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Notícias da Semana: o início da vacinação no Brasil e Bolsonaro sob pressão

O Brasil, finalmente, inicia sua vacinação contra a Covid, mas a falta de doses já preocupa as autoridades. Grupos convocam atos pedindo a saída de Bolsonaro. Pressionado, o presidente subiu o tom no discurso ideológico. Joe Biden toma posse como presidente dos Estados Unidos. Essas são as principais notícias da semana no Brasil e no mundo.
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  • Extra

    Ministério Público pede multa de R$ 50 mil por dia se a Prefeitura do Rio não divulgar lista dos vacinados contra a Covid-19

    O Ministério Público do Rio entrou nesta segunda-feira (25) com uma Ação Civil Pública na Justiça...

  • Folhapress

    Senado recebe processo de impeachment de Trump em meio a racha de republicanos

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Câmara dos EUA enviou nesta segunda (25) o artigo de impeachment do ex-presidente Donald Trump ao Senado, que dará a palavra final sobre o processo. O republicano é acusado de estimular a invasão do Congresso, feita por seus apoiadores em 6 de janeiro, para tentar reverter à força o resultado da eleição que perdeu. Embora ele já tenha deixado o cargo, o processo pode retirar seus direitos políticos e impedir que ele dispute a Presidência novamente. Em um gesto simbólico, a entrega foi feita por um grupo de nove deputados, que deixaram a Câmara, com os documentos em mãos, e caminharam até o Senado. Ao chegarem, comunicaram formalmente que estavam entregando as conclusões de sua investigação. O julgamento será conduzido pelo senador democrata Patrick Leahy, 80, decano da Casa. O primeiro impeachment de Trump foi presidido no Senado por John Roberts, juiz-chefe da Suprema Corte. No entanto, como o réu não é o atual presidente dos EUA, um senador pode guiar o julgamento. O início do julgamento não será imediato. Houve um acordo entre os partidos, e a análise do caso deverá começar só em 9 de fevereiro, dando duas semanas para que o presidente Joe Biden possa avançar com suas pautas no Senado, especialmente a nomeação de sua equipe de governo e um pacote de estímulo à economia. Ao mesmo tempo, o adiamento permitirá a Trump formular melhor sua defesa. E também dá mais tempo para os republicanos tentarem se entender --o impeachment só será aprovado se parte dos senadores do partido votarem contra o ex-presidente. No domingo (24), entrevistas exibidas na TV americana mostraram novos ecos de um partido dividido. O senador Mitt Romney, de Utah, disse que pretende votar a favor do impeachment. "O que vimos, um estímulo à insurreição, é uma ofensa de impeachment. Se não é, o que seria?", afirmou Romney, na CNN. Ele é um crítico de Trump de longa data e foi o único senador republicano a votar contra o então presidente no primeiro processo de impeachment, no início do ano passado. Do outro lado, outros republicanos leais a Trump defendem que seguir com o processo não faz sentido, porque o réu já deixou o cargo, e que puni-lo ampliaria as tensões na sociedade americana. Marco Rubio, senador pela Flórida, comparou o processo a "jogar gasolina no fogo" e disse, na Fox News, que a iniciativa é estúpida e contraproducente. Rubio comparou o caso de Trump com o de Richard Nixon, presidente que renunciou em meio a um processo de impeachment, em 1974, e foi perdoado em seguida pelo sucessor, Gerald Ford, que era seu vice. "Acho que todos concordariam que o perdão do presidente Ford foi importante para o país ser capaz de seguir em frente, e a história considerou Nixon como responsável por seus atos", comparou Rubio. O senador Tom Cotton, do Arkansas, defendeu, na NBC, que seguir o processo de impeachment contra um ex-presidente está fora das atribuições do Congresso. No entanto, a Constituição não estabelece prazos para a realização do julgamento, o que abre espaço para que ele ocorra após a saída do presidente do cargo. O peso político de Trump para o futuro do partido é