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São Paulo | Últimas notícias da capital e estado de SP

  • Folhapress

    Fiscalização fecha bingo com cem pessoas no centro de SP

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A fiscalização do governo estadual e da prefeitura fechou um bingo no bairro de Santa Cecília (região central de São Paulo), na noite de sexta-feira (9), durante ação por causa do toque de recolher no estado de São Paulo. No local, estavam cerca de cem pessoas e foram apreendidas 50 máquinas de videobingo. Eventos estão proibidos em São Paulo como medida para frear as infecções, mortes e internações decorrentes da Covid-19. No no local, os apostadores estavam aglomerados em um ambiente sem ventilação, segundo imagens divulgadas pelo governo João Doria (PSDB), o que contribui para a disseminação do novo coronavírus. A fiscalização não informou se o lugar foi multado. Na mesma noite de fechamento do bingo, foram inspecionados 26 estabelecimentos comerciais em São Paulo e 16 pessoas acabaram detidas. Entre estes lugares, a polícia encontrou uma festa clandestina, em Guaianazes (zona leste),um bar e uma lanchonete na Aclimação (centro), e uma tabacaria na Água Branca (zona oeste), todos funcionando de forma irregular, fora de horário permitido e com aglomeração de pessoas . A Polícia Militar afirma ter atuado em 31 ações de apoio à Vigilância Sanitária na capital, no litoral e no interior, entre a noite de sexta (9) e madrugada deste sábado (10). No total, foram feitas 1.671 dispersões e flagrados 392 pontos de aglomeração no estado. Ao menos 114 pessoas acabaram presas, 76 delas eram procuradas pela Justiça. Em um vídeo divulgado pelo governo, um policial que integra a força-tarefa da fiscalização usa um megafone para pedir a colaboração e calma aos frequentadores de um dos lugares. A PM já realizou 5,8 mil operações em todo o estado desde o início do toque de restrição das 23h às 5h, iniciado em 26 de fevereiro. No total, 4.900 pessoas foram presas, 3,2 mil delas eram procuradas pela Justiça. No período, o Procon realizou 6,6 mil fiscalizações que resultaram em 405 autuações. O Comitê de Blitze foi criado em 12 de março para reforçar as fiscalizações para cumprimento das medidas restritivas da fase emergencial da Rede São Paulo para evitar a propagação do novo coronavírus. O grupo é formado por agentes da Guarda Civil Metropolitana e da Covisa (Coordenadoria da Vigilância Sanitária) pela Prefeitura de São Paulo. Pelo governo do estado, atuam profissionais da Vigilância Sanitária, Procon e das polícias Civil e Militar.

