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Notícias do ENEM 2020 - Datas de prova e inscrição

  • O Globo

    Coronel nomeado para cuidar do Enem é visto com desconfiança no Inep pela falta de experiência na área

    Com atuação em investigação de acidentes aéreos e relações institucionais, Alexandre Silva era assessor parlamentar ligado ao gabinete do ministro da Educação antes de ser indicado por ele para o novo cargo

  • Yahoo Notícias

    Ministro da Educação nomeia coronel da FAB para diretoria responsável pelo Enem

    Um dos motivos da demissão do presidente do Inep na semana passada foi a resistência ao nome do militar, que não tem experiência na área

  • Extra

    Dinâmica da semana no 'BBB 21' vira meme: "Mais difícil que Enem"

    O público do 'Big Brother Brasil 21' pediu e o paredão falso voltou. Mas veio acompanhado de uma...

  • Agência Brasil

    Inep disponibiliza gabaritos da reaplicação do Enem 2020

    Os gabaritos do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) aplicado nos últimos dias 23 e 24 de fevereiro estão disponíveis no portal do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Foram divulgados também os cadernos de questões. A prova teve uma questão de ciências da natureza anulada. O número da questão varia de acordo com a cor do caderno de prova. Trata-se da questão 133 do caderno 8, de cor rosa; e do caderno 11, de cor laranja; questão 96 do caderno 7, azul; 107 do caderno 6, cinza; e, 135 do caderno 5, amarelo. Ao conferir os gabaritos, o Inep orienta que os estudantes se atentem ao número e à cor da prova que fizeram. Ouça na Radioagência Nacional Ouça esse e outros conteúdos na Radioagência Nacional Quem fez a reaplicação Esta é a terceira e última rodada de aplicação do Enem 2020, após o Enem impresso regular e o Enem digital. Puderam fazer a prova candidatos de todo o estado do Amazonas e nas cidades de Espigão D’Oeste e Rolim de Moura, ambos de Rondônia. Nesses locais, a aplicação regular foi suspensa por conta do agravamento da pandemia de covid-19. O exame foi também reaplicado para os estudantes que tiveram problemas logísticos na primeira aplicação, como falta de luz no local de prova, ou que apresentaram sintomas da covid-19 ou outra doença infectocontagiosa. Fizeram ainda o Enem os adultos privados de liberdade e jovens sob medida socioeducativa que inclua privação de liberdade (Enem PPL). Notas finais Os participantes resolveram questões objetivas de matemática, ciências da natureza, ciências humanas e linguagens. Fizeram também a prova de redação, a única subjetiva do exame. Mesmo com os gabaritos em mãos, não é possível saber a nota no exame. Isso porque o Enem é corrigido com base na chamada teoria de resposta ao item (TRI), que leva em consideração, entre outros fatores, a coerência de cada estudante na própria prova. Ou seja, se ele acertar questões difíceis, é esperado que acerte também as fáceis. Se isso não acontecer, o sistema entende que pode ter sido por chute. O estudante, então, pontua menos que outro candidato que tenha acertado as mesmas questões difíceis, mas que tenha acertado também as fáceis. A redação tem um esquema diferenciado de correção. Cada uma passa por, pelo menos, dois corretores. O tema da redação na reaplicação do Enem foi “A falta de empatia nas relações sociais no Brasil”. Os resultados do Enem 2020, tanto do impresso quanto do digital e da reaplicação, serão divulgados no dia 29 de março. As notas do Enem poderão ser usadas para ingressar no ensino superior e para participar de programas como o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), Programa Universidade para Todos (ProUni) e Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