uma das grandes dúvidas. Ele teve 74 milhões de votos na eleição de novembro, um recorde para um candidato republicano, e mostrou ser capaz de convencer milhares de pessoas a seguir lutando por ele, mesmo após a derrota. No entanto, o ex-presidente perdeu uma de suas principais armas políticas, seu perfil no Twitter, pelo qual mandava diversas mensagens por dia a milhões de seguidores, gerava polêmicas e atraía atenção. Desde que deixou o cargo, na quarta (20), Trump não deu declarações públicas. Após sair da Casa Branca, ele foi para a Flórida, onde possui um resort. Já senadoras democratas deixaram claro que pretendem seguir com o processo contra Trump, para responsabilizá-lo pelos atos do dia 6 que deixaram cinco mortos e evitar que uma situação similar ocorra no futuro. "Acho que vamos ter mais e mais evidências nas próximas semanas, como se não fosse suficiente que ele mandou uma multidão com raiva invadir o Capitólio, depois não tentou impedi-los e um policial foi morto", disse Amy Klobuchar, senadora democrata. "Nós precisamos de responsabilização, para Donald Trump e para todos que participaram daquela insurreição", disse a também democrata Elizabeth Warren. Esse é o segundo processo de impeachment enfrentado por Trump. No primeiro, ele foi inocentado pelo Senado 21 dias após o processo ser enviado pela Câmara. Desta vez, o julgamento no Senado poderá ser um pouco mais rápido: a expectativa é que dure em torno de duas semanas. Um dos pontos que aceleram as coisas é que o processo se baseia principalmente em ações feitas em público, como as declarações de Trump em um comício, poucas horas antes da invasão, e não em informações obtidas em investigações. Na Câmara, o processo foi aprovado dois dias após ser apresentado. O Senado terá de ouvir os argumentos da acusação --representada por deputados democratas-- e da defesa, antes de fazer a votação. Os senadores atuam como se fossem o júri. A acusação e a defesa podem solicitar a intimação de testemunhas e a inclusão de novas evidências, o que pode postergar o fim do julgamento. A aprovação do impeachment precisa do voto de 67 senadores. Atualmente, há 50 parlamentares democratas --incluindo dois independentes que votam com o partido-- e 50 republicanos na Casa. Ou seja, para que Trump sofra o impeachment, será necessário no mínimo o voto de 17 republicanos, além de todos os democratas. Se o impeachment for aprovado, haverá uma segunda votação, para retirar os direitos políticos de Trump. Esse veto precisa ser aprovado apenas por maioria simples (51 senadores). Pela lei americana, não é possível cassar os direitos políticos do ex-presidente caso ele seja absolvido no impeachment. Até hoje, nenhum presidente americano sofreu impeachment, seja enquanto estivesse no cargo ou depois de deixar a Casa Branca. Segundo o pedido de afastamento, o ex-presidente "fez, deliberadamente, declarações que encorajaram ações ilegais" e "continuará sendo uma ameaça à segurança nacional, à democracia e à Constituição". "Incitados pelo presidente, membros da multidão à qual ele se dirigiu [...] violaram e vandalizaram o Capitólio, feriram e mataram equipes de segurança, ameaçaram membros do Congresso e o vice-presidente e se engajaram em atos violentos, mortais, destrutivos e sediciosos". A carta cita ainda falas de Trump, como "se vocês não lutarem para valer, vocês não terão mais um país", e menciona os esforços dele para subverter a eleição, como o telefonema ao secretário de Estado da Geórgia, a quem pediu que "encontrasse votos" para mudar o resultado, além das reiteradas e infundadas declarações de que a vitória de Biden era resultado de uma fraude generalizada. "Em tudo isso, o presidente Trump colocou gravemente em perigo a segurança dos EUA e de suas instituições governamentais. Ele ameaçava a integridade do sistema democrático, interferia na transição pacífica de poder e colocava em perigo um braço do governo. Assim, ele traiu sua confiabilidade como presidente, para prejuízo manifesto do povo dos EUA", diz o texto.

