo Baccarin, prefeito de 1989 a 1993, disputa o cargo pela terceira vez, enquanto Marcos Borsonaro estreia na política tendo como vice um coronel da reserva da PM, união que reproduz localmente a chapa de Bolsonaro com Hamilton Mourão, general do Exército. Baccarin disse que sua campanha será baseada no acúmulo de experiência que tem em cargos executivos --além de prefeito, ele foi secretário nacional de segurança alimentar no primeiro governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). "Apostamos no conteúdo, precisamos de recuperação econômica em nível municipal, e de solidariedade." Já Borsonaro é com a letra R mesmo, que ele alega ser erro de cartório. Ele diz ser primo distante do presidente da República e vai adotar nas urnas Marcos Bolsonaro, com L. Ele não se coligou a nenhum partido e diz que o PSL tem lutado na cidade por um novo modelo de política, sem "contaminação". "Fomos sondados, mas como orientação em âmbito nacional a prioridade foi para uma candidatura com chapa única, com candidatos sem vícios políticos." As propostas são variadas, mas independentemente delas, o prefeito Hori disse que o seu sucessor herdará, além dos reflexos da pandemia, uma crise hídrica. "O próximo governante vai ter de ser muito comprometido, sério, disciplinado. Não vai ser para qualquer um." Político que mais governou a cidade em sua história, Hori foi eleito em 2016 com 36,85% dos votos, só 0,78 ponto percentual à frente de Emerson. A pequena diferença foi um sinal, segundo ele, de que a cidade naquele momento já queria mudanças. Mas também pesa uma condenação e a perda dos direitos políticos por três anos devido a uma contratação irregular, ainda em seu primeiro mandato, de uma obra de asfaltamento de uma vicinal com dispensa de licitação. "Chamo [a decisão de não disputar] de pé no chão, de ver o povo começando a ficar cansado de um cara há 20 anos na política. O respeito na rua é grande, mas há quase uma saturação. Muitos me acham bonzinho, mas já fui bom, já fui melhor [risos]", afirma. "Esse é meu termômetro pessoal. Posso ser [candidato], mas dependendo, quando a condenação sair, posso perder o direito. Como fui condenado antes da eleição, tenho certeza que a Justiça não deixaria ficar. Mas não vou disputar mesmo por cansaço."

  • Folhapress

    Uma semana após rebaixamento, Ribeirão Preto mantém bares, academias e salões abertos

    RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - Última sexta-feira (4). O governo estadual anuncia o rebaixamento da região de Ribeirão Preto para a fase laranja do plano de reabertura das atividades, a segunda mais restritiva, após constatar aumento de 48% no número de mortes provocadas pelo novo coronavírus em relação à semana anterior. Foi o que bastou para gerar uma insurreição do prefeito Duarte Nogueira (PSDB), aliado do governador João Doria, também tucano, que fez pedidos de revisão, um já negado, e foi à Justiça para manter setores como comércio e serviços —pilares da economia local— na fase amarela. Essa fase do plano permite a abertura de bares, salões de beleza e academias, o que não é possível na laranja. Na terça-feira (8), após receber a informação da rejeição do primeiro pedido de manutenção na zona amarela, Nogueira anunciou que não publicaria novo decreto com medidas mais restritivas e que manteria a cidade funcionando conforme a fase amarela, como já estava desde quatro dias antes. Passados seis dias da decisão estadual, nenhum setor segue a fase laranja na cidade. “Não há obrigação, no nosso entendimento, de fazê-lo [novo decreto] nesse instante, [enquanto estamos] aguardando recurso administrativo e judicial”, disse o prefeito. A prefeitura argumenta que a avaliação do estado que rebaixou a região toda foi feita com base na data de morte dos pacientes que contraíram a Covid-19, e não com a data de infecção. Isso, na avaliação da prefeitura, faz com que não se reflita o cenário atual da pandemia. O governo alega também que houve represamento de dados que, quando lançados de uma vez no sistema, geraram um aumento irreal no índice de mortalidade. A medida, nesta quarta, passou a ser tomada por outras cidades da região, como Batatais, que anunciou a abertura dos setores seguindo a fase amarela, até que o pedido seja analisado pelo estado. Nogueira afirmou que a transmissão do vírus está menor em setembro, que o número de mortes recuou e que a positividade dos testes também retrocedeu. Enquanto em junho e julho mais de 60% dos exames feitos confirmavam diagnóstico da Covid-19, atualmente o índice está em cerca de 40%. “Vamos defender até o último instante a manutenção na fase amarela, não por questão de desejo, mas de justiça, coerência, lógica, ciência, saúde pública e bom senso”, disse ele. Após o anúncio do prefeito, a Acirp (Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto) divulgou dois comunicados, nos quais lamenta a decisão do governo estadual de deixar a cidade na fase laranja e orienta os comerciantes sobre os protocolos a serem seguidos na fase amarela. “A entidade se solidariza e parabeniza a Prefeitura de Ribeirão Preto por todo empenho em fazer o município permanecer na fase do Plano São Paulo em que se encontra, mantendo as atividades e os estabelecimentos em pleno funcionamento”, diz trecho de um dos comunicados. Conforme a associação, em virtude do novo pedido de revisão, os comerciantes devem seguir até sexta-feira os protocolos da fase amarela, que permitem a abertura do comércio oito horas por dia. O Sincovarp (Sindicato do Comércio Varejista de Ribeirão Preto) e a CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) também informaram seus associados de que podem abrir os estabelecimentos conforme a fase amarela, que permite o funcionamento do comércio de segunda a sábado, das 9h às 17h, com limitação de 40% da capacidade do local. O secretário do Desenvolvimento Regional de São Paulo, Marco Vinholi, disse que a regra é de fase laranja para a região de Ribeirão Preto e que ela deveria ser seguida pelos municípios. “É questão de saúde pública e o governo recomenda que possam seguir essa fase laranja, que foi delimitada pelo risco que tem de contágio”, afirmou. ​Segundo ele, o primeiro pedido de Ribeirão foi negado pelo centro de contingência na terça-feira e a nova ponderação feita por Nogueira será avaliada. “O fundamental é que haja união para combate ao coronavírus, para termos melhora dos indicadores”, disse. Nesta quarta-feira (9) à noite, Ribeirão tinha 155 pessoas internadas em leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) exclusivos para Covid-19, o que representa ocupação de 70,45% dos 220 leitos disponíveis. Outras 159 pessoas estavam internadas em enfermarias de hospitais públicos e privados, ou 63,86% dos 249 leitos existentes. Desde o início da pandemia, a cidade de 711 mil habitantes contabiliza 23.427 casos confirmados do novo coronavírus, com 622 mortes. Após o ápice em julho, com 233 óbitos, o total recuou para 103, em agosto, e 2, em setembro, conforme a Secretaria da Saúde de Ribeirão. A letalidade é de 2,7%. Nogueira, que no fim de semana confirmou que tentará a reeleição em novembro, tem sido alvo de críticas de oposicionistas devido ao fechamento de leitos de UTI destinados a pacientes com Covid-19 na cidade. Ribeirão chegou a ter 250 vagas disponíveis, ante as 220 atuais. A prefeitura argumentou que o fechamento foi feito em hospitais privados, devido à redução da necessidade, e que o governo local não tem ingerência sobre a rede particular. Afirmou ainda que ninguém ficou sem atendimento na cidade, nem mesmo quando a ocupação de UTIs chegou a 99,4%, em julho. Em todo o estado, somente as regiões de Ribeirão Preto e Franca estão inseridas, conforme o plano São Paulo, na fase laranja. Todas as demais estão na amarela.

