Assunto

Imposto de Renda 2020: Restituição e declaração

  • Folhapress

    INSS começa a pagar aposentadorias com reajuste de 2021

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - As aposentadorias e pensões do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) começaram a ser pagas nesta segunda-feira (25) já com os valores reajustados. O calendário segue até 5 de fevereiro. A correção, que começa a incidir na competência janeiro, foi calculada com base no INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), cujo acumulado nos 12 meses de 2020 foi de 5,45%. Esse reajuste, no entanto, não será aplicado a todos os beneficiários. Quem começou a receber os pagamentos a partir de fevereiro do ano passado terá a correção proporcional à inflação acumulada do mês de início do benefício até dezembro. Para quem se aposentou em fevereiro, por exemplo, a correção é de 5,25%. Quem passou a ser beneficiário em dezembro terá 1,46%. Os beneficiários devem considerar que os valores reajustados também sofrerão descontos do IR (Imposto de Renda).

  • Agência Brasil

    Arrecadação federal cai 6,91% em 2020

    A queda da atividade econômica provocada pela pandemia do novo coronavírus (covid-19), aliada às desonerações para ajudar pessoas físicas e empresas, fez a arrecadação federal cair no ano passado. Segundo a Receita Federal, a União arrecadou R$ 1,479 trilhão em 2020, recuo de 6,91% em relação ao ano anterior, descontada a inflação oficial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O valor veio acima do esperado pelas instituições financeiras. Segundo o relatório Prisma Fiscal, pesquisa mensal divulgada pelo Ministério da Economia, os analistas de mercado esperavam que a arrecadação fechasse 2020 em R$ 1,461 trilhão. Com o resultado em 2020, a arrecadação federal registrou o nível mais baixo desde 2010, em valores também corrigidos pelo IPCA. Apesar da queda no acumulado do ano, a arrecadação federal reagiu em dezembro. No mês passado, a União arrecadou R$ 159,065 bilhões, com alta de 3,18% em relação a dezembro de 2019. O resultado foi o melhor para o mês desde 2013, descontada a inflação. O valor foi superior ao projetado pelas instituições financeiras, que estimavam arrecadação de R$ 150,068 bilhões, de acordo com o Prisma Fiscal. Fatores A Receita Federal listou quatro fatores para explicar a queda na arrecadação no ano passado. O primeiro foi a crise econômica decorrente da pandemia do novo coronavírus. Nos 12 meses terminados em novembro de 2020, fator levado em conta para a arrecadação de dezembro, a produção industrial recuou 5,32%, a venda de bens caiu 1,07%, e as vendas de serviços encolheram 7,41%. Essas retrações impactam a arrecadação de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), relacionado ao desempenho da indústria, e do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), relacionados às vendas. A receita de IPI caiu 7,01%; e a de PIS/Cofins, 11,92%, no ano passado, descontado o IPCA. O aumento do desemprego reduziu em 7,16% a arrecadação da Previdência Social em 2020, também descontada a inflação. O segundo fator que contribuiu para a queda da arrecadação foi o crescimento nominal (sem correção pela inflação) de R$ 62,1 bilhões nas compensações tributárias no ano passado. Por meio das compensações, os contribuintes abatem tributos a mais pagos anteriormente. Antes da pandemia, várias empresas pagaram Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) baseadas em previsões de lucros que não se cumpriram. Dessa forma, conquistaram direito a desconto nos pagamentos seguintes. Adiamentos O terceiro fator foram os adiamentos do pagamento de tributos nos primeiros meses da pandemia. O governo permitiu o diferimento (adiamento) do recolhimento de até R$ 85 bilhões no ano passado. No entanto, segundo estimativas da própria Receita, R$ 20,76 bilhões que deveriam ter sido quitados até dezembro deixaram de ser pagos. O quarto fator que ajudou a derrubar a arrecadação em 2020 foi a redução a zero do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em operações de crédito. Tomada para ajudar pessoas físicas e empresas durante a pandemia, a medida vigorou por cerca de oito meses e fez o governo deixar de arrecadar R$ 19,7 bilhões no ano passado. O pagamento atípico de R$ 8 bilhões de Imposto de Renda e de CSLL em 2020 reduziram a perda, mas não em ritmo suficiente para reverter a queda na arrecadação.