  • Reuters

    Senado dos EUA confirma Yellen como primeira mulher no comando do Tesouro

    WASHINGTON (Reuters) - Janet Yellen obteve uma esmagadora confirmação do Senado como a primeira mulher secretária do Tesouro dos EUA nesta segunda-feira, preparando-a para trabalhar com o Congresso em novos estímulos econômicos em razão do coronavírus, na revisão da política de sanções dos EUA e fortalecimento da regulamentação financeira.O placar de votação no Senado foi de 84-15 para confirmar Yellen, com toda a oposição vindo dos republicanos, vários dos quais expressaram preocupação com a proposta de ajuda de 1,9 trilhão de dólares para alívio aos efeitos do coronavírus do presidente Joe Biden, bem como seus planos para impostos e gastos.

  • Folhapress

    Governo dá aval a compra de vacinas privadas contra Covid e envolve fundo de investimento

    BRASÍLIA, DF, SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O governo enviou uma carta à fabricante AstraZeneca na qual dá aval para que empresas privadas brasileiras possam adquirir um lote de 33 milhões de doses de vacina desde que metade do lote seja doado ao SUS (Sistema Único de Saúde), como revelou o Painel, da Folha de S. Paulo, nesta segunda (25). Na carta, encaminhada em inglês na sexta-feira (22), o governo envolve o fundo de investimento BRZ na negociação. O texto é assinado pelos ministros Wagner Rosário (Controladoria-Geral da União) e José Levi (Advocacia-Geral da União), além de Élcio Franco, secretário-executivo do Ministério da Saúde. Em cópia, aparecem o fundo Black Rock Holdings, que tem ações da farmacêutica anglo-sueca, e Gustavo Campolina, da BRZ Investimentos, com sede em São Paulo. Na carta, revelada pelo jornal O Globo e confirmada pela reportagem, o governo elenca algumas condições, como por exemplo que as companhias não podem comercializar os imunizantes e devem aplicá-los de graça em seus funcionários. Além disso, deve haver um sistema de rastreamento das vacinas. O assunto foi debatido com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na semana passada e ele autorizou a liberação de compra pelas empresas. Para conseguir efetivar a aquisição, as companhias ainda precisam conseguir uma autorização para importação e para uso emergencial da vacina pela Anvisa. Segundo integrantes do governo, o Executivo decidiu não se opor à compra porque o lote que é negociado pelas firmas privadas é muito mais caro do que o que já foi adquirido pelo Ministério da Saúde. A dose, no acordo construído pelas empresas está na faixa de US$ 23,79, valor muito acima do praticado no mercado. Além disso, o governo tem a expectativa de que as empresas doem ao Ministério da Saúde mais da metade do que será adquirido. Ou seja, o governo pode receber mais de 16,5 milhões de doses, suficiente para imunizar 8,25 milhões de pessoas. Havia no Executivo quem discordasse da hipótese de as firmas vacinarem funcionários antes de o SUS concluir a imunização de idosos, mas essa visão foi vencida. Embora grandes empresas tenham desistido de participar de um grupo que busca a comprar as vacinas, outras companhias reuniram-se nesta segunda (25) e insistem na negociação com o governo. O encontro ocorreu por videoconferência e teve 72 participantes. Segundo pessoas à frente da articulação, o número de companhias interessadas em realizar a aquisição do imunizante tem aumentado a cada hora. Na reunião, Fábio Spina, diretor jurídico da Gerdau, considerado o coordenador da negociação, pediu a cada empresa que se manifeste até esta terça-feira (26) sobre a intenção de realizar a compra ou não. Ainda no encontro, foram discutidos termos que poderiam ser oferecidos ao Ministério da Saúde para viabilizar a compra. Uma ideia, por exemplo, é que as empresas fiquem com um lote pequeno das vacinas e doem o resto ao SUS. Um cálculo é que com pouco mais de 1% do total de doses seria possível imunizar os funcionários de todos interessados. O restante ficaria com o governo federal. Um executivo que está à frente da negociação garante que as tratativas com o governo estão caminhando bem e por isso as empresas estão esperançosas com a possibilidade de compra. Depois que a Folha de S. Paulopublicou nesta segunda a intenção de empresas privadas adquirirem as vacinas, grandes firmas manifestaram-se dizendo que apenas foram convidadas a participar do grupo e declinaram o convite ou então desistiram de participar. Entre elas estão Ambev, Itaú, JBS, Santander, Vivo e Vale. Segundo empresários, a Ambev foi contactada pelo telefone, mas não quis participar de novas conversas. Já o Itaú, segundo a reportagem apurou, desistiu depois de avaliar que a repercussão do caso foi negativa para a imagem da empresa. Outras, como a Vale, não concordaram com os termos que estavam sendo debatidos e defendiam que as companhias doassem 100% das doses para o governo. Apesar da debandada de gigantes, articuladores da negociação garantem que várias empresas buscaram aderir à iniciativa.