  • Folhapress

    Prefeitura de SP antecipa vacinação de pessoas com 67 anos para esta segunda

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Prefeitura de São Paulo antecipou para esta segunda-feira (12) a vacinação de pessoas com mais de 67 anos. O governo paulista inicialmente havia anunciado que a vacinação dessa faixa etária começaria na quarta-feira (14). Na última sexta, porém, decidiu antecipar dois dias, para segunda, mas a capital do estado anunciou que só faria a imunização na terça (13). Segundo a prefeitura, isso ocorreria "por conta de o recebimento das doses estar programado para o final de semana, o que inviabiliza a logística de distribuição em tempo para iniciar antes". Neste sábado (10), no entanto, a gestão Bruno Covas (PSDB) voltou atrás e decidiu antecipar a imunização para segunda, como fará o restante do estado. Também neste sábado começou a vacinação dos profissionais da educação com 47 anos ou mais. Até esta tarde, a capital paulista já aplicou 2,2 milhões de doses. 1,5 milhão de pessoas recebeu apenas uma dose do imunizante, e 694 mil receberam as duas doses. A vacinação de pessoas com 67 anos poderá ser feita nas unidades básicas de saúde e nos drive thrus montados em shoppings, parques, clubes e estádios pela cidade, como na Arena Corinthians (zona leste) e no parque Villa-Lobos (zona oeste)--excepcionalmente na segunda e na quarta-feira o drive thru do estádio do Morumbi está fechado. Veja a lista de locais e endereços de vacinação na capital paulista: AMA/UBS Integradas Das 7h às 19h Postos Drive-thru Das 8h às 17h ARENA CORINTHIANS Av. Miguel Ignácio Curi, 2.492, Artur Alvim - Portão E4 IGREJA BOAS NOVAS Rua Marechal Mallet, 535, Vila Prudente AUTÓDROMO DE INTERLAGOS Rua Jacinto Júlio, altura do nº 589, Interlagos - Portão 9, entrada KRF CLUBE HEBRAICA Rua Ibiapinópolis, 781, Pinheiros - na parte superior do clube MEMORIAL DA AMÉRICA LATINA Rua Tagipuru, 500, Barra Funda - Portão 2 COMPLEXO ESPORTIVO DO IBIRAPUERA Rua Marechal Estênio Albuquerque Lima, 413, Paraíso PARQUE VILLA-LOBOS Av. Prof. Fonseca Rodrigues, 1.025, Alto de Pinheiros - Portão 3 CLUBE ATLÉTICO MONTE LÍBANO Rua do Gama, 261, Jardim Luzitânia SHOPPING ARICANDUVA Av. Aricanduva, 5.55, Aricanduva -- acesso pelo portão P4 CENTRO DE EXPOSIÇÕES DO ANHEMBI Rua Olavo Fontoura, Santa -- portão 38 CLUB ATHLETICO PAULISTANO Rua Honduras, 1.400, Jardim América SHOPPING ANÁLIA FRANCO Av. Regente Feijó, 1.739, Tatuapé HOSPITAL DOM ALVARENGA Av. Nazaré, 1.361, Ipiranga SHOPPING INTERLAGOS Av. Interlagos, 2.255, Interlagos -- estacionamento Subsolo, portão 5 SUBPREFEITURA DE M'BOI MIRIM Av. Guarapiranga, 1.695, Pq. Alves de Lima SUBPREFEITURA DE ITAIM PAULISTA Av. Marechal Tito, 3.012, Itaim Paulista MAIS SHOPPING Rua Padre José Maria, Santo Amaro - Estacionamento G 2 SUBPREFEITURA DA PENHA Rua Mandu, 451, Penha SHOPPING CAMPO LIMPO Estrada do Campo Limpo, 459, Vila Prel

  • Folhapress

    Merendeira que ajudou crianças em massacre de Suzano é 1ª profissional de educação vacinada no Brasil