  • Bloomberg

    Sul da Flórida vê alta em busca por imóvel de luxo na pandemia

    (Bloomberg) -- O mercado imobiliário em Palm Beach está crescendo. E é preciso sorte para encontrar algo à venda.As vendas de residências no elegante mercado do sul da Flórida, lar do ex-presidente Donald Trump, mais que quadruplicaram no quarto trimestre em relação ao ano anterior, na maior alta em mais de uma década.O aumento na demanda ajudou a elevar o preço médio de venda em 29%, para US$ 4,9 milhões, disseram a avaliadora de imóveis Miller Samuel Inc. e a corretora Douglas Elliman Real Estate em relatório na quinta-feira.O estoque de condomínios e residências para comprar, por sua vez, é o menor em quase nove anos de pesquisa, de acordo com Jonathan Miller, presidente da Miller Samuel.“A pandemia está provocando um impacto tremendo na Flórida, onde mercados como Palm Beach agora são competitivos com a área metropolitana de luxo de Nova York”, disse Miller.Trump deixou a Casa Branca e foi para Palm Beach na quarta-feira, juntando-se à elite que se mudou para o sul enquanto as empresas de Wall Street procuram cada vez mais escritórios em um estado sem cobrança de imposto de renda. Compradores ricos que fogem de Nova York estão gerando um aumento no interesse por propriedades de luxo, o que também está impulsionando o mercado em Miami Beach.Em Miami Beach, foram 952 vendas de condomínios no quarto trimestre, a maior em cinco anos. O preço médio de venda saltou 20%, para mais de US$ 882.000.For more articles like this, please visit us at bloomberg.comSubscribe now to stay ahead with the most trusted business news source.©2021 Bloomberg L.P.