  • Folhapress

    Presidente da Eletrobras troca empresa pela BR Distribuidora

    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente da Eletrobras (Centrais Elétricas Brasileiras S/A), Wilson Ferreira Junior, renunciou ao cargo nesta segunda-feira (25) e assumirá o comando da BR Distribuidora em março. A troca se deve em boa parte à falta de empenho no Congresso pela privatização da estatal. De acordo com o comunicado da empresa, ele ficará na presidência até o dia 5 de março. Ainda não foi definido o seu sucessor. Em evento no Rio de Janeiro, ele disse que há profissionais na Eletrobras capazes de assumir o cargo, como um dos cinco diretores. A estatal é responsável pela operação de cerca de um terço da capacidade de geração e metade da rede de transmissão de energia do Brasil. Em comunicado, a BR Distribuidora informou que seu atual presidente, Rafael Grisolia, deixará o cargo no final de janeiro e que convidou Wilson Ferreira Junior para substituí-lo. A companhia também passará por uma transição até a chegada do novo presidente. Ele vinha fazendo reclamações frequentes a seus interlocutores de desgaste à frente da Eletrobras. Um dos mais experientes profissionais do setor elétrico, o executivo ficou cerca de 18 anos na presidência da CPFL, antes de ser empossado na Eletrobras, em 2016, na gestão do ex-presidente Michel Temer. Conduziu um processo de retirada da União do controle da estatal que não foi aprovado pelo Congresso. Naquele momento, conseguiu avançar, em articulação com o governo, na venda das seis distribuidoras deficitárias ligadas à Eletrobras. Na gestão Bolsonaro, ele foi mantido no cargo, mas o modelo de saída do governo da companhia, foi refeito. Hoje, ele está parado no Congresso. "Com a reestruturação [da estatal] conclusa, o próximo projeto era exatamente a capitalização, que não pôde acontecer nos dois primeiros anos, e que não encontra, na minha avaliação pessoal, essa prioridade dos potenciais candidatos ao Congresso Nacional", disse para jornalistas no Rio de Janeiro. Ele também afirmou que não se dispôs a esperar mais, após cinco anos na companhia. Com o anúncio de sua saída, as ADRs (recibo de ação negociado na Bolsa de Nova York, EUA) registraram queda de 11,43%. Com o feriado desta segunda-feira em São Paulo, não houve pregão na B3. Parte dessa queda também refletiu as declarações dadas na quinta-feira (21) pelo candidato à presidência do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), de que a privatização da Eletrobras não será prioridade na sua gestão. Pacheco tem apoio do governo. Interlocutores afirmam que, nos bastidores, Wilson vinha reclamando bastante da falta de empenho do governo em levar adiante a capitalização da Eletrobras junto aos congressistas. À reportagem, o executivo negou que o problema fosse o governo e reforçou que se tratava da falta de articulação no Congresso. Disse que ainda nesta segunda-feira conversou com o ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre o processo de capitalização. Na capitalização, há uma injeção de dinheiro novo por meio da venda de ações da companhia em poder da União para investidores interessados. Quando isso ocorre, o governo tem a preferência para acompanhar o investimento. Neste caso, no entanto, a União