  • Folhapress

    Inglês no Enem é obstáculo entre aluno de escola pública e a faculdade

    SÃO PAULO, SP, E BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Estudantes de escolas públicas têm desempenho médio abaixo do das particulares no Enem, principal porta de entrada para o ensino superior. É na prova de inglês, porém, que os alunos da rede estatal enfrentam maior dificuldade em relação à rede privada. Análise feita pela Folha em todas as questões aplicadas no Enem entre 2010 e 2019 mapeou aquelas em que os estudantes da rede pública erraram de forma desproporcional: 18 das 50 perguntas de inglês no período tiveram viés estatístico alto e moderado contra a rede pública. Inglês representou 46% dessas questões que mais prejudicaram a rede pública sob essa metodologia, apesar de somar apenas 3% do exame total. Esse viés é verificado ao se comparar estudantes das duas redes, com habilidades (desempenhos) semelhantes; identificados esses grupos, analisam-se quais questões os alunos da escola pública erraram de forma desproporcional. Dito de outra forma, alunos de bom desempenho nas redes pública e particular têm notas semelhantes, por exemplo, em matemática. Mas não em inglês. O sistema público concentra 88% das matrículas do ensino médio, atendendo em geral a população mais pobre. Para se definir o viés das questões, a Folha considerou limiares estatísticos utilizados pela ETS, instituição americana que aplica o exame de certificação Toefl e avaliações de larga escala para o ensino básico nos Estados Unidos. A prova de inglês prejudica o desempenho geral dos estudantes da rede pública no Enem. Usando a mesma metodologia utilizada no exame (TRI), a reportagem simulou a retirada da matéria na prova. Estudantes da escola pública subiriam em média 11 mil posições em 2019, num universo de 900 mil estudantes analisados. A faixa em que haveria mais ganho de posições seria entre os alunos do sistema estatal que pontuaram entre 450 e 600 pontos (a maior nota da prova foi 802). Os estudantes com melhor desempenho, apesar de ganharem menos posições, foram igualmente prejudicados por esse viés, pois na faixa acima dos 600 pontos em geral se disputam vagas mais concorridas no ensino superior; poucos pontos são suficientes para classificar o candidato ou não. A prova de inglês prejudica o desempenho geral dos estudantes da rede pública no Enem. Usando a mesma metodologia utilizada no exame (TRI), a reportagem simulou a retirada da matéria na prova. Estudantes da escola pública subiriam em média 11 mil posições em 2019, num universo de 900 mil estudantes analisados. A faixa em que haveria mais ganho de posições seria entre os alunos do sistema estatal que pontuaram entre 450 e 600 pontos (a maior nota da prova foi 802). Os estudantes com melhor desempenho, apesar de ganharem menos posições, foram igualmente prejudicados por esse viés, pois na faixa acima dos 600 pontos em geral se disputam vagas mais concorridas no ensino superior; poucos pontos são suficientes para classificar o candidato ou não. Um atenuante no sistema superior público é que há cotas em boa parte das instituições (ou seja, alunos do ensino médio público disputam entre si) O Enem também é usado como critério para permitir o estudante ingressar no ensino superior por meio do Prouni (bolsas em universidades privadas) e Fies (financiamento estudantil). Inglês e português são considerados no mesmo bloco de questões de Linguagens no Enem. A metodologia do exame busca identificar chutes, ou seja, erros e acertos inesperados de acordo com o perfil do candidato dentro de cada área. Assim, um bom aluno da escola pública que foi bem em português, mas errou consideradas fáceis em inglês, terá sua nota rebaixada, pois não se esperava que ele errasse tantas questões nessa área. O