  • Folhapress

    Governo estuda desoneração linear para gerar emprego

    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O Ministério da Economia avalia modelos distintos de programas para estimular a geração de empregos. A retomada do mercado de trabalho é uma das prioridades do ministro Paulo Guedes (Economia) em 2021, principalmente após os efeitos da crise do coronavírus. A decisão será tomada com base no espaço no Orçamento e nas negociações políticas, pois as iniciativas dependem de aprovação no Congresso. Apesar de ainda considerar a ampla desoneração da folha de pagamentos como o plano ideal, a equipe econômica também trabalha com formatos mais modestos. A avaliação é que eles enfrentariam menos críticas da ala política e demandariam um volume menor de recursos públicos. Para reduzir os encargos sobre a contratação de mão de obra para todos os setores (de forma horizontal), a pasta defende que seja criado um imposto substituto, que incidiria sobre transações financeiras, nos moldes da extinta CPMF. Essa saída, porém, sofre forte resistência no Congresso. No debate sobre essa proposta, o Ministério da Economia já começa a se contentar com um formato reduzido e, portanto, mais barato. A ideia que mais ganha força no momento, de acordo com membros da pasta, é a de promover uma desoneração linear para todos os trabalhadores, mas apenas para um salário mínimo. Isso significa que os encargos pagos pelas empresas serão zerados para os trabalhadores que recebem o piso nacional. E, para aqueles que ganham acima desse valor, a isenção será parcial. Por exemplo, um trabalhador que ganha R$ 5.000 terá isenção sobre a parcela equivalente a um salário mínimo dentro desse valor. Com o plano mais enxuto, o governo passou a avaliar uma CPMF com alíquota de 0,1% e arrecadação de R$ 60 bilhões ao ano --a versão original previa alíquota de 0,2% e receita de R$ 120 bilhões ao ano. O novo formato estudado para a desoneração da folha tem custo estimado em R$ 40 bilhões. Portanto, haveria uma sobra de R$ 20 bilhões para outros programas. Em caso de resistência à proposta, uma opção estudada pelo Ministério da Economia é tentar novamente criar a Carteira Verde e Amarela (contratos de trabalho com redução de tributos para o empregador) com foco em novas admissões e para uma faixa de renda específica (salários mais baixos). Isso reduz o custo da medida. Em 2019, o presidente Jair Bolsonaro assinou uma MP (medida provisória) criando um programa que reduziu a tributação sobre empresas que contratassem jovens de 18 a 29 anos em primeiro emprego. A modalidade só valeu para contratações de pessoas com remuneração de até R$ 1.567,50. Isso foi chamado de Carteira Verde e Amarela, mas a iniciativa foi derrubada pelo Congresso, que passava por uma fase de atrito com o Palácio do Planalto. Para bancar esse programa, o governo previa cobrar contribuição previdenciária sobre o seguro-desemprego, o que também gerou críticas à MP. Uma nova versão dessa medida (com foco no aumento da formalização do mercado de trabalho), portanto, dependeria de recursos no Orçamento ou uma compensação, mesmo que menor do que na proposta de desoneração ampla (para todos os trabalhadores e setores). Os cálculos dependem do modelo a ser sugerido pela equipe de Guedes, pois variam de acordo com o público-alvo da Carteira Verde e Amarela. Segundo um auxiliar do ministro, a sobra de R$ 20 bilhões da arrecadação da CPMF poderia ser usada para financiar o programa. Com a Carteira Verde e Amarela, o trabalhador teria contrato mais flexível e poderia prestar serviços por hora, recebendo uma remuneração proporcional ao período trabalhado. Haveria a exigência de um valor mínimo a ser pago pela hora, mas, no fim do mês, a remuneração dessa pessoa poderia ser inferior a um salário mínimo. O economista e professor da PUC-Rio José Márcio Camargo afirma que a desoneração ampla é a medida mais recomendada. "A política é mais efetiva quando é para todos. Só assim é possível diminuir o custo de produção para todos, aumentando a concorrência e reduzindo os preços." Na avaliação de Camargo, que é próximo de Guedes, como a produtividade média do trabalhador brasileiro é baixa, o custo de contratação formal (pagando os encargos) se torna alto para o empregador. Por isso, acabam optando pela relação informal de trabalho. O governo também estuda um formato para o Imposto de Renda negativo, que poderia ser acoplado à Carteira Verde e Amarela. Nesse sistema, pessoas que recebem menos de um salário mínimo ganhariam do governo uma espécie de complementação. O valor seria depositado em uma conta para a aposentadoria do trabalhador. O objetivo é facilitar as contratações e incentivar a formalização do mercado de trabalho. No caso do Imposto de Renda negativo, a fonte de recursos não é o único problema. Como os repasses contariam como gasto primário, eles pressionariam o teto, regra que limita as despesas do governo. Por isso, para viabilizar os pagamentos, seria necessário cortar gastos em outras áreas. Com impacto fiscal menor, o governo também tem como opção uma reformulação no MEI (programa de formalização de microempreendedores individuais). Em 2019, por exemplo, o governo mudou as regras para permitir que motoristas de aplicativo pudessem se registrar como MEI. Isso permite que eles tenham um CNPJ, podendo emitir notas fiscais e fazer empréstimos com juros mais baratos. No programa, o microempreendedor individual paga uma taxa mensal, que funciona também como contribuição para a Previdência, contando como tempo para poder se aposentar. O MEI figura na lista de medidas que geram renúncia de receitas para os cofres públicos, mas, na avaliação de alguns integrantes do governo, a ampliação do programa seria benéfica, pois formalizaria trabalhadores autônomos e com baixa perspectiva de conseguirem um contrato formal de trabalho. As medidas na área do emprego são estudadas pela equipe econômica desde o início do governo, mas têm esbarrado em resistências políticas. Os atritos ocorrem não apenas no Congresso mas também entre a equipe econômica e auxiliares de Bolsonaro. O Ministério da Economia também não tem conseguido avançar com outras reformas de maior impacto prometidas pelo governo. Entre elas, a tributária e a administrativa, que reformula o serviço público. Também está travada a proposta que aciona gatilhos de ajuste fiscal, que poderia abrir margem no Orçamento para novos gastos. Na avaliação de Guedes, no entanto, há espaço em 2021 para que essa agenda seja destravada. A equipe do ministro acha que haverá disposição dos parlamentares após a eleição da cúpula do Congresso, em fevereiro. Antes disso, afirmam que nenhuma nova proposta deve ser apresentada.