não iria colocar mais dinheiro para manter sua participação, que seria então diluída a uma porção minoritária. Assim, o governo sairia do comando. Na privatização, um bloco de ações é vendido para um único comprador. Apesar da dificuldade em concluir esse processo, Wilson conseguiu vender as distribuidoras deficitárias ligadas à Eletrobras, reduzindo assim um endividamento bilionário. Renegociou a dívida (alongando prazos), além de reduzir o quadro de funcionários por meio de um Programa de Demissão Voluntária (PDV). Ele é apontado também como responsável por aprimorar o programa de compliance, padronizar estatutos sociais e resolver contenciosos nos Estados Unidos decorrentes de reflexos da operação Lava Jato. Mesmo assim, o executivo considerava que a companhia não teria condições de competir em igualdade com as empresas privadas nos próximos leilões, nem de realizar investimentos necessários. Embora tenha negado que a resistência do governo à privatização tenha pesado, Wilson teria dito para amigos que considerava a chance de sair marcado pelo provável insucesso da venda da Eletrobras, já em sua segunda tentativa. Preferia mudar de rumo no momento em que sua gestão trouxe bons resultados para a companhia. O convite da BR Distribuidora teria sido uma "feliz coincidência", segundo pessoa próxima que pediu anonimato. Em nota, o Ministério da Economia informou que o governo seguirá com o programa de desestatizações. "Em nada, isso interfere", afirmou. De acordo com o Ministério de Minas e Energia, Wilson permanecerá como membro do conselho de administração da Eletrobras. Segundo a pasta, o governo entende que a capitalização da estatal é essencial para a recuperação de sua capacidade de investimento. "Com a capitalização, a Eletrobras se tornará uma corporação brasileira de classe mundial, com capital pulverizado, focada em geração, comercialização e transmissão de energia elétrica, tornando-se uma das maiores empresas de geração renovável do mundo", disse a pasta. Nos bastidores, no entanto, membros do Ministério da Economia demonstraram dúvidas em relação ao plano de privatização da estatal. O otimismo sobre a possibilidade de venda deu lugar a um discurso de cautela. Uma pessoa próxima a Guedes afirma que, embora a ideia da pasta não tenha mudado, qualquer iniciativa da equipe econômica nessa área obedecerá "a ordem de prioridades da área política". No Congresso e entre membros da ala política do governo, há resistências contra o programa de privatizações do Ministério da Economia. Auxiliares de Guedes afirmam ser importante que o novo nome a comandar a estatal seja alguém alinhado à equipe econômica e que defenda a desestatização. No entanto, reconhecem que a decisão passará por debate no Ministério de Minas e Energia e o martelo será batido apenas após aval do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Membros da pasta afirmam que a saída de Wilson seguiu o mesmo script do ex-secretário de Desestatização do Ministério da Economia Salim Mattar, que pediu demissão em agosto do ano passado. Assim como Mattar, segundo os relatos, Wilson trabalhava pelo avanço da pauta de privatizações, viu que o processo não avançou no governo, não enxergou perspectiva imediata de mudança nesse cenário e decidiu sair.

