Assunto

Notícias sobre João Dória - Governador de São Paulo

Notícias sobre João Dória - Governador de São Paulo

  • Folhapress

    Gestão Doria anuncia fase de transição, reabre comércio e permite cultos em SP

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O governo João Doria (PSDB) anunciou nesta sexta-feira (16) a criação de uma fase de transição, com a reabertura do comércio e permissão de cultos religiosos a partir de domingo (18) no estado de São Paulo. "A fase de transição é para que a gente possa dar passos seguros adiante sem o risco de retrocedermos", disse Rodrigo Garcia (DEM). Segundo Garcia, a partir do dia 24, a abertura passará a valer para o setor de serviços, incluindo restaurantes, salões de beleza e academias. O anúncio foi feito em entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes, na zona oeste de São Paulo, sem a presença do governador João Doria (PSDB). "Teremos duas semanas à frente da fase de transição. A primeira semana fazendo flexibilização para o setor do comércio e a segunda agregando o setor de serviços", disse Garcia. O vice-governador afirma que no atual cenário o governo procura "com muita segurança, se é que é possível, dar passos adiante". Haverá restrições, no entanto, para os setores econômicos. O comércio reabrirá das 11h às 19h. A partir do dia 24, restaurantes, salões de beleza e atividades culturais poderão funcionar neste mesmo horário. Já as academias poderão funcionar das 7h às 11h e das 15h às 19h. Nesta segunda semana da fase de transição, parques também poderão funcionar. Bares podem funcionar como se fossem restaurantes, e o consumo de bebidas alcoólicas só pode se dar junto com as refeições. A abertura dos estabelecimentos deve acontecer com até 25% da capacidade. Continua havendo o toque de recolher das 20h às 5h, teletrabalho para atividades administrativas e escalonamento de entrada e saída de atividade de comércio, serviços e indústrias. A equipe de saúde citou a melhora nos dados de ocupação hospitalar, e a secretária de Desenvolvimento Econômico, Patrícia Ellen, chamou de "voto de confiança" para que os setores iniciem a retomada. Segundo ela, a fase de transição é "fruto desse debate da ciências, da saúde, econômica, de da ciência humana, social, trazendo este olhar". Questionada sobre as similaridades da fase de transição e a laranja, Ellen afirmou que a fase de transição mantém muitos pontos da fase vermelha. Segundo ela, uma das principais é o toque de recolher, que não existe na fase laranja. Outro pontos que ela destacou foi o teletrabalho para atividades administrativas não essenciais e o escalonamento de horários de trabalho. "A ocupação na fase laranja é de 40%, na fase de transição é de 25%", disse. Paulo Menezes, coordenador do centro de contingência, afirmou que a pandemia está num nível elevado, embora tenha havido avanços. "A fase laranja é mais permissiva, mais flexibilizada, do que as medidas que foram anunciadas. O centro de contingência entende que, no mundo ideal, seria sempre bom o maior nível possível de restrição e de redução de mobilidade", disse. "Se fosse possível, idealmente, nos trancarmos dentro de casa por três, quatro semanas, teríamos um cenário de praticamente interrupção viral. Mas nós vivemos no mundo real, o centro de contingência compreende isso e entende que as medidas apontadas pelo governo permitem que alguns setores e parte da população que estão sendo extremamente afetadas possam ter alguma chance de conseguir caminhar mantendo um alto nível de isolamento", continuou Menezes. João Gabbardo, também do centro de contingência, afirmou que algumas regiões poderiam evoluir para a fase laranja se o período emergencial não fosse adotado. "O governo entendeu que essa passagem para a fase laranja tinha um risco maior. Optou-se por fazer essa fase de transição e que todo o estado continua com uma uniformidade de recomendações, o que facilita o controle, facilita para que as pessoas não saiam de uma região para buscar um serviço que está aberto em outra região." O secretário da Saúde, Jean Gorinchteyn, citou a redução de internados. "Nossa taxa de ocupação no estado de São Paulo em 85,3% e na Grande São Paulo 83,3%. Esses números eram de quase 93% há poucos dias, mostrando que tanto a fase vermelha quanto a fase emergencial foram fundamentais para que nós pudéssemos garantir a assistência e proteção à vida", disse. Desde o dia 1º de abril, a quantidade de pessoas internadas caiu 15%. O governo falou sobre a escassez do kit intubação no estado, tema no qual a gestão Doria trava um duelo com o governo federal, após envio de nove ofícios pedindo os insumos. Em março, o estado recebeu 552 mil doses de medicamentos que duraram quatro dias. "A programação nesse novo quantitativo dos 2,3 milhões que virão dessa compra que foi feita pela Vale e outras companhias São Paulo terá um quantitativo de 440 mil doses, o que dará apenas para 48 horas" disse o secretário. "Mas nós já estamos há 40 dias falando que temos estoques para sete dias. E não tivemos problemas nesse estoque, porque continuamos adquirindo pequenas quantidades de um fornecedor, de outro fornecedor e dessa forma fazendo o realocamento dessas medicações para todos os municípios." Regiane de Paula, coordenadora de imunização do estado, reafirmou que São Paulo depende do envio de vacinas da Fiocruz pelo governo federal. A faixa da população a partir de 60 anos só será vacinada no prazo se os envios forem feitos. "Precisa ressaltar que aguardamos as vacinas da Fiocruz. Programa Nacional de Imunização precisa nos enviar as vacinas da Fiocruz para que a gente possa manter esse calendário. Então nós já recebemos vacinas, estamos encaminhando as vacinas e olhamos sempre para que isso sempre aconteça de forma escalonada", disse. * FASE DE TRANSIÇÃO 18 a 23 de abril - reabertura de comércios (11h às 19h) e permissão de cultos 24 a 30 de abril - reabertura de serviços, restaurantes, salões de beleza (11h às 19h) e academias (7h às 11h e 15h às 19h)