  • Folhapress

    Após ser rebaixada, Ribeirão Preto vai à Justiça para manter bares, academias e salões abertos

    RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - Após ter sido rebaixada à fase laranja do plano São Paulo, a segunda mais restritiva no plano de reabertura das atividades econômicas, Ribeirão Preto vai à Justiça para tentar ser mantida na fase amarela, o que permitiria a abertura de bares e restaurantes. O anúncio de que a cidade e outros 25 municípios que fazem parte do mesmo DRS (Departamento Regional de Saúde) recuaram para a fase laranja foi feito em entrevista no Palácio dos Bandeirantes no início da tarde desta sexta-feira (4). O rebaixamento, que ocorre após a cidade ficar um mês na fase amarela, ocorreu devido à evolução do total de mortes provocadas pelo novo coronavírus, cujo índice alcançou 1,48. Isso significa que elas cresceram 48% em uma semana, em comparação à semana anterior. Mas, segundo o prefeito de Ribeirão Preto, Duarte Nogueira (PSDB), esse crescimento não é real. Ele afirma que os dados estavam represados e, quando lançados no sistema, causaram um aumento irreal para o período. Em entrevista à imprensa no fim da tarde desta sexta, o prefeito, aliado do governador João Doria (PSDB), disse que vai adotar duas estratégias para tentar reverter a decisão: um pedido de revisão feito ao governo paulista e a judicialização do tema. "Não deixamos ninguém para trás. Nem mesmo em julho, quando atingimos 99,4% de ocupação de UTI, não ficou ninguém sem atendimento. Queremos permanecer naquela [fase] que de fato a coerência nos coloca. Não por desejarmos estar, mas pelos critérios técnico, científico, lógico e objetivo", afirmou Nogueira. A judicialização está sendo feita, conforme ele, "para que a Justiça possa nos fazer justiça". No anúncio do governo Doria, o estado informou que as regiões de São José do Rio Preto, Marília, São João da Boa Vista, Presidente Prudente e Registro avançaram para a fase amarela. Isso significa que 95% da população paulista está nessa fase, mais branda que a laranja e a vermelha --a mais restritiva das cinco etapas. Além de Ribeirão Preto, só a região de Franca está na fase laranja. Ribeirão soma 22.599 casos do novo coronavírus, com 599 mortes. Há 2.579 moradores aguardando resultado dos exames. Nos hospitais públicos e privados da cidade há 161 pessoas internadas em leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) exclusivos para Covid-19, o que representa 73,52% dos 219 existentes atualmente. Desses pacientes, 115 estão utilizando respiradores na noite desta sexta-feira. Em enfermarias, a ocupação é de 62,26%, com 165 pacientes para um total de 265 vagas, dos quais 5 necessitam de respiradores. No HC (Hospital das Clínicas), vinculado à USP (Universidade de São Paulo), há 45 pacientes internados, o que representa 65,22% das 69 vagas existentes. Segundo o secretário da Saúde de Ribeirão, Sandro Scarpelini, a decisão do governo estadual "está sendo injusta com a região toda". O índice de positividade de casos na cidade tem caído. Entre junho e julho, a cada 100 testados mais de 60% tiveram diagnóstico positivo para a Covid-19, índice que em setembro está em 40%.