pesquisador Ricardo Primi​, especialista em avaliação e psicometria, afirma que esse volume desproporcional de erros presentes para uma determinada população é algo que avaliações de larga escala deveriam buscar evitar (efeito chamado de Funcionamento Diferencial do Item). "O inglês é uma língua que depende muito da oportunidade [fora do ensino regular] de ter aprendido aquilo, é de fato uma dimensão diferente", diz ele, que é professor da Universidade São Francisco. "Não dá para dizer que todo mundo que sabe muito bem português sabe inglês. Mas quando é colocado na mesma prova, assume-se que sim." O Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), responsável pelo exame, informou que não tem análise específica sobre o impacto do inglês para alunos das redes oficiais. O MEC (Ministério da Educação) não respondeu à Folha. Não há informações oficiais sobre o conhecimento dos brasileiros em inglês. Pesquisa do British Council de 2013 indicou que 5% da população com mais de 16 anos afirmou ter algum conhecimento da língua. O percentual chegou a 10% no grupo de jovens de 18 a 24 anos. Outro levantamento da EF Education First, empresa de educação especializada em intercâmbio, coloca o Brasil entre os países com baixa proficiência. Na 53ª posição no ranking de 2020, entre 100 regiões e países analisados, o Brasil ficou atrás de Argentina, Paraguai, Bolívia e Cuba. É LEI A LDB (Lei de Diretrizes e Bases) da Educação preconizava desde 1996 a oferta de ao menos uma língua estrangeira a partir dos anos finais do ensino fundamental. Não definia o inglês como obrigatório, mas este sempre foi o mais comum. Desde 2017 o ensino do idioma se tornou obrigatório a partir do 6º ano do ensino fundamental. Apesar disso, a realidade nas escolas acumula grandes dificuldades. A inadequação de formação dos professores que lecionam língua estrangeira é a maior no ensino fundamental entre todas as disciplinas, segundo dados do MEC. No ensino médio, mais da metade dos docentes de língua estrangeira não tem formação na área —o indicador só é pior em sociologia. Somente com a Base Nacional Comum Curricular, aprovada em 2018 e em processo de implementação, é que se avançou para definir o que se espera que seja ensinado. O documento também busca maior foco nas habilidades de uso do idioma. O estudante Kaique dos Santos, 19, mora no Capão Redondo, zona sul da capital paulista, e sempre estudou em escola pública. Ele não tem boas memórias com relação ao inglês. "As aulas eram bem precárias. Muitas vezes nem tinha professor, e quando tinha a professora passava um exercício e era isso, acabou o trabalho", diz ele, que busca uma vaga em engenharia e se matriculou no Cursinho da Poli para se preparar melhor. "Eu não tenho grande dificuldade porque sempre me interessei pela tradução de música, anoto as palavras que me interesso. Acho que fui bem nesse Enem, mas pra quem não tem celular e acesso fica mais difícil." VERBO TO BE Se o trabalho de inglês nas escolas fosse articulado com outras disciplinas, bons resultados viriam com mais facilidade, avalia a professora Ana Gilda Leocadio, 50, com quase três décadas de carreira na rede pública e privada. Leocadio leciona hoje na rede municipal de São Paulo e tem experiências com ensino médio e educação de jovens e adultos, com atuação sobretudo na periferia de São Paulo. "A gente precisa analisar o que se espera da educação pública em língua estrangeira, que é muito pouco, e não se espera que um aluno que esteja na periferia saiba inglês. Quando os alunos chegam no ensino médio, falam 'professora, de novo ‘verbo to be'", diz. Ela cita como problemas falta de materiais específicos, quantidade de alunos por sala e o próprio desprestígio da disciplina na escola. Mas o aprendizado é possível, diz ela, com planejamento e