  • Yahoo Notícias

    Doria expõe documentos para provar que alertou há um mês sobre crise de “kit intubação”

    Primeiro documento foi enviado em 3 de março. Ao todo, foram nove. Segundo governador, nenhum foi respondido

  • BBC News Brasil

    Ministério da Saúde cometeu ‘erro gravíssimo’ ao confiscar insumos para kit intubação, diz Doria

    Em coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira, o governador de São Paulo chamou atenção para uma possível falta de remédios essenciais aos pacientes internados com covid-19 grave e cobrou agilidade do Governo Federal. Entenda a situação.

  • Folhapress

    Gestão Doria anuncia vacinação de pessoas de 60 a 64 anos no fim de abril e começo de maio

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O governo João Doria (PSDB) anunciou nesta quarta-feira (14) que pessoas de 60 a 64 poderão ser vacinadas contra a Covid-19 no fim de abril e no começo de maio em São Paulo. O anúncio foi feito no Palácio dos Bandeirantes, na zona oeste de São Paulo, em entrevista coletiva sobre medidas contra a pandemia de coronavírus. Pessoas de 63 e 64 serão vacinadas a partir de em 29 de abril —trata-se de um contingente de 840 mil pessoas. Já aquelas entre 60 e 62 a partir de 6 de maio —o público é de 1,4 milhão de pessoas. Além disso, em 21 de abril, será vacinada a faixa etária de 65 e 66 anos. Nesta semana, está sendo vacinada a população de 67 anos. A vacinação do público de 60 a 64 anos dependerá do envio da vacina de Oxford, cuja entrega, feita pela Fiocruz, tem sofrido atrasos. "A vacinação dependerá da entrega da vacina AstraZeneca da Fiocruz. A Fiocruz anunciou e informou o governo do estado de São Paulo, os governadores e o Ministério da Saúde sobre a entrega da vacina. Essas pessoas nessas faixas etárias estarão sendo vacinadas majoritariamente com a vacina da Fiocruz, mas também com a vacina do Butantan", disse João Doria. Segundo Regiane de Paula, coordenadora de imunização do estado, pessoas com comorbidades deverão ser vacinadas após a imunização das pessoas acima de 60 anos. Doria também afirmou que o Butantan já entregou 40,7 milhões de doses ao Ministério da Saúde para serem distribuídas à população do país. Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, afirmou que o órgão receberá 3.000 litros de material para fabricação da Coronavac até o dia 19. Com isso, será possível produzir mais de 5 milhões de doses de vacina. Há um atraso no cronograma inicial de chegada dos insumos. Um lote de 6.000 litros dos insumos estava previsto para a primeira semana de abril, mas eles foram divididos pela metade —daí vêm os 3.000 litros previstos para este mês. A outra remessa ainda precisa de autorização na China. Doria repercutiu o anúncio do governo federal de 15,5 milhões de doses da vacina da Pfizer até junho. "É muito bom ter anúncios, mas é melhor ter vacinas. Até agora ouço sempre anúncios, enxurrada de vacinas. O fato é que até agora a única enxurrada de vacinas que tivemos foi com as do Butantan, e não as prometidas pelo Ministério da Saúde", disse o governador. Doria também falou sobre a