  • Agência Brasil

    Bispo dom Pedro Casaldáliga morre aos 92 anos, em Batatais, São Paulo

    O bispo emérito de São Félix do Araguaia, em Mato Grosso, Pedro Casaldáliga, conhecido pela luta a favor dos direitos humanos, morreu neste sábado (8), aos 92 anos, na cidade de Batatais, em São Paulo, onde estava internado. A informação foi divulgada pela Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria. A causa da morte não foi divulgada.“D. Pedro Casaldáliga voltou para a Casa do Pai”, diz a nota divulgada em conjunto pela Prelazia de São Félix do Araguaia (Mato Grosso, Brasil), a Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria (Claretianos) e a Ordem de Santo Agostinho (Agostinianos), que informou ainda que o bispo estava na cidade de Batatais.Dom Pedro Casaldáliga foi um bispo católico espanhol, radicado no Brasil desde 1968. Ao chegar no Araguaia, em 1968, o religioso realizou um trabalho na defesa da população desfavorecida, na luta pela posse da terra, contra o regime militar e, até mesmo, o Vaticano.O velório ocorrerá em Batatais, neste sábado a partir das 15h, na capela do Claretiano - Centro Universitário de Batatais, unidade educativa dirigida pelos Missionários Claretianos. A missa de exéquias será celebrada, também em Batatais, neste domingo (9) às 15h,  com transmissão ao vivo pelo YouTube.Depois, o corpo será levado para Ribeirão Cascalheira, em Mato Grosso, onde será velado, a partir de segunda-feira (10). Em seguida, irá para São Félix do Araguaia, onde o bispo realizou o seu trabalho missionário. Haverá um velório seguido de sepultamento.Em 2017, a TV Brasil exibiu, em três episódios, a série Descalço sobre a Terra Vemelha, onde narra a trajetória de Casaldáliga, no Brasil.

  • Folhapress

    Ribeirão Preto antecipa anúncio de saída da fase vermelha e abrirá comércio sábado

    RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - O prefeito de Ribeirão Preto, Duarte Nogueira (PSDB), anunciou nesta quinta-feira (6) a saída da região da fase vermelha da quarentena devido à pandemia do novo coronavírus e, também, a reabertura do comércio já no sábado, para as vendas do Dia dos Pais. O anúncio foi feito no palácio Rio Branco, sede do governo, e antecipou a decisão que deve ser transmitida pelo governo do estado nesta sexta-feira (7), no 10º balanço do Plano São Paulo, que define como cada região poderá reabrir os setores econômicos de acordo com a fase em que se encontra. Além da região de Ribeirão Preto, estão na atualmente na fase vermelha do plano as regiões de Franca, Piracicaba e Registro. Para a definição, o governo leva em conta a média da taxa de ocupação de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) exclusivas para pacientes com Covid-19 e números de novas internações e óbitos no período. Nogueira vinha sofrendo pressões para a reabertura do comércio nas últimas semanas, já que a região de saúde de Ribeirão, composta por 26 cidades, está na fase vermelha do plano --a mais restritiva-- há oito semanas. Ele chegou a ser alvo de protestos violentos, que incluíram socos em seu veículo ao deixar a prefeitura. "Já comunicamos a associação comercial, o sindicato varejista, shoppings, representantes de salões de beleza que estiveram conosco nos últimos dias", disse o prefeito. Ribeirão Preto soma 15.432 casos da Covid-19, com 427 mortes. Na última terça-feira (4), o secretário de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, disse no HC (Hospital das Clínicas) de Ribeirão que a cidade poderia avançar para a fase amarela no anúncio desta sexta, caso seguisse com bons indicadores sobre a doença. Após ter chegado em julho a 99,4% de ocupação nos leitos exclusivos para Covid-19, Ribeirão tem, nesta quinta-feira (6), 68,75%, com 165 pacientes internados, para 240 leitos implantados. Em 24 de julho, eram 204 os leitos existentes. Na última terça-feira, eram 190 os pacientes internados em UTIs de nove hospitais públicos e privados, o que mostra queda na ocupação nos últimos dias. Com o anúncio do avanço de fase, além das atividades consideradas essenciais, poderão reabrir na região shopping centers, comércio de rua, concessionárias de veículos, imobiliárias, escritórios de profissionais liberais, bares, restaurantes, academias e salões de beleza, entre outras atividades. Segundo o secretário da Saúde da cidade, Sandro Scarpelini, com o incremento de novos leitos e a queda no total de ocupações nos hospitais, a cidade tem condições de abrigar casos graves da doença que possam surgir. Nogueira deve publicar no Diário Oficial desta sexta as regras para a abertura dos setores a partir de segunda, exceto comércio, que já poderá abrir sábado. A Acirp (Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto) disse que, diante da reabertura das lojas no sábado, comerciantes devem preparar seus estabelecimentos com medidas protetivas para receber os consumidores. "Temos percebido a boa vontade do Executivo municipal, tanto por parte do secretário de Saúde, Sandro Scarpelini, como do prefeito Duarte Nogueira, para antecipar a reabertura do comércio já neste sábado, o que é recebido por nós como uma ótima notícia, mas que implica responsabilidades para comerciantes e para a população", disse o presidente da entidade, Dorival Balbino. Segundo a Acirp, a reabertura de lojas e estabelecimentos às vésperas do Dia dos Pais é "fundamental para minimizar os prejuízos e a onda de falências e desemprego no setor".