envolvimento profundo na realidade escolar. "É um trabalho para durar mais de três anos com a mesma turma, precisa reconhecer a comunidade escolar, o entorno, e daí vão surgindo assuntos que têm a ver eles.” Ela representa um perfil incomum entre docentes de inglês: tem formação específica na área, longos vínculos com a mesma escola e é negra. "Trabalhei em Grajaú e Parelheiros [zona sul de São Paulo]. Quando chegava na sala e dizia ‘Hello, my name is Ana', era um 'noooossa'. Puro status! Porque não se espera que uma mulher negra seja professora de inglês, mas os alunos se veem representados em mim e acreditam mais que é possível.” Estudo do British Council sobre políticas públicas para o ensino do inglês, de 2019, fez um mapeamento dessa oferta no Brasil evidenciando aspectos que incluem deficiências no currículo, no perfil e na formação dos professores. A partir de dados oficiais, a pesquisa mostra que quase quatro em cada dez docentes da matéria são temporários "O inglês é um marcador social", diz Cíntia Toth Gonçalves, gerente sênior para o inglês do British Council, organização internacional do Reino Unido. "Persiste até hoje no Brasil a noção de que não se aprende inglês na escola, e isso ocorre na rede privada também, como se curso de idioma fosse o ambiente propício para isso", diz O British Council tem um observatório que reúne informações sobre o tema e tem ações, em parceria com outras instituições, com impacto nas escolas e na formação de docentes. "Com aprovação da Base, a língua inglesa entra com a prioridade na comunicação dos alunos. É a ideia de o inglês ser uma língua franca, de comunicação no mundo", diz Gonçalves. O professor da USP Ivan Siqueira, membro do CNE (Conselho Nacional de Educação), diz que a Base Curricular é um passo importante para a melhoria do ensino no país. "A Base não resolve tudo, mas com a delimitação de competências e habilidades temos agora uma bússola." Siqueira explica que países como Chile, Colômbia e Espanha colheram frutos a longo prazo depois de adotarem programas estruturados para o ensino da língua. A Espanha, por exemplo, iniciou em 1996 uma política com foco na melhoria do idioma já a partir da educação infantil. "Políticas que deram certo envolvem currículo, material didático, formação de professores, mas têm de durar. Não dá para fazer programas de um mês ou um ano, não vai ter resultado." ESPANHOL No Enem, o estudante pode escolher entre inglês e espanhol como língua estrangeira. Os dados indicam que tanto na rede pública quanto na particular boa parte dos estudantes não tem conhecimento adequado de nenhuma das duas, mas opta pelo espanhol por entender que pode se sair melhor. O resultado, porém, não é bom. Se divididos os candidatos em quatro grupos (rede particular que optaram por inglês, pública em inglês, particular em espanhol e pública em espanhol), a média de acertos é maior nos dois grupos que elegeram o inglês. No sistema público, 50% dos estudantes optaram por inglês no último exame analisado (2019); na particular, perto de 70%. METODOLOGIA As análises foram feitas considerando os alunos concluintes do ensino médio regular que tinham informação sobre suas escolas nos microdados. Verificação de um viés em cada item foi feita para cidades com mais de mil alunos, de escolas públicas e privadas, utilizando o teste de Mantel-Haenszel, que mede a diferença na porcentagem de acertos entre alunos com notas próximas dos dois grupos. As medidas nacionais apresentadas são médias ponderadas pela quantidade de alunos de cada cidade. A classificação do efeito do viés como negligente, médio e grande foi feita de acordo com a classificação proposta pela Educational Testing Service, empresa americana sem fins lucrativos de avaliação educacional responsável por testes como Toefl.