CPI da Covid-19: "Nosso apoio à CPI no Senado para avaliar aquilo que o governo federal deixou de fazer", disse Doria. "Se tiver que envolver análise de recursos aos estados, que o faça. Aqui em São Paulo não temos nada a temer." O governador também responsabilizou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) por "parcela considerável" das mortes na pandemia, repercutindo a frase do presidente sobre esperar uma sinalização do povo para tomar providências. Doria também afirmou que a frase foi dita a apoiadores de Bolsonaro "malucos como ele". Segundo o governo, 85.475 pessoas morreram durante a pandemia no estado. Nas últimas 24 horas, foram 1.095. Em meio a medidas mais restritivas de isolamento social, o governo afirmou que há redução nos índices da doença. A taxa de ocupação das UTIs no estado vem caindo e chegou a 86,4%. Na Grande São Paulo, ela é de 84,9%. "No comparativo semanal, o número de casos teve uma elevação de 5%, bastante reduzida em relação ao que vínhamos apresentando nas semanas anteriores. E a taxa de internação, essa é muito importante, refletindo o momento atual do controle da pandemia no estado, teve uma queda de 17,4%", disse o secretário da Saúde, Jean Gorinchteyn. As mortes subiram 13% e, segundo governo, os óbitos não configuram o momento atual da dinâmica da epidemia no estado. O secretário falou também sobre o atraso nos medicamentos do chamado kit intubação, alvo de nove ofícios para o Ministério da Saúde. "Nós precisamos que o governo não só responda os ofícios mas responda de forma ativa. Precisamos ter estoque para muito mais tempo dessas medicações, especialmente no momento tão dramático, com grande números de internados na UTI e intubados", disse Gorinchteyn. Doria disse que foi um grave erro do Ministério da Saúde confiscar das farmacêuticas insumos para medicamentos usados na intubação. "O governo federal entregou uma quantidade mínima, inexpressiva, dos insumos que estavam sendo comprados pelos estados e municípios de forma regular e até então sem nenhum grande problema", disse Doria. Segundo ele, foi autorizada a compra internacional dos insumos. Outro anúncio do governo estadual é que a gratuidade de refeições para moradores de rua foi prorrogada até 31 de julho. O governo deu ainda números da força-tarefa para fechamento de festas clandestinas. Foram flagradas 2.475 festas clandestinas na cidade de São Paulo, em 69 mil fiscalizações. * CALENDÁRIO EM SÃO PAULO 65 e 66 anos - 21 de abril 63 e 64 anos - 29 de abril 60, 61, 62 - 6 de maio Categorias e faixas etárias já atendidas até agora - Trabalhador de saúde, indígenas e quilombolas - 17 de janeiro - Acima de 90 anos - 8 de fevereiro - Entre 85 e 89 anos - 12 de fevereiro - Entre 80 e 84 anos - 27 de fevereiro - Entre 77 e 79 anos - 3 de março - Entre 75 e 76 anos - 15 de março - Entre 72 e 74 anos - 19 de março - Entre 69 e 71 anos - 26 de março - 68 anos - a partir de 2 abril - 67 anos - a partir de 14 de abril - Policiais e agentes penitenciários - a partir de 5 de abril Professores do ensino básico (infantil, fundamental e médio) - a partir de 12 de abril