  • Folhapress

    Ocupação de UTIs cai em Ribeirão Preto, que mira sair da fase vermelha após 8 semanas

    RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - Maior cidade paulista na fase vermelha do plano de reabertura das atividades econômicas, Ribeirão Preto chegou a ter a maior ocupação proporcional de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) no estado, mas o índice baixou e a cidade espera nesta semana deixar a fase mais restritiva, o que ampliaria a abertura no interior de São Paulo. Após alcançar 99,4% de ocupação dos leitos em julho, nesta terça-feira (4) 190 das 250 vagas de UTI exclusivas para Covid-19 estavam em uso, ou 76% do total. O cenário estaria pior não fossem os 46 novos leitos abertos nos últimos dez dias para desafogar o sistema. O cenário considerado para o avanço ou recuo na fase do plano é o regional e, nele, na última sexta-feira (31) a ocupação era de 76% em UTIs (ainda sem 13 novas vagas), conforme dados da Prefeitura de Ribeirão. Isso permitiria na próxima avaliação a saída da fase mais restritiva -que tem gerado questionamento de entidades ligadas ao comércio. A cidade, de 703 mil habitantes, soma 14.389 casos do novo coronavírus, com 385 óbitos, até esta segunda (3). "[Perguntei ao centro de contingência] Que se estivermos [com todos os indicadores] verdes ou amarelos, podemos pular da fase vermelha direto para a fase amarela, que libera inclusive salões de beleza, restaurantes e bares e não há nenhum impedimento para que isso aconteça", disse o prefeito de Ribeirão, Duarte Nogueira (PSDB). O tucano tem sido alvo de protestos de comerciantes em frente ao palácio Rio Branco, sede do governo, inclusive com socos em seu veículo. Os manifestantes querem que ele abra o comércio por conta própria, mesmo sem aval do estado. Assim como Ribeirão, outras três regiões paulistas estão na fase vermelha -Franca (cuja região engloba 22 cidades), Piracicaba (26) e Registro (15)- ao menos até sexta-feira (7), quando o governo estadual fará o 10º balanço do plano São Paulo, cuja classificação é dividida em cinco fases. Na vermelha (alerta máximo), só serviços essenciais podem abrir. Na laranja (controle), shopping centers e comércio podem operar com limite de 20% da capacidade. Já na amarela (flexibilização), a capacidade é ampliada para 40% e o horário de atendimento pode ser de seis horas. Na fase verde (chamada de abertura parcial) o índice sobe para 60%. Por fim, a azul (normal controlado) permite a liberação de todas as atividades, com protocolos. Ribeirão está na fase vermelha há oito semanas, desde 15 de junho, e soma nesta terça 385 pessoas internadas em UTIs ou enfermarias de nove hospitais públicos e privados. "A gente só quer poder trabalhar, seguindo todas as regras. Tenho feito um ou outro serviço na casa de clientes, mas mal dá para pagar o aluguel do salão", disse o cabeleireiro Cláudio Tassinari, que não participou de nenhum dos protestos contra o prefeito. Apesar de a ocupação de UTIs estar em queda, isso ocorre devido ao incremento de novos leitos em hospitais como o HC (Hospital das Clínicas) e o Santa Lydia, e não à redução da incidência da Covid-19 na cidade. No intervalo de dez dias -de 24 de julho a esta segunda-feira-, o total de pacientes em vagas de UTI subiu de 179 para 190. Como os leitos proporcionalmente cresceram mais, o índice de ocupação caiu. Nesta terça, o HC Campus, vinculado à USP (Universidade de São Paulo), tinha 71,64% de ocupação, com 48 pacientes para 67 vagas. Às 18h de segunda, porém, a ocupação era de 90,74% e só caiu com a liberação de 13 novos leitos. Na enfermaria, 100% das 47 vagas estão em uso. Já no Santa Lydia, municipal, só duas das 19 vagas disponíveis não estão ocupadas (89,47% do total em uso). Mas, independentemente de o número de pacientes internados ter aumentado, caíram no município as médias de casos e mortes provocadas pelo novo coronavírus em relação à semana anterior, segundo a Secretaria da Saúde de Ribeirão. Enquanto na semana de 18 a 24 de julho foram 2.142 casos confirmados da Covid-19, na semana seguinte o total recuou para 1.781 novos registros, ou 16,85% menos. Além da ocupação de leitos de UTI exclusivos para Covid-19, também são avaliados para o progresso ou recuo no plano São Paulo internações e óbitos por 100 mil habitantes.