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A funcionária da cozinha Silmara Cristina Andrade, 51, da escola Estadual Raul Brasil, em Suzano (SP), foi a primeira profissional da educação vacinada contra a Covid-19 desta categoria no estado de São Paulo. A escolha da escola estadual em Suzano como sede para a primeira vacinação é um ato simbólico. O estabelecimento foi palco de um massacre, em 13 de março de 2019, quando um ex-aluno, Guilherme Taucci, 17, e Luiz Henrique de Castro, 25, entraram no colégio armados e atiraram e mataram cinco estudantes e duas funcionárias. Outras 11 pessoas saíram feridas do ataque. Silmara foi uma das pessoas que ajudaram os estudantes a se esconder na cozinha durante o ataque --foram cerca de 50 alunos que permaneceram na área da cozinha até que chegasse a polícia. "Não esperava que ia ser tão rápido. É muita emoção", disse a merendeira, que recebeu a primeira dose da enfermeira Jéssica Pires, na manhã de sábado (10), com lágrimas nos olhos de felicidade. Silmara trabalha na cozinha da escola há 11 anos. A vacinação dos profissionais de educação estava prevista para a próxima segunda-feira (12), mas foi antecipada para este sábado. Além dos professores, serão vacinados todos os profissionais da área de educação como merendeiras, secretaria, O evento que marcou início da vacinação nos profissionais de educação ocorreu na Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano, região da Grande São Paulo, e contou com a presença do governador João Doria (PSDB) e dos secretários de Educação, Rossieli Soares, e da Saúde, Jean Gorinchteyn. "É a primeira escola do Brasil, não só do estado de São Paulo, a iniciar a vacinação dos profissionais de educação na sua cidade", disse Doria. Após Silmara, o segundo a receber a vacina foi o professor de matemática, também da escola Raul Brasil, Aguinaldo dos Reis Xavier, 49, que afirmou, pela regra de idade, só iria receber a vacina após as vezes pessoas com 50 anos ou mais. "A sensação é de emoção, realização. Não doeu nada. Estou aliviado. Só na minha rua duas pessoas morreram [de Covid], dá muito medo", disse o professor. De acordo com a Secretaria Estadual de Educação, serão imunizadas mais de 350 mil pessoas, representando 40% de todos os profissionais da educação básica em São Paulo. Questionado sobre quantas pessoas já haviam feito o cadastro até a última sexta-feira (9), mais de 463 mil, o secretário estadual da educação Rossieli Soares disse que esses 350 mil se referem aos profissionais com mais de 47 anos, mas já estão adiantando o cadastro de outros profissionais. "Temos um cadastro diferente dos outros para ter a segurança que é um profissional, realmente frequenta a escola, justamente para quem está na atividade e precisa [da vacina] para ter um retorno seguro". Soares afirmou ainda que a vacinação dos outros grupos estão em discussão com a Secretaria Estadual da Saúde, e levantou críticas ao governo federal quanto à entrega de doses. "Temos uma frustração infelizmente das vacinas que vem do governo federal, poderíamos ter muito mais vacinas e estar adiantados. O que segura hoje é a vacina do Butantan", disse. Questionado se não terá a testagem em massa dos profissionais da educação para o retorno às aulas, como está sendo feito pela secretaria municipal de São Paulo, Soares disse que o protocolo estadual contraindica a testagem massivo. "Não serve para nada, você faz o teste quando tem sintomas para o afastamento. Qualquer outra rede que esteja fazendo deve ser questionada, nós não vamos fazer testagem em massa", afirmou. "Não para escola. A ciência fala isso, fazer testes em pessoas sintomáticas você pega mais. Fazer testes em pessoas assintomáticas não serve para nada. Outras pessoas podem estar inventado outra ciência. "A posição do secretário, no entanto, é o contrário do que preconiza a Organização Mundial da Saúde e o Centro de Controle de Doenças (CDC) norte-americano, que defendem a testagem em massa para, a cada 20 testes feitos, detectar um caso positivo, oi uma taxa de positividade de 5%. Em setembro de 2020, a prefeitura de São Paulo anunciou a testagem de 777 mil professores e alunos da rede municipal para poder garantir o retorno seguro as aulas. Na próxima segunda-feira (12), as aulas irão retomar na escola, assim como em toda a rede estadual, com capacidade limitada a 35% dos alunos. Na cidade de São Paulo, os docentes e profissionais de educação poderão buscar as quase 90 Unidades Básicas de Saúde para a vacinação. Os 20 drive-thrus espalhados pela cidade também irão oferecer a imunização para os profissionais de educação. Diferentemente das pessoas com idades acima de 67 anos e os profissionais de saúde, incluídos na primeira fase de vacinação, o cadastro dos professores para receber a vacina é feito pelo endereço https://vacinaja.educacao.sp.gov.br/. Nele, o trabalhadores precisa informar o seu CPF e demais dados pessoais para comprovar que trabalha na rede de ensino. Para as redes municipais, particulares e federal, também é necessário apresentar os dois últimos contracheques para evitar fraudes. Somente após essa análise, feita pela direção da escola, é que é emitido um QRCode que o profissional deverá levar para o local de vacinação com um documento pessoal. Até a última sexta-feira (9), a plataforma recebeu 463 mil cadastros, dos quais 279.477 se enquadram no público-alvo, e somente 153.549 já possuem o QRCode e poderão procurar os postos de saúde para serem imunizados. Os demais terão de aguardar análise.

  • Agência Brasil

    Blitz contra aglomeração fecha bingo e autua festa em São Paulo

    O Comitê de Blitze do governo do estado e da prefeitura de São Paulo fechou na madrugada de hoje (10) um bingo no bairro de Santa Cecília, no centro da capital, com a presença de cerca de 100 pessoas. De acordo com o governo paulista, foram apreendidas 50 máquinas de videobingo no local. Medida visa evitar disseminação do novo coronavírus. O comitê também autuou uma festa no bairro de Guaianazes, na zona Leste da capital, um bar e uma lanchonete na Aclimação, na região central, e uma tabacaria na Água Branca, na zona Oeste. No total, 26 estabelecimentos foram inspecionados no município de São Paulo, três fechados e 16 foram pessoas presas. Integram o Comitê de Blitze agentes da Guarda Civil Metropolitana e da Coordenadoria da Vigilância Sanitária pela prefeitura de São Paulo. Pelo governo do estado, atuam profissionais da Vigilância Sanitária, Procon e das Polícias Civil e Militar.