  • Folhapress

    Antecipação do 13º do INSS vira dívida para aposentado que morreu em 2020

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Dependentes de beneficiários do INSS que morreram em 2020 terão que devolver parte do 13º salário recebido antecipadamente. O INSS publicou, nesta quinta (14), uma portaria determinando que a antecipação seja considerada uma dívida a ser paga pelos dependentes do beneficiário. O INSS vai cobrar o valor que considera ter pago a mais, ou seja, descontando os meses em que o segurado já não teria direito ao 13º. Por exemplo: se o aposentado morreu em agosto de 2020, os dependentes teriam direito de receber o 13º proporcional a oito meses do ano, de janeiro a agosto. Porém, como o abono foi pago antecipadamente e referente aos 12 meses do ano, o instituto vai cobrar a diferença, neste caso de quatro meses. Com o objetivo de conter os efeitos econômicos da pandemia, o INSS antecipou o pagamento das parcelas do 13º, que foi liberado entre abril e junho do ano passado. Agora, o governo estuda a antecipação das parcelas também em 2021. A ideia é que os pagamentos sejam feitos entre fevereiro e março. "A portaria publicada pelo INSS refere-se à cobrança de valores de 2020 em casos de ocorrência de óbito do segurado antes da conclusão do ano", informou a Secretaria de Previdência, em nota. O órgão ainda não informou como serão feitas essas cobranças. A portaria afirma que a dívida não pode ser descontada da pensão por morte gerada, por não haver legislação que autorize o desconto. De acordo com o advogado Rômulo Saraiva, a dívida será cobrada de forma administrativa pelo INSS dos sucessores ou do espólio. As novas regras abrem precedente para a cobrança de valores para a antecipação do 13º em 2021, quando confirmada. Tem direito ao 13° do INSS quem recebe: Aposentadoria Pensão por morte Auxílio-doença Auxílio-acidente Auxílio-reclusão Abono antecipado Uma das medidas do governo para tentar amenizar os efeitos econômicos da pandemia da Covid-19 foi a antecipação do pagamento do 13º para aposentados e pensionistas do INSS em 2020. As duas parcelas da gratificação foram pagas nos calendários de abril, maio e junho. A antecipação do abono foi feita em duas parcelas: 1ª parcela: de 24 de abril a 8 de maio 2ª parcela: de 25 de maio a 5 de junho O valor pago correspondeu a 50% do benefício mensal. Na segunda parcela houve o desconto do Imposto de Renda, considerando o valor total pago no 13º, para beneficiários acima do limite de isenção.

  • Folhapress

    Bolsonaro diz querer aumentar para R$ 3 mil valor da isenção de Imposto de Renda em 2022

    Diante da ameaça de paralisação de caminhoneiros a partir de 1º de fevereiro, Bolsonaro anunciou que vai zerar a tarifa de importação de pneus "para os caminhoneiros que passam dificuldades"

  • Yahoo Notícias

    Com Manaus sem oxigênio, Bolsonaro dedica início da live para IR e nióbio

    Enquanto Manaus vive um problema de falta de oxigênio em hospitais, a live discutiu sobre imposto de renda e grafeno

  • Reuters

    Bolsonaro diz que espera elevar isenção do IR para R$3 mil no próximo ano

    (Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira que pretende elevar a isenção do Imposto de Renda para todos que ganhem até 3 mil reais por mês no próximo ano, após reiterar que não foi possível mexer na tabela do IR em 2020 devido aos impactos econômicos da pandemia de Covid-19.Bolsonaro disse que gostaria de encerrar o mandato com isenção de IR para todos que ganham até 5 mil reais mensais, mas reconheceu que não será possível.

  • Folhapress

    Inaugurada há 20 anos, fábrica da Ford de Camaçari foi alvo de disputa entre estados