  • Folhapress

    Ribeirão Preto tem pior cenário de ocupação de leitos de UTI para Covid-19 em SP

    RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - Um dos principais polos de saúde do interior do país, Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo) apresenta o pior índice de ocupação de leitos exclusivos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) para tratamento da Covid-19 de São Paulo. Com 91,4% de ocupação, o departamento regional de saúde (DRS) de Ribeirão --que concentra cerca de 1,5 milhão de habitantes, quase metade deles na cidade-- permaneceu na fase vermelha do plano São Paulo, a mais restritiva, conforme anúncio feito nesta sexta-feira (24) na capital. Além dela, só as regiões de Franca e Piracicaba seguem na fase vermelha --a ocupação de UTIs está acima de 80%. Por isso, todas as atividades comerciais não essenciais estão proibidas, e a prefeitura publicará novo decreto ampliando a quarentena até o dia 2 de agosto. Até esta sexta (24), a cidade chegou a 319 óbitos por Covid -19, nove delas registradas no intervalo de 24 horas, e 11.963 casos do novo coronavírus. A manutenção da cidade na fase vermelha do plano de reabertura gerou descontentamento do Sincovarp (Sindicato do Comércio Varejista de Ribeirão Preto) e da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas), que pediram que a reabertura das atividades econômicas ocorra "de forma urgente sob pena de vermos agravada, ainda mais, a severa crise socioeconômica que já atinge Ribeirão Preto e região". Segundo as entidades, o prolongamento da quarentena vai gerar grande queda de arrecadação para os cofres públicos municipais e pode comprometer salários de servidores e até o combate à Covid-19. "Entendemos que não adianta apenas Ribeirão adotar medidas ainda mais restritivas, penalizando o setor produtivo que já vem dando grande cota de sacrifício, se os demais municípios da DRS-13, e seus moradores não fizerem sua parte no sentido de proteger vidas e melhorar os indicadores", diz trecho do comunicado. Ribeirão lançou nesta quinta-feira (23) um painel online com a situação de todos os leitos de UTI e enfermaria para tratamento do novo coronavírus em todos os hospitais públicos e privados da cidade. Na noite desta sexta, a ocupação das UTIs estava em 87,75%, com 179 dos 204 leitos em uso. Há também 129 respiradores sendo utilizados. Apesar de o índice ter recuado ligeiramente em relação à média apontada pelo estado, há unidades hospitalares em que a ocupação é ainda mais crítica. Nos hospitais Beneficência Portuguesa (12 leitos), Santa Casa (14) e São Paulo (5), a ocupação era de 100% nesta sexta. No Hospital Unimed, 17 dos 18 leitos estão em uso (94,44%) e, no São Lucas Ribeirânia, 94,12% (32 dos 34 leitos têm pacientes). Já no Hospital das Clínicas da USP, o índice é de 86,27% em UTIs. Dos 51 leitos disponíveis, 44 têm pacientes. Até mesmo o municipal Santa Lydia, que passou a receber pacientes da Covid-19 nesta semana, já tem 80% dos leitos em uso (12 dos 15 que estão disponibilizados). Os pacientes com outras doenças foram transferidos para que o hospital atendesse exclusivamente casos de Covid-19. Outros cinco leitos devem ser abertos nos próximos dias. O prefeito Duarte Nogueira (PSDB) disse que, exceto a ocupação de leitos, Ribeirão evoluiu nos outros indicadores considerados pelo estado na definição da fase em que a região se encontra e que novas vagas de UTI surgirão nas próximas semanas para desafogar o sistema hospitalar. Na variação do número de casos, a região está na fase verde e, nos indicadores de internações, na amarela. A variação de óbitos, por sua vez, está na fase laranja, a segunda mais restritiva. "Entendo que muitos estão apreensivos, nervosos, preocupados, passando por dificuldades financeiras nesse momento em que várias atividades no comércio estão fechadas. Peço a todos vocês paciência para que possamos atravessar essa etapa, que não tem sido fácil para ninguém", disse o prefeito, que na última semana foi alvo de protesto violento de comerciantes. A média diária de casos na cidade, que em junho foi de 202, está em 168 em julho, e o índice de positividade dos exames baixou de 78% dos testados para 50%. "Para que a economia volte, vamos unir toda a população de Ribeirão para que esse vírus, que não tem remédio e não tem vacina, pare de circular com tanta intensidade em nossa cidade, como graças a Deus começamos a perceber nos últimos dias", disse. Os novos leitos, 38, estão previstos para as próximas semanas nos hospitais Santa Lydia (10), HC (18) e Ribeirânia (10), de acordo com a prefeitura.