  • O Globo

    Divergência sobre nome para diretoria que cuida do Enem e fracasso do exame agravaram desgaste entre ministro e presidente do Inep

    Alexandre Lopes foi exonerado nesta sexta-feira; proposta do Inep para regulação de instituições de ensino superior também gerou atrito

  • Agência Brasil

    Reaplicação do Enem tem mais de 70% de abstenção

    O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) registrou, no primeiro dia de reaplicação, ontem (23), 72,2% de ausências entre os candidatos inscritos. Hoje (24), no segundo dia de reaplicação, essa porcentagem foi 72,6%. Os dados foram divulgados nesta noite pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Esta é a terceira e última rodada de aplicação do Enem 2020, após o Enem impresso regular e o Enem digital. Os números incluem os dados da reaplicação do Enem e também da aplicação, pela primeira vez, em todo o estado do Amazonas, e nos municípios de Espigão D’Oeste e Rolim de Moura, ambos em Rondônia. Nesses locais, o Enem regular foi cancelado por causa do agravamento da pandemia do novo coronavírus. Podiam solicitar a reaplicação os participantes que estavam inscritos no Enem regular, mas que tiveram sintomas da covid-19 ou outra doença infectocontagiosa ou, ainda, que foram prejudicados por questões logísticas, como falta de luz, no dia do exame. Ao todo, de acordo com o Inep, 63.468 estudantes fizeram as provas do primeiro dia e 64.213, do segundo. O exame foi aplicado no Distrito Federal e em 1.503 municípios distribuídos em todos os estados. As provas do Enem 2020, no entanto, não foram realizadas pelos 753 inscritos no município de Boca do Acre, no Amazonas, devido a fenômenos da natureza que impossibilitaram a logística de aplicação do exame. “Conseguimos fazer a prova regular, a digital e a reaplicação. Foi bastante difícil. Nós tivemos várias alterações em relação ao que normalmente fazemos”, disse, em nota, o presidente do Inep, Alexandre Lopes. “Na parte das inscrições, da logística, conseguir salas, imprimir provas, trazer as pessoas e comissões ao Inep, durante a pandemia, para montar as provas, além de definir protocolos de biossegurança, foram contextos atípicos”. Segundo Lopes foi necessário inovar bastante na forma de fazer o Enem “para entregá-lo à sociedade e dar oportunidade aos participantes que, a partir de agora, poderão dar o próximo passo e buscar o sonho de acesso à educação superior”. Enem PPL Também fizeram o Enem nesta terça e quarta-feira os adultos privados de liberdade e jovens sob medida socioeducativa que inclua privação de liberdade (Enem PPL). Dos cerca de 42 mil inscritos, segundo o Inep, 24,9% faltaram no primeiro dia e 28% no segundo. O Enem PPL é aplicado dentro de unidades prisionais e socioeducativas indicadas pelos respectivos órgãos de administração prisional e socioeducativa de cada unidade da Federação. Só podem participar aqueles que assinam Termo de Adesão, Responsabilidade e Compromisso por meio de um sistema on-line. Resultados Os gabaritos das provas objetivas estarão disponíveis, segundo o Inep, na segunda-feira (1º) junto com os Cadernos de Questões. Os resultados do Enem 2020, tanto do impresso quanto do digital e da reaplicação, serão divulgados no dia 29 de março. As notas do Enem poderão ser usadas para ingressar no ensino superior e para participar de programas como o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), Programa Universidade para Todos (ProUni) e Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