  • Yahoo Notícias

    Doria critica “negacionismo” de Bolsonaro e ataca apoiadores do presidente: “Malucos como ele”

    Declaração foi dada durante anúncio do cronograma para vacinação de pessoas de 60 a 64 anos em SP

  • Yahoo Notícias

    Vacinação em SP: Doria anuncia vacinação de pessoas entre 60 e 64 anos; veja datas

    Atualmente, estado está vacinando pessoas de 67 anos e professores com mais de 47 anos

  • Folhapress

    Por 2022, Doria muda de 'BolsoDoria' e segurança para anti-Bolsonaro e saúde

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Enquanto a segurança pública foi uma área de destaque nas promessas do governador João Doria (PSDB) em sua campanha de 2018, quatro anos mais tarde, em 2022, a plataforma política do tucano terá a vacina, a saúde e a retomada da economia como protagonistas. Na eleição passada, o discurso de valorização da polícia serviu ao propósito de se associar à base eleitoral de Jair Bolsonaro --foi mais uma estratégia da costura BolsoDoria. Agora, quando o governador se vende como o principal opositor do presidente, a pauta da pandemia é a mais adequada para a tática do candidato anti-Bolsonaro. A mudança, claro, foi imposta pela tragédia provocada pelo coronavírus no Brasil, mas Doria não poderia repetir o enredo da segurança pública nem se quisesse. As pontes com o setor, segundo policiais ouvidos pela reportagem, foram implodidas. A principal razão apontada é o aumento salarial de 5% para a categoria, quando a promessa era a de que São Paulo teria a segunda polícia mais bem paga do país até 2022. Membros do governo já admitem que a meta não deve ser alcançada e atribuem à pandemia esse revés. Mas a gestão Doria lista uma série de iniciativas na segurança pública, como pagamento de bônus por produtividade, inauguração de Baeps (Batalhão de Ações Especiais de Polícia) e compra de pistolas, drones e viaturas blindadas. O Orçamento de 2021, no entanto, mostra que Doria cortou cerca de 40% da verba prevista para novos Baeps, Deics, delegacias da mulher 24 horas, bases comunitárias móveis e aparelhamento das polícias. Auxiliares do governador dizem que a segurança não foi escanteada, e que Doria inovou ao manter reunião semanal com o chefe da pasta, general João Camilo Campos. Doria ainda fez um relevante aceno aos policiais ao incluí-los de forma prioritária no calendário de vacinação a partir deste mês, assim como os professores. Nada disso, no entanto, parece sensibilizar a tropa. A simpatia dos policiais com Bolsonaro ajuda a moldar a visão de que Doria traiu e usou a categoria. Se o figurino de amigo da polícia e aliado de Bolsonaro já não lhe cabe, Doria teve vitórias incontestes na área da ciência e da saúde --ponto crucial para diferenciá-lo do negacionismo bolsonarista. O governador é reconhecido nacionalmente por ter viabilizado a Coronavac, a primeira vacina distribuída em larga escala no país. No fim de março, também anunciou a fase de testes da Butanvac, imunizante que será produzido pelo Instituto Butantan. O vice Rodrigo Garcia (DEM) diz que a marca da gestão será "o governo que viabilizou a vacinação dos brasileiros". "O estado é modelo no enfrentamento da pandemia", completa, mencionando o Plano SP e o comitê de contingenciamento. Para Garcia, que pretende concorrer ao governo, o foco da campanha em 2022 deve ser emprego e renda. Se a pauta da segurança pública agrada a uma base militante sectária, a defesa da vacina e o combate à pandemia têm caráter de "frente ampla", tanto que as conquistas do Butantan foram comemoradas da esquerda à direita. Doria capitaliza o tema --posou na foto da primeira vacina, acompanha entrega de lotes, deu entrevistas a veículos estrangeiros, trabalha pelo protagonismo da frente de governadores e ainda fustiga Bolsonaro em entrevistas e redes sociais. "Grande dia", tuitou a respeito da Butanvac. Está em curso a metamorfose do João trabalhador, de 2016, para o João vacinador, de 2022. Pelo Twitter, responde a detratores "vou te vacinar também", além de assumir e explorar o xingamento bolsonarista "calça apertada". Aliados afirmam que o tucano é visto como a figura pública mais empenhada no combate da pandemia, principal defensor da vida, da ciência, da democracia e da vacina, e que esse ativo atinge os quatro cantos do país. Tucanos veem ainda liderança de Doria em ações de restrições e uso de máscara. Doria, que mira o Palácio do Planalto desde antes de se tornar governador, tem na nacionalização de seu nome um dos entraves para a candidatura à Presidência da República, problema que a