  • Agência Brasil

    Presidente da Eletrobras pede prioridade na privatização da empresa

    “A missão foi cumprida”, afirmou hoje (25) em coletiva virtual, o presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Junior, ao confirmar sua renúncia do cargo por motivos pessoais, anunciada no último fim de semana. Ferreira Junior esclareceu que um dos motivos da renúncia foi considerar que as concessões para geração de energia que operam em regime de cotas são desfavoráveis não só para a União, como também para o consumidor brasileiro. Outra razão é que ele não vê o processo de privatização da Eletrobras como prioridade no Congresso Nacional. Para o presidente, “se o assunto não for julgado rapidamente, no primeiro semestre, será difícil viabilizá-lo (a privatização) este ano”. No ano que vem, que é um ano de eleição, o projeto encontraria dificuldade ainda maior. “É uma percepção pessoal”, destacou. Ferreira Júnior aceitou, entretanto, o convite feito pelo ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, e continuará como membro do Conselho de Administração da companhia. Para isso, já fez solicitação ao Comitê de Ética Pública da Presidência da República. Disse que seu compromisso é fazer a transição em 45 dias para o novo presidente assumir, além de fechar o balanço de 2020. “Tive e estou tendo a honra de conduzir o maior grupo de energia da América Latina, um dos cinco maiores do mundo”. Para Ferreira Junior, o processo de reestruturação da Eletrobras foi um dos maiores que conduziu. “A companhia tinha um conjunto de desafios elevados em sua estrutura societária”. Observou que todas as distribuidoras de energia da empresa, consideradas deficitárias, foram privatizadas até dezembro de 2018. Elas se concentravam no Norte e Nordeste do país. O balanço de gestão apresentado por Wilson Ferreira Junior inclui a redução de dívidas das controladas, diminuição do quadro de pessoal acima de 50% por meio de programas de demissão incentivada, profissionalização dos gestores por meio de processo público, redução de custos de 40%, desalavancagem da empresa para menos de duas vezes e meia, que é padrão reconhecido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “Essa reestruturação foi reconhecida pelo mercado; as ações praticamente quintuplicaram de preço”. A Eletrobras tem hoje um plano estratégico de 15 anos que permite sua capitalização, afirmou o presidente, que deverá ficar no cargo até o dia 5 de março. “É uma companhia que está hoje fadada ao sucesso, fruto de medidas de competitividade, de medidas de saneamento financeiro e de governança corporativa de classe mundial”, comentou. Entraves Um dos entraves à melhoria do desempenho da empresa é o conjunto de concessões de geração que operam pelo regime de cotas, citou o executivo. Esse regime é oriundo da Medida Provisória 579, que resultou em prejuízos para a Eletrobras da ordem de R$ 30 bilhões durante o governo Dilma Rousseff. Ferreira Junior informou que dois terços das cotas pertencem à Eletrobras e o risco hidrológico é repassado à sociedade brasileira. “Isso fez com que a tarifa de energia elétrica que é indexada à inflação tivesse ao longo de seis anos aumento de três vezes a inflação. O executivo defendeu um processo de mudança dos contratos de concessão por cotas e que existam outorgas de novas concessões em regime de produção independente, como ocorre com as demais empresas. Os recursos da Eletrobras para comprar essas novas outorgas viriam do aumento de capital. Em relação à privatização, reiterou que não basta os ministros de Minas e Energia, Bento Albuquerque, e da Economia, Paulo Guedes, defenderem a matéria. O projeto de lei tem que ser considerado prioridade pelo Congresso Nacional, manifestou Ferreira Junior. Melhorias De acordo com Ferreira Junior, a Eletrobras continua melhorando. No ano passado, teve quase R$11 bilhões de lucro, “o maior lucro em bases reais da companhia”, salientou. A empresa aumentou sua eficiência, investiu em automação e inovação e é agora uma empresa revigorada e buscando competitividade, apontou. O patrimônio líquido da Eletrobras, atualmente, após a reestruturação, alcança R$ 70 bilhões. “Mudou da água para o vinho”, comparou. O executivo lembrou que, em julho de 2016, quando assumiu a presidência, a Eletrobras estava em uma situação financeira delicada, com sua geração de caixa quase nove vezes alavancada, o que provocou atrasos na construção de usinas em que a empresa tinha participação. “Essa situação era muito generalizada, de quase um colapso financeiro da companhia, agravada por questões ligadas a ações que ameaçavam, inclusive, a deslistagem da Bolsa de Nova Iorque, onde tem o principal conjunto de acionistas da companhia”. O custo da empresa, naquela época, era 57% maior. Segundo Ferreira Junior, quase 63% das ações da Eletrobras pertencem à União, ao BNDES e a fundos da União. O restante, em torno de 90 mil acionistas, está espalhado pelas bolsas de Valores de São Paulo (B3), de Nova Iorque e de Madri. Ainda não há nome para substituí-lo no cargo. Ele foi convidado para substituir Rafael Grisolia no comando da BR Distribuidora.