  • Agência Brasil

    Estudantes comentam segundo dia de prova do Enem

    Estudantes que fizeram o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) ontem (23) e hoje (24) dizem que apesar de não terem conseguido se preparar ao longo do ano como gostariam, não acharam a prova muito difícil. Eles relatam também que muitos participantes faltaram e que as salas de aplicação estavam esvaziadas. “A prova em geral não foi tão difícil quanto eu imaginei, logo para mim, que estudei pouco. Algumas questões de matemática eram bastante simples, mas com textos que confundiam um pouco”, diz o estudante Vinícius Brasil Duarte, 19 anos, que fez a prova em Manaus (AM). Ele pretende usar o Enem para cursar engenharia química. Na sala de prova de Vinícius, dos 35 candidatos esperados, apenas 10 compareceram. “Creio que tomamos todas as medidas de proteção [por conta da pandemia do novo coronavírus], uso de máscara, álcool em gel, mas mesmo assim, fica um ar de insegurança. Eu particularmente fiquei inseguro”, diz. Também em Manaus, a estudante Nayandra Barbosa da Silva, 16 anos, conta que se sentiu preocupada por conta da pandemia. “Me senti muito insegura, fiquei muito nervosa, além de que o uso da máscara me incomoda muito”, diz. “Não consegui me preparar como eu queria para o exame. Não tive um ano letivo bom, não consegui ter foco em casa para estudar”, acrescenta. Ela fez a prova como treineira, para testar os conhecimentos. Terceira aplicação do Enem Esta é a terceira rodada de aplicação do Enem 2020, após o Enem impresso regular e o Enem digital. Agora, fizeram o exame adultos privados de liberdade e jovens sob medida socioeducativa que inclua privação de liberdade (Enem PPL) e os participantes que estavam inscritos no Enem regular, mas que tiveram sintomas da covid-19 ou outra doença infectocontagiosa ou, ainda, que foram prejudicados por questões logísticas, como falta de luz no dia do exame. O Enem também foi aplicado hoje, pela primeira vez, em todo o estado do Amazonas, e nos municípios de Espigão D’Oeste e Rolim de Moura, ambos em Rondônia. Nesses locais, o Enem regular, tanto impresso quanto digital, foi cancelado por causa do agravamento da pandemia do novo coronavírus. A estudante Beatriz Abreu, 17 anos, de Fortaleza (CE) foi uma das candidatas que solicitou a reaplicação porque estou positivo para covid-19 na semana do exame. Em meio a pandemia, ela conta que não conseguiu estudar como gostaria. “Me senti muito despreparada emocionalmente mesmo tendo o privilégio de ter o apoio tanto da minha escola e família. Mas sendo o meu último ano, eu não consegui fazer muitas coisas que tinha planejado. Perdi a motivação e passei basicamente um ano inteiro sem estudar. Então, definitivamente vou adiar mais um ano da minha vida em incertezas”, diz a estudante, que pretende cursar psicologia. Para a estudante Karen Eduarda Prestes, 18 anos, que mora em Barreirinha (AM), conseguir fazer o exame foi uma vitória. “Eu estou me sentindo muito feliz. A gente estava muito inseguro por não saber o que iria acontecer”, diz. Karen viu o exame ser cancelado não apenas em janeiro, quanto a decisão foi tomada para todo o estado, mas também na última sexta-feira (19), por decreto municipal. Devido ao aumento no número de casos de contaminados, a prefeitura avaliou como arriscado aplicar o exame. Após diversas tratativas, Barreirinha decidiu manter a aplicação, pois o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) afirmou que não remarcaria o exame no local. A prefeitura disse que tomou uma série de medidas, por conta própria, para evitar o contágio e que irá acompanhar os estudantes e familiares, monitorando-os e orientando-os a fazer um isolamento por duas semanas. Karen, que precisou viajar duas horas e meia de barco até o local da prova disse que, no final, achou a prova fácil. Desigualdades Na avaliação do educador especialista em Enem, Mateus Prado, este ano o exame evidenciará ainda mais desigualdades que as edições anteriores, uma vez que as aulas tiveram que migrar para o formato online e muitos estudantes foram prejudicados. “A gente inaugurou agora, com a pandemia, um novo tipo de diferença. Se a gente já tinha diferença entre as classes sociais, agora temos dentro das classes sociais”, diz. “As pessoas estão desalentadas. Ainda no ano passado, desde março, abril, já tínhamos pesquisas que mostravam que os estudantes do ensino médio e superior estavam desistindo de estudar e já se falava em desistências no Enem”. Segundo ele, os altos índices de abstenção mostram, além do medo em fazer as provas, a falta de preparo dos estudantes e a falta de acesso à educação. No Enem impresso, mais de 50% dos candidatos faltaram às provas. No Enem digital, o índice foi ainda maior, cerca de 70%. Isso irá, segundo ele, ter reflexos na ocupação das vagas nas universidades, tanto públicas quanto privadas. "Proporcionalmente, você vai ter, tanto em escolas públicas quanto nas escolas privadas, muito menos pessoas que são concluintes [aqueles que estavam matriculados no último ano do ensino médio em 2020] entrando nas vagas do Sisu e do Prouni”, diz. Gabaritos e resultados Os gabaritos das provas objetivas estarão disponíveis, segundo o Inep, na próxima segunda-feira (1º) junto com os Cadernos de Questões. Já os resultados do Enem 2020 tanto do impresso, quanto do digital e da reaplicação serão divulgados no dia 29 de março. As notas do Enem poderão ser usadas para ingressar no ensino superior e para participar de programas como o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), Programa Universidade para Todos (ProUni), e Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