vacina ajuda a solucionar. O tucano, porém, já admite também concorrer à reeleição, num cenário em que seu campo político tem congestionamento de nomes e está esmagado pela polarização entre Bolsonaro (sem partido) e Lula (PT). Além da vacina em si, o governo Doria lista outras conquistas na saúde, como ampliação dos leitos de UTI de 3.500 para 9.000 (até o fim de março), o investimento de R$ 1,6 bilhão do caixa do estado, a distribuição de 4.000 respiradores comprados ou doados, a construção da nova fábrica do Butantan com verba da iniciativa privada e a entrega dos hospitais Estadual de Serrana e Regional do Litoral Norte e da AME de Campinas. "‹A gestão da pandemia pelo tucano, contudo, também foi alvo de crítica. Quem analisa o comportamento de Doria lembra que ele cedeu a pressões de comércio, prefeitos, escolas e igrejas em ocasiões diversas, deixando de ouvir seu conselho de médicos e especialistas. Proporcionalmente, São Paulo é o 10º estado com mais mortes no país. O discurso de defesa da ciência foi comprometido com o corte de R$ 454,7 milhões no orçamento da Fapesp, que acabou sendo revertido após pressão da opinião pública. Com a pandemia, a gestão Doria cortou recursos para abertura de unidades de saúde prometidas e chegou a improvisar com leitos de campanha em locais onde hospitais estão para ser entregues. Mas o maior estrago de imagem para o governador se deu no anúncio equivocado das vacinas. Na Coronavac, alardeou eficácia de forma picotada, e o número global só veio depois: 50,38%. Já a Butanvac foi propagandeada como 100% brasileira, mas teve tecnologia importada dos EUA. Em ambos os episódios, aliados e detratores de Doria avaliaram que sua conhecida obsessão por marketing e a instrumentalização política da pandemia conseguiram estragar um anúncio positivo e ainda deu munição para "‹os sabotadores da vacina. Por outro lado, as ações de Doria também deixaram claro que o Planalto está a reboque de São Paulo na vacinação. "Se não tivéssemos o empenho do governador, o Brasil provavelmente não teria começado sua vacinação efetiva", afirma Francisco Balestrin, presidente do Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios de São Paulo. "Se isso será suficiente para ele se candidatar, é outra história, não sei dizer. Mas a aposta na saúde foi correta." O médico lembra, todavia, atitudes de Doria que "constrangeram o SUS no momento mais terrível", como aumento do ICMS para produtos hospitalares e o corte de 12% em repasses de convênios a Santas Casas, hospitais filantrópicos e outras entidades da saúde. "Foi a surpresa negativa. Mas a vacina é espetacular, um legado nacional, um presente que o governador e os cientistas deram ao Brasil." O infectologista Marcos Boulos, do comitê que aconselha Doria, problematiza o legado, já que será preciso investimento em recursos humanos para manter a ampliação do sistema de saúde. O médico avalia que Doria enfrentará resistência ao capitalizar com a pandemia, pois São Paulo também viveu colapso na saúde e pelo fato de o principal mérito da vacina ser do Butantan. "Doria vai usar isso, mas a vacina aconteceria independentemente do governo. O Butantan tem sua vida própria, e seus recursos vêm do Ministério da Saúde", diz. O deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP), que é médico, diz que Doria e os demais governadores tiveram postura mais responsável, mas que isso e a vacina são "insuficientes para ele se afirmar como alternativa a Bolsonaro". Se Doria enfrenta críticas na sua nova zona de conforto, no seu reduto anterior, o da segurança pública, os policiais se consolidam como força de oposição. Um coronel da PM afirma de forma reservada que a base política do governador na tropa "é abaixo de zero", que seu grau de aceitação é pior do que o de tucanos anteriores e que ele "não angariou nenhum adepto e não vai ter nenhum voto". Os deputados estaduais Coronel Telhada (PP) e Major Mecca (PSL) afirmam que Doria não pode mais se escorar na bandeira da segurança pública, pois o sentimento da tropa é de desgosto, e que o tucano tem uma imagem terrível e a credibilidade afetada. Eles criticam o remanejamento de policiais para abertura de novos batalhões e dizem que a entrega de equipamentos é apenas obrigação. A questão do salário foi fatal. "Era um pacto, e Doria rompeu", diz Mecca. "Se ele vier falar em segurança em 2022, fica mais do que provado que é um cara de pau", afirma Telhada. "Doria quer ser o Robin Hood da vacinação, mas sabemos que ele está usando a pandemia como campanha política", completa o coronel.