  • O Globo

    Comitê de Blitze fecha bingo no centro e festa clandestina na Zona Leste de São Paulo

    Operações ocorreram na noite desta sexta-feira (9); em todo o Estado foram flagrados 392 pontos de aglomeração e realizadas 1.671 dispersões

  • Folhapress

    Número de óbitos de Sapopemba é maior que o de 626 cidades de SP

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O miniônibus da linha Hospital Sapopemba-Bresser deixa uma rua vizinha à estação de metrô Bresser-Mooca, na zona leste de São Paulo, com quatro passageiros, às 17h de terça (6). No ponto seguinte, sobem cinco. Dez pontos depois, há mais de dez em pé. Todos com máscaras. Com a chuva que começa, as janelas vão sendo fechadas. Uma mulher idosa não assume o risco de pegar Covid e segue a viagem se molhando. O ônibus faz um trajeto que supera 60 paradas nas quase três horas de viagem até chegar em Sapopemba, o distrito que soma mais óbitos por Covid na capital paulista. Ultrapassa, também, o saldo de mortos na pandemia de 626 das 645 cidades de São Paulo --inclusive o de municípios maiores, como Bauru. Foram 667 desde março do ano passado, e 18.827 casos registrados, também o mais alto da cidade. O distrito é seguido por Brasilândia (499 mortos) e Grajaú (488), segundo a Secretaria Municipal de Saúde. Áreas mais ricas não chegam perto: Morumbi teve 98 mortes. Pinheiros, 129. Com 300 mil habitantes, o distrito da zona leste abriga pessoas e famílias de classe média e classe baixa. Na topografia de morros e vales, onde a ausência de arranha-céus deixa o horizonte quase sempre a vista, despontam conjuntos de cinco e seis andares, os telhados de cortiços, favelas e terrenos baldios. Para se chegar do centro da cidade até Sapopemba, um carro pode demorar cerca de uma hora pela marginal Tietê. Desde 2019, também opera a estação Sapopemba, a antepenúltima da linha prata, onde, em dias úteis, embarcam em média cerca de 5.000 pessoas. Para o centro, é necessário fazer baldeação nas estações Vila Prudente (31 mil passageiros), Consolação (55 mil), e desembarcar em estações como Sé (125 mil) e República (76 mil). Os números, de fevereiro, são do Metrô. A utilização do transporte público pode ser um vetor importante do alto índice de contaminação neste bairro e em outros da zona leste. Na estação Bresser-Mooca do metrô, onde ambulantes, salões de beleza, igrejas e brechós estavam operando naquele dia de abril em que 4.195 pessoas morreram de Covid em todo o país, 21 mil pessoas realizaram o embarque por dia útil em fevereiro. A região de Sapopemba foi uma das destacadas no ano passado em estudo do Instituto Pólis que concluiu que a Covid, na capital, se propaga mais onde os moradores dependem mais de transporte público. O mesmo problema ocorre em Capão Redondo, Cidade Ademar e Jardim Ângela (zona sul), Brasilândia e Cachoeirinha (zona norte), Cidade Tiradentes, Itaquera e Iguatemi (zona leste). Os bairros com altos índices proporcionais de morte, porém, concentram-se na região central de São Paulo ou na zona leste. Além de Mooca, Bresser e Pari, Água Rasa aparece como recordista de óbitos por 100 mil habitantes. Na zona norte, Brasilândia lidera os rankings da prefeitura. Quem percorre as ruas de Sapopemba nota que boa parte da população utiliza máscaras nas grandes vias, o que se torna menos rigoroso nos corredores das favelas e nas ruas de baixa circulação. Havia bares abertos na noite de terça e durante o dia, na quarta (7). Eram estabelecimentos que não deveriam estar funcionando na fase emergencial decretada pelo estado, mas que dão sustento a famílias inteiras. Dentro de um bar com cerca de dez metros de profundidade e três de largura, na noite de terça, havia um campeonato de bilhar, uma mesa com jogo de baralho e um homem na máquina caça-níquel. Só o atendente usava máscara. A reportagem também identificou casas funcionando irregularmente na avenida Sapopemba, uma das mais extensas da cidade, e flyers de festas que aconteceram em janeiro, fevereiro e março no bairro. Nesta primeira semana de abril, circulava nos celulares de jovens da região o flyer de uma festa programada para sexta (9) com endereço a ser confirmado apenas após os interessados entrarem em contato por mensagem privada. Não é uma situação incomum. A reportagem identificou outros pontos de venda de bebida operando na madrugada de quarta. Por entre as grades de portões lacrados saem garrafas, maquininhas de cobrança ou o