    SALVADOR, BA (FOLHAPRESS) - Primeira indústria automotiva instalada em um estado do Nordeste, a unidade da Ford em Camaçari (região metropolitana de Salvador), foi alvo de uma disputa de disputa entre estados brasileiros nos anos 1990 e tornou-se um dos principais símbolos da política de guerra fiscal no Brasil. Inaugurada em outubro de 2001, a fábrica da Bahia completaria 20 anos em atividade em outubro. Neste período, beneficiou-se de sucessivas prorrogações de incentivos fiscais concedidos pelos governos federal, estadual e municipal. Por outro lado, tornou-se um marco na diversificação da indústria na região, tradicionalmente voltada fabricação de matérias-primas --caso das indústrias do Polo Petroquímico de Camaçari-- ou produtos de baixo valor agregado. Inicialmente previsto para ser instalado no Rio Grande do Sul, o projeto da nova fábrica da Ford foi suspenso em abril de 1999, quando o governador Olívio Dutra (PT) rompeu o contrato que havia assinado com a montadora no ano anterior. Segundo o contrato, o governo gaúcho teria que repassar à Ford R$ 418 milhões (em valores da época) para capital de giro e obras de infraestrutura, além da concessão de incentivos fiscais. Na época, o então governador Olívio Dutra (PT) considerou o contrato "lesivo aos cofres públicos". A partir do rompimento do contrato, a Bahia passou a atuar para atrair a fábrica, em um movimento capitaneado pelo então governador César Borges e pelo então senador Antonio Carlos Magalhães, ambos do PFL. Além da estratégia agressiva de incentivos fiscais, o governo baiano apostou em uma guerra midiática para conquistar a fábrica. Logo após saber que o governo gaúcho queria fazer uma revisão no contrato com a montadora, o governo baiano publicou um anúncio conclamando a Ford e a GM para instalar suas fábricas no Estado. Em abril de 1999, o governo baiano publicou nos principais jornais do país com um que anúncio dizia o seguinte: "GM e Ford, venham para a Bahia. Aqui, a gente honra os compromissos e está sempre andando na frente". A decisão da Ford pela Bahia veio em junho de 1999. Para isso, contudo, não bastou o estado aceitar o pacote de incentivos fiscais previsto e oferecer um terreno a preço simbólico. O governo federal, pressionado pelos então aliados do PFL da Bahia, teve que alterar a lei que estabeleceu o regime automotivo para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, reabrindo do prazo de inscrição no regime até 31 de dezembro daquele ano. A pressão dos baianos acabou acirrando os atritos entre ACM e o então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Os dois acabariam rompendo em fevereiro de 2001 -- o presidente foi representado pelo vice Marco Maciel, então no PFL, na inauguração da fábrica. Com a manobra no Congresso, a Ford conseguiu beneficiar-se do regime especial de tributação que previa reduções de até 100% no Imposto de Importação, além de isenção de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) na aquisição de bens de capital e do Imposto de Renda sobre o lucro. "Havia uma disputa inter-regional e uma resistência em conceder incentivos para que a fábrica viesse para o Nordeste. Mas conseguimos contornar e mostramos que a vinda da Ford para a Bahia era perfeitamente viável", lembra o ex-governador Paulo Souto (DEM) e senador pela Bahia na época. Governador da Bahia entre 1999 e 2002, César Borges (sem partido) afirma que a vinda da Ford foi um marco para economia da região. "Foi uma política acertada. Além aumentar o PIB (Produto Interno Bruto) do estado e gerar empregos, formamos mão de obra em alto nível". A fábrica da Ford na Bahia foi inaugurada em outubro de 2001, com investimento de US$ 1,2 bilhão, em valores da época. Ao longo dos anos, foi consolidando a formação de um completo automotivo com dezenas de indústrias de autopeças no seu entorno. O Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari estima que fábrica gere 12 mil empregos diretos, sendo 5 mil diretamente da Ford e 7 mil nas sistemistas. Os empregos indiretos são estimados em 60 mil. A Ford afirma que cerca de 5.000 empregos no Brasil e na Argentina serão afetados, sem detalhar. A atração da fábrica, a criação de postos de trabalho e os incentivos fiscais concedidos por anos serviram de combustível para a disputa política na Bahia. A instalação do complexo automotivo foi um dos principais trunfos para o grupo do então senador ACM em campanhas políticas. Crítico nos incentivos à montadora durante o governo FHC, o PT esteve na linha de frente da negociação que resultou na prorrogação dos incentivos fiscais à Ford em 2011. O adiamento dos incentivos foi anunciado em 2009 pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em cerimônia em Camaçari.