  • Folhapress

    Ações da Eletrobras despencam em NY após saída de presidente

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A saída de Wilson Ferreira Junior da presidência da Eletrobras deixou o mercado financeiro preocupado com a companhia e com as privatizações no Brasil. Nos Estados Unidos, a ADR (recibo de ação negociado nos Estado Unidos) da Eletrobras caiu 11,76% nesta segunda-feira (25), feriado em São Paulo. Na mínima, chegou a despencar 16,40%. Segundo Ferreira Junior, a dificuldade em aprovar a privatização da estatal no Congresso, assim como uma descrença pessoal no avanço do processo, motivou sua saída do cargo. Sua renúncia foi anunciada na noite de domingo (24). Ele assumirá o comando da BR Distribuidora em março, a convite da companhia. A jornalistas, Ferreira Junior afirmou nesta segunda que a privatização da empresa é prioridade do governo federal, mas que essa vontade não é suficiente sem o apoio do Congresso. Ele apontou manifestações de candidatos à presidência da Câmara dos Deputados e do Senado que indicam que o avanço do projeto não é prioritário entre suas pautas e disse ver "um certo tabu no Brasil" sobre privatizações. A privatização da Eletrobras foi o que impulsionou sua valorização de 25% desde a posse de Jair Bolsonaro (sem partido), em 2019. Hoje, a companhia vale R$ 47,5 bilhões. Como o mercado acionário brasileiro está fechado devido ao feriado em São Paulo, as ações da elétrica na B3 devem repercutir a desvalorização no exterior. Nesta segunda, as ADRs de Petrobras caíram 0,98%. As do Banco do Brasil, por outro lado, subiram 0,27%. O índice que reúne as 20 maiores ADRs brasileiras caiu 1,73%. O ETF (fundo de índice) do Ibovespa recuou 1,48%. O dólar, porém, foi negociado no Brasil e fechou em alta de 0,58%, a R$ 5,5089, nesta segunda-feira (25), maior valor desde 5 de novembro. A desvalorização do real acompanhou a de outras moedas emergentes na sessão, mas, segundo analistas, o volume de negociação foi muito baixo devido ao feriado. Investidores também repercutem o aumento nos casos de Covid-19 e o teste positivo para a doença do presidente do México, Andrés Manuel López Obrador. O peso mexicano chegou a cair até 0,4% após a divulgação da notícia no domingo, que veio após o país registrar a pior contagem semanal de casos da Covid-19. Nesta segunda, a moeda se desvalorizou 0,71%. Nos EUA, investidores repercutem os balanços corporativos de 2020 e as negociações em torno do novo pacote de estímulo fiscal do presidente Joe Biden. O Senado americano busca aprovar o pacote de alívio à Covid-19 antes que o julgamento de impeachment do ex-presidente Donald Trump comece, no início de fevereiro. Segundo o líder da maioria democrata, Chuck Schumer, porém, o projeto pode não ser aprovado em um período de quatro a seis semanas. O índice Dow Jones recuou 0,12%. O S&P 500 ganhou 0,36%, e o Nasdaq subiu 0,69%. Na Europa, as Bolsas fecharam nas mínimas em duas semanas, com a queda na confiança empresarial na Alemanha por restrições mais rígidas no combate à Covid-19 e temores de que um avanço lento da vacinação atrase ainda mais a recuperação econômica. Documento preparado pelo Ministério da Economia, ao qual a agência Reuters teve acesso, afirma que a economia alemã, a maior da Europa, provavelmente atingirá seus níveis pré-pandêmicos em meados de 2022. O índice Stoxx 600, que reúne as maiores empresas da região, caiu 0,8%. A Bolsa de Frankfurt recuou 1,66%, e a de Paris, 1,57%. Londres teve queda de 0,84%.

  • Extra

    Auxílio emergencial: Bolsonaro diz que 'benefício não é aposentadoria'

    Ele também alegou que a capacidade de endividamento do país está "no limite", apesar de lamentar que haja "muita gente passando necessidade"

  • Reuters

    Lamento muita gente passando necessidade, mas endividamento está no limite, diz Bolsonaro sobre auxílio

    BRASÍLIA (Reuters) - Em meio a pressões até de aliados, o presidente Jair Bolsonaro voltou nesta segunda-feira a indicar que não haverá prorrogação do auxílio emergencial após afirmar a apoiadores que lamentava haver muita gente passando necessidade, mas que o endividamento do país está no limite.Questionado por um apoiador sobre se é a favor de um novo auxílio emergencial, Bolsonaro disse que não iria conversar sobre o assunto com ele, mas somente com o ministro da Economia, Paulo Guedes.