  • Folhapress

    Doria inaugura hospital com atraso de duas semanas e com um terço dos leitos

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Com atraso de 13 dias, o governador João Doria (PSDB) anunciou na tarde desta terça-feira (13) a abertura do 12º hospital de campanha no estado de São Paulo, que começa a funcionar com um terço dos leitos anteriormente anunciados pelo governo, na Santa Cecília, região central da capital paulista. A inauguração ocorre em meio a altas de infecções, mortes e internações decorrentes da Covid-19 em todo o país. Atualmente, só o estado de São Paulo conta com 25.700 internados, sendo 11.974 em leitos de UTI e 13.726 em enfermaria. As taxas de ocupação dos leitos de UTI registradas nesta terça-feira foram de 85,7% na Grande São Paulo e 87% no estado. Com custo operacional mensal estimado em R$ 12 milhões, o Hospital de Campanha Santa Cecília começa a funcionar com 20 leitos de enfermaria e dez de UTI (Unidade de Tratamento Intensivo). Até o fim do mês, segundo o governador, estarão ativados 40 leitos de enfermaria e 20 para tratamento intensivo. Anteriormente, o estado falava em 180 leitos na unidade. "Essa unidade será ativada gradualmente. Como todo hospital, não abre com seu funcionamento já pleno. Temos 900 profissionais que irão atuar neste hospital de campanha, entre eles 150 médicos", disse o tucano em coletiva de imprensa. O prédio na Santa Cecília, ainda de acordo com o governador, já funcionou como hospital e, por isso, oferece facilidades de operacionalidade. "Nós abdicamos das tendas, opção tomada na primeira onda da Covid-19, e optamos por utilizar estruturas físicas, pois elas oferecem melhores condições de trabalho e operacionais, favorecendo a recuperação de quem é internado em leito primário e de UTI", afirmou Doria, acrescentando ainda que a estrutura do prédio foi cedida gratuitamente pelo proprietário do local. Apesar de o novo hospital no centro começar a atender com 30 vagas, o secretário estadual da Saúde, Jean Gorinchteyn, destacou que, entre 28 de fevereiro e 30 de março, foram criados 4.695 novos leitos para atendimento de pacientes com Covid-19 no estado. "Isso é o dobro do que tínhamos na primeira onda [da Covid-19], e damos continuidade a abertura de leitos para atender com dignidade toda a população", enfatizou o secretário. Gorinchteyn também comentou sobre a captação feita pelo Ministério da Saúde de medicamentos usados para entubar pacientes com Covid-19. Neste momento, ele foi interrompido por Doria. "O que houve foi um sequestro [dos insumos], para ficar bem claro o que fez o Ministério da Saúde. Nenhum fabricante brasileiro pode vender ao setor público ou privado os medicamentos para intubação de pacientes, o que é um absurdo", afirmou o governador, rival político declarado do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Ao retomar a palavra, o secretário da Saúde acrescentou que o estado de São Paulo está fechando uma compra internacional do chamado kit intubação -- constituído de sedativos e relaxantes musculares -- que irá "desafogar os estoques", ainda conforme Gorinchteyn, no máximo por 40 dias. A data da compra e o tempo de duração dos atuais estoques não foram informados. "Ninguém está ficando sem medicação. Estamos suprindo por arranjo todos os municípios para que possamos permitir que todos sejam acolhidos. Não tivemos desabastecimento nem desassistência, mas precisamos de um volume de medicamentos muito maior", ressaltou o secretário. TRANSPORTE PÚBLICO O governador