  • Agência Brasil

    Enem tem hoje segundo dia de reaplicação de provas

    Hoje (24) é o segundo dia de aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para pessoas privadas de liberdade, para candidatos que tiveram as provas canceladas por causa do agravamento da pandemia do novo coronavírus, para aqueles que não puderam fazer o exame por estar com sintomas da covid-19 ou de outra doença infectocontagiosa e para participantes que foram prejudicados por questões logísticas. Nesta quarta-feira, os participantes farão as provas de matemática e de ciências da natureza e terão cinco horas para resolver as questões, que são todas objetivas. Ontem (23), fizeram as provas de redação, linguagens e ciências humanas. Ao todo, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), 276 mil estão inscritos para esta aplicação, que ocorre em 1.481 municípios brasileiros. Desses, 41.864 pessoas farão o Exame Nacional do Ensino Médio para adultos privados de liberdade e jovens sob medida socioeducativa que inclua privação de liberdade (Enem PPL). Mais 235 mil estavam inscritos no Enem regular, porém precisarão refazer o exame, seja por terem tido sintomas de covid ou outras doenças, seja porque foram prejudicados por questões logísticas, como falta de luz no local de prova. Também estão inscritos os 163.444 candidatos do estado do Amazonas, os 969 participantes do município de Espigão D’Oeste e os 2.863 de Rolim de Moura, ambos em Rondônia. Nesses locais, o Enem regular, tanto impresso quanto digital, foi cancelado por causa do agravamento da pandemia do novo coronavírus. A reaplicação seguirá as mesmas regras do Enem regular. Os horários de aplicação serão os mesmos. Os portões abrem às 11h30, no horário de Brasília, e fecham às 13h. A recomendação é que os estudantes cheguem com antecedência para evitar aglomerações. A lista do que é ou não permitido é também semelhante à aplicação regular. Os participantes deverão levar um documento oficial com foto - não é permitida a apresentação de documento digital -, caneta preta de material transparente e máscara de proteção facial. Aqueles que estiverem sem máscara serão impedidos de fazer o exame. Os resultados finais, tanto do Enem digital quanto do Enem impresso e da reaplicação, serão divulgados no dia 29 de março. As notas do Enem poderão ser usadas para ingressar no ensino superior e para participar de programas como o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), Programa Universidade para Todos (ProUni), e Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