troco pelas bebidas alcoólicas. Na manhã seguinte, após sair de uma das "quebradas", uma mulher que preferiu não se identificar desceu a rua apontando para diversos conjuntos habitacionais. "Aqui morreram três", disse no primeiro edifício. "Aqui mais dois", disse no segundo. "Aqui mais três", no terceiro. Ela tocou o interfone em um deles, e logo veio conversar com a reportagem um homem de estatura mediana e aparência jovial. Servente de obras, Kleber Dias de Souza, 36, o Careca, perdeu a mãe, a missionária evangélica Maria Dias de Souza, havia uma semana. Ele disse que ela não descumpria o isolamento social, porém precisou levá-la a um hospital público, em fevereiro, para uma endoscopia. Juntos, eles pegaram um carro pelo aplicativo Uber e foram para o Hospital Vila Prudente. A desconfiança de Souza é de que sua mãe tenha contraído do coronavírus na unidade de saúde. "A sociedade precisa ajudar mais. Minha mãe estava isolada em casa", afirma, embora também confirme ter sido menos rigoroso do que ela nas quarentenas. "Falam que não pode ter aglomeração. Então pegue o ônibus de manhã para ir trabalhar. Tem gente que nunca entrou em um ônibus para ficar falando que não pode ter aglomeração", diz Souza. Um dia depois, o pedreiro entrou em contato com a reportagem e, aos prantos, manifestou tristeza e indignação. "Está duro demais para mim", disse. Ele estava certo que a condição social lhe impusera a injustiça de perder uma mãe disciplinada no isolamento. "Minha mãe orava pelos moradores aqui do bairro e promovia cultos por vídeo, no celular dela. Era uma mulher muito atenciosa com todos, e não estava saindo de casa". Na cerimônia de Vigília Pascal do dia 3 exibida pela Paróquia Imaculada Conceição, uma das mais conhecidas do bairro, em sua página no Facebook, há mais de 500 comentários, muitos homenageando mortos ou pedindo orações para quem contraiu o vírus. As cerimônias online se tornaram realidade para uma comunidade com fortes traços cristãos, e que ora por seus mortos sem compreender ainda por que eles são tantos. Circula nas redes, porém, o vídeo publicado em março de uma cantoria com tema evangélico, em frente ao Hospital Sapopemba. A homenagem causou aglomeração, ainda que com muitos mascarados. No hospital, que atende população de todo o município, mas em especial a região leste, há 74 leitos para tratamento de Covid, sendo 30 de UTI e 44 de enfermaria. Todos estavam ocupados nesta sexta (9). A atendente de uma mercearia na vizinhança levanta duas hipóteses para ter se contaminado. "Pode ter sido no trabalho. Mas, dias antes de eu apresentar sintomas, meu namorado passou no meu serviço e fomos juntos para o hospital do Jardim Iva [na Vila Prudente]. Ficamos duas horas para fazer uma ficha. A sala de espera estava lotada, e não parava de chegar gente com sintomas de Covid. Gente sem máscara e com falta de ar. Tinha muita gente em uma sala pequena, sem o distanciamento social." Passando por vielas de uma favela e depois de descer uma imensa escadaria que leva a um terreno cheio de barro, casas de alvenaria com tijolos e fiações aparentes despontam como outros vetores de risco. Famílias como a de Maria Virgílio, 61, se aglomeram em casas de dois ou três cômodos. Com ela vivem duas crianças, um homem e uma filha. Eles não fizeram testes para Covid e dizem que nenhum dos moradores ali apresentou sintomas até agora. Mas as condições impostas pelas restrições da fase emergencial, ao comércio e à circulação, agravaram a pobreza na vizinhança. Sem emprego, a fome é comum. Renato Dias de Brito, conhecido como MC Piruk, 33, identificou que muitos de seus vizinhos estavam tendo dificuldade para comprar mantimentos e se juntou a amigos para pedir doações e fazer a distribuição do que arrecada pelo bairro. "Noto que muita gente nem fala que está passando necessidade. Muita gente tem vergonha de pedir ajuda." Seu novo trabalho consiste em publicar anúncios pedindo doações nas redes sociais e distribuir, com o próprio carro, os alimentos recebidos. Brito e a namorada pegaram Covid recentemente, o que ele atribui à necessidade de trabalhar. A namorada usa transporte público diariamente até o emprego, em Santana. São duas baldeações e um ônibus. "Se tiver que parar transporte público, teriam que parar o serviço, senão quem tem emprego vai arrumar um jeito de chegar", pondera. "Se as kombis voltarem", diz, citando o transporte clandestino, "daí aglomeram ainda mais".