concluiu a coletiva de imprensa comentando sobre a lotação do transporte público na capital paulista, o que aumenta as chances de eventuais infecções pelo novo coronavírus. "Isso é um tema do Brasil e mundial, a ocupação de trens e metrô. Você não pode imaginar transporte de massa sem a presença de pessoas e a proximidade entre elas. O que fizemos foi a obrigatoriedade do uso de máscara, de álcool em gel, cuidados sanitários em preservação de ambientes em ônibus, trens e metrô, além de continuar a estimular horários alternativos [para evitar aglomerações em horários de pico]. Isso é o que está ao alcance de ser feito, pois não podemos proibir a pessoa, que precisa, de usar o transporte público", afirmou. Após a conclusão da coletiva de imprensa, Doria, o secretário da Saúde e representantes da unidade de saúde fizeram uma tour pela unidade, com limite de pessoas para evitar aglomerações. SEGUNDA DOSE O secretário-executivo da Saúde estadual, Eduardo Ribeiro, afirmou à reportagem que, até a 0h desta terça-feira, 191.889 pessoas ultrapassaram o prazo máximo de 28 dias para tomar a segunda dose da Coronavac em todo o estado. Já no país, segundo o Ministério da Saúde, cerca de 1,5 milhão de brasileiros, imunizados com uma primeira dose, estão nas mesmas condições. "É bom enfatizar que, para um efeito pleno da vacina, segundo os próprios fabricantes, precisam ser usadas duas doses", afirmou Ribeiro, se referindo à Coronavac, vacina por hora usada nos paulistas. Sobre a Coronavac, segundo o fabricante, o tempo máximo de administração da segunda dose é de até 28 dias após a primeira aplicação do imunizante. O secretário executivo afirmou ainda que, no estado de São Paulo, todas as pessoas são cadastradas nominalmente e, dois dias antes do vencimento da primeira dose, são alertadas por mensagens para serem imunizadas pela segunda vez. "Se por qualquer motivo a pessoa não conseguir tomar a segunda dose, em 28 dias, reforçamos para que, mesmo assim, procure uma unidade de saúde e tome a segunda dose", orientou Ribeiro. Ele disse ainda que os municípios onde a evasão é identificada são notificados para realizar uma "busca ativa" para localizar as pessoas e promover a aplicação da segunda dose. "Caso as pessoas não tomarem a segunda dose é um prejuízo para toda a sociedade, pois há duas finalidades em vacinar: a proteção individual e coletiva. Quanto maior o percentual de imunizados, menor a circulação do vírus e as chances de ele sofrer mutações", alertou.

  • Yahoo Notícias

    Doria chama de “farsa” tentativa de Bolsonaro de investigar governadores na CPI da Covid

    CPI da Covid deve ser instalada hoje no Senado para apurar conduta do governo federal no combate à pandemia

  • Reuters

    Butantan entrega 1,5 milhão de doses da CoronaVac, Doria garante cumprimento de prazo

    SÃO PAULO (Reuters) - O Instituto Butantan entregou nesta segunda-feira 1,5 milhão de doses da CoronaVac, vacina contra Covid-19 do laboratório chinês Sinovac, ao Programa Nacional de Imunização (PNI) do Ministério da Saúde e o governador de São Paulo garantiu que o instituto cumprirá a obrigação contratual de entregar o total de 46 milhões de doses da vacina até o fim deste mês. Com a entrega desta sexta, o Butantan chegou a 39,7 milhões de doses da CoronaVac entregues ao PNI e tanto Doria quando o presidente do Butantan, Dimas Covas, asseguraram o cumprimeto do prazo, apesar do atraso na chegada do insumo farmacêutico ativo (IFA) importado da China para o envase nas instalações do Butantan.