  • Agência Brasil

    Professores e estudantes comentam primeiro dia da reaplicação do Enem

    Fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em meio a pandemia foi um desafio para estudantes entrevistados pela Agência Brasil. Lívia Baranda, 18 anos, e Raissa de Carvalhos Barbosa, 17 anos, viram a doença de perto. Ambas fizeram o exame hoje (23) no Amazonas, onde as provas regulares foram canceladas pelo agravamento da pandemia. “Há menos de um mês peguei covid e ainda tenho sequelas, como dores nas costas se eu ficar muito tempo sem movimentar, isso atrapalhou um pouco o desenvolvimento. Mas, não podia desistir e nem perder a oportunidade e me mantive firme por seis horas de prova”, diz Raissa, que fez as provas em Careiro da Várzea, interior do estado. A estudante, que conta que não descuidou da higienização e nem do uso da máscara, diz que a pandemia atrapalhou os estudos durante o ano. “A preparação foi um pouco menos que o esperado, por conta de todos os acontecimentos e perdas familiares e até mesmo por ter sido acometida pela doença, o ritmo de estudo caiu e fiquei parada por muito tempo. Com certeza a nossa saúde mental tem sido muito afetada, e isso prejudicou. Para fazer o exame hoje, usei meus conhecimentos adquiridos na escola e cursos online realizados até novembro de 2020. O que não chega nem a 10% de aprendizado de tempos normais”, diz. Apesar disso, ela diz que a prova estava “muito boa, assuntos fáceis”. A estudante pretende cursar engenharia de produção. Em Parintins, Lívia conta que teve medo de sair de casa para fazer o exame. “Eu fiquei com muito medo de fazer a prova neste momento. Estou em isolamento há muito tempo. Aqui a situação está complicada. Muitas pessoas se infectaram com covid. É um momento muito tenso. Fiquei indecisa sobre fazer o exame, algo importante para o meu futuro ou esperar o próximo Enem”, diz. Lívia perdeu dois tios por covid e viu a irmã ficar em estado grave por conta da doença. “Eu fiz todas as recomendações, usei máscara, usei muito álcool em gel. Eu sabia que uma hora teria que encarar essa situação”. A estudante pretende usar a nota do Enem para cursar direito ou medicina. Lívia diz que se dedicou muito aos estudos ao longo do ano, como pode. Após a suspensão do exame, ela juntou forças e, com a ajuda de professores, retomou o ritmo de estudos e conseguiu revisar o que ainda tinha dificuldade. “A prova do Enem é uma prova muito extensa, muito cansativa. Mas achei que deu para desenvolver bem as questões. O tema da redação foi algo que está bem presente nesses dias de pandemia, que tem bastante relevância”, analisa. Prova de redação Hoje, os participantes fizeram, além das provas de linguagens e ciências humanas, a única prova subjetiva do Enem, a prova de redação. O tema desta edição foi A falta de empatia nas relações sociais no Brasil. Para a professora de língua portuguesa e produção textual do Colégio Mopi, no Rio de Janeiro, Tatiana Nunes Camara, o tema de hoje foi mais fácil do que os outros temas das provas aplicadas este ano. O tema do Enem 2020 regular impresso foi O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira e o do Enem digital foi O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil. “A minha observação é que os temas são muito desequilibrados. Se a gente for pensar no critério de isonomia do concurso é complicado porque me parece bastante óbvia diferença de abordagem, principalmente em relação ao impresso [regular] “, diz. “Até a abordagem vocabular: estigma. Há níveis diferentes de aprofundamento, abordagem e de dificuldade de compreensão do tema”, acrescenta. Apesar disso, a professora elogia a escolha. “Acho um tema necessário, um tema de reflexão bastante profunda. Essas reações empáticas no Brasil estão extremamente abaladas. A gente está vendo isso nas pequenas coisas, temos exemplos diários, sobretudo na pandemia”, diz. “É um tema que está bastante atual”, complementa a professora e especialista em língua portuguesa e literatura do cursinho Aprova Parintins, em Parintins (AM), Ivone Travassos. “Observamos no período que estamos vivendo, em relação a covid, que as relações sociais hoje não se aprofundam. Não nos colocamos no lugar do outro em muitas situações. Devido ao excesso de informações, percebemos que as coisas que acontecem com os outros nos sensibilizam apenas por um momento. Não estamos preocupados. E as redes sociais parece que banalizaram isso”. Segundo Ivone, para os estudantes do Amazonas, por terem sido muito afetados pela pandemia, a falta de empatia fica ainda mais evidente. “O estado está passando por dificuldades. Tivemos um período sem oxigênio. Os alunos estão perdendo entes queridos”, diz. “Muitos estudantes foram prejudicados no preparo [com o fechamento das escolas]. Muitos não foram fazer as provas, penso que o número de candidatos presentes será abaixo do que gostaríamos”. Reaplicação Ao todo, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), 276 mil estão inscritos para esta aplicação, que ocorre em 1.481 municípios brasileiros. Destes, 41.864 pessoas fazem o Exame Nacional do Ensino Médio para adultos privados de liberdade e jovens sob medida socioeducativa que inclua privação de liberdade (Enem PPL). Outros 235 mil estavam inscritos no Enem regular, porém precisarão fazer o exame, seja por terem tido sintomas de covid-19 ou outras doenças, seja porque foram prejudicados por questões logísticas, como falta de luz no local de prova. Também estão inscritos os 163.444 candidatos do estado do Amazonas, os 969 participantes do município de Espigão D’Oeste e os 2.863 de Rolim de Moura, ambos em Rondônia. Nesses locais, o Enem regular, tanto impresso quanto digital, foi cancelado por conta do agravamento da pandemia do novo coronavírus. Os gabaritos das provas objetivas da reaplicação do Enem 2020 serão divulgados pelo Inep no dia 1º de março, junto com os Cadernos de Questões. Os resultados finais, tanto do Enem digital quanto do Enem impresso e da reaplicação, serão divulgados no dia 29 de março. As notas do Enem poderão ser usadas para ingressar no ensino superior e para participar de programas [LINK: https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2021-01/conheca-os-programas-que-utilizam-notas-do-enem] como o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), Programa Universidade para Todos (ProUni), e Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).