  • O Globo

    São Paulo retoma aulas presenciais na segunda; saiba como ficam as restrições no estado

    Vacinação de servidores da educação e professores previamente cadastrados começou neste sábado

  • Folhapress

    Mais de 57 mil não voltaram para tomar a 2ª dose de vacina na capital paulista

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo disse que 57.476 pessoas que já receberam a primeira dose da vacina contra a Covid-19 ainda não voltaram para receber a dose de reforço na capital paulista. Com isso, correm o risco de não adquirirem a imunidade máxima oferecida pelo imunizante. Estudos indicam que a eficácia da Butantan/CoronaVac é de 50,38%, e da Fiocruz/AstraZeneca, 76%. A vacina do Butantan deve ser aplicada 21 dias após a primeira dose, e da Fiocruz, depois de 12 semanas (90 dias) após a data da dose inicial. "A vacina, da forma como ela foi pesquisada, só é totalmente eficaz com a dose de reforço", afirmou o médico sanitarista e professor da Faculdade de Saúde Pública da USP (Universidade de São Paulo) Gonzalo Vecina Neto. As quase 57,5 mil pessoas que perderam o prazo correto de tomar a segunda dose representam 3,7% das 1.531.233 moradores da capital que tomaram a dose inicial do imunizante. Uma das maiores referências no país em políticas de saúde, Vecina Neto afirma que a informação sobre qual é de fato a redução da eficácia não existe. O motivo é que todos os estudos clínicos indicaram a eficácia no intervalo indicado, e não fora dele. "Não fizemos esse tipo de investigação. O que se sabe é que a máxima eficácia foi encontrada nesses intervalos", afirmou. Vecina Neto diz que as pessoas devem ser contatadas, e, se for o caso, a prefeitura deve ir até a casa de cada uma. Em nota, a secretaria afirma que tanto os médicos quanto os enfermeiros informam sobre a importância da segunda dose. Além disso, os agentes comunitários de saúde realizam visitas casa a casa para alertar a população da importância da imunização correta com as duas doses. A nota diz que as pessoas que não tomaram nenhuma das doses ou apenas a primeira delas são monitoradas. A pasta, da gestão Bruno Covas (PSDB), diz ainda que envia, via celular, informações sobre a chegada da segunda dose para aqueles que tomaram a dose inicial, e mantém abertas todas as salas de vacina, de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h, com a oferta da imunização contra a Covid-19. A secretaria não explicou os motivos para as pessoas não voltarem para tomar a segunda dose da vacina. Funcionários de unidades de saúde também ligam para alertar sobre a dose de reforço para quem tomou a primeira. Os públicos elegíveis podem ainda procurar os postos volantes em igrejas, shoppings, farmácias e drogarias parceiras.

  • Folhapress

    Prefeitura prorroga rodízio noturno de veículos em São Paulo

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Prefeitura de São Paulo, gestão Bruno Covas (PSDB), disse nesta sexta-feira (9) que irá prorrogar o rodízio noturno de veículos. A medida está em vigor desde o dia 22 de março e faz parte das ações de combate ao coronavírus na capital. Segundo a Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes, a prorrogação ocorreu por causa da decisão do governo estadual, gestão João Doria (PSDB), de estender, até pelo menos o dia 18 de abril, o toque de recolher entre 20h e 5h. Com isso, o rodízio convencional, das 7h às 10h e das 17h às 20h, não está vigente. O rodízio noturno segue a mesma lógica, com as restrições de acordo com o final da placa. A CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) disse que os caminhões continuam seguindo as regras do rodízio tradicional e, portanto, estão liberados para rodar durante a noite e madrugada. Também fica mantida a Zona Azul, bem como o horário das demais restrições existentes na capital paulista, como a ZMRC (Zona de Máxima Restrição à Circulação de Caminhões) e a ZMRF (Zona de Máxima Restrição aos Fretados). Combate à Covid-19 No dia 18 de março, quando o rodízio noturno foi anunciado, o prefeito afirmou que o objetivo da medida era fazer com que pessoas dependessem menos do transporte público nos horários de pico, além de forçar a diminuição na circulação de pessoas no período noturno. "Ao invés de [o rodízio] ser das 7h às 10h e das 17h às 20h, vamos liberar nesses dois horários para que as pessoas possam ter a opção do carro e não depender do transporte público", disse Covas, na ocasião.

  • AFP

    São Paulo retorna à 'fase vermelha'

    Toque de recolher e veto a cerimônias religiosas coletivas seguirão em vigor, mas, nesta sexta-feira, o governo do estado de São Paulo anunciou flexibilizações nas medidas restritivas contra a covid-19. Os 645 municípios paulistas vão deixar na próxima segunda-feira a 'fase emergencial' e retornarão para a chamada 'fase vermelha'.