  • Agência Brasil

    Caderneta de poupança completa 160 anos

    A aplicação financeira mais utilizada pelos brasileiros completa hoje (12) 160 anos. Poucos sabem, mas a caderneta de poupança significou, ao longo da história, importante papel para muitas pessoas alcançarem liberdades que vão muito além da questão financeira. Ao aceitar depósitos feitos por escravos, a poupança representou, no passado, uma importante ferramenta para que, ao guardar suas economias, parte da população escravizada conseguisse “comprar” a alforria. Caixa Ao ser criada, na cidade do Rio de Janeiro em 1861, com o propósito de “recolher os depósitos de poupança popular no Brasil”, a Caixa Econômica deu o primeiro passo para se tornar “a opção de investimento mais segura, acessível e adequada a todos os perfis, desde os pequenos poupadores a grandes investidores”, explicou o próprio banco, por meio de sua assessoria. Onze anos depois, com a publicação do Decreto nº 5.153, de 13 de novembro de 1872, a Lei 2.040, publicada um ano antes, foi regulamentada, de forma a possibilitar o recolhimento de depósitos feitos por escravos. “Trata-se de um assunto que se insere na própria história das transformações e das pressões pelo fim do trabalho escravo no Brasil, que ganhou força na segunda metade do século 19”, detalhou o banco à Agência Brasil. Com isso, as caixas econômicas passaram a recolher os depósitos feitos pelos escravos, que utilizavam a poupança para comprar suas alforrias. Segundo o banco, foi dessa forma que essas instituições passaram, nas diversas províncias brasileiras, a receber depósitos de escravos, emitindo, como no caso do depositante não escravo, uma caderneta de controle dessa movimentação. “A diferença é que na caderneta dos escravos constava o nome do senhor, uma vez que era necessária a autorização dele para que a conta do escravo fosse aberta”, acrescentou. Diversificação A fim de ampliar cada vez mais o seu público, os serviços de poupança vêm se diversificando ao longo do tempo. No caso do banco com maior participação no mercado de poupança (a Caixa, com 38,7%), o principal deles é a poupança integrada, que é vinculada à conta corrente, bastando ao correntista transferir os valores. Entre os produtos oferecidos pelo banco há ainda a Poupança Azul, modalidade de conta poupança para todas as pessoas, incluindo crianças ou qualquer dependente, e a Poupança CAIXA Fácil, modelo simplificado que pode ser aberto até mesmo em lotéricas. “Se o beneficiário do Bolsa Família abrir uma Poupança Caixa Fácil, passará a receber o benefício diretamente nessa conta”, informa o banco. As movimentações também mudaram com o tempo. Atualmente pode ser feito não só por meio de agências bancárias, como também por terminais de autoatendimento, internet banking ou pelo celular. Duas modalidades recentes, usadas inclusive para possibilitar o pagamento do auxílio emergencial, FGTS Emergencial e outros programas sociais, são as poupanças Social Digital e a Digital. “A Poupança Social Digital é uma conta simplificada, sem tarifas de manutenção, com limite mensal de movimentação de R$ 5 mil que foi aberta de forma automática para possibilitar o pagamento do Auxílio Emergencial”, explicou o banco. Caderneta de Poupança de Joaquim da Costa / Caixa Econômica Federal. - Arquivo/Caixa Econômica Federal Especialistas recomendam Especialistas consultados pela Agência Brasil consideram a caderneta de poupança a “aplicação financeira mais recomendada para pequenos poupadores, uma vez que seu rendimento é líquido e sem Imposto de Renda”, sugere o economista e professor licenciado da Universidade de Brasília (UnB) Newton Marques – um especialista em educação financeira, membro do Conselho Regional de Economia do Distrito Federal (Corecon-DF). Opinião similar tem o conselheiro da Associação Nacional de Executivos de Finanças (Anefac) Andrew Frank Storfer, mesmo considerando que a poupança não esteja em um de seus períodos mais rentáveis. “Hoje em dia até que não é das piores, pela baixa taxa de juros atualmente em vigor. Mas não importa. A poupança apresenta uma facilidade muito grande para se guardar reservas, quando comparada a alternativas do mercado financeiro que exigem um pouco mais de entendimento e, muitas vezes, volumes maiores de investimento”, disse ele. “Para baixos valores, a poupança é simples, isenta de Imposto de Renda, não tem taxa de performance e tem liquidez imediata caso alguém precise do dinheiro para emergências”, acrescentou o executivo da Anefac. Remuneração As regras de remuneração atuais das cadernetas de poupança estão em vigor desde maio de 2012: para cálculo dos juros, deve-se observar o índice de 0,5% ao mês, sempre que a meta da taxa básica de juros (Selic) for maior que 8,5% ao ano. Se a meta da Selic for igual ou inferior a 8,5% ao ano, o índice corresponderá a 70% da meta. Saldo recorde Em balanço divulgado recentemente pela Caixa, a poupança apresentou saldo de R$ 387,6 bilhões em setembro de 2020, o que representa avanço de 24,4% em 12 meses. Segundo o banco, esse crescimento, que corresponde a R$ 76,1 bilhões, reflete principalmente o impacto dos recursos creditados por causa do auxílio emergencial e do saque emergencial do FGTS, totalizando 180,8 milhões de contas no fim do terceiro trimestre de 2020.