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    Ribeirão Preto esvazia hospital para atender só casos do novo coronavírus

    RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - A escalada de casos e mortes provocadas pelo novo coronavírus em Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo) fez a prefeitura esvaziar um hospital municipal para que ele passe a atender apenas casos da Covid-19 a partir desta semana. Ribeirão chegou nesta quarta-feira (22) a 304 mortes causadas pelo novo coronavírus, com 11.005 casos. Só nesta quarta, foram confirmados 373 novos casos, com 10 óbitos. A prefeitura anunciou que o hospital Santa Lydia será destinado exclusivamente ao atendimento de vítimas da doença, com 40 leitos de enfermaria e 20 leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva), num mês em que a ocupação de leitos para tratamento de pacientes se aproximou de 100% no município. "O hospital vai receber e atender pacientes, sejam eles com sintomas leves ou graves do novo coronavírus. Vamos tomar a medida para dar suporte às ações que estão sendo feitas durante a pandemia", disse o prefeito de Ribeirão, Duarte Nogueira (PSDB). De acordo com ele, a medida é tomada também pelo fato de a cidade precisar não só de leitos de UTI, mas também de enfermaria. Nos dias 9 e 10, o índice de leitos de UTI para Covid-19 chegou a 99,4% na cidade. Nesta quarta, está em 89,05%. Há 374 pacientes internados na cidade em tratamento contra a doença, seja em UTI ou enfermaria. No HC (Hospital das Clínicas), da USP (Universidade de São Paulo), 67 das 71 vagas de UTI para Covid-19 estavam ocupadas nesta quarta, o equivalente a 94,4% do total. Na enfermaria, só havia uma vaga disponível das 52 destinadas a pacientes da doença (ocupação de 98,1%). FECHADO Ribeirão Preto é a principal cidade de uma das cinco regiões de saúde do estado que estão na fase um (vermelha) do plano São Paulo, que controla a reabertura gradual das atividades conforme a incidência da doença. As outras regiões são as de Franca, Araçatuba, Piracicaba e Campinas. Ribeirão Preto já está nessa situação, assim como 25 cidades de sua região, desde meados de junho. Com isso, as atividades comerciais não essenciais devem permanecer fechadas, o que tem provocado protestos de comerciantes.