  • Folhapress

    Premiê da Itália vai renunciar em manobra para tentar formar novo governo, diz gabinete

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O premiê italiano, Giuseppe Conte, anunciou que vai renunciar nesta terça-feira (26). Mas ele não quer deixar seu posto —trata-se, na verdade, de uma manobra para tentar formar um novo governo e seguir no cargo. Segundo comunicado divulgado por seu gabinete, Conte convocou uma reunião do Conselho de Ministros para a manhã de terça, na qual deverá formalizar sua decisão, tomada após a saída de um dos partidos que formavam a coalizão atualmente no poder. No parlamentarismo, um governo só consegue funcionar enquanto tiver uma coalizão de apoio com força no Parlamento. A qualquer momento, um partido pode abandonar a base governista. Se essa saída deixar o governo com um número muito reduzido de representantes, o premiê precisa buscar um outro partido para lhe dar sustentação e ajudar na aprovação de propostas. Se não houver acordo, o Parlamento pode ser dissolvido, e as eleições, antecipadas. Assim, Conte vai apresentar a renúncia ao presidente italiano, Sérgio Matterella, e, em seguida, vai pedir autorização para tentar formar um novo gabinete. Na prática, o premiê terá mais espaço para oferecer cargos a outros partidos que queiram entrar no governo. De olho nos votos dos deputados de centro, o premiê prometeu reformular sua agenda política. Disse que gostaria de modernizar a Itália e acelerar a implementação de um plano de recuperação da economia, fortemente afetada pela recessão decorrente da pandemia. A crise atual começou depois que o pequeno partido Itália Viva, do ex-premiê Matteo Renzi, saiu da coalizão. Renzi critica a forma como Conte gerencia a emergência sanitária e acusa o premiê de centralizar as decisões sobre como gastar o dinheiro concedido pela União Europeia para recuperar a economia dos países. A gestão de Conte também é criticada por sua resposta à pandemia. A Itália foi um dos países mais afetados pela doença em 2020, e cenas de hospitais lotados no país foram um dos símbolos do início da crise da Covid-19. Quase um ano depois, o país segue com restrições à circulação para tentar conter o avanço da doença. A renúncia ocorre pouco antes de uma votação de uma reforma judiciária, prevista para esta semana, que o governo estava em rota de perder. Na semana passada, Conte ganhou um voto de confiança, mas por margem estreita. Com isso, teria de conduzir um governo de minoria, que certamente enfrentaria dificuldade para aprovar projetos. Conte está no cargo desde junho de 2018. Ele não é filiado a nenhum partido e conduz o governo formado principalmente pelo Movimento 5 Estrelas, legenda que se posiciona como antissistema, e o PD (Partido Democrático), de centro-esquerda. Se não houver acordo para um novo governo, haverá antecipação de eleições, que originalmente deveriam ocorrer só daqui a dois anos. No entanto, uma reforma política recente cortou em um terço os assentos no Parlamento, a partir da próxima eleição. Com isso, muitos legisladores não conseguirão se reeleger, mesmo que sejam bem votados. E, assim, poderão ter um estímulo extra para não antecipar a votação. Conte já sobreviveu a uma mudança radical no governo. Em 2019, o partido Liga, de direita nacionalista, deixou a coalizão, em uma tentativa de antecipar eleições. No entanto, o PD (Partido Democrático), de centro-esquerda, fez um acordo com o 5 Estrelas e passou a integrar o governo. Representantes do Itália Viva já disseram que poderiam voltar a fazer parte da coalizão se seus pedidos forem atendidos, mas tanto o 5 Estrelas quanto o PD afirmaram que não querem novo acordo com Renzi, a quem acusam de traição.