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    Locomotiva histórica deixa Ribeirão Preto para ser restaurada em Campinas

    RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - Ela ficava exposta sobre cerca de 30 m de trilhos numa praça e, nos últimos 47 anos, além de enferrujar, foi alvo de furtos de peças de cobre, ferro e aço em Ribeirão Preto. Agora, já bastante deteriorada, a locomotiva alemã, uma das três remanescentes da fabricante Borsig existentes no país, será restaurada, a um custo de R$ 749 mil. A maria-fumaça deixou a praça Francisco Schmidt, no centro de Ribeirão, no último sábado (18), e foi levada para Campinas, onde passará por restauro nas oficinas da ABPF (Associação Brasileira de Preservação Ferroviária). Fabricada em 1912, a locomotiva pertenceu à Usina Amália e foi doada ao município de Ribeirão pelas Indústrias Matarazzo. Instalada na praça em 1973, desde então sofreu furtos e todo tipo de vandalismo que se imagine. Para que pudesse ser levada para Campinas, precisou passar por processo de desinfecção antes de os técnicos fazerem seus trabalhos, já que era usada como banheiro por andarilhos e usuários de drogas e apresentava lixo como restos de comida e preservativos usados. A locomotiva deixou Ribeirão às 12h30 e chegou à estação Anhumas, em Campinas, às 18h, onde foi recebida com festa por membros da associação. “Essa contratação é muito importante para Ribeirão Preto, pois é o primeiro item do nosso patrimônio ferroviário a ser efetivamente recuperado. Espero que seja apenas o início da preservação de nosso acervo e que isso acelere a criação do Museu Ferroviário”, afirmou Denis Esteves, presidente do Instituto do Trem. A praça Francisco Schmidt fica na região da Baixada de Ribeirão Preto, que é uma área no centro da cidade que abriga moradores de rua e usuários de drogas –principalmente à noite. O valor da restauração gerou queixas de alguns grupos na cidade, que não consideram a recuperação essencial, principalmente num momento de pandemia do novo coronavírus. “A pandemia retardou um pouco a abertura da licitação, mas assim que o fluxo operacional permitiu ela foi aberta. O recurso estava ‘carimbado’ e tinha que ser empregado neste projeto. Algumas pessoas chegaram a reclamar por não ser uma prioridade nesse momento, porém a prefeitura não poderia deixar de fazer nem destinar o recurso para outro fim, como o combate à pandemia”, disse Esteves. A restauração faz parte de um pacote de R$ 75 milhões de uma operação de crédito entre a prefeitura e o Banco do Brasil, assinado em setembro do ano passado e que inclui recuperação de prédios públicos e obras de mobilidade urbana. A previsão, conforme o contrato, é que o restauro esteja concluído em um ano. A locomotiva será desmontada e reparada, com restauração de cada componente, reconstrução das partes irrecuperáveis e reposição das peças faltantes devido aos furtos. BATALHA PELO TREM Além da maria-fumaça que agora será recuperada, Ribeirão tem outra locomotiva exposta na estação ferroviária da avenida Mogiana, que quase deixou Ribeirão Preto há menos de três anos. Em dezembro de 2017, alvo de disputa com o consórcio Trem Republicano, comandado pelas prefeituras de Salto e Itu, a maria-fumaça –abandonada e que também foi alvo de furtos e vandalismo– chegou a ser colocada numa carreta para ser levada embora, mas foi impedida de deixar o município. Elas têm elo histórico com o desenvolvimento econômico da cidade –uma das principais atendidas pela Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, ao lado de Campinas–, e responsável por transportar o “ouro verde”, como era chamado o café no início do século passado. A autorização para levar a locomotiva para Salto foi dada pelo Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), por meio do termo de transferência nº 292. De acordo com o órgão do governo federal, um consórcio formado pelas prefeituras de Salto e Itu pretende restaurar a máquina e propiciar a volta da composição à circulação ferroviária, por meio do turístico Trem Republicano.

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